Arquivo para Agosto, 2007

Profissão: Estudante

Ontem foi o primeiro dia do meu nono ano (não consecutivos) estudando em instituições de ensino superior. A Universidade de Estocolmo é também a terceira universidade no terceiro país em que estudo. Acho que dá para dizer que eu sou uma estudante profissional, com a ressalva de que nessa profissão não se recebe salário.

A minha primeira impressão da Faculdade de Jornalismo, Mídia e Comunicação da Universidade de Estocolmo foi muito boa. Tive uma introdução ao curso e depois uma recpção para conhecer os professores e colegas. Não tem como não fazer comparações com a City University em Londres. Bom, para começar, a faculdade aqui não é tão moderna, último grito do design e tecnologia como o então recém inaugurado prédio do Departamento de Ciências Sociais da City University onde eu estudei, mas têm uma biblioteca própria.

A atmosfera é bem mais informal e eu achei as professoras que fizeram a introdução muito acessíveis a dispostas a esclarecer dúvidas e ajudar os estudantes. Nós fizemos um tour pelo prédio, que fica em Östermalm, a área chique de Estocolmo próximo à Rede Sueca de Televisão (SVT) e Rádio Sueca (SR). Quando a professora nos mostrou a sala dela, eu achei bom fazer uma pergunta de ordem prática: se era preciso marcar hora para falar com os professores (na City, os professores atendiam alunos por uma ou duas horas duas vezes por semana) e ela disse que não. Já vi que a informalidade é regra, o que eu acho ótimo, pois no Brasil cansei de ir na casa dos meus professores, tomar café, sair para tomar uma cerveja e não acho que isso tenha prejudicado minha educação.

Hoje eu teria uma “aula” de como usar a biblioteca, sim, porque os suecos não poderiam deixar um bando de estrangeiros desorganizdos começar a usar sua impecavel biblioteca sem antes doutriná-los na difícil arte de procurar um livro nas estantes e posteriormente retirá-lo. Infelizmente eu tive que perder essa porque tinha prova no curso de sueco.

Eu já tenho várias coisas para ler e quinta-feira tenho que fazer uma apresentação sobre o meu projeto de pesquisa. Mas não reclamo, pois fora a falta de salário, eu gosto muito da minha profissão.

Não entendi a mensagem do diretor

Sexta-feira nós fomos numa apresentação performática de dança moderna e teatro no Teatro de Dança Moderna de Estocolmo. O diretor da performance era brasileiro. Bom, eu achei o visual e cenários ótimos, achei que eles souberam aproveitar muito bem os recursos do local, principalmente com a iluminalção. Os atores eram bons, em especial uma das atrizes suecas de quem eu não lembro o nome. Mas nossa eu fiquei tentanto tentando e tentando fazer sentido daquilo que eu estava vendo mas não consegui, acho que eu não estava com a “mente disponível” como sugeriam no folheto distribuído antes da peça.

O legal foi que o Nicklas teve 15 segundos de fama no início da performance. Uma das atrizes, a sueca de quem eu gostei, veio até ele e perguntou se ele podia segurar e atender se preciso o celular dela porque ela estava ocupada. No que ela virou as costas, o celular tocou e ele começou a andar até a área (não era um palco) onde a performance acontecia e ficou andando, pegou um jornal olhou, falou com um dos atores. Depois ele me contou que a pessoa do outro lado da linha ficava dando ordens, para pegar um jornal, procurar uma foto do Osama Bin Laden, etc. A performance terminou da mesma forma, com uma menina que estava no público fazendo coisas pelo “palco”.

Depois assistimos dois curtas que farão parte do Festival Brasileiro de Cinema daqui. Para ser sincera, não gostei de nenhum. Achei o formato totalmente de comercial de TV, só que um pouco mais longos. De lá fomos tomar uma cerveja com uns amigos e casa.

staket_left_183.gifNo sábado, o dia estava legal, fomos conferir uma feira de comida em Hornstull. A feira estava tão cheia que tinha engarrafamento de pessoas. Dali fomos almoçar num restaurante austro-húngaro e seguimos para o destino principal do dia, um festival de musica no Vinter Viken, que é um jardim botânico muito bonitinho. Lá, mais ou menos no meio do mato, tinha um palquinho tipo aqueles de festa junina de colégio. Eu achei legal que tinha muitas famílias com crianças e os pequenos pareciam estar se divertindo bastante e entrando em contato com a natureza (eca) como tanto gostam. O Nicklas queria ver o Bo Hansson, que só tocou as 11 da noite, e aparentemente é um banbanban (ainda se usa essa expressão?) do rock progressivo na Suécia.

