Escravo tem dia?

O Dia Internacional do Trabalhador é, em teoria, uma data em que se comemorariam as conquistas de direitos trabalhistas, como o dia de trabalho de 8 horas em vez das 14 ou 16 trabalharas nas fábricas na época da revolução industrial, o direito de associação, de formar sindicatos e uniões, o direito à greve e muitos outros. O problema é que com o avanço desenfreado do capitalismo, com sua constante sede por lucro acima de tudo e lucro que permanece nas mãos de poucos, esses benefícios e direitos conquistados às custas de muita luta vão sendo perdidos.

No Brasil, a concentração de riqueza nas mãos de poucos não é novidade, acontece desde o periodo colonial. A má distribuição de renda faz com que a maioria dos habitantes de um país rico seja pobre ou miserável. E quem vive na miséria se torna extremamente vulnerável. Qualquer promessa ou proposta, por mais absurda e impossível que seja, parece uma boa alternativa a morrer de fome. É assim que milhares de brasileiros se tornam escravos, ludibriados pela promessa de um trabalho digno, de poder sustentar sua família.

De acordo com a última estimativa a que eu tive acesso, 25 mil pessoas estariam trabalhando em condições análogas à escravidão no Brasil. No caso do trabalho escravo, é difícil chegar a números extatos, pois quem utiliza mão de obra escrava faz questão de escondê-la. Em dez anos, de 1995 a 2005, desde que o Pacto Nacional para Erradicação do Trabalho Escravo entrou em vigor, mais de 17 mil trabalhadores foram libertados. Mas apenas libertar trabalhadores não é o suficiente para acabar com a escravidão contemporânea. E necessário também que as condições que levam uma pessoa a cair na cilada do trabalho escravo sejam eliminadas. Essas condições são a extrema pobreza, a falta de empregos e muitas vezes a falta de informação.

Essa é justamente uma das críticas de autoridades internacionais ao projeto de erradicação do trabalho escravo no Brasil. Mesmo sendo um dos países que mais tem agido para encontrar e libertar trabalhadores nessas condições, o governo brasileiro não tem feito muito para punir os culpados ou para criar condições que desistimulem o trabalho escravo.

Só que muita gente se beneficiaé do trabalho escravo porque ele reduz os custos de produção. Então tem muita gente no Brasil que primeiro se recusa a admitir que há trabalho escravo e segundo se recusa a aceitar as medidas para erradicá-lo. Um exemplo é a PEC 438, ou PEC do Trabalho Escravo, que está parada na Câmara dos Deputados desde 2003 principalmente por causa do lobby da bancada ruralista. Essa proposta de emenda constitucional istituiria o confisco de terras onde trabalhadores em condições análogas à escravidão fossem encontrados e as terras seriam destinadas à reforma agrária.

Algumas organizações, como a Repórter Brasil e a Comissão Pastoral da Terra vêm pressionando o governo para que a PEC seja aprovada e colocada em vigor como explicam Leonardo Sakamoto e Xavier Plassat. Dia 12 de março houve uma manifestação em Brasília e há um abaixo assinado na internet pedindo que a PEC seja votada. Como eles bem disseram: Dá para tolerar que nossos representantes continuem sentados em cima de uma questão como essa?

P.S.: Eu estou blogando do meio das caixas, nós mudamos para o ap novo sábado e os nossos pertences já estão todos encaixotados. Espero escrever mais sobre escravidão contemporânea durante a semana, mas não sei se vai dar tempo, principalmente porque vai levar 3 semanas para conectarem a internet no outro ap, então só vou poder acessar da internet, caso não haja um vizinho camarada, com uma conexão aberta para me emprestar. Leiam também os blogs da Laura e da Lys que vão escrever sobre o assunto hoje.

Estou procurando vítimas!

Eu preciso de jornalistas que trabalhem na Folha, Estadão, Correio Braziliense, O Globo ou Jornal do Brasil para fazer uma entrevista para o meu projeto piloto sobre como as ONGs usam a mídia como ferramenta de comunicação. Eu posso fazer a entrevista por e-mail ou telefone.
Se alguém é ou conhece uma vítima em potencial, por favor deixe um comentário (que eu não vou publicar) ou mande um email para pasartoretto@yahoo.com com o contato.

