Números, números, números…

(Senta que o post é longo)

Semana passada tive uma palestra muito interessante num dos meus cursos de verão com uma moça da Agência Nacional de Estatísticas (SCB – Statistiska Centralbyrån, mais ou menos um IBGE sueco) sobre os imigrantes e o mercado de trabalho na Suécia. Eu acho que já devo ter dito em algum outro post que os suecos são obcecados por e experts em estatísticas. A Agência Nacional de Estatístiscas sueca é reconhecida internacionalmente e dá consultoria para vários outros países em pesquisa estatística, demografia, etc. Para quem tem um interesse mais “numérico” pela Suécia, o site da SCB tá cheio de informações e a maioria dos relatórios pode ser encontrada em inglês também. Dá até para ver quantas pessoas tem o mesmo nome, no meu caso tem 765 Paolas na Suécia.

Bom mas voltando à palestra, para começar algumas informações gerais sobre imigração. Por exemplo, até 1930 havia mais emigração do que imigração, ou seja mais gente saía do que entrava na Suécia. Na década de 30 muitos imigrantes, principalmente do sul da Europa, vieram para a Suécia como trabalhadores convidados. Mas mesmo assim o número de imigrantes nunca chegou a 20 mil por ano de 1930 a 1940. Depois disso há dois picos de imigração, nas décadas de 70 e 90, quando chegaram até 80 mil pessoas num só ano.  Por conta do golpe militar no Chile, e revolução no Iran muitos chilenos e iranianos vieram para a Suécia na década de 70. Da mesma forma, na década de 90 os conflitos na ex-Yugoslávia  e a guerra Iran-Iraque obrigaram muita gente a deixar esses países e a Suécia foi um dos destinos.  Ano passado mais de 100 mil imigrantes chegaram na Suécia o que representa o maior número até o momento, entre as causas para o aumento na imigração estão a guerra no Iraque e a entrada de novos países na União Européia em 2005 e 2007.

Atualmente 14% da população da Suécia, cerca de 1,3 milhões de pessoas, não é nascida aqui e a estimativa é de que em 2058 18% da população da Suécia não terá nascido no país, ou seja quase 1 em cada 5 habitantes. Desses 55% são europeus e 45% não europeus, mas estima-se que em 2060 essa relação vá se inverter e 55% dos habitantes que não são nascidos na Suécia serão não-europeus. Comparando com o Brasil, seria como se mais ou menos 33 milhões de pessoas fossem nascidas fora do país, mais  do que três vezes a população do Rio Grande do Sul. Segundo os prognósticos da SCB, se não houvesse imigração a população da Suécia diminuíria ao longo do tempo.

Um outro dado importante é que enquanto o número de pessoas na faixa dos 0-19 e 20-64 anos vai crescer pouco nos próximos 50 anos- de 2,1 para 2,3 milhões e de 5,4 para 5,7 milhões respectivamente – o número de pessoas com mais de 65 anos aumentar significativamente, de 1,6 para 2,7 milhões.  Esse aumento no número de pessoas com mais de 65 anos vai ter efeitos no sistema de saúde e previdência social, porque à medida que envelhecemos precisamos de mais cuidados médicos e também quanto mais gente aposentada, mais gente precisa estar ativa no mercado de trabalho para pagar essas aposentadorias.  Uma previsão bem pessimista é de que geração que está agora na faixa dos 30 anos vá precisar trabalhar até os 70 antes de poder se aposentar.

Definições

O objetivo da política de integração do governo sueco é que todos tenham os mesmos direitos, deveres e oportunidades independente de seu background cultural ou étnico. O governo anterior (social democrata) criou em 1998 o Departamento de Integração (Integrationsverket) que foi fechado pelo governo atual (coligação de partidos centro-direita) em 2007. Com o fechamento desse órgão muitas de suas funções foram transferidas para outros órgãos do governo inclusive a SCB que hoje é responsável por elaborar estatísticas sobre a integração de imigrantes na sociedade em geral e no mercado de trabalho em particular. Um dos problemas que a SCB teve no início foi o mar de definições usadas para caracterizar estrangeiros e imgrantes: imigrante, imigrado, nascido no esterior, background imigrante, estrangeiro, background estrangeiro, entre outras. O primeiro passo para poder navegar nesse mar foi criar definições claras de quem é quem e para isso foram criadas divisões entre nascidos na Suécia e fora, cidadania sueca ou estrangeira e backround sueco ou estrangeiro. Os nascidos no exterior são divididos pelo tempo que estão na Suécia: 0-4 anos e 5 anos ou mais. Os nascidos na Suécia são divididos entre os que tem ambos os pais nascidos no exterior, pai OU mãe nascido no exterior e ambos os pais nascidos na Suécia. De acordo com a cidadania a população é dividida entre cidadãos suecos – nascidos na Suécia ou nascidos no exterior – e cidadãos estrangeiros que também podem ter nascido na Suécia ou no exterior. De acordo com dados de 2008, três quartos da população sueca é composta por pessoas nascidas na Suécia de pais suecos e um quarto da população se divide entre as outras categorias, nascidos no exterior, na Suécia de pais estrangeir@s e nascidos na Suécia de pai OU mãe estrangeir@. Além dessas divisões a população também é dividida por sexo e por região de procedência (Eu sei, parece que as pessoas são carne, ovo ou brócolis, mas não consegui pensar em outra expressão).

