Disclaimer: Esse post não é um artigo científico de psicologia social.
Esse negócio de como as pessoas se comportam online é algo muito interessante. Notem que eu não critiquei as pessoas que colocam suas fotos de festas, compras e dividem com o resto da humanidade seus feitos profissionais. Eu fiz uma constatação: nas redes sociais muita gente parece ter uma vida maravilhosa para os nossos padrões ocidentais, segundo os quais as pessoas se definem pelo que elas consomem e a carreira, ser alguma coisa na vida, é algo de extrema importância.
E óbvio também que as redes socias (orkut, facebook, tweeter) são um fenômeno relativamente novo e nós ainda estamos aprendendo a nos comportar dentro delas. Não sei se todo mundo que tem Facebook pensa, por exemplo, que cada update de status será visto por, sei lá, 200, 300 pessoas. Imagine você num salão-de-festas com 200 pessoas com as quais você tem diferentes tipos de relações. Alguns são colegas de trabalho que você só ve das 9 às 5, outros são amigos próximos e outros são parentes distantes, daqueles que a gente só vem em casamento e velório. Daí você vai lá e grita em alto e bom som para todo mundo ouvir:
Vocês aí que tão com pena do meu namorado, fiquem sabendo que eu terminei com ele porque ele transou com a fulana.
Alguém aí faria isso? Pois fiquem sabendo que eu vi algo assim no Facebook. É claro, que quando a gente não ve essas 200, 300 ou mais pessoas que estão ali lendo sobre a nossa vida, fica mais fácil expor coisas que talvez no mundo real tivéssmos vergonha de expor.
E daí vem a idéia de que, ao mesmo tempo que no mundo virtual nós temos um enorme controle sobre a nossa imagem, nós podemos nos editar, photoshopar, colocar aquelas fotos em que estamos mais bonitas, com as melhores roupas, escolher exatamente que partes da nossa vida vamos mostrar também temos bem menos controle sobre quem tem acesso a essas informações e como elas serao usadas. Antigamente, nos idos anos 90, as fotos de viagens eram mostradas entre amigos, talvez no trabalho e se a gente dissesse algo assim meio sem pensar, tipo queria que todos esses carroceiros sem noção sumissem das ruas de Porto Alegre depois de um tempo isso era esquecido e só sobrava a vergonha. Agora tudo isso pode ser googlado e usado contra nós.
Outra fenômeno que eu acho interessante é como alguns valores da nossa sociedade capitalista ocidental se refletem em como as pessoas se comportam nas redes sociais. Já que a nossa personalidade se define por aquilo que consumimos – de livros, carros, filmes, viagens, tratamentos de beleza, eletro-eletrônicos – então se torna importante construir uma identidade em torno desses elementos. Consumir significa fazer parte da sociedade, significa que nós estamos produzindo alguma coisa, recebendo a recompensa por essa produção e usando essa recompensa para comprar produtos constroem a nossa identidade. E isso precisa ser visto por aqueles que estão à nossa volta.
Mas vejam bem, isso não é uma crítica, apenas um convite à reflexão.




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