Caixas e mais caixas

Passaremos o fim-de-semana encaioxotando coisas aqui em casa em preparação para a mudança no próximo sábado. Queremos realizar uma operação organizada e eficiente como foi nossa mudança para Estocolmo há um ano. Já recrutamos ajudantes e elaboramos um cronograma de atividades. O bom é que dessa vez o apartamento fica a 5 minutos de carro de onde moramos agora.

Semana que vem tem a nossa nano-blogagem do dia do trabalho. Ano que vem quero ver se organizo mais e arrecado mais uns participantes.

Enquanto isso até o final de maio preciso escrever:

2 trabalhos 1trabalho atrasado de metodologia de pesquisa

1 trabalho de redação em sueco

1 trabalho de Filosofia e ética na pesquisa (para teça-feira)

1 redação em sueco (para segunda-feira, acho que vou matar aula)

2 trabalhos de expressão oral em sueco para compensar 2 aulas que eu perdi.

1 Relatório de um projeto piloto para o mestrado (eu fiz uma pequena falcatrua e usei minha dissertação do mestrado em Londres)

2 trabalhos muito idiotas de Estudos Sociais em sueco, um em grupo, um individual.

uns 3 textos para o site da conferência da IAMCR

Fora isso, no final de maio e inicio de junho eu tenho provas de redação e interpretação de textos, gramática e uma prova oral em sueco. Acho que vou tentar um truque que vi no Desperate Housewives : as mães tomavam os remédios para ADHD dos filhos e ficavam ligadonas, o que lhes permitia gerenciar a casa com maestria, cuidar dos rebentos e produzir a apresentação de fim de ano da escola. O único problema é que eu não conheço ninguém com ADHD para roubar umas pílulas mágicas.

6 coisas que amo

A Ermã me passou uma tarefa de escrever sobre 6 coisas que amo e ainda afirmou que eu a obedeço porque ela é maior, coitada…

Aqui vão as coisas

Ler Eu adoro começar um livro novo, passar uma tarde lendo, ler no ônibus, no trem. Gosto de livros de ficção e não-ficção e até mesmo alguns meio trash.

Estudar Além de aprender e descobrir eu gosto do ambiente da universidade e espero permanecer nele por um bom tempo.

Viajar Conhecer novos lugares, pisar num país ou cidade pela primeira vez, usar dinheiro diferente, escutar uma lingua diferente, comer coisas diferentes.

Cuidar da minha casa Gosto de encontrar coisas diferentes, em lojas de segunda-mão, liquidações, combinar coisas e receber amigos.

Passar tempo com as pessoas que gosto Eu passo boa parte do meu tempo com pessoas com as quais eu não escolho estar, então, meu no meu tempo livre gosto de passar tempo com pessoas que são especiais para mim.

Cozinhar é o mais perto de gostar de química que eu consigo chegar. Misturar coisas, ver massa se transformar em bolo, pão crescer, coisas mudarem de cor e sabor é muito divertido, principalmente quando estou cercada de gente legal.

Bom meu povo, eu não tenho poder de influenciar seis habitantes dessa blogosfera, mas eu posso subornar a Ju com sorvete de limão.

As regras são as seguintes

As regras que os convidados devem seguir sao simples:

1. indicar os links de quem os convidou
2. escrever o regulamento no proprio blog
3. citar os 6 objetos do jogo
4. envolver outras seis pessoas
5. comunicar aos proximos 6 sortudos a nomination

Dia Internacional do Trabalhador


Como todos sabem, 1° de maio é o Dia Internacional de Trabalhador, uma data que foi criada para celebrar as conquistas sociais e econômicas da classe trabalhadora. Entretanto, hoje em dia anda meio complicado falar em celebração quando muitos direitos adquiridos depois de anos de luta vão sendo perdidos pouco a pouco por conta do capitalismo desenfreado e da tão aclamada economia globalizada.
Um exemplo disso é o trabalho escravo: estima-se que hoje existam 27 milhões de pessoas trabalhando em condições análogas à escravidão pelo mundo afora, em torno de 25 mil delas no Brasil.