Hoje eu estou aproveitando meu último fim-de-semana de bobeira, porque amanhã começa meu mestrado.

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Lamentável

Ontem o Partido de Esquerda ( Vänster Partiet ) realizou um concerto contra o racismo aqui pertinho da minha casa e um grupo de entre 15-20 jovens mascarados invadiram o concerto atirando garrafas e vidros e ferindo várias pessoas. Uma das vítimas, um jovem de 18 foi levado em estado grave para o Instituto Karolinska.

Leia mais aqui (em inglês)

Cidades e Livros

Odeio perder textos. Eu tinha esse quase pronto ontem, salvei, e agora ele está numa dimensão paralela dos textos perdidos!Bom mas lá vamos nós outra vez.

bricklane2.jpgEu adoro ler livros ambientados em cidades que conheço ou que morei, não muitas na segunda categoria. Não há muito que escrever sobre Cachoeira do Sul, a não ser que alguém se interesse por contar a estória do prefeito médium que ameaçou demitir mais de 300 CCs. Entretanto, para compensar a ausência de livros ambientados em Cachocity, os livros ambientados em Londres são abundantes. Ruins, bons, clássicos, best-sellers, tem de tudo. No momento estou lendo Brick Lane, da Monica Ali.

A estória acontece no leste de Londres, mais precisamente no bairro de Tower Hamlets, zona que é hoje chamada de Banglatown devido ao grande número de imigrantes de Bangladesh. Tower Hamlets, era, não sei se ainda é, a área com a maior porcentagem, 36%, de imigrantes do Sul da Ásia em todo o Reino Unido. A Brick Lane, que dá nome ao livro, é uma ruela onde existem vários restaurantes e lojinhas vendendo produtos de Bangladesh e hoje também é um ponto de encontro dos descolados da capital britânica. No século XIX, outra estória, já contada várias vezes, aconteceu nos arredores da Brick Lane: os ataques de Jack, ele mesmo, o estripador.

Mas voltando ao assunto do livro, eu morei em Tower Hamlets por quase três anos, então é muito legal ler as coisas acontecendo nas ruas por onde eu passava, nos prédios de tijolos vermelhos onde eu morei. O livro conta a estória de Nazneen, que aos 18 anos se muda de uma vila em Bangladesh para Londres, depois do casamento arranjado com Chanu, 22 anos mais velho que ela. A autora, que nasceu em Bangladesh e cresceu em Londres, retrata com muita delicadeza todas as crises e inseguranças e as tentativas da protagonista de fazer sentido da realidade no novo país. O livro também trata do conflito de gerações e culturas: os mais velhos que querem manter os costumes, a língua e as tradições e os mais novos que adotam o estilo de vida ocidental. Tudo bem, muitos livros já foram escritos sobre esse tema, mas a diferença é que em Brick Lane ele é tratado com muita sensibilidade sob o ponto-de-vista feminino.

E muito interessante ler sobre essa realidade que eu via de perto, mas nunca soube dos detalhes. Apesar de a cidade onde o a narrativa acontece ser extremamente familiar, a cultura e costumes de Bangladesh são totalmente desconhecidos, o que torna o livro ainda mais interessante. Procurar conhecer e ter contato com o diferente e desconhecido é o segundo passo para acabar com muitos preconceitos, o primeiro é reconhecê-los.

Baratas 5 estrelas

blogday.jpgFiquei feliz com a indicação da Ju para o prêmio Blog 5 estrelas, criado no Nada prá mim.
Agora preciso indicar 5 blogs que eu considere 5 estrelas, mas antes, aqui vão as regras do prêmio para quem quiser seguir com as indicações:

1. Podem participar na votação todos os bloggers que mantenham blogs ativos há mais de um mês os outros esperem por outra idéia brilhante que alguém irá ter.

2. Cada blogger deverá referenciar cinco nomes de blogs. A cada menção corresponde um 1 voto.

3. Cada blogger só poderá votar uma vez, e deverá publicar as suas menções no seu blog da forma que melhor desejar, enviando-as posteriormente para o seguinte e-mail: elzinhalinda@gmail.com. No e-mail, além da sua escolha, deverá indicar o link para o post onde postaram as nomeações. A data limite para a publicação e envio das votações é dia: 27/08/2007.

