Arquivo para Maio, 2007

Blood Diamonds

Photo of Blood Diamond,  Jennifer Connelly

Essa semana eu vi “Blood Diamonds”, aquele indicado para 5 Oscars. O filme é sobre como a venda de diamantes financia a guerra em países africanos. Bom, na verdade é um filme de aventura que bem superficialmente fala sobre conflict diamonds e ainda mais vagamente sobre criancas sendo recrutadas como soldados. Tudo bem que é um filme, nao um relatório da ONU e que se o assunto fosse tratado com um pouco mais de profundidade, talvez a bilheteria sofresse. Mas eu achei bem fraquinho.

No final tudo termina bem, o pescador Solomon Vandi reecontra seu filho que fora sequestrado pelos rebeldes e se tornou soldado, vira asilado em Londres com sua família e vai dar seu testemunho numa Corte Internacional.

O que eu me pergunto é, será que esse tipo de filme tem algum poder de mudar a situacao que retrata? Será que vai fazer com que aqueles que compram diamantes exijam o certificado de que a pedra nao vem de áreas em conflito? Será que vai fazer com que as indústrias fiscalizem seus fornecedores. Eu realmente espero que sim, mas tenho minhas dúvidas.

Diamantes e conflitos na África

Na Angola, Serra Leoa, República Democrática do Congo e Libéria, a venda de diamantes financia conflitos e a guerra civil. Segundo a Anistia Internacional, os lucros com o comércio de diamantes nessas áreas foram usados por “generais” e rebeldes para comprar armas usadas em guerras em que morreram cerca de 3,7 milhoes de pessoas, mais de 100 vezes o número de mortos em 11 de Setembro. A Anistia Internacional alerta para o fato de que, enquanto as guerras em Angola, Serra Leoa e Libéria terminaram e os conflitos na República Democrática do Congo diminuíram bastante, diamantes vindos de minas em áreas rebeldes na Costa do Marfim estao chegando ao mercado internacional. Além disso, diamantes vindos de áreas em conflito na Libéria estao sendo contrabandeados para os países vizinhos, onde passam por diamantes “legais”.

Em 2003 um sistema internacional de certificacao entrou eu vigor, o Kimberley Process, que torna ilegal comercializar diamantes de áreas em conflito. A Anistia Internacional recomenda que as pessoas procurem pelo certificado de origem ao comprarem diamantes.24071.jpg

É óbvio que foram necessárias várias manifestacoes, negociacoes e dedos apontados para que a indústria milionária concordasse em com essas medidas. Eu lembro que quando fiz um workshop de Campanhas para mudanca social, na universidade em Londres, nós estudamos o caso de uma manifestacao num encontro do setor de joalherias. O estudo de caso dessa manifestacao está no livro Global Activism, Global Media. Nao consegui encontrar nenhuma foto, mas essa manifestacao foi o seguinte: num encontro da indústria de diamantes, acho que em Londres, a WDM contratou uma atriz para fazer o papel de Marlyn Monroe (Diamonds are a girl’s best friend) e alguns atores que empunhavam cartazes com fatos sobre os diamantes vindos de áreas em confito. A manifestacao atraiu atencao dos participantes do encontro e da mídia. A indústria obviamente precisou responder aos argumentos dos manifestantes e das ONGs e, para nao ficarem com o título de homens maus que financiam a guerra na África, eles aceitaram negociar os termos de uma certificacao.

Bom, eu estou longe de ser proprietária de um diamante (imaginem quantos móveis da Ikea nao da para comprar com o dinheiro de UM diamante), mas se alguém pensa em ter a pedrinha, antes leiam o guia da Anistia Internacional.

Dois anos do Pacto Nacional para Erradicacao do Trabalho Escravo

O Pacto Nacional para a Erradicacao do Trabalho Escravo completa dois anos hoje. Eu dei uma olhada nos principais jornais brasileiros e, pelo menos nos sites, nao encontrei nada falando sobre a data. O Pacto tem como objetivo engajar a iniciativa privada na erradicacao do trabalho escravo e a data foi comemorada com um evento no dia 17, fazendo um balanco dos resultados atingidos nesses dois anos. As empresas signitárias do pacto coprometem-se em adotar práticas contra o trabalho escravo e contribuir para a integracao dos trabalhadores. O pacto é coordenado pelo Instituto Ethos, Organizacao Internacional do Trabalho e Repórter Brasil e entre as empresas que assinaram o pacto estao a Wal-Mart, Cargill, Petrobras, Coteminas, Grupo Pao-de-Acucar e Carrefour. Eu tenho algumas restricoes a essa história de responsabilidade social, nao que eu nao acredite que as empresas também precisem exercer sua cidadania e contribuir para a sociedade onde atuam, mas grande parte das iniciativas de responsabilidade social acabam sendo atos de auto-promocao. Eu desconfio principalmente da Wal-Mart, que trata mal seus funcionários, nao paga precos justos aos fornecedores e destruiu o comércio local em várias cidades americanas e inglesas. Entretanto, a iniciativa privada tem um papel muito importante na erradicacao do trabalho escravo, identificando seus fornecedores e eliminando o uso de trabalho escravo em sua cadeia produtiva. Por isso, o diálogo do governo e do terceiro setor com as empresas é muito importante.