Eu não tenho a intenção de organizar uma super blogagem coletiva como as que a Lys, a Georgia e a Meroca organizaram nos últimos meses, principalmente porque eu vou me mudar dia 3 de maio e dia 1° eu vou blogar diretamente do meio das caixas. Além disso provavelmente eu fique sem internet nos primeiros dias depois no novo apê. Mas seria legal se um monte de gente escrevesse sobre os atuais problemas enfrentados pelos trabalhadores no Brasil, em especial o trabalho escravo.

Há muitas questões pertinentes no tocante ao trabalho escravo e direitos trabalhistas, principalmente agora com o aumento da demanda por etanol que esta gerando uma demanda por mão-de-obra escrava nos canaviais. Mas essa é apenas uma sugestão.

Para mais idéias eu sugiro esses sites

Repórter Brasil
Blog do Leonardo Sakamoto
Agência Carta Maior
Comissão Pastoral da Terra

Em inglês
Anti-Slavery International
Free the Slaves

PS: quem tiver a fim de participar, deixe um comentário que eu coloco um link para o blog de vocês.

Presença Confirmada
Lys
Laura

Psiu

Agora eu também estou aqui

Analfabetismo no Brasil

Hoje eu acordei, li o jornal, fui à aula e li um livro, fui numa reunião e anotei várias coisas, agora estou escrevendo no blog. Essas são atividades diárias para mim. A palavra escrita faz parte da minha vida assim como o ar e a água . Provavelmente faz parte da sua vida também, se você esta lendo esse texto. Ler e escrever são coisas tão normais na vida de muita gente que nós não nos damos conta de que tem muita gente no Brasil que não pode ler um livro, não pode ler o jornal, não pode ler um contrato antes de assinar para se certificar de que não está sendo passado para trás.

Sem dúvida, saber ler e escrever é crucial para que sejamos cidadãos completos e hoje, no dia Nacional do Livro, a Georgia e a Meiroca estão promovendo a blogagem coletiva “O que você faz para acabar com o analfabetismo no Brasil”. E eu preciso confessar , com um tanto de vergonha, que eu não faço muita coisa! Lendo o post da Lys eu me identifiquei um pouco com a descrição dela da classe média que não se interessa muito pelo fim do analfabetismo. Não que eu critique os programas do governo como o bolsa-escola e o bolsa-familia, muito pelo contrário. Eu acho que graças a esses programas muita gente saiu da miséria completa para condições um pouco mais sobrevivíveis. O que eu quero dizer é que eu não atrapalho, mas também não ajudo.

Por outro lado, vivendo aqui na Suécia, um país com uma longa experiência de democracia participativa, eu acredito no poder do cidadão de operar mudanças na sociedade. O Brasil ainda está no ensino básico da escola da democracia. Entretanto eu tenho esperança de que com o passar do tempo nós vamos aprender a eleger, monitorar e cobrar nossos representantes.

Quando nós votamos, estamos dando ao nosso canditado o poder de nos representar. Só que eu acho que muita gente esquece de cobrar. Por que há comunidades sem escola? Por que há crianças em idade escolar trabalhando? Por que existem adultos analfabetos e como podemos alfabetiza-los e permitir que eles conciliem trabalho e estudo? A minha opinião é que antes de criticar os políticos que são corruptos, que criam programas com os quais não concordamos, que não fazem seu trabalho, etc nós devemos nos perguntar se nós fazemos nosso dever de casa de cidadãos que não acaba quando clicamos em confirmar na urna eletrônica.

Cadê?

Aqui na Suécia as coisas funcionam, em geral, de maneira organizada. Eu ouço buzinas pouquíssimas vezes. A lavanderia do prédio funciona bem, todo mundo marca sua hora, lava sua roupa e deixa o local livre e limpo para o próximo.

Eu disse no geral, porque no particular as coisas de vez em quando complicam. Eu estava reunindo meus documentos escolares para me inscrever para um curso. Eis que percebo que falta 1 página na tradução de uns dos meus históricos escolares. Daí eu pensei cá com meus botões, quando a mesma coisa aconteceu em Londres, eu fui na secretaria da faculdade e pedi para tirar uma cópia, pois eles tinham todos os meus documentos que foram enviados quando eu me candidatei para o mestrado. Eles ainda carimbaram as cópias e deram uma declaração dizendo que eles tinham os originais e que aquela era uma cópia legítima. Mais ou menos como uma autenticação.