Imigração e integração

Uma das coisas que nós ficamos sabendo na palestra é que a idade média em que as pessoas costumam emigrar é em torno dos 30 anos com outro pico no número de criancas menores de 5 anos, porque muitas vezes os imigrantes trazem filhos pequenos. A grande maioria, quase 80%, dos imigrantes vindos de países nórdicos (Finlândia, Noruega, Dinamarca e Islândia) vive na Suécia há mais de 20 anos. Já os Africanos tem o maior número de novos imigrantes (0-4 anos na Suécia) entre os grupos pesquisados. A maioria (quase 80%) dos imigrantes da América do Sul está aqui na Suécia há mais de 10 anos. Das pessoas que fixaram residência na Suécia de 2000 a 2007 a maioria – quase 150 mil – vem da Ásia. Entre as principais razões desse grupo para mudar de país estão pedido de asilo político e laços familiares. Nós sul-americanos estamos entre o menor grupo de imigrantes no mesmo intervalo de tempo, junto com a América do Norte e Oceania,  com menos de 25 mil imigrantes para cada grupo.

Quando o assunto é emprego, a SCB considera economicamente ativas todas as pessoas que exerceram algum tipo de trabalho por pelo menos uma hora por semana e também pessoas que não estão trabalhando mas que tem um emprego (lincença saúde, maternidade, paternidade). Entre os homens nascidos na Suécia, cerca de 85% são economicamente ativos em comparação com cerca de 80% das mulheres. Os números são um pouco mais baixos entre @s nascid@s fora da Suécia: cerca de 70% dos homens e 60% das mulheres são economicamenteo ativ@s. Eu arriscaria a dizer que os nascidos fora da Suécia são maioria entre as pessoas exercendo formas mais precárias de emprego como contratos temporários e por hora. A maioria  dos desempregados na Suécia tem entre 20 e 29 anos e são mulheres nascidas fora da Suécia. Mulheres entre 20 e 29 anos também são maioria nos empregos temporários.

Analisando as pessoas ativas no mercado de trabalho de acordo com a região de nascimento o maior número de empregados é entre os imigrantes vindos dos países nórdicos e o menor entre os imigrantes africanos, mas também vale lembrar que entre os imigrantes africanos muitos são novos imigrantes (estão há menos de 4 nos na Suécia) o que pode explicar o alto índice de desemprego. Quando nível de educação e emprego são comparados, entre os nascidos na Suécia quanto mais alto o nível de edução, maior a quantidade de pessoas empregadas; o que não acontece entre alguns grupos de imigrantes, por exemplo sul americanos, entre os quais o número de empregados entre os que tem educação de nível médio é mais alto do que entre aqueles que possuem nível superior independente do sexo.

As mulheres africanas são absoluta maioria nos setores de serviço, assistência e vendas: quase 60 mil contra cerca de 30 mil suecas trabalhando nesses setores. Já em profissiões que demandam “competências teóricas específicas” as imigrantes da América do Norte e Oceania são maioria, 30 mil contra 20 mil suecas. Entre os homens, europeus de países que não fazem parte da UE são maioria em trabalhos de operação de máquinas, mais de 30 mil trabalham no setor, contra 15 mil suecos. Em empregos que necessitam de “competências teóricas específicas homens nascidos em países da UE são maioria, mais de 20 mil contra cerca de 15 suecos. Nessas tabelas apenas os grupos mais representativos foram computados, nascidos na Suécia, Àfricanas e Norte Americanas-Oceania para mulheres e nascidos na suécia, nascidos nos 27 países da UE e nascidos no resto da Europa para homens. Entre aqueles com nível universitários, 74% das mulheres e 66%  dos homens nascidos na Suécia trabalha em profissiões que exigen nível universitário, seguidos pelos imigrantes dos países nórdicos, 73% e 66% respectivamente. @s sul-american@s ficam na terceira pior colocação, na frente de asiátic@s e a e african@s, independente do sexo. 52% das mulheres e 46% dos homens sul-american@s com diploma universitário trabalham em empregos que exijam esse tipo de qualificação. Asiátic@s lideram entre empresári@s entre homens e mulheres, independente do sexo.  A maioria dos empresários independente da nacionalidade oferece serviços privados (aí entram contabilistas, tradutores, pintores, etc ).,

Independente de sexo ou nacionalidade, o nível de desemprego é maior entre os nascidos no exterior do que entre nascidos na Suécia, entretanto segundo a análise da SCB, outros fatores precisam ser levados em consideração como tempo na Suécia, idade e motivo para morar na Suécia.  Por exemplo 20% ou 1 em cada 5 imigrantes está aqui na Suécia há menos de 4 anos e para esse grupo a língua pode fazer uma grande diferença na hora de conseguir emprego. Além disso, nos últimos anos muitos dos imigrantes são refugiados, que precisam ter seu pedido de asilo deferido para poder trabalhar.

