Victoria’s Secrets e Calvin Klein se cuidem…

vem ai TAM underwear.

Depois de esquecer a minha mala em Paris e me deixar sem roupa nos meus primeiros dias no Brasil (tudo bem que com o calor que tá fazendo não preciso de muitas roupas) a TAM me deu uma necessaire cheia de produtos inúteis como sabão em pó e um desodorante muito vagabundo. Entre esses produtos estava essa maravilhosa calcinha/cueca. Deve ser suuuper confortável…

Que calor!

Estou no Brasil.
Balanço de 5 dias:
Baratas avistadas: 0
Malas perdidas: 1
Malas reencontradas: 1
Ligações infrutíferas para o serviço de bagagem da TAM no aeroporto Salgado Filho: inúmeras
Chimarrões: 234354 and counting
Churrascos: 1 à vista
Visitas a médicos, dentistas e outros profissionais da saúde: 2

Vagas para doutorado em ciências naturais

O departamento de ciências naturais da Universidade de Estocolmo abriu 37 vagas para doutorado em várias áreas como astronomia, biofísica, fisiologia e imunologia. As inscrições podem ser feitas até dia 20 de novembro.

Mais informações aqui. Clique nos respectivos links para encontrar as informações em inglês.

Enquanto isso, no Brasil…

Se me pedirem para citar uma coisa no Brasil da qual eu sinto vergonha, minha resposta não seria corrupção, nem prostituição, nem pobreza, seria isso

A classe média brasileira, em todo o seu esplendor.

Sobre o trabalho, a vida e as coisas

Eu sei que eu prometi escrever sobre a cidade onde estou dando aula, Karlstad, o problema é que a minha estada lá se resume a três lugares: o bed and breakfast onde eu “moro” (eu já disse em outro post que em sueco a gente “mora” nos lugares em vez de se hospedar) quando estou lá, a universidade e a estação de trem. Espero que ano que vem eu possa escrever alguma coisa e postar algumas fotos considerando que 1) vou ficar lá de segunda a quarta-feira e 2)adquiri uma máquina fotográfica guaipeca depois que a minha irmã tomou posse da minha ex-câmera. Mas o B&B onde eu moro, Birgitta B&B é ótimo, super recomendo se alguém estiver pelas bandas de Värmland (a província em que Karlstad se localiza). O B&B fica numa área cheia de casas antigas com pomares cheios de macieiras e pereiras e é super aconchegante, o café da manhã é simples (pães, frios, legumes, geleia, cereal, yougurte, leite, suco, café e chá) mas super gostoso, a cama é macia, o banheiro é limpo e melhor de tudo, o preço é camarada – cerca de 80 reais por noite.

Agora sobre a universidade. Esse é sem dúvida o melhor trabalho que eu já tive na vida (espero ainda estar pensando assim em 2 anos) e estou feliz por ter conseguido exatamente o emprego que eu queria considerando ser estrangeira e ter chegado aqui na Suécia a menos de três anos sem nenhum contato ou referência. Ainda não são as condições ideais: nesse semestre eu estou substituindo professores e dando algumas aulas em áreas que eu tenho mais conhecimento (mídia e movimentos sociais, por exemplo), ano que vem eu vou ter um contrato de 30% do tempo e lógico, tem o fato de que Karlstad fica a três horas de trem de Estocolmo, onde eu moro e nós não temos planos de mudar para o interior. Mas para o começo eu acho que está ótimo, estou conhecendo bastante gente, fazendo contatos e descobrindo várias oportunidades.

Contatos é algo que eu descobri ser algo indispensável aqui na Suécia, mais do que em outros lugares, principalmente em áreas profissionais que não são muito amplas por aqui, nas quais todo mundo se conhece. Eu acho que apenas nas faculdades da região metropolitana de Porto Alegre são oferecidas mais vagas para doutorado em mídia e comunicação por ano do que em toda a Suécia, só para dar um exemplo. Logo, conhecer as pessoas certas  é muito importante. A primeira disciplina que eu peguei foi por recomendação de uma antiga professora, como eu já contei, e porque eu estava lá na universidade e acho que eles ficaram satisfeitos com meu trabalho, me ofereceram outras disciplinas.  Eu sempre ouvi por aqui que o mais difícil é colocar o primeiro pé dentro do mercado de trabalho, depois disso as oportunidades surgem, mas não achei que fosse assim tão fácil, depois de já estar dentro. Por isso, eu não me arrependo nem um pouco de ter cursado um segundo mestrado aqui na Suécia pois além de ser de graça e de eu poder receber auxílio do governo durante parte dos meus estudos, se não fosse por ter cursado o mestrado, eu nunca teria conseguido esse emprego na universidade.

Além de eu estar gostando muito de dar aula, de ter contato com os estudantes e aprender bastante com eles eu fiquei positivamente surpresa com a recepção que tive no departamento. Todo mundo tem sido extremamente amigável, sempre que eu cruzo com alguém que eu ainda não conheço a pessoa se apresenta conversa um pouco comigo e tal. Na minha primeira semana, quando não sabia onde nada ficava, precisava de chaves, cartões,senhas e conta de email não faltou gente para me ajudar.

Espero que a minha (ótima) primeira impressão sobre a universidade seja mesmo a que vá ficar!

Umberto, o gato top model

Oi pessoas bonitas que leêm meu blog. Por motivo de furto (minha irmã roubou minha câmera) não tinha dado até o momento para mostrar o Umberto para vocês.

Mas aqui está ele, com todo seu charme e elegância.

Aqui está ele deitado em cima das contas a pagar, acho que ele tava com medo que faltasse dinheiro para a comida dele!

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Preguiça

As vezes eu leio uns posts tão legais nos blogs alheios e fico com vontade de estar com a pessoa numa mesa de bar, num banco de praça, num assento tre trem, trocando uma idéia.
Porque ando com uma preguiiiiiça de comentar. E esperar a resposta. E responder a resposta.

O grande projeto

Eu estou fazendo esse curso de redação acadêmica que não é um curso para estrangeir@s, na minha turma, de estrangeiras, somos eu e uma menina alemã. Até agora tive duas aulas, a professora é muito atenciosa e competente e o pessoal bem interessado. Por ser um curso noturno tem bastante gente mais velha que já trabalha há tempo. Os alunos são de todas áreas química, engenharia mecânica, serviço social, ciências políticas e por aí vai.

Na semana passada teve aquele negócio de se apresentar e a professora pediu que falássemos sobre a nossa experiência em escrever textos acadêmicos.

Daí chegou a vez dessa aluna falar, uma senhora de uns 60 anos.

- Meu nome é Kerstin, eu estudei Teoria Literária, Pedagogia e Francês e espero que esse curso vá me ajudar no meu projeto …

Professora: Legal, qual é seu projeto?

- É o projeto em que eu estou trabalhando

Professora: Que consiste em…

- Em um grande projeto que eu estou envolvida no momento.

