
A matéria de capa do jornal britanico The Independent fala sobre como o desmatamento de florestas tropicais contribui para o aquecimento Global. Segundo a matéria 24 horas de desmatamento liberam uma quantidade de CO2 equivalente a 8 milhoes de pessoas voando de Londres para Nova York.
A Floresta Amazonica junto com áreas na Indonésia e Congo sao as campeas de emissao de CO2 devido ao desmatamento.
E o que isso tem a ver com escravidao? Segundo pesquisadores e ativistas, boa parte dos trabalhadores em condicoes análogas a escravidao é “empregado” para desmatar a floresta, dando lugar a pastagens para o gado ou plantacoes. O jornalista Daniel Howden segue argumentanto que para solucionar esse problema nao sao necessárias novas tecnologias ou grandes investimentos, mas vontade política. Numa situacao em que existe a possibilidade de obter lucro com plantacao ou criacao de animais ou manter a floresta como está sem nenhum ganho capital, é óbvio que os fazendeiros escolhem a primeira opcao. Nas Europa, os governos pagam E200 por “servicos ambientais” aos fazendeiros para que eles mantenham suas terras intactas.
Já faz tempo que o Brasil vem sendo criticado nao apenas pelo desmatamento da Floresta Amazonica, mas pelo uso de mao-de-obra escrava. Quando estava pesquisando para a minha dissertacao encontrei várias matérias sobre o assunto. Em 18/10/05, George Monbiot escreveu o texto The price of cheap beef: disease, deforestation, slavery and murder (O preco da carne barata: doenca, desmatamento, escravidao e morte) em que ele argumenta que a carne brasileira nao é ética, pois é produzida as custas do desmatamento da Floresta Amazonica e do trabalho escravo. Em pouco mais de uma semana da publicacao dessa matéria, o entao embaixador do Brasil no Reino Unido respondeu no mesmo jornal, com o texto Why calls for a boycott on Brazilian beef are misplaced argumentando que o desmatamento diminuiu no ano de 2004 e que o governo brasileiro estabeleceu uma comissao para erradicacao do trabalho escravo (CONATRAE) que libertou em torno de 10 mil trabalhadores de 2002 a 2004. E em janeiro do ano passado, o Daily Telegraph publicou a matéria Cheap Brazilian beef imports are “subsidised by slave labour” (A importacao de carne barata do Brasil é “subsidiada pelo trabalho escravo”) que abordava o mesmo tema.
Eu acredito na importancia de que esses temas sejam discutidos em esfera internacional, afinal de contas, o desmatamento das florestas tropicais tem consequencias que vao muito além de suas fronteiras. Eu nao acho que o boicote defendido por George Monbiot seja a saída, pois como muito bem argumenta Kevin Bales, um dos mais importantes pesquisadores sobre escravidao comtemporanea, existem aqueles que produzem dentro das regras e os que nao o fazem e quando boicotamos um produto, estamos prejudicando os dois. O caminho para a erradicacao do trabalho escravo passa por mudancas estruturais e políticas e um sistema legal que funcione e seja rígido com quem explora mao-de-obra escrava.
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