De onde vem as opiniões?

Ontem recebi um comentário de uma moça que disse ter lido meu blog e depois de dois ou três posts ter percebido que eu sou arrogante e que isso é muito triste. Depois de desistir da idéia de me atirar pela sacada para assim livrar o mundo e eu mesma da tristeza que eu causo comecei a refletir sobre algumas coisas, na verdade duas, que me intrigaram sobremaneira.

A primeira é como alguém depois de ler dois ou três posts (sic.) consegue fazer uma afirmação tão categórica sobre a minha pessoa. Tem alguns blogs que eu sigo há tempo (meses e, em alguns casos anos) e não posso dizer que “conheço” @s don@s dos blogs dessa forma. Posso fazer algumas afirmações sobre suas idéias e posições, mas não sei se são arrogantes, humildes, simpáticos ou antipáticos. Primeiro porque eu acho que para ter esse tipo de opinião sobre alguém é preciso conhecer a pessoa no sentido real e não virtual da palavra – bater um papo de vez enquanto, conviver, trabalhar junto, discutir. Segundo porque eu acho que não dá para simplificar a ponto de dizer que uma pessoa é simpática, antipática, inteligente, burra, etc pois nós seres human@s somos muito mais complex@s do que isso. Em alguns momentos posso ter sido arrogante, noutros posso ter sido tímida e em outros mais extrovertida e por ai vai.

A segunda coisa que me intriga é o fato de a pessoa (que não me conhece, nunca me viu, nunca falou comigo), após ter feito esse julgamento categórico da minha personalidade baseado na leitura de dois ou três posts no meu blog ter se sentido no dever de me informar a sua opinião. Para mim é como eu chegar para, sei lá, um(a) colega distante de trabalho que eu vi umas duas vezes lascar: depois daquela reunião e daquela festa da firma em que nos encontramos to pra te dizer que tu é muito chata. Alguém faz isso na vida real? Eu não. Será que a moça que me escreveu faria? Arrisco a dizer que não. Porque a anonimidade da internet dá a muitos coragem para ofender estranhos. Eu vou confessar que leio algus blogs de pessoas com quem eu, num sentido muito virtual da coisa, não simpatizo. Acho que não to sozinha nessa, muita gente deve fazer o mesmo. Mas, diferente da moça em questão, eu não me sinto nem um pouco compelida a escrever para @s blogueir@s expressando minha opinião. Por dois motivos: 1) pra que cansar meus dedinhos, que benefício terei fazendo isso? e 2) como já falei, na maioria dos casos, EU NÃO CONHEÇO @ don@ do blog pessoalmente e tenho consciência de que o que uma pessoa escreve no blog revela apenas uma parcela ínfima de sua vida, caráter e identidade. Vai que um dia eu conheço pessoalmente um(a) don@ de blog com quem eu supostamente não simpatizo e ela(e) é completamente diferente do que eu imaginava? Todo mundo faz julgamentos errados e eu não sou exceção.

Pra terminar eu gostaria de deixar bem claro para vocês, caros 10 leitores, que podem se sentir à vontade para discordar do que eu escrevo e ter opiniões diferentes e escrevê-las no blog, os comentários serão sempre publicados. Eu sei que eu não sou a dona da verdade. Agora, quem não me conhece e quiser me insultar, poupe a energia de seus dedinhos e guarde suas observações perspicazes e julgamentos para as pessoas do seu círculo social REAL

Oi

Caso os meus 10 leitores estejam se perguntando eu terminei meu mestrado, sexta-feira foi a minha defesa, que aqui na Suécia é um pouco diferente do Brasil. Em sueco na verdade não se chama defesa mas sim disputa (disputation) e foi o seguinte, uma colega minha leu meu artigo (também podemos escolher se queremos escrever uma dissertação ou um artigo + um relatório de pesquisa, que foi o que eu escolhi) e criticou, eu respondi e uma professora resumiu nossa discussão e fez mais críticas ao meu trabalho. Para quem está acostumado com o esquema do Brasil de apresentar um trabalho, responder umas perguntinhas e receber uns elogios, a coisa aqui parece bem mais hardcore. No sistema escolar sueco é muito importante que aprendamos a criticar construtivamente, o papel do oponente (quem discute o artigo, dissertação ou tese) não é de achar defeitos, mas de fazer comentários que ajudem o autor do trabalho a melhorá-lo. Eu fiquei satisfeita com a minha defesa, recebi várias sugestões muito boas tanto da minha colega como da professora que “presidiu” a defesa. Já a minha orientadora achou que eles criticaram demais, foi até um pouco estranho ver a minha orientadora e a minha examinadora, que já trabalham juntas há quase 20 anos, discutindo por causa do meu artigo. Mas o importante é que o mestrado II é uma página virada da minha vida.

