Arquivo para Junho, 2007

Bomba em Londres

Hoje meus phaymarketart.jpgais não vão se preocupar quando souberem que uma bomba foi desativada num carro na região de Picadilly Circus em Londres, como aconteceu em 7 e 14 de julho de 2005 quando eu ainda morava lá. Essa é uma das razões pelas quais eu não me arrependo de ter saído de Londres, o nível de risco de um ataque terrorista na cidade é classificado como severo, apenas um nível abaixo do mais alto, crítico. Isso gera um desconforto muito grande, sem falar nas inconveniências diárias como ruas fechadas, rotas de ônibus desviadas, metro que não funciona, policiais olhando desconficados para as pessoas, pessoas olhando desconfiadas umas para as outras, dedos sendo apontados e a culpa sendo jogada de um lado para outro.


Na matéria do The Guardian, eles argumentam que o que acontece hoje nas ruas de Bagdá, onde carros-bomba são uma ocorrência frequente, pode vir acontecer nas ruas de Londres.

Ainda bem que a Suécia não invadiu o Iraque.

Atualização

Agora à tarde, outras ruas do centro de Londres foram fechadas por causa de suspeitas de que um carro num estacionamento subterrâneo contenha explosivos.Leia mais aqui

Em ritmo de férias

Dá para sentir que a Suécia esta parando, no estacionamento do prédio tem bem menos carros, a frequência em sala de aula é menor e tem sempre muita gente na rua.

Quinta-feira fomos assistir o novo filme do Tarantino, Death Proof. Esse filme era originalmente uma parte de outro filme dele chamado Grindhouse, que não fez muito sucesso nos EUA e os produtores decidiram lançar as duas partes separadas no resto do mundo. Death Proof é a primeira parte que foi aumentada para o lançamento internacional. A estética do filme é muito interessante, os carros e roupas dos personagens são estilo anos 70, no início do filme até se tem a impressão de que ele se passa nessa época, mas aos poucos vão aparecendo outros carros mais modernos, um telefone celular, revistas com capas atuais. Os diálogos também são muito bons. Etretanto o plot do filme é muito mais ou menos, não vou contar detalhes porque a Camila já reclamou que eu contei o final de Blood Diamonds. Uma curiosidade é que Zoe Bell,  dublê de corpo da Uma Thurman em Kill Bill (e em vários outros filmes), faz o papel de uma dublê em Death Proof.

Sexta-feira aqui na Suécia comemourou-se o início do verão e o dia mais longo do ano (midsommarafton), e uma das datas mais festejadas aqui, no mesmo nível do Natal, mas o dia estava horrível, assim como sábado. Tínhamos planos de ir no Skansen ver as comemorações, mas abortamos a missão.

No Domingo, finalmente Mr. Sunshine resolveu dar as caras e nós resolvemos fazer um passeio, fomos no Museu de Arte Moderna (Moderna Museet). Para que estava acostumada com a Tate Modern, o museu não é lá grande coisa. Mas, contudo, porém, todavia, etretanto, ele fica num lugar lindo, no topo de um morro com uma vista maravilhosa.

Chegamos em casa e fizemos um “churrasco”, entre aspas porque para mim, churrasco de verdade significa um bom espeto de picanha, coxa e sobre-coxa com peito e inclui espetos e uma churrasqueira de verdade, mas quem não tem cão…

Etiqueta na sala-de-aula

Há um programa, ou melhor dois, na BBC chamados Grumpy old Men e Grumpy old Women, ou seja, Velhos Reclamoes e Velhas Reclamonas. Nesse programa atores, atrizes, escritores, articulistas e outras personalidades britânicas cinqüentões  reclamam de tudo, de adolescentes, do vocabulário comtemporâneo, dos veranistas… a lista é longa.

Mas o meu ponto é que tem vezes em que eu me sinto uma Grumpy Young Woman, ou seja, uma jovem reclamona. E uma das coisas que têm me tirado do sério ultimamente é a falta de educação de alguns dos meus colegas na sala de aula. Pelamordedeus, é celular que não pára de tocar, gente conversando junto com o professor. Outro dia um menino atendeu o celular na aula enquanto a professora estava falando, imperdoável.