Daí a professora deixou por isso mesmo né. Ficamos no aguardo das manchetes nos principais jornais, canais de TV e estações de rádio.

Reclamar pode ser bom

No post anterior falamos sobre expatriados reclamões, tem vários comentários interessantes então se você está chegando agora sugiro que os leia também. Eu acho que reclamar pode ser produtivo, dependendo da maneira como o fazemos. Esse post conta a história de uma briga que eu comprei aqui na Suécia porque achei que valia à pena. Os fatos se desenrolaram durante o final do ano passado e primeiro semestre desse ano.

Até janeiro do ano passado eu fazia um curso samado Svenska som främmande språk (sueco como língua estrangeira) na Universidade de Estocolmo. Esse curso era dividido em quatro disciplinas, Sueco oral, escrito, Realia (um tipo de Educação Moral e Cívica em sueco) e Projeto, essa última disciplina tinha como objetivo nos ensinar a fazer um projeto de pesquisa.

Sinceramente, se fosse possível eu trocava a aula de projeto por mais um semestre de gramática, que tive no primeiro semestre do curso com uma professora ótima, porque depois de duas graduações e dotois mestrados eu mais ou menos sei como fazer um projeto de pesquisa. Mas, como essa não era uma opção, fiz a matéria e, consequentemente, o projeto em grupo com mais três colegas.

Tudo correu bem, por incrível que pareça considerando que o trabalho era em grupo (correu tão bem que mantive o grupo com uma das colegas que fez o próximo curso comigo), fizemos nosso trabalho e entregamos a primeira versão para o professor. Ele sugeriu algumas correções e alterações e disse que no geral o trabalho estava bom.

No último dia de aula teríamos que apresentar o trabalho. Apresentamos, nossa apresentação recebeu alguns elogios dos outros colegas, mas quando chegou a hora de o professor fazer seu comentário, ele encheu o trabalho de defeitos, disse que nós usamos uma linguagem estranha, que nós escrevemos como falamos e que o trabalho tinha muitas estatísticas (detalhe: era uma pesquisa quantitativa). Uma das críticas que ele fez era o fato de termos usado a palavra mottagare que significa receptor significando isso mesmo, o receptor da comunicação, sabem, emissor e receptor, ele disse que a palavra era usada antigamente significando rádio, assim como usamos em português. O interessante foi que em uma aula do curso seguinte outro professor usou exatamente a mesma palavra com o mesmíssimo significado que tínhamos usado no nosso trabalho.

Mas não foi só isso não, no final da aula o professor resolveu fazer uma avaliação geral da turma. E aí veio a aula de didática. Ele disse que depois de termos estudado sueco pelo tempo que estudamos, já deveríamos falar bem melhor, que nós não estávamos preparados para fazer um curso universitário em sueco e que se ele fosse um empregador, não nos contrataria por que não falávamos sueco suficientemente bem.  E olha que essa era a última aula de um curso que deve preparar os alunos para um curso universitário em sueco.

Eu fiquei tão indignada que resolvi escrever uma carta para o DCE universidade (aqui se chama studentkår) relatando o que aconteceu, junto com uma das minhas colegas de grupo, que estava tão indignada quanto eu. Mandamos o email e depois de uns dias recebemos a resposta de uma moça chamada Eva, que nos deu algumas opções de passos que poderíamos seguir a partir da nossa reclamação. Nós falamos que não estávamos interessadas em revisão de notas, nós tínhamos passado e isso era o que interessava. No entanto, queríamos que o professor ficasse sabendo que o comportamento dele não foi apreciado. A Eva nos escreveu de volta e sugeriu que marcássemos um encontro com ela, o professro em questão e a chefe do departamento para discutir o problema. Ela então escreveu para a chefe do departamento, explicando o acontecido e pedindo para marcar o tal encontro.

…. (tempo passando)

Meses se passaram e nada aconteceu. Lá por abril eu recebo um email  da Eva dizendo que ela estava fazendo o relatório de fim de semestre, com todos os casos que ela tinha acompanhado e queria saber se nosso caso teve algum desfecho. Eu disse que não, e que tinha ficado decepcionada, porque isso para mim mostrava que o departamento não está nem aí para o que os alunos pensam. Ela me respondeu e disse que achava muito estranho, porque nós não pedimos revisão de prova nem nada, apenas queríamos conversar e disse que iria escrever novamente para a chefe do departamento. Dito e feito. A chefe que daí ja era ex-chefe repassou o email para o atual chefe que pediu desculpas, disse que estava se acomodando na nova função, que tinha muitas coisas para resolver e que nosso caso tinha ficado para trás, mas que nossa reclamação era importante e que iríamos marcar um encontro.

Encontro marcado, vamos eu e a minha colega primeiro conversar com a Eva que nos disse que não era a primeira vez que acontecia esse tipo de problema nos cursos de sueco como língua estrangeira e que  foi muito bom que nós tivéssemos escrito a carta e tal.

Durante o encontro nós falamos, falamos e falamos, perguntamos porque o professor não fez as críticas que ele tinha feito quando entregamos o trabalho para revisão e criticamos a maneira como ele se expressou diante da turma. A Eva falou para ele que aprender uma língua estrangeira depende muito de auto-confiança e por isso falar que não nos empregaria porque não falamos bem a língua não ajuda muito no aprendizado. Mas o melhor mesmo foi quando ela disse que queria ver as avaliações do curso, preenchidas pelos alunos no fim de cada semestre e ele ficou enrolando, porque eu acho que as avaliações não devem ser tão boas. Esse professor – que é tudo o que um bom professor não deve ser – só n0s pediu desculpas quando o chefe do departamento disse que ele, o professor, não tinha se expressado da maneira mais adequada.

No fim das contas, eu acho que valeu à pena ter reclamado. Esse professor deve pensar que os alunos estrangeiros não conhecem os canais para reclamar e por isso abusou de sua autoridade. Eu espero que agora ele pense melhor quando for fazer suas “avaliações”.  Para esse tipo de reclamação eu dou o maior apoio.

Como não ser feliz na sua vida de expatriad@

Há quase oito anos fora do Brasil, eu sempre ouço gente dizendo que nunca mais quer voltar a morar lá, ou gente dizendo que no Brasil tudo é maravilhoso, o sol, o mar, o futebol, o samba… Muita gente que quer sair do Brasil e pensa se a vida lá fora vai dar certo ou não. Então eu sempre me pego em análises pseudo-sócio-antropológicas de quais os fatores que fazem com que sejamos felizes e satisfeitos com nossa vida fora da pátria amada. Eu consegui elencar já alguns fatores, mas veja bem, essa é apenas a minha opinião. A sua pode ser diferente. Muitos desses erros eu já cometi, por isso achei por bem avisar.

1. Reclame de onde você está. Muito. Ache defeitos em tudo, tenha uma visão assim bem p&b, simplista e reducionista das coisas. Aqui não dá para ter empregada, ir na manicure, cabeleireiro, massagista então é ruim. Não ter carro então… Quem um dia disse que isso era o primeiro mundo errou feio.