O mês de maio foi um pouco estressante porque precisei dar o último gás na minha dissertação e tive as últimas provas do meu curso de sueco .  Além disso tivemos várias visitas se hospedando aqui na nossa pousada casa. Falando em visitas, eu li várias vezes em comunidades do Orkut de brasileiros morando no exterior sobre a falta de simancol de gente que se convida para ficar na casa, amigos que reaparecem direto do túnel do tempo apenas para arrumar uma hospedagem fora do Brasil e coisas do tipo.  Muitas histórias cabeludas de gente que abusou da hospitalidade alheia no exterior.  Eu sou obrigada a admitir que isso nunca me aconteceu quando eu morava em Londres  muito pouca gente foi me visitar porque eu sempre aluguei quartos então não tinha como mesmo e aqui na Suécia todas as pessoas que nos visitaram até agora foram amigos muito queridos. Nós temos um apartamento relativamente grande e gostamos de receber visitas, com os amigos não-brasileiros ou brasileiros morando no exterior eu não preciso me preocupar; os primeiros porque não gostam de abusar da hospitalidade (precisei de 2 anos para convencer meu ex-colega de trabalho inglês a vir me visitar porque ele não queria “invadir”) e os segundos porque conhecem bem a situação em que vivemos fora do Brasil e que ninguém tá podendo dar uma de hotel fazenda. Já no Brasil, depois de quase 8 anos morando fora, eu só mantenho contatos com pessoas que realmente significam muito para mim, essas pessoas estão permanentemente convidadas para me visitar e como eu escolho muito bem minhas amizades, elas tem simancol. Hoje, por exemplo, chega mais uma visita, a minha irmã que está morando em Londres.  Como ela tem o paladar de uma criança de 10 anos, já me avisou que não quer comer peixe nem “coisas estranhas”, então eu tô aqui pensando em coisas “não estranhas” para ela comer.

Helsinki

Em maio nós também demos um pulinho em Helsinki, um amigo meu estaria lá E eu gahei um super desconto para o cruzeiro Estocolmo-Helsinki. Ficamos lá apenas um dia então não deu para ver muita coisa, considerando que o dia foi uma segunda-feira deu para ver menos ainda porque em várias cidades os museus fecham na segunda. Gostaria muito de ter visto o estúdio do Alvar Aalto por exemplo. Mas deu para passear um pouco pelas ruas da cidade, ver a igreja branca e ir no café Fazer, que é uma marca de chocolates finlandeses bem famosa e visitar o pequeno mas super charmoso Mercado Público. A cidade não é tão antiga como Estocolmo e é inacreditavelmente limpa, eu não vi um papel ou um toco de cigarro no chão. Mas definitivamente, enquanto o Euro estiver subindo meteoricamente é melhor visitar o leste europeu.

Estudos

O fim do mestrado não significou o fim da minha vida de estudante, como estudar não só é de graça como eu recebo para estudar, resolvi me matricular em alguns cursos de verão, para dar uma calibrada no currículo e treinar o sueco. Dois dos cursos são em sueco:  Gerenciamento de Projetos e Etnia, diversidade e integração e um deles é em inglês: Guerra, Mídia e Cultura. O curso de gerenciamento de projetos e à distância e um pouco chatinho, preciso admitir mas ao mesmo tempo muito importante para o currículo. Os outros dois cursos são presenciais e muito interessantes então acho que vai ser um verão bem produtivo.

Grumpy (not too) old woman

Tem coisas que me irritam sobremaneira

1. A mania dos adolescentes suecos de cuspirem na rua. Será que 90% da população adolescente do país sofre de salivação excessiva? Será que é para demarcar o território? Seja qual for a razão, é bem nojento!

2. A mania dos donos e atendentes de buteco e vendas de esquina, geralmente oriundos do oriente-médio, de ficarem me perguntando de onde eu sou e chutando: Iran e Kurdistão (mais frequentes), Grécia e Turquia (menos frequentes). Daí quando eu digo que eu sou brasileira a resposta é sempre a mesma: mas tu não parece brasileira, geralmente os brasileiros são mais escuros. Bah, valeu aí amigo por me ensinar algo que eu não sabia sobre o meu país. Aí quando eu pergunto se eles conhecem muitos brasileiros a resposta é: siiim, Pelé, Ronaldo, Ronaldinho. E esse diálogo se repete… ad infinitum. Eu não xingo porque geralmente eles são simpáticos, mas que cansa ter a mesma conversa mais ou menos uma vez por mes cansa.