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Embaixada Sueca no Second Life

Dia 30 de maio a Suécia vai Inaugurar a sua primeira Embaixada Virtual no Second Life. O Second Life é um mundo virtual com mais de 6 milhoes de habitantes. Ha uns meses eu fiz uma identidade virtual no Second Life mas confesso que nao achei grande coisa, eu ficava lá voando, visitando lugares etc, etc. Talvez eu nao seja esperta o suficiente para aproveitar todas as possibilidades desse maravilhoso mundo virtual, hehe.  Tem muita gente fazendo dinheiro real (a moeda do Second Life sao os Linden Dólares que podem ser comprados e convertidos para dinheiro real) no mundo virtual, vendendo propriedades, roupas acessórios e outros produtos.

Make-up para homens e glam rock

220px-guns_n_roses.jpg200px-esc_2007_sweden_-_the_ark_-_the_worrying_kind.jpgOntem fomos encontrar com uns amigos do Nicklas num bar em Estocolmo e ver uma banda dos amigos dos amigos, se é que dá para entender.

A banda dos amigos dos amigos até que nao era má, mas antes teve uma coisa meio Guns’n Roses meets Glam Rock que pelamordedeus! Ninguém tinha me avisado que esse visual início dos anos 90 tinha voltado a moda. Muitas bandanas, calcas super-justas e… maquiagem masculina. Sim, sim, sim, acho que pegaram carona no visu do The Ark, a banda que representou a Suécia no Eurovision, somada a onda emo. Alguns meninos estavam mais maquiados do que eu. Sombra, delineador, rímel, base.

Ano passado a Moschino e a H&M lancaram uma linha de maquiagem masculina e julgando pelo que vi ontem, estao fazendo sucesso!

Mestrado II aqui vou eu!

Hoje quando voltamos da “feira” tinha uma cartinha para mim da Universidade de Estocolmo. Era um envelopinho fino e leve o que me fez pensar que seria algo do tipo: “nós lamentamos informar que voce nao foi aceita para o mestrado, tchau e boa sorte”.

Para a minha surpresa nao era. Era uma carta dizendo que eu fui aceita para o Mestrado em Mídia e Comunicacao que comeca em agosto.

Meu plano era fazer doutorado, já que completei um mestrado em Londres, mas para o doutorado na Universidade de Estocolmo é preciso ter um certo conhecimento de sueco, que eu nao tenho. Entao, já que o curso é de graca e eu corro o risco de ganhar uma bolsa, resolvi me candidatar para outro mestrado. Até o ano que vem espero estar mais esperta no sueco e poder entrar para o doutorado.