2. Concentre-se no #1, mas não esqueça de explicar, salientar, fazer com que todos entendam que NO BRASIL TUDO É MELHOR. O sistema de saúde é maravilhoso, as escolas e faculdades todas ótimas racismo, que isso? Xenofobia? Xeno o que mesmo…? Esqueca o grande esquema das coisas. Ele não existe

3. Irrite-se com todo e qualquer estrangeiro que mostrar desconhecimento sobre o Brasil (desconhecimento e preconceito são coisas diferentes) afinal de contas nos sabemos muito bem quem é o presidente da Polônia, que língua se fala na Indía, sem falar na geografia da China e da Rússia, mesmo esses sendo países sem a mínima importância no cenário mundial.

4. Se você tem um-a parceir@ nativ@ do país onde está morando, deixe que ele-a resolva todos os seus problemas, não se meta.

5. Se você não fala a língua do país onde está, não se esforce muito em aprender.

6. Generalize bastante quanto aos nativ@s do país onde você está. Afinal de contas, a cor do passaporte deles é a mesma, muito diferentes eles não deve ser um do outro.

7. Generalize e discrimine também outros imigrantes, pois nada melhor do que achar um grupo em situação pior do que a que estamos para nos fazer sentir melhor. Saia falando por aí dos indianos que são sujos, coloque árabes e muçulman@s tod@s no mesmo saco e saia falando que eles não sabem viver numa sociedade civilizada. Romenos… todos ciganos, que são um povo em que não podemos confiar. Outros Latino-Americanos, que elegem elegem um índio e um comunista para presidente. Se você vem do sul do Brasil, não esqueça dos nordestin@s e goian@s. Classe média? Só se misture com seus iguais.

8. No trabalho, reclame que seus colegas são preguiçosos, pois povo trabalhador é o brasileiro. Também não se misture muito com seus colegas, porque eles provavelmente bebem demais, comem comidas esquisitas e não tomam banho.

9. Não perca tempo em aprender sobre a cultura e a história do país onde você está.

10. Também não procure entender muito sobre política, legislação e afins, porque nada funciona mesmo.

Fazendo todas essas coisas tenho certeza de que você terá uma péssima experiência em qualquer país e poderá voltar ao Brasil onde você vai, com certeza, reclamar que nada funciona e que bom mesmo é na Europa/Estados Unidos/Austrália/Japão. A não ser que você tenha morado na África, outros países da América Latina e mais uns tantos países considerados piores que o Brasil. Daí você vai voltar dizendo que o Brasil é mais ou menos como uma Europa abaixo da linha do Equador.

Por favor, não me siga

Disclaimer: Hoje eu vesti minha camiseta de CHATA, então provavelmente depois de ler esse post você vai achar que eu sou uma pessoa bem chata. Read at your own discretion!

Eu não entando muito toda essa hype das mídias socias. Bom, até entendo de um ponto de vista comercial. Se trabalhasse na área de comunicação de alguma empresa, partido político, ONG provavelmente acharia Tweeter, Facebook, Orkut e similares opções bem baratas e eficazes para se comunicar com os públicos dessas organizações.

O problema é que no nível pessoal as vezes fica parecendo que eu to recebendo a newsletter da vida dos meus amigos e conhecidos e isso é meio chato. Fica aquela sensação de que eu sou apenas mais uma na multidão de pessoas que precisam ficar sabendo que fulano foi para Madagascar ou que ciclana comprou uma bolsa nova.  Tipo assim, eu recebo a newsletter da Naomi Klein, porque existem bem poucas possibilidades de que ela vá me ligar para conversar sobre o último discurso do Obama. Agora, dos meus amigos eu apreciaria uma forma de comunicação mais pessoal.

Eu não sou uma daquelas pessoas nostálgicas que achava que no tempo das cartinhas éramos muito mais civilizados. Não mesmo, eu acho muito legal poder falar todos os dias com meus pais, que moram do outro lado do Oceano Atlântico. Com cartinhas nossa comunicação ficaria bem mais difícil. Também gosto da possibilidade de trocar mensagens com meus amigos no Orkut e no Facebook e de conhecer pessoas legais através do blog. Mas reparem numa coisa, em todas essas atividades que eu acabei de listar existe interação entre as partes. Eu converso com meus pais, troco mensagens com meus amigos pelo facebook e geralmente respondo os comentários do blog e comento em outros. Agora ficar jogando mensagens ao vácuo, contando não sei pra quem o que eu fiz ou deixei de fazer não é para mim. A ironia disso é que essas ferramentas foram idealizadas exatamente para que as pessoas se comuniquem mais, só que muitas vezes acabamos  nos comunicando menos.

Eu acho que eu fui contagiada pela paranóia que os ingleses tem por privacidade (eu mostrei o hitta.se, um site onde se pode descobrir o telefone, endereço ou nome de praticamente qualquer pessoa aqui na Suécia, e esse não é o único site aqui onde dá para fazer isso, para alguns amigos em Londres e ele ficaram genuinamente chocados com a possibilidade de ter seu endereço e telefone divulgados assim tão facilmente) e não quero ser seguida. Eu imagino a angústia que seria se eu tivesse um Twitter. Eu acho que teria aí por três seguidores, o que para mim já é um exército. Não, eu definitivamente não gosto de me sentir seguida. Talvez eu empregasse um ghost twitterer pra despistar meus seguidores. Quando eu fosse viajar para o Brasil, mandaria @ ghost twitterer escrever que eu estou a caminho da China.

Carros e música

A Saab tem revelado (bom, pelo menos para mim) artistas suec@s muito talentos@s em seus comerciais, primeiro foi a banda Oh Laura! com a música Release me e agora Asha Ali com The time is now.

Universidade de Karlstad

Como tem bastante gente que visita o blog para procurar informações sobre universidade na Suécia, eu resolvi escrever um post sobre a Universidade de Karlstad, onde eu vou dar aula. A universidade não está na lista de universidades suecas que eu coloquei nesse post aqui porque para falar a verdade quando eu escrevi o post eu não sabia que existia uma universidade lá. Só fiquei sabendo quando a minha orientadora me disse que eles tinham vagas de emprego e que o departamento de mídia e comunicação de lá era muito bom e os projetos de pesquisa “muito modernos e sofisticados”, nas palavras dela.

Quando eu cheguei na universidade eu me surpreendi, porque ela é enorme e super moderna. Na minha cabeça eu não imaginava que uma cidade de mais ou menos 50 mil habitantes (metade da minha cidade natal, de onde eu tive que me mudar para fazer faculdade) fosse ter uma universidade tão grande. A universidade é bem nova, foi fundada em 1999 e tem cerca de mil funcionários e 10 mil alunos, que é um pouco mais da metade do número de alunos que a UFSM, onde eu fiz a graduação, tinha no primeiro semestre de 2008.

