Arquivo para Outubro, 2007

SATC e os estudos

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Nem mesmo nos meus sonhos mais surreais eu pensei que seria possível estudar vendo Sex and the City, mas isso é exatamente o que estou fazendo agora. Uma das minhas tarefas para terminar o primeiro módulo do mestrado é analisar um programa de entretenimento à escolha.

Eu não pensei nem meia vez em qual seria a minha escolha.

Stockholm Syndrome

Ontem, como comemoração da minha “troca de anos” fomos no show do Muse, que estava o máximo.
Além de serem músicos extremamente habilidosos, os efeitos visuais foram muito cool!!

O muro e o coco

Essa semana foi meio desorganizada no mestrado. O tema da semana era globalização e filmes, na terça-feira tivemos a aula ou palestra sobre o tema. A professora simplesmente LEU sua palestra de cabo a rabo, um texto em linguagem super acadêmica, frases longuíssimas e entrecortadas. Ou prestava-se atenção ou tomavam-se notas, fazer os dois ao mesmo tempo era impossível. Daí, no fim da aula um dos meus colegas perguntou se a professora podia nos passar as notas dela, porque ninguém tinha anotado nada, ao que ela responde: Eu nunca distribuo as minhas palestras. Mas vá TNC!

Ela queria discutir sobre como a globalização é representada visualmente na TV ou filmes e lançou a pergunta no ar. Várias pessoas deram exemplos e ela só respondia: Muito bom exemplo, mas não é bem isso que eu estou procurando. Na verdade acho que nem ela sabia o que estava procurando. Nós assistimos parte do filme Surplus: Terrorized Into being Consumers do diretor sueco Erik Gandini que é muito interessante, não tanto pelo conteúdo que cai em vários lugares comuns da crítica à globalização, mas pela linguagem e estética utilizadas.

Na quarta-feira teríamos que assistir ao filme The Tube, mas o filme era em francês com legendas em sueco. Como a maioria da turma não entende nenhuma das línguas (lembrando que o mestrado é em inglês) fomos obrigados a abortar a missão e ver o resto do primeiro filme do qual tínhamos visto apenas 15 minutos na terça-feira. Um dos problemas é que os textos para discussão no seminário de sexta-feira eram relacionados ao The Tube, o que deixou a coisa meio sem pé nem cabeça.

Chegando no seminário, ninguém sabia muito bem o que fazer: discutir os textos, discutir o filme, jogar conversa fora… Outro problema é que por sugestão dos monitores do seminário e da professora, deveríamos discutir o formato, estética e linguagem do filme (as tal representação do global no vídeo) entretanto, o tema do filme é super polêmico e muita gente queria falar sobre isso.

Acabamos por discutir vários assuntos e seguir o rumo da conversa que num certo momento enveredou para a crítica ao consumismo que virou moda agora. Uma das minhas colegas, que é russa, disse que esse tipo de criticismo não existe na Rússia pós-comunista, depois de anos esperando na fila para comprar pão e leite, as portas para o mundo luminoso, variado e cheio de opção se abriram e agora que tem dinheiro quer saber mais é de se empanturrar de Big Mac, comprar forno microondas, TV, computador e não tá nem aí para o meio-ambiente.

Mas o que mais me chamou atenção, principalmente pela singeleza do relato foi uma colega alemã. Ela disse lembrar dos dias depois da queda do Muro de Berlim, de ir num supermercado e ficar boquiaberta diante da variedade, diversidade e tamanho. Segundo ela: quando eu via um coco, eu não pensava que na Alemanha faz frio que não dá coco lá e que o coco viajou quilômetros e liberou muito gás-carbônico na atmosfera, eu pensava apenas que que eu nunca tinha comido coco e queria provar.

Página 161, 5a frase

A ermã me veio com esse joguinho bloguístico que lhe foi passado por uma amiga. Eu tenho que abrir o livro mais próximo de mim na página 161 e postar a 5a frase completa da página.

O livro é Representation - Cultural Representations and Signifying Practices do Stuart Hall, não precisei andar muito, tava aqui do lado do computador. A 5a frase completa da página 161 é:

“What this new human science (anthropology), but also the older sciences of cultures (ethnography and ethnology), sought to study was the way of life, primarily but not exclusively, of non-European peoples and nations”

Agora preciso abordar 5 blogueiros para que eles façam o mesmo.

Salada-de-frutas

Voltei depois de 10 dias sem postar. Não que não tenha acontecido nada, o problema é que a preguiça falou mais alto. Eu tenho que me disciplinar mais porque eu até tenho tempo para escrever. Tem várias coisas que eu quero comentar então vou fazer um post meio salada-de-fruta. Tomara que saia uma salada de fruta do Brasil, variada e saborosa e não uma salada de fruta européia, com frutas amadurecidas no navio ou avião, sem gosto nenhum.

Sicko - Semana passada fomos ver o novo filme do Michael Moore que é uma crítica ao sistema de saúde americano, dominado por empresas privadas que veêm o tratamento como “gasto”. Eu gostei muito do filme, com algumas ressalvas. Tem momentos engraçados como a estória do senhor disse que se o plano de saúde não cobrisse o aparelho auditivo de sua filha de quatro anos, ele iria escrever para o Mr. Moore que estava em processo de produção de seu novo filme. No dia seguinte ele recebeu uma ligação da seguradora dizendo que eles iriam pagar pelo aparelho. Entretanto o problema dos filmes do Michael Moore é que eles são completamente preto-e-branco(s?) as coisas são boas ou más, sem nada no meio. E nós sabemos que a vida é cheia de “gray areas”.