Amigas, lojas e frapuccino

Ontem foi um dia muito legal, acordei cedo e fui encontrar a Márcia, a Ju e a Adriana no Centro de Estocolmo. O programa do dia era encontrar as barganhas da capital e ver uma exposicao na Kulturhuset ou casa de cultura. Sim porque eu amo pechinchas. Tudo bem que eu vivia babando nas vitrines da Prada e Jimmy Choo em Londres, mas nada supera a satisfacao de entrar na H&M e sair de la com duas sacolas cheias por apenas £50. Eu também queria saber onde ficam os Charity Shops (lojas de organizacoes de caridade e humanitárias) porque sempre tem alguma coisa que vale a pena, principalmente decoracao.
Primeiro visitamos um mercado onde tem comidas e ingredientes do mundo inteiro, depois rumamos para as lojas de caridade. A primeira delas tinha muitas coisas legais e uma secao de de-sig-ners(!!!) onde encontrei uma blusa do Roberto Cavalli por SEK125, mais ou menos uns 30 reais, pena que nao era o meu tamanho. Depois fomos ver outras lojas e logo antes do almoco encotramos a Martha.
Depois do almoco e de muito bate-papo resolvemos fazer umas compras num supermercado chiquérrimo, parece que a família real sueca faz compras lá…Mentira, o Lidl é um supermercado hiper barato, é uma rede alema que tem em toda a europa, é meio chinelagem, tipo lojas Pompéia, mas é barato, tem coisas boas e eu compro lá e admito.
Depois, como estava programado fomos para a Kulturhuset ver uma exposicao de websites. A exposicao era da faculdade da Joana, outra brasileira muito querida que conheci ontem. Essa exposicao pelo que entendi era o trabalho de conclusao de curso deles, cada grupo elaborou um site ou um programa. A exposicao estava meio xoxa, nem a Joana gostou muito e disse que quando chegar a vez dela, quer fazer um trabalho bem melhor.
Para terminar o dia, fomos tomar um sorvete onde, segundo parte do grupo, vendem o melhor sorvete de Estocolmo. Eu, como viciada em café, preferi um frapuccino (frape+capuccino), realmente estava ótimo. Antes de nos despedirmos, marcamos um encontro para a semana que vem, quando Nicole vem para Estocolmo.
É interessante que em Londres eu nao fazia muita questao de conhecer brasileiros porque entre os que dao calote em banco, os que vendem passaporte e carteira de identidade e os que agenciam prostitutas, a chance de topar com um falcatrua é bem grande. Óbvio que eu tinha (tenho) amigos brasileiros muito queridos por lá, mas nunca saí correndo quando escutava portugues.
Aqui é um pouco diferente, primeiro porque nao tem tantos brasileiros, segundo porque na Suécia nao é tao fácil de aprontar quanto na Inglaterra.
Hoje comeca um feriadao que vai até domingo, acordamos cedo para lavar roupa, nossa hora na lavanderia era as 7 e vamos aproveitar para arrumar as últimas coisas no apartamento.

Pedido de Laura - por que eu nao coloco acento nas palavras

Porque meu computador foi comprado em Londres, nao tem til, cedilha, acentos agudo e circunflexo, trema e as letrinhas do alfabeto sueco ä å ö.

Mapa do metro de Estocolmo

O The Local fez uma versao do mapa do metro de Estocolmo em ingles que eu achei muito engracada. Uma vez eu encontrei um livro em Londres explicando os nomes das estacoes de metro da cidade, queria encontrar o mesmo em sueco para saber por que cargas d’água uma estacao se chama “Awful Village Hospital” (Hospital da Vila Terrível) .

Esse é o mapa original. Eu moro em Farsta ou Fathertown ou Cidade do Pai.

Escravidao na imprensa

Hoje encontrei esse ótimo texto no site da Repórter Brasil sobre a cobertura da imprensa no dia 13 de maio, quando comemoramos a abolicao da escravatura. Ele diz que a escravidao contemporanea no Brasil, apesar da importancia, é considerado um assunto “frio” nas redacoes porque pode ser coberto a qualquer momento.
Quando fiz a minha pesquisa, eu observei que a cobertura jornalística sobre escravidao se concetrava em certas datas, como quando do assassinado dos fiscais do Ministério do Trabalho em 2004 e libertacoes de trabalhadores. Infelizmente é, como diz Rolf Kuntz, autor do texto acima, repórteres e editores estao interessados no factual. Por isso a cobertura da escravidao se concentra quando ha fatos novos.
Eu acretido que a imprensa precisa partir para um papel mais ativo na solucao do problema da escravidao: nao apenas reportar, mas servir como uma arena de debates e dar voz aos que fazem da erradicacao do trabalho escravo sua luta diária.

Suecos entre os que mais reclamam do trabalho

Segundo uma pesquisa realizada por uma companhia Britanica, a FDS, os suecos estao em segundo lugar entre os mais reclamoes do mundo, empatados com os Britanicos. Em primeiro lugar no ranking estao os Franceses e entre os mais satisfeitos com seu trabalho os Neerlandeses, Tailandeses e Irlandeses.

Eu nunca trabalhei aqui entao nao posso dar meu depoimento, Nicklas reclamava um pouco de seu trabalho anterior mas parece mais feliz nesse. Agora sobre o Reino Unido eu posso falar, eles reclamam mesmo e eu me incluía no time quando morei por lá. Um dos lugares onde eu trabalhei foi uma das experiencias mais traumatizantes da minha vida, demorou um ano depois que eu sai para suportar entrar na empresa novamente. Eu reclamava sim, o dia Inteiro.

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Atenção

Eu moro na Suécia mas não sou agência de turismo, intercâmbio nem trabalho no consulado brasileiro, então não me peça informações sobre morar aqui, aprender a língua, estudar, etc, para essas coisas existe o Google e foi googlando que eu achei 99% das informações que precisava para morar aqui. Na página de links tem vários sites com informações úteis sobre morar na Suécia e Inglaterra.

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