Disclaimer: nada contra os donos de estabelecimentos comercias de qualquer nacionalidade e muito menos as nacionalidades mencionadas. É que 1) o papo cansa mesmo (será que to sendo repetitiva) e 2. todos os donos dos ditos estabelecimentos aqui na minha vizinhanca ou os que me perguntam tem as ditas nacinalidades. Sim né povo, eles perguntam a minha eu pergunto a deles – direitos iguais.

Eu volto…

depois que

1) Acabarem essas drogas de provas de sueco

2) Entregar minha dissertação – dia 28 de maio. A defesa está marcada para dia 11 de junho.

Enquanto isso vão se divertindo com esses videozinhos

Londres, os terroristas e eu

Então que eu fui para Londres e já voltei. Cheguei lá no domingo de páscoa com muita vontade de ver vários amigos e de ir a vários lugares que eu gostava. Na verdade eu estava com uma pontinha de medo de me arrepender de ter mudado para a Suécia e querer voltar a morar em Londres. Essa foi a primeira vez que eu voltei desde que sai de lá em dezembro de 2006. Só posso dizer que não me arrependo de nada, eu não conseguiria mais morara em Londres nem se fosse obrigada. Depois do segundo dia lá eu queria voltar para Estocolmo.

É óbvio que eu gostaria de poder ver meus amigos que estão lá com mais frequência e de comprar na Topshop por preços 20% menores. Mas isso não compensa a paranóia que é viver em Londres.

Para começar, cheguei lá a 1 da tarde, almocei com meu amigo Dani que foi me esperar em Heathrow e fiquei esperando a minha irmã que ia chegar as 3:30. Ela chegou e fomos pegar o metrô. Andamos umas cinco estações e o motorista avisou que “havia uma pessoa embaixo do trem” e que por isso ele não pararia em várias estações, o que atrasou nossa viagem e nos fez trocar de linha duas vezes em vez de uma. Mas o que mais me impressionou foi a maneira como eles disseram “there is a person under the train” assim como se a pessoa estivesse lá fazendo alguma coisa, parafusando um parafuso em vez de morta e dividida em vários pedacinhos.

Fora isso tem a paranóia do terrorismo, cartazes por todo lado dizendo para as pessoas reportarem qualquer coisa suspeita, policiais por tudo.  Eu não consigo evitar de me sentir suspeita de achar que sempre tem alguém achando que eu to fazendo algo errado.  Não sei se quem mora lá nota isso, acho que muita gente está tão acostumada que nem percebe mais. Eu fiquei meio estressada. E isso é uma pena porque Londres é uma cidade maravilhosa, cheia de coisas, lugares e pessoas interessantes. Tem sempre alguma coisa acontecendo por lá, cada área da cidade tem uma personalidede diferente, a maioria dos museus são gratuitos. Mas o governo consegue estragar tudo criando esse climão alarmista e paranóico.

(essas são os poster da nova campanha do governo contra o terrorismo, eu acho que se isso der certo Londres vai virar uma ex-Yugoslávia no tempo da guerra, vizinhos contra vizinhos, famílias matando entre si, etc. Só que eu acredito na sensatez das pessoas, pelo menos as pessoas com quem eu conversei acharam essa campanha bem ridícula)

Os cinco dias que eu passei em Londres me fizeram valorizar ainda mais a minha vida em Estocolmo: nosso apartamento espaçoso e com preço bem razoável, as três linhas de metrô que sempre funcionam, inclusive durante a madrugada nos fins-de-semana (eu me irritava no inverno, quanto tinha um aviso dizendo algo assim “pode ser que sua viagem demore mais hoje porque os trens estão andando mais devagar pois a pista está escorregadia por causa da neve”, agora juro que nunca mais me irritarei), o curso de sueco e mestrado gratuitos e o fato de não estar sendo observada 24 horas por dia e não temer um atentado terrorista a qualquer momento.

Mas bem que o a Inglaterra e a Dinamarca poderiam trocar de lugar, assim daria para eu ver os meus amigos com mais frequência.

P.S.: Acho que Estocolmo mudou um pouco a minha personalidade, a June comentou quando nos encontramos que eu estava menos rabugenta e reclamona.

E aqui um pessoal que se preocupa tanto com terroristas que resolveu fazer graça.

(Esses produtos químicos não serão usados para preparar uma bomba porque esse é um cenário fictício. A realidade é mais complicada. Não confie em outros… como o governo… para lhe dizer como pensar. Se você suspeita deles, informe-se)

Vou ali e já volto

Amanhã eu vou para Londres, encontrar a minha irmã e ensiná-la a atravessar a rua do lado errado. Também vou encontrar alguns amigos muito queridos que deixei por lá e se possível tomar uma pint no Prospect of Withby em Wapping e comer um hamburger no Cafe 1001 na Brick Lane.