Eu dei uma olhada no programa de mestrado em mídia e comunicação e achei bem interessante e bem melhor do que o programa da Universidade de Estocolmo, onde eu estudei. O curso se chama Master Programme with a profile in Global Media Studies e tem 2 anos de duração (120 ECTS). O curso tem duas habilitações: Media and Communication Studies e Information Systems e prepara tanto para carreiras em assessoria de imprensa, terceiro setor e análise de mercado como para seguir na carreira acadêmica cursando doutorado.

O departamento de Ciências Econômicas, Comunicação e TI, onde eu vou dar aula também oferece várias disciplinas de graduação em inglês, uma delas é a de Global Media mas também tem Media and Social Change, Web design and Digital Imaging, Digital Media, Culture and Politics entre outros, apenas na área de mídia e comunicação. Essas disciplinas são de 15 ECTS, que é metade de um semestre aqui na Europa.

A universidade também oferece vários cursos em inglês em outras áreas,e para quem está pensando em estudar na Suécia, vale à pena dar uma olhada. Uma das vantagens de morar em cidades menores é a facilidade de encontrar onde morar (é bem difícil encontrar apartamentos para alugar nas maiores cidades universitárias suecas, como Estocolmo, Gotemburgo e Lund) e os preços um pouco melhores. Eu só fui uma vez na cidade e passei apenas algumas horas, então não posso falar muito. Mas em breve, assim que tiver explorado um pouco, volto com mais informações.

Bye bye verão

Me dá uma angústia ver o blog às jogado às traças, mas acontece que eu estava ocupada aproveitando o verão. Sim, aproveitar o verão é mais ou menos uma religião por aqui. Na TV só passa porcaria tipo primeiras temporadas de Seventh Heaven e Gilmore Girls porque, hey, quem vai querer ficar sentado em casa assistindo TV quando o sol brilha lá fora até as 11 da noite. A piscina da academia fechou por seis semanas porque quem vai querer nadar na piscina limpinha com tantos lagos cheios de lodo dando sopa por aí. Desculpa gente, eu não gosto mesmo de nadar em lago, açude, rio, porque tenho nojo da lama que fica no fundo. Além do mais não conseguir ver o fundo me dá angústia. E se tiver um animal venenoso lá?

Apesar de eu não gostar de verão tenho que admitir que o verão sueco é bem mais agradável que o verão brasileiro, principalmente o verão no sul do Brasil – muito abafado e úmido – e particularmente em Santa Maria, onde eu morei os últimos seis anos antes de vir para a Europa, onde as folhas das árvores não se mexem, o sol é escaldante e não dá para viver sem ar condicionado. O verão aqui é melhor porque 1) tem vento, 2)à noite refresca bastante e 3) NÃO TEM BARATA.

Mas então, eu resolvi aproveitar o verão, só que não exatamente como os suecos. Não fui acampar, não nadei no lago (motivos já explicados) e não peguei um bronze, nem natural, nem artificial. Eu fiz alguns cursos na universidade, arrumei guarda-roupas, dei coisas, outras vendi no Tradera (Ebay sueco),  remei numa canoa pela primeira vez na vida, peguei um cruzeiro para a Estônia para celebrar a despedida de solteira de uma amiga, comi churrasco de picanha, fiz duas entrevistas de emprego e brinquei com o Umberto que agora já está interagindo bastante.

Mas agora acabou o aproveitamento porque o outono tá ai, piscina da academia reabriu. Os seriados legais tipo Desperate Housewives vão voltar a TV – na verdade eu queria que algum canal passasse Mad Men, mas não sei se vai rolar – e as aulas recomeçaram. Esse outono inicia com uma novidade, eu recebi uma proposta para dar aula na universidade de Karlstad, uma cidade que fica a 350 km de Estocolmo. Completamente out of the blue um professor me escreveu e disse que precisava de alguém para dar aula da disciplina de Global Media e que meu nome tinha sido recomendado a ele por alguns colegas. Minha surpresa foi que a professora que me recomendou – no início eu achei que tivesse sido a minha orientadora porque sei que ela trabalhou com professores dessa universidade – me deu aula no primeiro semestre do mestrado e nem trabalha mais na Universidade de Estocolmo. Fiquei super feliz por ter conseguido esse emprego sem ajuda de ninguém – bom com a ajuda da minha ex-professora, mas ela não me recomendou porque eu sou simpática e querida – sem ser amiga, namorada, esposa, filha, irmã ou prima de ninguém, apenas pela minha competência.

No início eu achei que esse professor que me contratou, sendo o responsável pela disciplina, iria preparar todo o programa e eu só chegaria lá para dar as  aulas, porque afinal de contas ele não  me conhece e eu não tenho experiência. Mas qual não foi a minha surpresa quando ele me pediu opinião sobre o programa, métodos de avaliação e disse que eu poderia escolher os assuntos que quero ensinar e os textos que vou usar. Depois disso a coordenadora do curso me ligou para discutir detalhes práticos tipo, se eu precisasse de livros poderia comprar que depois a universidade me reembolsa e já disse que semestre que vem pode ser que eles precisem de mim para outras disciplinas. Pois bem, nas últimas semanas tenho me dedicado a isso, pesquisar textos, le-los, tentar conter minha vontade de incluir no programa todos os textos interessantes que eu achei para não assustar os probres alunos. Segundo o professor esse é o primeiro curso que eles estão fazendo em inglês, então não dá para exigir muito. Além de agilizar coisas práticas como arrumar onde ficar em Karlstad (minhas aulas são quarta e quinta-feira então só vou ficar lá nesses dias), pesquisar preços de passagens de trem e tentar comprar livros nas livrarias online suecas que insistem em cancelar os meus pedidos.

No mais estou adorando  sair de casa de manhã com um ventinho frio batendo no rosto – ótimo para acordar – que me lembra o vento Minuano que soprava quando ia para a universidade às sete e meia da manhã em Santa Maria.

Umberto

Eu estava planejando escrever um post sobre a semana do orgulho gay que aconteceu semana passada aqui em Estocolmo, também sobre a parada gay, que foi sábado. Mas nada disso aconteceu por um motivo muito especial que se chama Umberto, o gato que nós adotamos.  Não foi nada difícil escolher ele entre os quase 50 gatos que estavam no abrigo, logo que a dona do abrigo abriu a porta do compartimento onde ele estava ele veio brincar conosco. Não dá para chamar o Umberto de gatinho porque ele é bem grande. Nós pegamos ele sexta-feira  passada no abrigo do qual eu falei no post aí embaixo. Daí sábado não fomos na parada porque não queríamos deixar o Umberto sozinho em casa.

Esse é o abrigo onde Umberto morava antes de ser adotado por nós.

Esse é o abrigo onde Umberto morava antes de ser adotado por nós.