4. De forma a reduzir alguns constrangimentos (e desplantes), e evitar algumas cortesias desnecessárias, também são considerados votos nulos:

- Os votos dos blogger(s) em si próprio(s) ou no(s) blogue(s) em que participa(m);

- Os votos no blog Nada pra mim.

5. Cada blog que for indicado ou indicar, deve conter de onde veio a origem do concurso, ou seja deverão manter um link para este blog afim de que outras pessoas possam conhecer a idealizadora da idéia.

E… Ladies and gentlemen, the oscar goes to:

Toma lá, da cá: porque é o blog da Ermã, oras, e aqui não é serviço público entao pode ter nepotismo. Brincadeiras à parte, a Laurita escreve super bem sobre temas atuais e polêmicos, ainda que bem esporadicamente.
Montanha Russa: pelo estilo, variedade de assuntos e observações extremamente pontuais sobre a sociedade sueca.
Síndrome de Estocolmo: super dinâmico, sempre com temas atuais.
Fotolog do Arthur de Faria e Seu Conjunto O Arthur além de ser um músico excelente, é um jornalista impecável e um radialista que vale à pena escutar. Ele é sensato, culto e tem a rara qualidade de discordar com elegância de quem não compartilha de suas opiniões.
Blog do Mino: Mino Carta dispensa apresentações

Working-class hero

Ontem nós fomos ao cinema. Encontramos um cinema quase que à moda antiga em Stureplan, a zona posh de Estocolmo. Esse cinema passa filmes semi-independetes e tem um visual super legal, com uns projetores antigos em exposição, um café; tri massa, como diziam (ainda dizem?) em Porto Alegre.

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Nós assistimos This is England, do diretor inglês Shane Meadows. O filme conta a estória de Shaun, um menino de 12 anos que mora com a mãe numa cidade coiteira do Norte?(julgando pelo sotaque) da Inglaterra no início dos anos 80. O pai de Shaun morreu na Guerra das Malvinas* e seus colegas debocham dele na escola. Ele então, encontra o apoio de um grupo de Skinheads e se junta à gangue que mais tarde é destruída pelo racista Combo, que volta à cidade depois de três anos e meio na prisão.

O filme retrata vários elementos da Inglaterra dos anos 80: a Guerra das Malvinas, casamento da Princesa Diana, falta de empregos e a estética (camisas Ben Sherman, Doc. Martens, suspensórios, calças justas e curtas) dos skinheads. Entretanto, os skinheads não são retratados apenas como um movimento racista; pelo contrário, o racismo é o motivo da divisão do grupo. Quando Combo volta da prisão e começa a expressar seus pensamentos anti-imigração e se engaja no National Front, parte do grupo e contra.

Eu não sou expert em movimentos culturais britânicos dos anos 80, mas achei o filme super interessante, porque mostra as duas faces de um movimento cultural do qual sempre vemos o lado negativo. O filme também mostra a forte influência musical que o movimento sofreu da cultura negra, com ritmos como ska e soul.

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Também da para notar como parte da classe-média baixa branca na Grã-Bretanha encontra representação em movimentos de extrema direita. Ainda hoje, o grupo em que o apoio ao British Nacional Party mais cresce é entre a classe média baixa, que não se sente representada por outros partidos políticos que acha que está perdendo direitos e benefícios e que um dos culpados são os imigrantes** que recebem ajuda do governo e tiram empregos dos britânicos, mas esse é assunto para outro post. O BNP foi fundado por ex-lideranças do National Front.

Eu não conhecia nenhum dos atores, mas achei a interpretação ótima e muito verossímil. Eu gosto de filmes que apostam numa boa estória e boa interpretação no lugar de rostinhos bonitos e toneladas de efeitos especiais.

* Quando eu era criança pequena lá em Cachoeira do Sul e via as notícias falando da Guerra das Malvinas, na inocência dos meus 5 anos, eu achava que eram várias mulheres chamadas Malvina que estavam brigando. Santa ignorância Bátema!!

** O meu post sobre imigração na Europa esta cozinhando lentamente em banho-maria, quanto estiver no ponto eu publico.

Procura-se uma feira

Há tempo eu queria achar um mercado de rua em Estocolmo, nos moldes de Camden Town ou Portobello Market. Os mercados de rua eram meus programas preferidos para o fim-de-semana em Londres. Eu preferia Camden a Portobello pela mistura de gente, estilos e opções de quinquilharias, comida e pubs e bares legais nas redondezas. Acho que Portobello market ficou um pouco elitizado, mas tinha uma padaria portuguesa lá chamada Lisboa Café que era ótima.