Can’t wait

A censura que nós não conhecemos

Uma das minhas colegas no mestrado está fazendo uma pesquisa super interessante sobre um fenômeno chamado Blue Jacking (de highjacking ou hijacking – que significa tomar controle) que vem acontecendo no Irã. O que acontece é que o Irã é governado por um ditador muçulmano e a imprensa do país sofre uma censura bem pesada. Não dá para criticar a religião nem o governo, as mulheres são bastante oprimidas e, obviamente, não dá para sair googlando qualquer coisa porque as buscas na internet são controladas.  Mas é óbvio que como jeitinho não existe apenasmente no Brasil, os iranianos também encontram uma saída para a censura: mensagens por bluetooth. Como essas mensagens não podem ser rastreadas eles aproveitam para mandar de tudo para familiares e amigos, desde cenas de filme (uma das minhas colegas iranianas falou que demonstrações de afeto são proibidas na TV) até piadas e notícias.  Segundo a minha colega é normal receber cerca de 100 mensagens por dia. Então ela está explorando essa mundo meio que underground e como as pessoas – principalmente jovens – lidam com esse fenômeno.

Isso me faz pensar nas coisas que nós, no nosso mundo ocidental, temos e não damos o mínimo valor. Eu posso escrever criticando o governo brasileiro no meu blog, muita gente pode ler e ninguém vai para a cadeia por isso. Eu posso seguir a religião que eu quiser, ou não seguir nenhuma. Se eu quiser googlar homem fazendo sexo com uma camela (não que eu me interesse em fazê-lo) eu posso e não duvido de que venham resultados. Mas eu não vou tentar. Foi apenas um exemplo, uma hipótese.

Para mim a idéia de não poder escolher em que acreditar, não poder falar o que eu quero, não poder criticar aquilo que acho que está errado, não ter acesso às informações que eu procuro é completamente alien. Eu não sei o que faria se estivesse numa situação dessas.

Mas o melhor (ou pior) vem agora, minha colega se inscreveu numa conferência na Polônia sobre Oriende Médio, mídia e democracia, ou algo do tipo. O trabalho dela foi aceito, ela mandou o resumo e está tudo pronto para ela ir. Mas eis que ela resolve olhar a lista de participantes iranianos e vê que o nome de altos-oficiais do governo. Pânico. Hoje ela estava sem saber o que fazer, porque ela quer poder voltar ao país sem correr perigo de ser sequestrada presa no aeroporto e desaparecer.  Ela disse que o governo está de olho em estudantes iranianos em outros países, para saber se o que eles andam pesquisando e escrevendo representa alguma ameaça à “soberania nacional”. Outra coisa que para mim é completamente natural, poder apresentar minha pesquisa – que é sobre comunicação política, in case you wonder – em conferências sem me preocupar se vai ter alguém lá para me acusar de estar traindo a nação.

Por outro lado eu não cesso de me surpreender com a habilidade que o ser humano tem de driblar situações adversas e encontrar saídas. Não dá para escrever no jornal, não dá para mandar email,  a TV não mostra o que a gente quer ver? Bluetooth neles!

Atualização: Falei com a minha colega essa semana, ela disse que conversou com os organizadores do evento que disseram para ela que o pessoal do Irã eram apenas pesquisadores, que não tinha ninguém do governo mas que não tinha nenhum problema se ela quisesse mudar o tema da aprensantação. Então ela disse que mudou para uma coisa mais neutra, acho que ela vai dar uma receita de bolo de cenoura ou algo do tipo.

Lutando pela sobriedade da nação

Esse post é dedicado ao creme Nivea, que é barato e cumpre suas funções com maestria!


Sábado é o dia que as crianças aqui comem doce e o dia que nós adultos tomamos um vinhozinho, pelo menos aqui em casa.  Seguindo esse costume sábado passado depois de nadar fomos comprar nosso vinho semanal. Para quem não sabe, aqui na Suécia bebidas com mais de 3% (acho que é isso, não tenho bem certeza, mas se não for vai aparecer alguém e corrigir) de teor alcoólico só podem ser vendidas por uma empresa estatal chamada Systembolaget. No supermercado e na vendinha da esquina só tem cerveja e cidra com teor alcoólico de até 3%. Ah, é óbvio que bares e restaurantes podem vender bebidas alcoólicas mas também não é assim tão fácil para conseguir a licença.

Mas então, saindo da academia fomos ao Systembolaget local que parece uma daquelas lojas antigas onde nós precisamos pedir o que queremos no balcão e @ funcionári@ busca e vende. Nós queriamos dois vinhos brancos diferentes (um para beber e outro para fazer risotto) e um vinho tinto. Cada produto tem um número, então muita gente costuma anotar e já pedir pelo número o que eu acho que torna a vida d@s atendentes mais fácil. Daí na hora de anotar o número descobrimos que não tinhamos caneta. O que fazer… Eu decorei um número e o Nicklas decorou os outros dois.