Essa é a primeira vez que eu adoto um gato adulto (ele tem mais ou menos 4 anos), eu sempre tive meus felinos desde bebê, então as vezes fico sem saber o que fazer. Sexta-feira ele passou o dia todo embaixo do armário da sala, mas no sábado ele andou pelo apartamento e  brincou um pouco. Domingo ele veio para o sofá enquanto assístiamos TV, a cada dia que passa ele se sente mais à vontade conosco, apesar de que ontem ele me pregou o maior susto e se escondeu dentro do móvel da TV  no meio de fios, DVD, Xbox, etc. Imagina se ele  resolve brincar de morder os fios e morre eletrocutado? Não quero nem pensar. O Umberto morava no abrigo desde janeiro e chegou lá através da polícia depois de ser encontrado na rua.

O Solgäntan, abrigo onde pegamos Umberto, acomoda cerca de 400 gatos por ano em novos lares. Eles também tem um pensionato para gatos que ajuda a manter financeiramente o abrigo.  O abrigo existe desde 1995 e em 2000 foi fundada uma associacão para ajudar a arrecadar fundos já que manter o abrigo funcionando é bem caro.  Uma das maiores dificuldades que esses abrigos tem é que não é muita gente que quer adotar um gato adulto porque acha que eles não se acostumam num novo lar, o que não é verdade. Outro mito é de que gatos tem sete vidas e portando dá para largar eles por aí que eles se viram, o que também não é verdade. Gatinhos pequenos podem pegar todos os tipos de doencas porque seu sistema imunológico não está desenvolvido além de serem mortos por animais selvagens, inclusive aves de rapina. Já os gatos adultos precisam ser alimentados e castrados.

Outra coisa que eu li nos folhetos informativos que eu ganhei no abrigo é que aqui na Suécia é muito comum as famílias irem para suas casas de verão lá as criancas encontrarem gatinhos e “adota-los” durante o verão. Só que quando o verão acaba, a família volta para a cidade e deixa os felinos abandonados. Muitos dos gatinhos e gatinhas do abrigo foram encontrados em casas de verão aqui na Suécia.

Quem quer ter um animal de estimacao, não apenas gato, mas cachorro, porquinho da índia, lontra, etc, precisa ter em mente que é responsável pelo bem-estar desse animal. Isso pode dar um pouco de trabalho e não e custa dinheiros. Para mim vale à pena, porque uma casa sem gato não é um lar.

Gatinhos sem dono

Oskar

Esse é o Oscar, um dos gatinhos que esperam por um dono no abrigo para gatos Solglängtan em Estocolmo. Clique na imagem para ver outros gatinhos, é tanta fofura que me dá vontade de chorar!

Nos comentários desse post eu, a Lola, a Ju e a Marina discutimos sobre gatinhos abandonados em Estocolmo. A Lola perguntou se tem bastante, eu disse que não vejo tantos como via no Brasil (eu adotava uns dois por mes achados na minha rua, para o desespero dos meus pais) mas a Ju e a Marina disseram que tem muitos gatinhos abandonados por aqui.

Bom, hoje saiu uma matéria no jornal dizendo que os abrigos para gatos de Estocolmo estão superlotados. A responsável por  dois abrigos disse que a situação é catastrófica nos abrigos em Estocolmo porque todos os dias alguém liga dizendo que achou um gatinho no lixo. Uma das explicações para o abandono dos felinos é que agora nas férias as pessoas vão viajar e não sabem o que fazer com seus gatos daí decidem jogá-los fora, assim como se eles fossem um rádio que não funciona mais. Um gatinho novo que é abandonado não sobrevive por muito tempo porque não tem o sistema imunológico desenvolvido e também porque pode se tornar presa de outros animais que povoam as florestas em Estocolmo, segundo a matéria.

Nos abrigos um gatinho custa 900 coroas, cerca de 230 reais e já vem vacinado e castrado. Bem que eu podia ajudar a resolver o problema dos abrigos!

Senta que lá vem….

mais números!

Essa é o primeiro post baseado em uma pesquisa sobre alunos estrangeiros nas escolas suecas, assim que der tem mais.

Diversity

Ainda no meu curso de verão sobre integração, tivemos uma aula com uma pesquisadora do departamento de sociologia da Universidade de Estocolmo sobre integração no sistema escolar sueco. Ela nos apresentou um relatório do Skolverket – o órgão sueco responsável pelo ensino básico e médio – concluído no ano de 2004, sobre as diferenças entre alunos suecos e alunos estrangeiros. Eu acho estatísticas muito interessantes porque elas nos dão uma base para entender a big picture, algo que vai além do que vemos e presenciamos.

Então, pra começo de conversa, nesse relatório foram analisados três grupos: alunos suecos – aqueles que nasceram na Suécia de pai ou mãe suec@, alunos nascidos na Suécia de pai E mãe estrangeiros e alunos nascidos no exterior. Os alunos nascidos no exterior ainda são divididos, dependendo do que se observa, entre aqueles que chegaram na Suécia antes ou depois de 1993 que seria o ano em que a turma que termina a 9a séria em 2003 – grupo escolhido como amostra – teria iniciado na escola. O relatório é dividido em duas partes, a primeira faz um mapeamento das condições dos estudantes  apenas com dados quantitativos e a segunda trata das escolas, com uma parte qualitativa com entrevistas com alun@s, professore-as e diretore-as de escolas. O objetivo dessa pesquisa era investigar por que alunos com background estrangeiro tem um rendimento escolar mais baixo do que alunos suecos.

alunos e professoraNa primavera* de 2003 aproximadamente 109 mil alunos concluíram a 9a série, desses 85,5 por cento eram suecos, 5,6 por cento nascidos na Suécia de pais estrangeiros e 8,9 por cento nascidos no exterior.  O relatório chama atenção desde o início para o fato de que o grupo “alunos nascidos no exterior” é extremamente heterogêneo porque eles vem de países diferentes, as suas notas variam bastante assim como suas condições sócio-econômicas.  A maioria, cerca de 40 por cento,  dos alunos nascidos no exterior vem da Ásia; em seguida,  pouco mais de 32 por cento, vem de países europeus (excluindo os 15 membros da união europeia em maio de 2003 e países nórdicos). Mais de 60 por cento dos alunos nascidos no exterior vem dessas duas regiões e em terceiro lugar, como pouco mais de 8 por cento – menos de um terço do primeiro e segundo lugares – estão os alunos vindos da África. A América do Sul fica logo em seguida em quarto lugar com 7,9 por cento dos alunos. Quando esses alunos são divididos por país em vez de regiões os resultados são um pouco diferentes. A maioria deles 12,7 por cento nasceram na ex-Yogoslávia, em seguida vem os nacidos no Iraque que são 11,5 por cento e em terceiro lugar os nascidos na Bósnia-Herzegovina, 11, 3 por cento.  O Brasil está lá no fim da lista, em 260 lugar entre 39 países, 81 estudantes brasileiros terminaram a 9a Série em 2003 na Suécia.