Seguindo o mesmo raciocínio, mandei um email perguntando se eu podia tirar uma cópia dos meus documentos para a coordenadora do meu curso, que sugeriu que eu falasse com a secretaria, o que eu imediatamente fiz. Hoje a secretária do curso me escreve dizendo que falou com a ex-coordenadora do curso que por sua vez disse que se eu tenho pressa talvez seja melhor conseguir o documento de outra forma.

Agora a pergunta é, o que eles fizeram com meus documentos? Porque se era por uma questão de espaço, eles poderiam ter me devolvido depois de terem constatado que eu preenchia os requisitos para o curso.

Será que é mal das faculdades de comunicação? Porque os outros departamentos com quais eu tenho contato na Universidade de Estocolmo parecem ser bem organizados e em Londres eu estudei no departamento de Sociologia.

Agora eu estou pensando em quais serão as consequências de enviar meus documentos com uma página da tradução de um histórico faltando….

Bem feito para mim, se tivesse cuidado melhor dos meus papéis…

Na sala-de-aula com Paola

Uma das coisas que as pessoas mais digitam antes de vir parar nesse blog é:

Como se comportar na sala-de-aula

Então eu resolvi dar uma ajuda àqueles que têm dúvidas sobre como se comportar nos bancos escolares.

Lá vai, leia com ateção.

- Seja pontual e se chegar atrasado não entre na sala como um carro alegórico da Mangueira, seja discreto.

- Desligue o celular ou pelo menos deixe no silencioso.

- Quando o professor fala, os alunos ESCUTAM (ou pelo menos calam a boca). Se você não gosta do professor ou acha o assunto chato, saia da aula, vá tomar um café mas NÃO comece a conversar com os colegas nas proximidades. Caso não possa ou não queira sair da sala leia um livro, leia a Caras ou faça qualquer atividade silenciosa. Outras pessoas podem estar aproveitando a aula.

Esse é o básico do básico, achei que mais gente soubesse disso, mas pelo jeito não sabem.

Humpf!

Tem muitas coisas que eu gosto muito na universidade aqui na Suécia, mas tem uma que eu ODEIO: o fato de que somos praticamente obrigados a comprar livros. Não, eu não tenho nada contra comprar livros, muito pelo contrário, eu trabalhei numa livraria principalmente para poder comprar livros com 35% de desconto. O problema é ter que comprar um livro do qual eu só vou mesmo usar alguns capítulos. Ou, como é o caso no momento, comprar um livro de 300 coroas (+ou- 80 reais) que eu vou usar apenas por duas aulas. Livros acadêmicos são caros, porque não são impressas muitas cópias, ao contrário dos Paulo Coelho da vida. Eu não acho isso certo, mas é a realidade. Sendo assim, eu prefiro comprar aqueles que me serão úteis como referência e não livros que eu vou usar por 1 ou 2 meses e depois largar na estante para pegar poeira.

No Brasil o xerox rolava solto, aqui até que rola, mas as vezes leva semanas para conseguir o livro na biblioteca. Na universidade em Londres os professores diziam para não comprarmos os livros e até que tinha um bom número de exemplares na biblioteca. Tudo bem, em Londres eu tinha que pagar pelo meu curso e aqui eu não preciso. Eu acho que o raciocínio por trás disso é que aqui na Suécia os estudantes geralmente recebem algum tipo de ajuda do governo. Geralmente, mas não sempre. Paola Madrid Sartoretto, por exemplo, não recebe nenhuma coroa. Mesmo se recebesse, odiando desperdício como eu odeio, acho que ainda ia reclamar de ter que comprar livros caros que para mim não valem o seu preço.

E tenho dito. Votem em mim na próxima eleição (só não sei para que…)

P.S. Tem uma coisa que me causa muita inveja: entrar nos escritórios dos meus professores e ver as paredes CHEIAS de livros. A minha inveja quase me deixa sem fala.

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