Chegando a nossa vez de ser atendidos (é obvio que tem que pegar senha e esperar ser chamado, como tudo aqui) o Nicklas disse os números dele e eu disse o meu. Imediatamente a moça nos pediu identidade para comprovar que nós somos maiores de 21 anos – eu tenho 30, Nicklas 31 – agora tão entendendo o porquê da dedicação ao creme Nívea? (detalhe, há muito tempo, coisa de anos, ninguém pede identidade para o Nicklas) só que como só tínhamos ido nadar eu não levei a carteira e não tinha a minha identidade. A moça então falou que poderia apenas vender os vinhos que o Nicklas pediu, não o que eu pedi.  Nós dois ficamos meio que sem reação, eu disse à moça que eu tenho 30 anos e até cabelos brancos. Mas não adiantou, ela estava irredutível e disse que eu pareço muito jovem (brigadaí mocinha, que provavelmente era mais nova que eu).  Nesse meio tempo eu encontrei meu cartão do metro e meu cartão de estudante, ambos pessoais, intransferíveis e contendo meu número de identidade sueco que sempre começa com o ano de nascimento. Mas a moça estava decidida a lutar pela minha sobriedade e disse que tais documentos não eram válidos como prova de identidade.

Nós então resolvemos deixar a moçoila lutar pela sobriedade da nação e fomos até outra loja no bairro próximo, onde compramos todos os vinhos que queríamos, o Nicklas passou no caixa e ninguém pediu a identidade dele.

Agora me digam, para que eu vou gastar dinheiro em Clinique e Lancôme se o creme Nívea já me faz parecer quase 10 anos mais jovem? Ah sim, não é só o creme Nivea, eu também evito o sol, porque é melhor ter a pele pálida e jovem do que morena e igual a uma uva-passa, não é mesmo?

Ao redor do buraco tudo é beira

Durante a semana passada o diário sueco Dagens Nyheter publicou uma série de reportagens escritas pelo jornalista e escritor Maciej Zaremba, que é polonês naturalizado sueco e chegou aqui desde 1969, com 18 anos fugindo das perseguições aos judeus na Polônia. A série se chama “I väntan på Sverige” (à espera da Suécia), nela o autor discute a integração de imigrantes sob vários pontos de vista. Ele fala sobre multiculturalismo, nacionalismo, sobre a burocracia sueca encontrada por refugiados e asilados e sobre aprender sueco. Em linhas gerais ele discute porque é tão difícil para imigrantes se integrarem à sociedade sueca.

Imigração e integração são assuntos que dão pano para manga aqui na Europa. Muitos países do velho continente que por muito tempo tiveram populações etnicamente homogêneas ou em que um grupo conseguiu por décadas manter uma certa dominancia cultural e política estão tendo vários valores questionados por imigrantes ou minorias que podem ser pequenas, mas não são nem um pouco submissas. Uma questão que é recorrende nessas discussões é: quem precisa se adaptar a quem?

Apesar de o autor usar quase só exemplos particulares para ilustrar o geral e apresentar bem poucos dados que comprovem que a realidade daquelas pessoas que ele descreveu é reprensentativa do todo, em muitos pontos eu pude me identificar com o que ele escreveu. Nos primeiros textos ele fala sobre o ensino de sueco e como ele NÃO corresponde à necessidade da maioria dos alunos. Para mim isso não é novidade. Uma coisa que não aconteceu comigo, mas que eu sei que não é raro principalmente em cidades pequenas aqui na Suécia (aconteceu com algumas pessoas que eu conheço), é abrirem turmas em que juntam gente que é analfabeto em sua língua materna  com outros que terminaram a faculdade. Não estou querendo dizer que ninguém é melhor que ninguém, mas acho que são grupos com necessidades diferentes.

Daí passamos ao conteúdo dos livros que tratam imigrantes e suecos de uma forma tão estereotipada que chega a ser quase cômico. Se não fosse trágico. Nos livros de sueco Ali e Fatima estão sempre esperando cartas da imigração ou falando com com o funcionário do órgão que deveria ajudar as pessoas a encontrarem empregos.  E é óbvio que o funcionário ou funcionária sempre tem um nome sueco. Ah, também acontece de Zeinab e Juan procurarem emprego, que geralmente é como cozinheiro (a), ajudande em creches ou operário (a) de fábrica.  Novamente, nada contra esses empregos, mas será que todos os imigrantes querem seguir essas carreiras ou todos os suecos querem exercer profissões de nível universitário?

Outra coisa é a tonelada de coisas inúteis que precisamos engolir quando o que queremos é apenas dominar uma língua. Por que eu preciso conhecer clássicos da música sueca do século XVIII? Por que eu preciso ler livros do século XIX escritos em de uma maneira que não se escreve nem fala mais hoje em dia? Como eu já disse em outro post, eu quero aprender a língua e depois decidir de acordo com a MINHA agenda que livros eu vou ler e que tipo de música eu vou escutar.