O rei atrapalhou meus planos - Sim, acreditem! Eu e a Ju fomos ver a exposição de fotos do Robert Capa (ótima por sinal) na terça-feira dia 09. Chegando lá percebemos que tinha dois carros da polícia e alguns seguranças. Eu, na minha cabeça de quem morou em Londres, já pensei: buemba!! Nós resolvemos sentar nuns banquinhos e observar o desenrolar dos fatos e de repente a Ju fala: - Olha o rei ali. E eu pergunto - Que rei? E ela responde: - O rei da Suécia oras… Então percebi que era o soberano caminhando tranquilamente pela praça, seguido da rainha e de mais uns engravatados. Depois que eles entraram fomos perguntar para o segurança se nós também poderíamos fazer parte da festa, mas ele disse que o museu ficaria fechado por uma hora. Devia ser alguma solenidade relativa à entrega do Prêmio Nobel de Física, que foi revelado naquele dia. A saída foi tomar um café e esperar até que o casal real nos liberasse o museu.

Coisas estranhas - Sexta-feira passada nós fomos assistir à performance “Kindertotenlieder”, da atriz performática francesa Gisèle Vienne. Como o meu namorado tem um gosto muito peculiar, eu geralmente sou arrastada para esse tipo de coisa. Agora to do mundo vai achar que eu sou meio rasa, mas eu não entendi muito o plot do espetáculo, que usava atores e bonecos. Agora, eu achei a atmosfera, criada com neve falsa e gelo seco e música, genial.

Stickkontakt- Olhem só que coisa mais querida o que essas moças fazem. Elas chamam de “tricô-grafite” e consiste em tricotar malhas e cobrir postes, sinais e outras coisas pelas ruas. Super inocente e ao mesmo tempo intrigante. Ontem estavamos andando por Slussen e nos deparamos com alguns dos trabalhos delas.

Senta, levanta, finge de morta - Sexta-feira eu fiz uma prova simulada no curso de sueco. A prova tinha uma parte chamada “Vida na Suécia”. Dentre as questões estavam as pérolas:

O que é um vegetariano

a- uma pessoa que come carne.

b- uma pessoa que come apenas carne

c- uma pessoa que não come carne.

Como todos sabem, o vegetarianismo é uma invenção sueca, raramente encontrada em outros países 

Por que as pessoas fazem dieta

a- porque elas querem aumentar de peso

b- por motivos religiosos

c- porque elas querem diminuir seu peso

Todos prestem muita atenção nisso: só se faz dieta na Suécia. Eu tenho certeza de que ninguém nunca ouviu falar em dieta em outra parte do mundo.

Noutra parte da prova eles pediam para organizar as palavras formando perguntas e lembravam: Não esqueça de iniciar a frase com letra maiúscula.

Por essas razões, às vezes eu me pego pensando que os suecos (pelo menos os responsáveis por elaborar o curso) acham que os estrangeiros são um bando de selvagens semi-civilizados que precisam ser adestrados e domados e preparados para a vida nessa sociedade tão moderna e civilizada.

O lembrete quanto à letra maiúscula é colocado para aqueles que não usam o alfabeto latino, notatamente árabes. Intrigada com a necessidade disso, eu fiz uma enquete na minha sala de aula, com os meus colegas que não usam o alfabeto latino. Descobri que todos eles aprenderam inglês, e sabem muito bem que se deve iniciar sentenças com letra maiúscula.

Faculdade - semana passada foi dedicada à América Latina no meu curso de Global Media. Sinceramente, eu me decepcionei um pouco porque estava esperando uma coisa mais focada no jornalismo, como foi com a semana da Rússia. Em vez disso estudamos várias análises antropológicas da cultura popular Latino-americana, incluindo telenovelas e Xuxa. Eu achei interessante como os textos exploraram a questão do racismo escondido no Brasil. Como os negros são retratados na novela e como eles aparecem no programa da Xuxa.

FREE BURMA

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Fotos e Livros

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Mesmo com várias coisas para ler e várias coisas para estudar resolvi tirar o fim-de-semana de folga. Devorei o ótimo The Thirteeth Tale, comecei na quinta-feira e terminei no domingo, o livro tem mais de 400 páginas.
Domingo fomos na Kulturhuset porque eu queria ver a exposição do Martin Parr. Ele é um fotógrafo britânico interessado naquilo que chamamos de “cenas da vida diária” com foco na sociedade de consumo e na bizarrice das ditas cenas. Acho que ele consegue captar esse elemento bizarro extremamente bem. Uma das séries de fotos era sobre o costume adquirido na Inglaterra nos anos 80 de atravessar o Canal da Mancha para comprar bebidas alcoólicas na França. As fotos de pessoas enlouquecidas nos supermercados comprando até o limite do que podem carregar, supermercados cheios, gente se acotovelando, etc. Eu poderia usar mais de 1000 palavras e mesmo assim não faria jus à eloquência das fotos.
Para quem está em Estocolmo ou vem para cá, vale à pena conferir, ainda mais porque a entrada é grátis. A exposição fica até janeiro na Kulturhuset.
Outro fotógrafo famoso, mas do qual eu não sou tão fã, que está com exposição na Kulturhuset é o japonês Nobuyoshi Araki, também até 27 de janeiro e também grátis.

Foto: essa foto é da série “Bad Weather” (Mau tempo) e retrata as celebrações do jubileu de prata da rainha em algum lugar do interior da Inglaterra.


Porto Alegre Click for Porto Alegre, Brazil Forecast Estocolmo Click for Stockholm, Sweden Forecast

Atenção

Eu moro na Suécia mas não sou agência de turismo, intercâmbio nem trabalho no consulado brasileiro, então não me peça informações sobre morar aqui, aprender a língua, estudar, etc, para essas coisas existe o Google e foi googlando que eu achei 99% das informações que precisava para morar aqui. Na página de links tem vários sites com informações úteis sobre morar na Suécia e Inglaterra.

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