Arquivo para Julho, 2007

Volta às aulas

back-to-school.jpgHoje as minhas aulas de sueco recomeçaram, eu estava esperando encontrar o professor maluco porque a primeira parte da aula de segunda-feira costumava ser com ele. Para a minha surpresa foi outra professora, que era até boa, entretanto só vou ter aula metade de um dia por semana com a professora de quem eu mais gostava.

Agora as coisas começam a andar novamente. Nesses quase sete meses aqui, estudei sueco apenas dois meses e meio, porbacktoschool2.jpg conta da mudança para Estocolmo e da espera pela minha permissão de residência. Espero que até o final do ano eu esteja bem mais esperta nessa língua. Eu fiz vários planos de estudar, fazer e acontecer durante as férias que óbviamente não se realizaram. Basta eu ter muito tempo livre nas mãos que ele é usado para fazer nada. Agora com curso de sueco e mestrado começando no final de agosto, espero me organizar melhor e ter tempo para várias coisas inclusive escrever no blog.

Férias dão trabalho!

Ontem decidimos usar um cupom que tínhamos para travessia de barco + almoço em Utö, uma das ilhas do arquipelágo de Estocolmo (Estocolmo, também conhecida como a Veneza do Norte, é um árquipelago com mais de 2000 25.000 ilhas). Saímos de casa em direção ao porto que não ficava muito longe; chegando lá precisávamos estacionar o carro para depois pegar o barco que partiria às 12:45. Mas aí começaram os problemas, ficamos meia hora rodando pelos diversos estacionamentos e não encontramos uma vaga, e o tempo passando. Quando vimos que já tinha passado o horário de partida do Barco, decidimos abortar a missão e ir para outra ilha mais perto do continente. Para ir a essa ilha, podíamos ir para o centro de Estocolmo e de lá pegar um barco.

uto2.jpguto.jpg

Voltamos para casa, deixamos o carro e seguimos de metro para o centro. Lá pegamos o barco e fomos para a ilha de Fjärdeholmarna. O trajeto de barco leva pouco mais de meia hora. A ilha é muito bonita, tem uns restaurantes, umas lojinhas de artesanato. Tem uma oficina de cerâmica onde as pessoas podem fazer seus vasos e outra de vidro, onde dava para ver uma mocinha fazendo copos e outros artefatos de vidro. Além de, claro, muita natureza, porque os suecos no verão precisam estar ao ar livre, de preferência torrando no sol. Aliás isso representa um problema para mim, porque eu, Paola Madrid Sartoretto, confesso que não sou uma amante da natureza. Pronto, falei. Não que eu não entenda a importância das florestas e recursos naturais para a humanidade, o meu problema é o contato com a natureza em suas formas menos agradáveis: insetos, pé-no-barro, capim dentro da roupa, etc. Eu gosto muito de admirar a paisagem, mas de longe. Entretanto, meu namorado ama tudo o que eu detesto e acha o máximo fazer pic-nic ou ir para uma casa de verão onde o único banheiro é uma latrina fora de casa. Ui!

Bom, voltando à ilha, depois de contemplarmos as belezas naturais decidimos que era hora de almoçar num restaurante de frutos do mar defumados. Aparentemente mais pessoas tiveram a mesma idéia, pois ficamos quase meia hora na fila. Depois do almoço decidimos que era hora de voltar porque queríamos ir ao Grona Lund, que é um parque de diversão. Na hora de pegar o barco para voltar mais uma fila

fjardeholmarna.jpg Chegando em Estocolmo, tínhamos que pegar outro barco para chegar ao parque de diversão, e, lógico, mais uma fila. E essa era tão grande que tivemos que esperar o segundo barco. Mas, enfim, conseguimos chegar ao Grona Lund, e eu precisava fazer uma visita ao toalete, o que me obrigou a entrar em outra fila, (por que o banheiro dos homens NUNCA tem fila? E por que, já sabendo da propensão feminina a visitas ao toalete, os organizadores de eventos, donos de parques de diversão, restaurantes, etc, não colocam mais banheiros femininos à disposição?) acho que a essa foi a mais demorada do dia porque as moças decidiam retocar a maquiagem, arrumar o penteado, seiláoque, dentro do banheiro fedido. Mas depois de muiiito tempo chegou a minha vez.

Depois da minha ida ao banheiro, decidimos fazer o que todos fazem num parque de diversão, andar nos brinquedos. O primeiro foi a montanha-russa e para isso entramos noutra… isso mesmo, fila. Depois da montanha-russa, fomos noutro briquedo que é como uma montanha russa mas no lugar de carrinhos, são cadeiras pendentes. Esse brinquedo é novo no parque e por isso tinha uma enorme…. adivinhem… FILA.