O pior é que nesse curso, supostamente estariam pessoas que já têm curso universitário em seu país de origem. Se fosse gente que parou na quinta-série, até eu entenderia que não soubessem como se comportar numa sala de aula, ainda assim tem coisas que são senso comum.

Aproveitando o momento reclamão, outras coisas que me irritam:

- Gente “generosa” que quer dividir seu hip-hop, R&B e pop com os demais passageiros dos veículos de transporte.

- Gente que joga lixo na rua.

- Gente falando alto no celular nos veículos de transporte.

A semana que passou foi movimentada aqui. Quinta-feira uma ex-colega do SFI em Örebro (que saudade!) veio passar o dia em Estocolmo antes de seguir viagem para o Canadá. Andamos bastante pelas lojas, colocamos os assuntos em dia e sexta-feira bem cedinho, 4:30 da manhã, ela e a filha saíram aqui de casa para o aeroporto.

Na sexta-feira fui passear pelo centro com a Martha e fui num dos lugares que mais gosto em Estocolmo, a Biblioteca Central. Por enquanto eu posso fazer uso apenas de uma fração ínfima do acervo, mas mesmo assim eu gosto muito do lugar. Eu retirei dois livros em ingles: Multicultural Citizenship, do Will Kymlicka e Bush at War do Bob Woodward. Eu ja tinha lido partes do primeiro para uma disciplina do meu mestrado em Londres e tinha uma certa curiosidade em ler o segundo. Falando em livros, eu quero começar a trabalhar na lista de leitura do meu mestrado aqui, já vi que tem muitos autores que são meus velhos conhecidos, como James Curran, Stuart Hall e Susan Okin. Não vejo a hora de começar o curso que parece ser bem interessante.

Sábado foi o dia do nosso tão esperado churrasco na casa de verão dos pais do namorado da Ju . Foi um dia ótimo, num lugar lindo com uma companhia maravilhosa, parecia uma Torre de Babel, com gente falando inglês, português, francês e sueco. Depois do churrasco, a caminho de casa, a Márcia e o Tony nos convidaram para tomar um café na casa deles e óbvio que não recusamos. Chegamos em casa depois da meia-noite.

O domingo foi um típico domingo chuvoso, assistimos dois filmes, Stranger than fiction e 1966.

Hoje a minha aula foi muito ruim, dá até vontade de chorar quando penso na minha escola em Örebro, que era muito boa. Nas segundas-feiras eu tenho aula com um professor que é meio fora da casinha, ele fica divagando a aula inteira e não ensina nada. Estou pensando seriamente em mudar de escola se continuar assim depois das férias em julho, porque eu não quero perder tempo com o SFI e quero aproveitar a oportunidade de poder cursar sueco na Universidade por ser aluna da pós-graduação. Mas para isso eu tenho que terminar o SFI, porque na universidade eles não têm os níveis básicos de sueco.

Minha visita à Barnmorska

Segunda-feira eu fui visitar a barnmorska, ou seja, a parteira. Nao eu nao tive filhos, nem estou pensando em ter e a parteira aqui também não representa a imagem que a maioria tem te uma senhora que usa chás e ervas para ajudar mulheres a dar a luz. Sim, ela era uma senhora*, mas as semelhanças acabam aí. As parteiras(os) aqui na Suécia (e acho que em outros países da Europa), sao enfermeiras especializadas que assistem mulheres durante a gravidez, parto e controle de natalidade. Eu fui na parteira para que ela me receitasse pílulas anticoncepcionais, que aqui tem venda controlada.

Confesso que tinha um certo receio, primeiro porque já ouvi muitos comentários negativos sobre o atendimento em hospitais, consultórios, etc aqui na Suécia; segundo pela barreira da língua. Entretanto, tive uma ótima surpresa. A Åsa, parteira que me atendeu, foi extremamente simpática e atenciosa. Eu disse que ela poderia falar sueco e se eu não entendesse alguma coisa perguntaria. Fiquei feliz porque eu entendi quase tudo, mesmo a minha escola sendo ruim, acho que estou aprendendo.

*Podem ser parteiros também.