Na pesquisa foram levadas em conta as 16 melhores notas de cada aluno no último ano ensino fundamental para determinar seu desempenho escolar. O valor máximo possível para essa mediada é 320 pontos , a média entre alunos suecos é 203 pontos, entre alunos nascidos na Suécia de pais estrangeiros  198 pontos e entre alunos nascidos no exterior a 183 pontos. Aqui é importante notar que  o desvio padrão entre os alunos nascidos no exterior é o mais alto dos três grupos, sendo que todos os grupos tem um desvio padrão relativamente  alto o que significa que há bastante diferença entre os que tem os melhores e piores resultados e que essa média não é muito representativa das notas de cada estudante.  Quando o grupo de alunos nascidos no exterior é dividido entre aqueles que vieram para a Suécia antes e depois de 1993, a diferença é ainda maior. A média entre os que vieram antes de 1993 é de 195 pontos enquanto a média entre aqueles que vieram depois de 1993 é de 169 pontos. Mas as meninas estrangeiras, mesmo aquelas que mudaram para a Suécia depois de 1993 tem em média resultados melhores do que meninos suecos.

A pesquisa investigou vários fatores externos que podem ter alguma relação com o rendimento escolar d@s alun@s, como por exemplo o nível de escolaridade dos pais, se eles trabalham ou não e até mesmo quantos livros eles-as tem em casa. Uma das conclusões é que há uma relação entre o rendimento e escolaridade dos pais, essa relação é mais forte entre alunos suecos do que entre aqueles com background estrangeiro. A explicação dada é que o fato de os pais estarem empregados também pode ter realação com o desempenho escolar  já que o nível de desemprego é maior entre os pais de alunos estrangeiros do que suecos.

Ambiente escolar

A maioria d@s alun@s na amostra estuda em escolas com baixa p0rcentagem de alunos estrangeiros (30 por cento ou menos) e @s child-homeworkestudantes que frequentam escolas com alta porcentagem de alunos estrangeiros tem rendimento escolar mais baixo do que aqueles que frequentam escolas com uma porcentagem mais baixa. Essas escolas também tem maior número de professores não qualificados ou que ensinam disciplinas para as quais não têm qualificação específica.

Na segunda parte do estudo duas escolas são analisadas, a “Escola Azul” e a “Escola Amarela”. Nessas escolas o número de alunos nascidos no exterior com pontos suficientes para entrar no ensino médio e mais baixo se comparado com os alunos suecos (nascidos na Suécia de pai OU mãe suec@). O objetivo das entrevistas era saber como essas diferenças são vivenciadas nas escolas.  Vários professores entrevistados disseram que eles não veêm muita diferença de resultados entre alunos suecos e alunos com bakground estrangeiro enquanto grupos, eles disseram ver cada estudante como um indivíduo e evitar usar termos como backrground estrangeiro. Um comentário muito comum na pesquisa é

Eu não penso dessa maneira; eles não são suecos ou estrangeiros, eles são todos alunos, eu vejo cada um dos meus alunos como um indivíduo.

Em vez de usar o fato de o aluno ser ou não imigrante, os professores apontam outras explicações para a diferença nos resultados. O fator mais citado nas entrevistas foi o apoio que o aluno recebe em casa que por sua vez, segundo os entrevistados, é relacionado a fatores sócio-econômicos, independente de o aluno ser ou não imigrante.

No próximo post

- Segregação social se reflete na escola

- Importância do domínio da língua

- O que fazer com todos esses números

Fonte: Skolverket. Elever med utländsk bakgrund. Relatório apresentado ao governo sueco em 1/10/2004.


* Aqui na Suécia e eu acho que toda a Europa, não se usam os termos primeiro e segundo semestre mas sim primavera e outono. O ano letivo inicia no final de agosto como o semestre do outono, que termina na segunda semana de janeiro, quando o semestre da primavera inicia e vai até a segunda semana de junho.

Amigos e memórias

Há umman walks into a roomas semanas eu terminei de ler Man Walks into a Room (ainda sem tradução para português) da escritora americana Nicole Krauss* que também escreveu A História do Amor. Man Walks into a Room foi o primeiro romance escrito pela então poeta mas só foi publicado agora provavelmente porque a editora resolveu capitalizar depois do sucesso de A História do Amor. O livro conta a história de Samson Greene um professor de Literatura Inglesa em Nova Iorque que é encontrado vagando pelo deserto de Nevada sem ter a mínima idéia de quem é. Depois de ser socorrido, Samson é levado para um hospital onde descobre ter perdido a memória de sua vida a partir dos 12 anos, ele tem 36. Ele volta para seu apartamento em Nova Iorque na companhia da esposa com quem viveu os últimos 10 anos sem saber quem ela é. Colegas da universidade, alun@s, amig@s e a esposa se tornam estranhos de uma hora para outra.  Samson se vê no meio do grande problema que encontrar sentido num vácuo de 24 anos e achar uma ligação entre a criança que ele lembra ter sido e o adulto que ele é hoje.

Uma das críticas que eu li sobre Man Walks into a Room fala que o livro discute a questão de que nós nãoa historia do amor somos muito mais do que um acumulado de nossas memórias. Anna, mulher de Samson, reluta em aceitar um homem com quem ela não divide mais o passado, que não lembra nem dela nem do primeiro encontro, do casamento ou da lua-de-mel passada no Brasil. E Samson reluta em encontrar pessoas que o conheciam antes do acidente talvez porque ele ache que sem suas memórias não é mais a mesma pessoa que os amigos e colegas conheceram.

Mudar de cidade, estado, país também é perder um pouco de memória. Mudar de país duas vezes já adulta me obrigou a estabelecer novas relações com pessoas que não me conheceram quando eu tinha oito anos e colecionava borrachas cheirosas, quando eu tinha 12 anos e queria ser uma pianista famosa e montei com meu vizinho uma biblioteca no porão da minha casa ou quando eu tinha 20 anos, tomava chimarrão na sacada do apartamento da 24 Horas em Santa Maria, comia morte-lenta (cachorro-quente de 1 real) na saída das festas e meus sonhos não iam além, geograficamente falando, de um emprego em Porto Alegre. Eu ainda encontro amig@s desse tempo, mas bem esporadicamente, quando vou ao Brasil ou quando alguém vem para a Europa, mas não é a mesma coisa do que estar a um telefonema de distância.

Claro que é bom encontrar gente legal e fazer novos amigos em qualquer fase da vida, se bem que vai ficando mais difícil com o tempo porque ficamos mais exigentes e porque trabalho, família e outras coisas da vida adulta vão tomando o tempo tão necessário para que as amizades sejam cultivadas. Mas também é bom ter gente com quem dividimos memórias, pessoas que sabem por onde passamos para chegarmos no que somos hoje, porque qualquer memória morre aos poucos se não é dividida.

* Informação sem muita utilidade mas não de todo desinteressante: Nicole é casada com Jonathan Safran Foer autor de Extremamente Alto e Incrivelmente Perto e Tudo se Ilumina.