Na hora de ir embora eu estava quase morta, não agüentava mais ficar em pé depois de tantas filas. A última vez que lembro de ter ficado tanto tempo numa fila foi em 2005 no Live 8 em Londres.

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Ainda dentro do título desse post, de segunda a quarta-feira eu passei fazendo comida, porque tivemos visitas, um casal de amigos com uma bebê de 2 meses. E, como eu tenho muito medo de que as visitas passem fome e gosto de cozinhar, acabei passando horas com a barriga no fogão. Mas nos divertimos, fizemos churrasco e passeamos.

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Todas essas filas e multidões porque aqui é verão e está cheio de turistas, essa é a principal razão pela qual eu sou uma fã de viagens em baixa temporada.

tam12c.jpg

Hoje o Nicklas me acordou as 6:45 por causa do acidente com o avião da TAM. Ele ficou preocupado porque sabe que a minha mãe viaja com frequência saindo de Porto Alegre. Felizmente ela não estava nesse vôo. Mas eu fico pensando nas famílias das pessoas que morreram e naqueles que precisam voar com frequência. Muito triste!

Um país governado de uma ilha

220px-riksdag_assembly_hall_2006.jpg300px-riksdagshuset.jpg

Durante a minha infância eu tive uma enciclopédia infantil chamada O Mundo da Criança; era uma coleção de 15 volumes cada um sobre um tema (animais e plantas, personalidades, tecnologia, etc…). O número 8 tinha o título Lugares a conhecer e, como o nome diz, era sobre lugares interessantes pelo mundo afora. Durante meus anos na Europa eu já visitei alguns deles, como o Big Ben e Parlamento Britanico, Vigelands Park em Oslo e Coliseu em Roma. Ontem eu adicionei mais um à lista, o Parlamento Sueco. No livro que eu tinha, o texto chamava atenção para o fato de que a Suécia é governada de uma ilha porque Estocolmo é um arquipé150px-sweden-lesser-coa.pnglago e o parlamento ocupa uma das ilhas.

Eu fui com a Ju, Ana e a Márcia numa visita guiada ao Parlamento Sueco (Riksdagen). Nessa visita eu aprendi que o prédio onde fica o Parlamento hoje, era o Banco Central da Suécia até 1971, quando foi adquirido pelo governo, assim como outras casas na redondeza e hoje faz parte do complexo de prédios do poder legislativo. Até 1970 o parlamento era constituído de 2 camaras, uma com membros eleitos através de eleições diretas e outra por meio de eleições indiretas. Em 1970 as duas câmaras foram unidas em uma com 350 cadeiras. Como os empates em votações eram constantes, em 1976, o número de cadeiras foi reduzido para 349.

Como agora é verão, o parlamento está em recesso e o prédio estava vazio. Eles estão aproveitando as férias para construir uma nova sala de imprensa perto da saída da assembléia. Segundo nossa guia, os jornalistas ficavam todos à espreita na porta da assembléia esperando que os membros do parlamento saíssem das sessões para bombardeá-los com perguntas. Com a nova sala, os MPs vão ter tempo de dar uma descansadinha, preparar as respostas e depois dar uma coletiva na sala de imprensa.

ledamoter.jpgOutra curiosidade é que, diferente de muitos parlamentos, câmaras de deputados e senados pelo mundo afora, na Suécia eles não sentam de acordo com o partido, mas de acordo com a região que representam. Isso faz com que representantes de diferentes partidos sentem-se lado a lado, ainda segundo a nossa guia, eles nunca brigam. E, ao contrário do que eu acreditava, o segundo em comando como chefe de estado depois do Rei (que não tem poder político nenhum) é o porta-voz da assembléia e não o primeiro-ministro, que é o terceiro em comando.

De dentro do prédio vimos, num prédio vizinho, os apartamentos de 24 m2 (bem igual a Brasília) onde vivem os MPs que não moram em Estocolmo. E a vida não é fácil para um parlamentar sueco, além dos apartamentos pequenos eles só tiveram direito a escritórios a partir de 1971, antes disso o único lugar que eles tinham para trabalhar era um corredor com algumas mesas e cadeiras.

Visitar o Riksdagen é uma ótima pedida para quem está ou pensa vir a Estocolmo, durante o verão as visitas são diárias a partir de 12:30, em Sueco, Inglês e Alemão. E o melhor de tudo, é de graça. Mais informações aqui

Ou isto ou aquilo

“Quem sobe nos ares não fica no chão,
Quem fica no chão não sobe nos ares.
É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo em dois lugares!”