The book is on the table

Hoje recomecei o SFI (Svenska for Invandrare), o curso de sueco para imigrantes.  Aqui na Suécia, todos os imigrantes legais tem direito a um curso gratuito de sueco. As turmas sao separadas de acordo com o nível de educacao dos alunos, há quatro níveis no “caminho 1″ : A, B, C e D. Para o “caminho 1″ geralmente vao as pessoas que nao tem curso universitário em seus países de origem. Há também o “caminho 2″, com dois níveis: C e D, esse curso também é chamado de SFI-Academico e geralmente quem é formado, fala ingles ou outra língua estrangeira entra para esse curso.

Eu comecei no nível C do SFI academico dia 9 de marco em Orebro.  Eu tive muita sorte com a minha escola que era super organizada, com os professores e com a turma. O programa de estudo era super completo, com aulas de gramática, pronúncia e compreensao e ainda uma vez por semana tínhamos alguma atividade informal, como assistir um filme ou ver fotos da viagem de uma das professoras a África do Sul. A escola tinha uma boa biblioteca e também ajudavam os alunos com traducao e equivalencia de diplomas universitários.

Daí mudamos para Estocolmo e eu tive que deixar minha escola e a minha turma, que merece uma ou duas palavras de reconhecimento: todos eram super gente fina, com uns eu conversava mais, com outros menos; mas todos sempre se ajudavam, participavam e prestavam atencao nas aulas.

Aqui em Estocolmo, por ser uma cidade maior, eu achei que a escola ia ser igual ou melhor. Ledo engano.  Aqui nós temos que ir a uma central e fazer uma prova e uma entrevista com um(a) pedagogo(a) que avalia em que nível estamos. Eles também nos oferecem uma lista de escolas na área onde vivemos para escolher. Semana passada, antes do primeiro dia de aula, que seria sexta-feira eu fui com a Martha, que já estudava lá, dar uma olhada na escola.

A escola é pequena, ocupa parte de um andar num prédio de escritórios, até aí tudo bem, nao era diferente da escola onde eu estudei ingles em Londres. Mas, nao tinha biblioteca. Sexta-feira, na introducao a escola, eu recebi o horário e percebi que das 18,75 horas de ensino, 8 sao horas de “estudo”, o que no meu dicionário atende pelo nome de matacao de aula. Se eu quiser estudar, estudo em casa.

Hoje eu fui na aula, uma decepcao. Para comecar, eu entrei numa turma que já estava estudando ha dois meses e a aula foi sobre coisas que vimos nas primeiras semanas de aula na minha antiga escola. Mas pior do que isso é o fato de que o professor fala muito em ingles, na primeira semana de aula na antiga escola a professora falou pouquíssimo ingles, ela sempre tentava ao máximo explicar o significado das palavras e expressoes em sueco, e, se depois de muita tentativa a turma ainda nao tivesse entendido ela usava algumas palavras em ingles. E isso foi diminuindo, mesmo que perguntássemos algo em ingles, os professores respondiam em sueco.

Eu penso que o motivo pelo qual as escolas diferem tanto é que o governo está transferindo o curso de sueco para imigrantes para a iniciativa privada. E, obviamente, se uma empresa precisar cortar custos para aumentar seu lucro, ela vai faze-lo. E aí se vao horas com professores, biblioteca, sala de vídeo etc. A escola em que eu estudei em Orebro ainda pertence ao munícipio.

Eu tenho um plano de 250 horas para terminar o nível C, mas vou tentar terminar antes e terminar o D o mais rápido possível.  Terminando o nível D, eu completo o SFI e posso passar para o curso de sueco como segunda língua, que é oferecido pela Universidade de Estocolmo, onde eu vou fazer mestrado. O curso lá tem fama de ser bom e os estudantes internacionais podem entrar direto para o curso sem fazer uma prova de selecao.


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Atenção

Eu moro na Suécia mas não sou agência de turismo, intercâmbio nem trabalho no consulado brasileiro, então não me peça informações sobre morar aqui, aprender a língua, estudar, etc, para essas coisas existe o Google e foi googlando que eu achei 99% das informações que precisava para morar aqui. Na página de links tem vários sites com informações úteis sobre morar na Suécia e Inglaterra.

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