Bom, voltando a Estocolmo, descobrimos um mercado de verão (porque acho que no inverno ninguém se arrisca muito a atividades ao ar livre) em Hornstull. O mercado era mais ou menos embaixo de uma ponte, era legalzinho, com umas coisas estilosas, uma parte onde só se podia entrar com convite, um café, mas tinha um décimo do tamanho dos mercados em Londres. Lá eu comprei uma escova natural para limpar o meu sofá que vive enchendo de cabelo e sujeira.

trix.jpgDepois resolvemos caminhar um pouco e achar um lugar para almoçar. Caminhamos um cinco quilômetros até Gamla Stan, que é a cidade antiga e uma das áreas com mais turistas em Estocolmo. Conseguimos achar um café, aliás eu encontrei com meu faro aguçado, que parecia ser frequentado apenas por locais. Parecido com os lugares que eu gostava de frequentar em Londres, com livraria junto, uma estante com livros que podiam ser levados para a mesa e uma atmosfera bem informal. Almoçamos e resolvemos seguir andando e ver o que estava acontecendo, porque essa semana é a Semana da Cultura em Estocolmo e tem várias coisas rolando em vários lugares da cidade. Decidimos ir à Kulturhuset, mas paramos na frente estava acontecendo uma apresentação do Cirkus Cirkör, uma espécie de Cirque du Soleil da Suécia, lindíssimo. Pena que pegamos a apresentação do meio para o final. Depois resolvemos entrar na Kulturhuset…

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Eu queria ver de novo e mostrar para o Nicklas, a exposição Romska Resor (algo como viagens ciganas, ciganos em sueco é römer) do fotógrafo Joakim Eskildsen. Eu acho a história dos ciganos fascinante e interessantissíma e achei essa exposição por acaso, na quinta-feira quando estava batento perna com as minhas amigas, o que foi uma sorte, porque ela fica na Kulturhuset até amanhã. Na exposição estão fotos de ciganos em vários países como Finlândia, Grécia, Romênia, Índia e Hungria. As fotos são ótimas, eu me senti dentro das casas, ou acampamentos.

Depois voltamos para casa, a temperatura está caindo e hoje acho que não passou dos 20 graus, indícios de que o outono está ali na esquina.

Pena de Morte

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The Bush administration is preparing to speed up the executions of criminals who are on death row across the United States, in effect, cutting out several layers of appeals in the federal courts so that prisoners can be “fast-tracked” to their deaths.

O governo Bush está se preparando para acelerar o processo de execução de criminosos que estão no corredor da morte nos Estados Unidos, passando por cima de vários apelos em diversas instâncias das Cortes Federais para que os prisioneiros sejam mortos antes. The Independent

O que está acontecendo com o mundo? Eu espero sinceramente que os republicanos não ganhem as próximas eleições presidenciais nos Estados Unidos. Quero ver o que diz quem é a favor da pena de morte …

Escravidão na Europa

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Escravidão contemporânea existe também nos países ricos do oeste europeu. Aliás, para quem está desavisado, vou dar a notícia: escravidão AINDA existe no mundo inteiro. Estima-se que mais de 20 milhões de pessoas trabalhem hoje em condições análogas à escravidão, em torno de 25 mil delas no Brasil.

Mas engana-se quem pensa que isso acontece apenas em países subdesenvolvidos, países industrializados europeus também têm culpa no cartório. Hoje o The Guardian publicou uma matéria sobre 40 búlgaros encontrados trabalhando em condições análogas à escravidão numa fazenda na Cornuália. Essas pessoas pagaram pela sua viagem para a Inglaterra, pagaram pelo emprego e quando chegaram lá foram obrigados a dormir em trailers (7 pessoas num trailer projetado para 6) e ainda tinham que pagar pela acomodação.

A fazenda em que eles trabalhavam é um dos fornecedores de legumes para o Tesco (maior rede de supermercados do Reino Unido) e Morrisson (se não me engano a 5a maior). O problema é que geralmente esse tipo de trabalho é terceirizado, quarteirizado, quinteirizado, o escambau e as empresas conseguem, muitas vezes, fechar os olhos até que uma auditoria descubra daí elas posam de inocentes dizendo que não sabiam de nada.