Adestramento

O autor também fala da idéia que parece permear a burocracia sueca de que nós (sim nós, eu também sou imigrante assim como você que está aí lendo e mora na Suécia, não apenas árabes, somalis e iraquianos) precisamos primeiro aprender a viver na sociedade sueca, antes de qualquer coisa. Sim porque no mundo lá fora TUDO funciona diferente e se nós não aprendermos como as coisas funcionam AQUI, nunca conseguiremos nos integrar. Eu não acho que isso seja racismo, talvez um pouco de preconceito, somado à ignorância com uma pitada de inocência e falta de conhecimento do mundo lá fora, aquele para além da costa leste do país. É essa mistura que faz com que, por exemplo, a Ju quase fosse impedida de entrar no segundo nível de um curso de francês na Universidade de Estocolmo, mesmo tendo estudado francês na França, porque dã, ela não fez o primeiro nível na Universidade de Estocolmo. E qualquer que seja o Francês que eles ensinam lá na França é óbvio que não é a mesma coisa que ensinam aqui.

Numa das respostas à série de reportagem – que teve muitas respostas, hoje o jornal publicou duas páginas só com respostas – uma professora sueca aposentada diz que ajudou um professor polonês com 15 anos de experiência a escrever uma monografia para poder ter licença para dar aula aqui na Suécia.  Ela conclui com uma certa ironia

Ele será certamente um professor muito melhor depois de escrever 30 páginas sobre como se ensina, não é mesmo?

Outra leitora do jornal diz o seguinte

Eu fiz parte de uma revolução, estudei em três países e falo quatro línguas. Mas isso não é nenhum mérito na Suécia, o que conta é ser sueco, falar como sueco, se comportar como sueco, pensar como sueco.

Esse mesmo preconceito, misturado à inocência, ignorância e ao gosto por tudo o que já é conhecido e claro como água constrói o muro que separa muitos imigrantes do mercado de trabalho. Segundo Maciej Zaremba muitos suecos são selecionados para empregos no lugar de imigrantes porque

Vão rir das mesmas piadas, não vão dar uma opinão que não seja fundamentada, não vão falar de livros que os outros não conheçam, não vão interromper quem está falando, vão compreender exatamente o que sigfica dizer que Olsson “é meio especial”*.

Por isso tudo eu tenho um certo receio de vir a trabalhar num lugar onde eu seja a única estrangeira (isso me lembra do Daffyd, the only gay in the village, personagem do David Walliams em Little Britain). Eu não quero ser o elefante branco no meio da sala. Na Inglaterra eu sempre trabalhei com gente de vários lugares, não tinha olhares estranhos, ninguém se sentia excluído.  E todos precisavam, uma vez ou outra, explicar piadas.

A indústria da integração

Num dos artigos da série o autor fala que a integração pode não ter dado certo na Suécia, mas muita gente saiu lucrando. Sim porque o governo está tentando privatizar a integração e começou pelas escolas de sueco. E é obvio que isso significa professores não necessariamente qualificados, ganhando menos  e  salas de aula cheias.  O concurso é para ver quem consegue “educar” mais gente pelo menor preço. O tipo de ensino e aprendizado resultam dessa  equação vocês podem imaginar.

Quando eu estava na escola, a minha professora queria que eu fizesse a prova final um mês antes da data que estava marcada porque ela achava que eu estava preparada.  Quando ela foi pedir a autorização da diretora da escola (que nunca me viu mais gorda), a diretora disse que eu deveria esperar mais um mês. Eu ja tinha feito outra prova um mês antes da data marcada e acho que a diretora achou que eu não estava dando lucro para a escola, que recebia por aluno/hora-aula.

Identidade escrita na pedra

Nesse debate todo sobre integração, uma coisa que eu não entendo é porque tem gente que pensa que a identidade de uma pessoa está escrita na pedra, não pode mudar.Istoé: se eu sou brasileira não posso aceitar a cultura sueca e valores suecos.  Eu acredito que uma coisa nao exclui a outra, que uma pessoa pode se identificar com várias culturas, com várias nações.

Na minha opinião a era de um povo, uma nação, uma cultura já passou.

* Em sueco, quando se diz que uma pessoa é um pouquinho especial isso significa que a pessoa não bate bem, é estranha. Esse é outro exemplo de swenglish. as vezes o Nicklas me falava que ciclano ou beltrano era a little special e eu achava que a pessoa era trilegal, só não entendia por que ele falava que a pessoa era só um pouquinho especial em vez de dizer que a pessoa era bem especial.

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Atenção

Eu moro na Suécia mas não sou agência de turismo, intercâmbio nem trabalho no consulado brasileiro, então não me peça informações sobre morar aqui, aprender a língua, estudar, etc, para essas coisas existe o Google e foi googlando que eu achei 99% das informações que precisava para morar aqui. Na página de links tem vários sites com informações úteis sobre morar na Suécia e Inglaterra.

 

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