Essa semana eu vi “Blood Diamonds”, aquele indicado para 5 Oscars. O filme é sobre como a venda de diamantes financia a guerra em países africanos. Bom, na verdade é um filme de aventura que bem superficialmente fala sobre conflict diamonds e ainda mais vagamente sobre criancas sendo recrutadas como soldados. Tudo bem que é um filme, nao um relatório da ONU e que se o assunto fosse tratado com um pouco mais de profundidade, talvez a bilheteria sofresse. Mas eu achei bem fraquinho.
No final tudo termina bem, o pescador Solomon Vandi reecontra seu filho que fora sequestrado pelos rebeldes e se tornou soldado, vira asilado em Londres com sua família e vai dar seu testemunho numa Corte Internacional.
O que eu me pergunto é, será que esse tipo de filme tem algum poder de mudar a situacao que retrata? Será que vai fazer com que aqueles que compram diamantes exijam o certificado de que a pedra nao vem de áreas em conflito? Será que vai fazer com que as indústrias fiscalizem seus fornecedores. Eu realmente espero que sim, mas tenho minhas dúvidas.
Diamantes e conflitos na África
Na Angola, Serra Leoa, República Democrática do Congo e Libéria, a venda de diamantes financia conflitos e a guerra civil. Segundo a Anistia Internacional, os lucros com o comércio de diamantes nessas áreas foram usados por “generais” e rebeldes para comprar armas usadas em guerras em que morreram cerca de 3,7 milhoes de pessoas, mais de 100 vezes o número de mortos em 11 de Setembro. A Anistia Internacional alerta para o fato de que, enquanto as guerras em Angola, Serra Leoa e Libéria terminaram e os conflitos na República Democrática do Congo diminuíram bastante, diamantes vindos de minas em áreas rebeldes na Costa do Marfim estao chegando ao mercado internacional. Além disso, diamantes vindos de áreas em conflito na Libéria estao sendo contrabandeados para os países vizinhos, onde passam por diamantes “legais”.
Em 2003 um sistema internacional de certificacao entrou eu vigor, o Kimberley Process, que torna ilegal comercializar diamantes de áreas em conflito. A Anistia Internacional recomenda que as pessoas procurem pelo certificado de origem ao comprarem diamantes.
É óbvio que foram necessárias várias manifestacoes, negociacoes e dedos apontados para que a indústria milionária concordasse em com essas medidas. Eu lembro que quando fiz um workshop de Campanhas para mudanca social, na universidade em Londres, nós estudamos o caso de uma manifestacao num encontro do setor de joalherias. O estudo de caso dessa manifestacao está no livro Global Activism, Global Media. Nao consegui encontrar nenhuma foto, mas essa manifestacao foi o seguinte: num encontro da indústria de diamantes, acho que em Londres, a WDM contratou uma atriz para fazer o papel de Marlyn Monroe (Diamonds are a girl’s best friend) e alguns atores que empunhavam cartazes com fatos sobre os diamantes vindos de áreas em confito. A manifestacao atraiu atencao dos participantes do encontro e da mídia. A indústria obviamente precisou responder aos argumentos dos manifestantes e das ONGs e, para nao ficarem com o título de homens maus que financiam a guerra na África, eles aceitaram negociar os termos de uma certificacao.
Bom, eu estou longe de ser proprietária de um diamante (imaginem quantos móveis da Ikea nao da para comprar com o dinheiro de UM diamante), mas se alguém pensa em ter a pedrinha, antes leiam o guia da Anistia Internacional.



Hoje encontrei esse 