Cecília Meireles

Hoje estava conversando com a Ju e o assunto enveredou para coisas boas e ruins da Suécia. Antes de vir para cá, como já é sabido, eu morei quase 5 anos em Londres e, salvo algumas poucas coisas prefiro a Suécia. Mas como bem disse a Cecília Meireles não se pode ter tudo ao mesmo tempo.

Depois da nossa conversa, resolvi fazer uma lista de coisas melhores e piores aqui na Suécia e em Londres.
(Lembrando que não sei o quão diferente são as regiões da Suécia, mas existe uma enorme diferença entre morar em Londres e numa cidade do interior)

Coisas que achava melhor em Londres:
- Eu podia me comunicar, ler jornais e assistir a programação da TV local.
- Podia comprar álcool em qualquer supermercado ou boteco e não apenas numa companhia de monopólio estatal (A semana de vinhos do Sainsbury’s não me pertence mais).
- Podia comprar remédios como aspirina no supermercado e não ficava a mercê de outra companhia de monopólio estatal que fecha às 6 da tarde e em muitos casos não abre aos domingos.
- Eu tinha um emprego.
- Não que isso me afetasse, mas a maioria das comunicações de órgãos estatais (sistema de saúde e administração municipal) vinham em várias línguas além do inglês (árabe, urdu, gujharati, russo, etc).

- Camden Town e Portobello Market, ainda não encontrei mercados de rua aqui na Suécia.

Coisas que acho melhor na Suécia
- Temos condições de morar num apartamento bem maior e melhor do que teríamos em Londres.
- Até agora fui super bem atendida em todas as repartições públicas onde precisei ir (Imigração, Posto de Saúde, Escola de Sueco, “Receita Federal”).
- O metro daqui é barato, limpo e pontual.
- Os supermercados têm máquinas para reciclar garrafas plásticas e latas e no geral reciclar lixo aqui é bem menos complicado que em Londres.
- Eu estou estudando sueco e vou começar um mestrado em agosto e não pago absolutamente nada, enquanto que em Londres, contando cursos e provas de inglês e mestrado eu gastei mais de £6 mil (em torno de R$25 mil).
- Por enquanto eu não sinto medo quando um grupo de adolescentes se aproxima de mim no metro ou na rua.

‘We are all fucking conscious of global warming.’

p1-080707_251763a.jpgNão, não fui eu quei disse isso, foi o Bob Geldof, organizador do Live 8, concertos simutâneos nos países do G8 e na África do Sul realizados em julho de 2005 no intuito de conscientizar o mundo sobre os problemas na África. Na frase título, Geldof dá sua opinião mais do que sincera sobre uma iniciativa semelhante mas com um alvo diferente, o Live Earth que aconteceu ontem em 8 cidades (incluindo o Rio de Janeiro, única cidade onde o show foi grátis) para conscientizar as pessoas no mundo todo sobre o problema do aquecimento global. O organizador não podia ser outro, Al Gore “porta-voz do Planeta Terra”.

Estima-se que mais de 2 bilhões de pessoas assistiram aos concertos no mundo todo. Só que essa iniciativa gerou uma onda de críticas, como por exemplo de que a emissão de gás-carbônico incluindo jatos particulares para transportar os artistas, carros, metro, ônibus para transportar os espectadores foi de pelo menos 31,5 toneladas, o que representa mais de 3000 vezes a emissão média anual de um britânico, segundo o The Guardian. Rebatendo a crítica, Al Gore disse que não se pode fazer um omelete sem quebrar alguns ovos. O The Independent que se diz o jornal mais verde do Reino Unido aplaudiu a iniciativa do Live Earth (o que eu sinceramente achei estranho) dizendo que ao contrário do que o Bob Geldoff pensa, muita gente ainda não está fucking consciente do aquecimento global e que eventos como esse contribuem para que as pessoas fiquem mais por dentro do que acontece pelo mundo. De acordo com o jornal, não importa se muita gente foi lá só pela festa, pois muitos outros entenderam a mensagem.

Bom, é cedo para afirmar se o Live Earh teve107-p45.jpg ou vai ter algum efeito concreto, mesmo porque esse tipo de coisa é muito difícil de medir. Eu acredito na força da mobilização popular, mas também concordo com aqueles que falaram da hipocrisia que é consumir uma quantidade imensa de energia organizado um evento que pretende conscientizar as pessoas para poupá-la. Mas existe uma diferença entre o objetivo do Live 8 e o do Live Earth. O primeiro dependia muito mais dos políticos do que o segundo e como indivíduos, nós podemos fazer muito mais pelo meio-ambiente do que para salvar a África. Entretanto o que me impressiona é que as pessoas precisam ouvir isso de uma celebridade para acreditar que morre muito mais gente de AIDS ou em conflitos na África do que morreram no ataque terrorista do World Trade Center, ou que nós seres-humanos estamos abusando e muito dos recursos que a natureza nos oferece.