Números, números, números…

(Senta que o post é longo)

Semana passada tive uma palestra muito interessante num dos meus cursos de verão com uma moça da Agência Nacional de Estatísticas (SCB – Statistiska Centralbyrån, mais ou menos um IBGE sueco) sobre os imigrantes e o mercado de trabalho na Suécia. Eu acho que já devo ter dito em algum outro post que os suecos são obcecados por e experts em estatísticas. A Agência Nacional de Estatístiscas sueca é reconhecida internacionalmente e dá consultoria para vários outros países em pesquisa estatística, demografia, etc. Para quem tem um interesse mais “numérico” pela Suécia, o site da SCB tá cheio de informações e a maioria dos relatórios pode ser encontrada em inglês também. Dá até para ver quantas pessoas tem o mesmo nome, no meu caso tem 765 Paolas na Suécia.

Bom mas voltando à palestra, para começar algumas informações gerais sobre imigração. Por exemplo, até 1930 havia mais emigração do que imigração, ou seja mais gente saía do que entrava na Suécia. Na década de 30 muitos imigrantes, principalmente do sul da Europa, vieram para a Suécia como trabalhadores convidados. Mas mesmo assim o número de imigrantes nunca chegou a 20 mil por ano de 1930 a 1940. Depois disso há dois picos de imigração, nas décadas de 70 e 90, quando chegaram até 80 mil pessoas num só ano.  Por conta do golpe militar no Chile, e revolução no Iran muitos chilenos e iranianos vieram para a Suécia na década de 70. Da mesma forma, na década de 90 os conflitos na ex-Yugoslávia  e a guerra Iran-Iraque obrigaram muita gente a deixar esses países e a Suécia foi um dos destinos.  Ano passado mais de 100 mil imigrantes chegaram na Suécia o que representa o maior número até o momento, entre as causas para o aumento na imigração estão a guerra no Iraque e a entrada de novos países na União Européia em 2005 e 2007.

Atualmente 14% da população da Suécia, cerca de 1,3 milhões de pessoas, não é nascida aqui e a estimativa é de que em 2058 18% da população da Suécia não terá nascido no país, ou seja quase 1 em cada 5 habitantes. Desses 55% são europeus e 45% não europeus, mas estima-se que em 2060 essa relação vá se inverter e 55% dos habitantes que não são nascidos na Suécia serão não-europeus. Comparando com o Brasil, seria como se mais ou menos 33 milhões de pessoas fossem nascidas fora do país, mais  do que três vezes a população do Rio Grande do Sul. Segundo os prognósticos da SCB, se não houvesse imigração a população da Suécia diminuíria ao longo do tempo.

Um outro dado importante é que enquanto o número de pessoas na faixa dos 0-19 e 20-64 anos vai crescer pouco nos próximos 50 anos- de 2,1 para 2,3 milhões e de 5,4 para 5,7 milhões respectivamente – o número de pessoas com mais de 65 anos aumentar significativamente, de 1,6 para 2,7 milhões.  Esse aumento no número de pessoas com mais de 65 anos vai ter efeitos no sistema de saúde e previdência social, porque à medida que envelhecemos precisamos de mais cuidados médicos e também quanto mais gente aposentada, mais gente precisa estar ativa no mercado de trabalho para pagar essas aposentadorias.  Uma previsão bem pessimista é de que geração que está agora na faixa dos 30 anos vá precisar trabalhar até os 70 antes de poder se aposentar.

Definições

O objetivo da política de integração do governo sueco é que todos tenham os mesmos direitos, deveres e oportunidades independente de seu background cultural ou étnico. O governo anterior (social democrata) criou em 1998 o Departamento de Integração (Integrationsverket) que foi fechado pelo governo atual (coligação de partidos centro-direita) em 2007. Com o fechamento desse órgão muitas de suas funções foram transferidas para outros órgãos do governo inclusive a SCB que hoje é responsável por elaborar estatísticas sobre a integração de imigrantes na sociedade em geral e no mercado de trabalho em particular. Um dos problemas que a SCB teve no início foi o mar de definições usadas para caracterizar estrangeiros e imgrantes: imigrante, imigrado, nascido no esterior, background imigrante, estrangeiro, background estrangeiro, entre outras. O primeiro passo para poder navegar nesse mar foi criar definições claras de quem é quem e para isso foram criadas divisões entre nascidos na Suécia e fora, cidadania sueca ou estrangeira e backround sueco ou estrangeiro. Os nascidos no exterior são divididos pelo tempo que estão na Suécia: 0-4 anos e 5 anos ou mais. Os nascidos na Suécia são divididos entre os que tem ambos os pais nascidos no exterior, pai OU mãe nascido no exterior e ambos os pais nascidos na Suécia. De acordo com a cidadania a população é dividida entre cidadãos suecos – nascidos na Suécia ou nascidos no exterior – e cidadãos estrangeiros que também podem ter nascido na Suécia ou no exterior. De acordo com dados de 2008, três quartos da população sueca é composta por pessoas nascidas na Suécia de pais suecos e um quarto da população se divide entre as outras categorias, nascidos no exterior, na Suécia de pais estrangeir@s e nascidos na Suécia de pai OU mãe estrangeir@. Além dessas divisões a população também é dividida por sexo e por região de procedência (Eu sei, parece que as pessoas são carne, ovo ou brócolis, mas não consegui pensar em outra expressão).

Imigração e integração

Uma das coisas que nós ficamos sabendo na palestra é que a idade média em que as pessoas costumam emigrar é em torno dos 30 anos com outro pico no número de criancas menores de 5 anos, porque muitas vezes os imigrantes trazem filhos pequenos. A grande maioria, quase 80%, dos imigrantes vindos de países nórdicos (Finlândia, Noruega, Dinamarca e Islândia) vive na Suécia há mais de 20 anos. Já os Africanos tem o maior número de novos imigrantes (0-4 anos na Suécia) entre os grupos pesquisados. A maioria (quase 80%) dos imigrantes da América do Sul está aqui na Suécia há mais de 10 anos. Das pessoas que fixaram residência na Suécia de 2000 a 2007 a maioria – quase 150 mil – vem da Ásia. Entre as principais razões desse grupo para mudar de país estão pedido de asilo político e laços familiares. Nós sul-americanos estamos entre o menor grupo de imigrantes no mesmo intervalo de tempo, junto com a América do Norte e Oceania,  com menos de 25 mil imigrantes para cada grupo.

Quando o assunto é emprego, a SCB considera economicamente ativas todas as pessoas que exerceram algum tipo de trabalho por pelo menos uma hora por semana e também pessoas que não estão trabalhando mas que tem um emprego (lincença saúde, maternidade, paternidade). Entre os homens nascidos na Suécia, cerca de 85% são economicamente ativos em comparação com cerca de 80% das mulheres. Os números são um pouco mais baixos entre @s nascid@s fora da Suécia: cerca de 70% dos homens e 60% das mulheres são economicamenteo ativ@s. Eu arriscaria a dizer que os nascidos fora da Suécia são maioria entre as pessoas exercendo formas mais precárias de emprego como contratos temporários e por hora. A maioria  dos desempregados na Suécia tem entre 20 e 29 anos e são mulheres nascidas fora da Suécia. Mulheres entre 20 e 29 anos também são maioria nos empregos temporários.