Importante: de acordo com a OIT, o Brasil possui um dos mais consistentes programas de erradicação do trabalho escravo no planeta. Desde 1995, 26 mil trabalhadores foram libertados.
Fonte: Repórter Brasil

Lost for words

Uma das perguntas mais frequentes que escuto sobre morar na Suécia é se a língua é difícil. No início, quando eu vinha para cá a cada dois meses para visitar eu achava quase impossível, temia o dia em que eu teria de aprender um idioma que parecia um código secreto. Hoje, depois de quase 7 meses aqui e mais ou menos 3 de estudo, minha opinião já mudou um pouco e acho que eu vou sim falar sueco um dia (na verdade eu já falo um sueco muito tosco, mas isso não conta muito). Às vezes me bate até um arrependimento por não ter feito um curso na Inglaterra para chegar aqui com alguma base.

Mas, vamos ao ponto: sueco é difícil? A resposta para essa pergunta depende de vários fatores. Primeiro eu acho que por falar inglês, ter um bom mas desgastado conhecimento do português e porque sueco é a terceira língua estrangeira que aprendo (estudei italiano também) eu posso me benefíciar desses conhecimentos. Na prática, acho que o que mais me ajuda é saber inglês tanto para internalizar alguns aspectos estruturais do sueco quanto com o vocabulário.

Entretanto, há muitas diferenças entre sueco e as línguas que estudei antes. No sueco há 9 vogais, além de a, e, i, o, u, ainda tem å, ö, ä e y que é considerado uma vogal. O artigo definino não vem antes do substantivo, mas é colocado no final. Assim: mesa=bord e a mesa=bordet. E existem várias regras para quando usar a forma definida ou indefinida dos substantivos. A pontuação também não segue as mesmas regras que outros idiomas que conheço. Eu também acho que na gramática sueca existem pouquíssimas regras e inúmeras excessões para o meu gosto. Já ia me esquecendo de que além da pronúncia, o sueco também tem melodia, pode-se falar corretamente, mas se a melodia não estiver afinada muitos suecos não entendem, como me explicou Jô que mora aqui há 5 anos.

Outro fator muito importante é a quantidade de esforço colocado na aprendizagem. Eu sempre (mesmo quando ainda não morava aqui) procurava assistir TV em sueco e prestar atenção. Eu também assistia, e ainda assisto programas em inglês mas fico tentando ligar o que as pessoas falam com a legenda em sueco. Eu presto muita atenção em tudo, outdors, avisos no metrô, cartazes e procuro ler o jornal todos os dias, mesmo não entendento palavra por palavra. Além disso, eu estudo em casa; eu acho meio chato fazer exercícios mas, em se tratando de idiomas,  pode-se aprender muito com a repetição.

Meu ponto fraco é certamente falar. Primeiro porque se eu entrar numa loja, bar, restaurante e começar e falar em inglês não vou ter nenhum problema em ser atendida. Antes começava o diálogo com a frase: - I’m sorry, I don’t speak Swedish, do you speak English by any chance?  Depois, já nem me preocupava. Outra problema é que em várias situações quando o interlocutor percebe meu sueco tosco, já começa a falar inglês. Essa problema é mais comum do que eu imaginava porque várias pessoas já reclamaram. Segundo porque eu morro de vergonha e não quero parecer uma criança de 5 anos falando, se for para falar quero falar corretamente, com sujeito, verbo, predicado e pronomes nos lugares certos e a famigerada melodia afinada!

Por fim, meu papis, que dava aula de latim e já estudou grego, me disse que não existe idioma difícil, existem os que nós dominamos e os que não dominamos. Não sei se concordo com ele, porque não lembro de ter me esforçado tanto para aprender inglês ou italiano. Mas é verdade que quanto mais eu estudo, menos o sueco me apavora!

“Bandido bom é bandido morto”

Minha irmã me mostrou isso há alguns dias. Para mim é o retrato fiel da classe “mérdia” brasileira, aqueles que se acham os mais trabalhadores, os mais honestos. Eles é que fazem o Brasil crescer. Pobre é tudo bandido e político tudo corrupto, incluindo o metalúrgico que governa o país, afinal, onde já se viu um presidente que não tem faculdade?!

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Atenção

Eu moro na Suécia mas não sou agência de turismo, intercâmbio nem trabalho no consulado brasileiro, então não me peça informações sobre morar aqui, aprender a língua, estudar, etc, para essas coisas existe o Google e foi googlando que eu achei 99% das informações que precisava para morar aqui. Na página de links tem vários sites com informações úteis sobre morar na Suécia e Inglaterra.

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