Outra coisa que também não me agrada muito é a simplificação e banalização desses problemas: o pessoal vai lá, canta, dança, compra uma pulseirinha e acha que fez sua parte, quando na verdade, o buraco é bem mais embaixo. Talvez eu seja um pouco pessimista, e até espero que os fatos provem o contrário do que eu digo, mas por enquanto eu vejo o Live Earth com um certo ceticismo.

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A TV sueca (SVT 2) transmitiu o Live Earth, e quando mostraram o evento no Brasil, eles introduziram a famosa cantora e aprensentadora brasileira Tchu-Tcha, alguém conhece?

SATC - O Filme

250px-satclogo.jpgLi hoje no The Independent que o filme do Sex and the City vai começar a ser filmado esse outono (no hemisfério norte, primavera no Brasil), depois de várias negociações parece que chegaram a um acordo.

SATC pode ser fútil pode ser completamente fora da realidade das mulheres normais (é ficção mesmo), mas eu sempre fui fã, nunca tive uma personagen preferida, às vezes gostava mais de uma ou de outra dependia do momento. Mas sempre achei que a Miranda (Cynthia Nixon) tinha tiradas ótimas. Gostava do tom despretencioso da série e do humor dos personagens. Entre os personagens masculinos, Mr Big (Chris Noth) era o meu preferido e eu acho que faço parte de uma minoria que achava que a Carrie deveria terminar com ele e não com o Aidan.

Por muito tempo eu achei que ficaria solteira até uns 30 e poucos anos e quis ter o apartamento da Samantha e os sapatos da Carrie. A solteirice não aconteceu, estou feliz com o nosso apartamento atual mas continuo querendo os sapatos.

Assim que o filme estrear no cinema estarei lá, absofuckinlutely!

Férias

Eu não estava muito contente com a idéia de ter férias do curso de sueco, não que eu seja contra férias, muito pelo contrário. Explico: eu cheguei na Suécia em janeiro, comecei o SFI em março, no final de abril nos mudamos para Estocolmo e eu fiquei o mês de maio parada, em junho comecei a estudar na escola ruim e depois de um mês, férias novamente. Eu sou muito impaciente e queria falar sueco fluentemente em 1 mês… coitada. Na verdade o ideal seria poder inserir um chip de sueco no meu cérebro, como no filme Matrix. O bom é que a única professora boa da escola ruim falou que eu poderia fazer a prova para terminar o nível C em agosto quando retornarmos às aulas.

Mas voltando ao assunto férias, até que elas tem sido boas. Essa semana Nicklas também está de férias então aproveitamos para visitar os pais dele que adotaram um novo cachorro após a morte súbita e inesperada do antigo e um casal de amigos que teve bebê, ambos em Örebro. Quando visitamos os pais do Nicklas geralmente voltamos com o carro cheio, porque a mãe dele gosta muito de nos fazer doações e ela tem MUITAS coisas guardadas. O Nicklas geralmente recusa, mas daí ela pergunta se eu quero e para não ser indelicada eu aceito. Agora eles descobriram o Tradera, um site de leilões sueco nos moldes do Ebay e acreditamos que o volume de doações irá diminuir nos próximos meses. Se bem que eles compram bem mais do que vendem.

Ontem tivemos mais um de nossos encontros, que apelidamos de quinta-feira gorda na casa da Ana, que chegou na Suécia há um mês. Com parte do nosso grupo debandando, temos que “recrutar” mais membros. Como sempre conversamos até cansar sobre assuntos variando de fezes a culinária. Já agendamos uma visita ao Parlamento Sueco (Riksdagen) para a próxima semana.

Eu e Nicklas fizemos um cartão anual para visitar alguns museus em Estocolmo e hoje pretendemos ir ao Museu Nacional, depois conto como foi.


Porto Alegre Click for Porto Alegre, Brazil Forecast Estocolmo Click for Stockholm, Sweden Forecast

Atenção

Eu moro na Suécia mas não sou agência de turismo, intercâmbio nem trabalho no consulado brasileiro, então não me peça informações sobre morar aqui, aprender a língua, estudar, etc, para essas coisas existe o Google e foi googlando que eu achei 99% das informações que precisava para morar aqui. Na página de links tem vários sites com informações úteis sobre morar na Suécia e Inglaterra.

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