Analisando as pessoas ativas no mercado de trabalho de acordo com a região de nascimento o maior número de empregados é entre os imigrantes vindos dos países nórdicos e o menor entre os imigrantes africanos, mas também vale lembrar que entre os imigrantes africanos muitos são novos imigrantes (estão há menos de 4 nos na Suécia) o que pode explicar o alto índice de desemprego. Quando nível de educação e emprego são comparados, entre os nascidos na Suécia quanto mais alto o nível de edução, maior a quantidade de pessoas empregadas; o que não acontece entre alguns grupos de imigrantes, por exemplo sul americanos, entre os quais o número de empregados entre os que tem educação de nível médio é mais alto do que entre aqueles que possuem nível superior independente do sexo.

As mulheres africanas são absoluta maioria nos setores de serviço, assistência e vendas: quase 60 mil contra cerca de 30 mil suecas trabalhando nesses setores. Já em profissiões que demandam “competências teóricas específicas” as imigrantes da América do Norte e Oceania são maioria, 30 mil contra 20 mil suecas. Entre os homens, europeus de países que não fazem parte da UE são maioria em trabalhos de operação de máquinas, mais de 30 mil trabalham no setor, contra 15 mil suecos. Em empregos que necessitam de “competências teóricas específicas homens nascidos em países da UE são maioria, mais de 20 mil contra cerca de 15 suecos. Nessas tabelas apenas os grupos mais representativos foram computados, nascidos na Suécia, Àfricanas e Norte Americanas-Oceania para mulheres e nascidos na suécia, nascidos nos 27 países da UE e nascidos no resto da Europa para homens. Entre aqueles com nível universitários, 74% das mulheres e 66%  dos homens nascidos na Suécia trabalha em profissiões que exigen nível universitário, seguidos pelos imigrantes dos países nórdicos, 73% e 66% respectivamente. @s sul-american@s ficam na terceira pior colocação, na frente de asiátic@s e a e african@s, independente do sexo. 52% das mulheres e 46% dos homens sul-american@s com diploma universitário trabalham em empregos que exijam esse tipo de qualificação. Asiátic@s lideram entre empresári@s entre homens e mulheres, independente do sexo.  A maioria dos empresários independente da nacionalidade oferece serviços privados (aí entram contabilistas, tradutores, pintores, etc ).,

Independente de sexo ou nacionalidade, o nível de desemprego é maior entre os nascidos no exterior do que entre nascidos na Suécia, entretanto segundo a análise da SCB, outros fatores precisam ser levados em consideração como tempo na Suécia, idade e motivo para morar na Suécia.  Por exemplo 20% ou 1 em cada 5 imigrantes está aqui na Suécia há menos de 4 anos e para esse grupo a língua pode fazer uma grande diferença na hora de conseguir emprego. Além disso, nos últimos anos muitos dos imigrantes são refugiados, que precisam ter seu pedido de asilo deferido para poder trabalhar.

De onde vem as opiniões?

Ontem recebi um comentário de uma moça que disse ter lido meu blog e depois de dois ou três posts ter percebido que eu sou arrogante e que isso é muito triste. Depois de desistir da idéia de me atirar pela sacada para assim livrar o mundo e eu mesma da tristeza que eu causo comecei a refletir sobre algumas coisas, na verdade duas, que me intrigaram sobremaneira.

A primeira é como alguém depois de ler dois ou três posts (sic.) consegue fazer uma afirmação tão categórica sobre a minha pessoa. Tem alguns blogs que eu sigo há tempo (meses e, em alguns casos anos) e não posso dizer que “conheço” @s don@s dos blogs dessa forma. Posso fazer algumas afirmações sobre suas idéias e posições, mas não sei se são arrogantes, humildes, simpáticos ou antipáticos. Primeiro porque eu acho que para ter esse tipo de opinião sobre alguém é preciso conhecer a pessoa no sentido real e não virtual da palavra – bater um papo de vez enquanto, conviver, trabalhar junto, discutir. Segundo porque eu acho que não dá para simplificar a ponto de dizer que uma pessoa é simpática, antipática, inteligente, burra, etc pois nós seres human@s somos muito mais complex@s do que isso. Em alguns momentos posso ter sido arrogante, noutros posso ter sido tímida e em outros mais extrovertida e por ai vai.

A segunda coisa que me intriga é o fato de a pessoa (que não me conhece, nunca me viu, nunca falou comigo), após ter feito esse julgamento categórico da minha personalidade baseado na leitura de dois ou três posts no meu blog ter se sentido no dever de me informar a sua opinião. Para mim é como eu chegar para, sei lá, um(a) colega distante de trabalho que eu vi umas duas vezes lascar: depois daquela reunião e daquela festa da firma em que nos encontramos to pra te dizer que tu é muito chata. Alguém faz isso na vida real? Eu não. Será que a moça que me escreveu faria? Arrisco a dizer que não. Porque a anonimidade da internet dá a muitos coragem para ofender estranhos. Eu vou confessar que leio algus blogs de pessoas com quem eu, num sentido muito virtual da coisa, não simpatizo. Acho que não to sozinha nessa, muita gente deve fazer o mesmo. Mas, diferente da moça em questão, eu não me sinto nem um pouco compelida a escrever para @s blogueir@s expressando minha opinião. Por dois motivos: 1) pra que cansar meus dedinhos, que benefício terei fazendo isso? e 2) como já falei, na maioria dos casos, EU NÃO CONHEÇO @ don@ do blog pessoalmente e tenho consciência de que o que uma pessoa escreve no blog revela apenas uma parcela ínfima de sua vida, caráter e identidade. Vai que um dia eu conheço pessoalmente um(a) don@ de blog com quem eu supostamente não simpatizo e ela(e) é completamente diferente do que eu imaginava? Todo mundo faz julgamentos errados e eu não sou exceção.

Pra terminar eu gostaria de deixar bem claro para vocês, caros 10 leitores, que podem se sentir à vontade para discordar do que eu escrevo e ter opiniões diferentes e escrevê-las no blog, os comentários serão sempre publicados. Eu sei que eu não sou a dona da verdade. Agora, quem não me conhece e quiser me insultar, poupe a energia de seus dedinhos e guarde suas observações perspicazes e julgamentos para as pessoas do seu círculo social REAL

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Atenção

Eu moro na Suécia mas não sou agência de turismo, intercâmbio nem trabalho no consulado brasileiro, então não me peça informações sobre morar aqui, aprender a língua, estudar, etc, para essas coisas existe o Google e foi googlando que eu achei 99% das informações que precisava para morar aqui. Na página de links tem vários sites com informações úteis sobre morar na Suécia e Inglaterra.

 

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