Arquivo para Dezembro, 2007

2008

Esse ano não estou com muito saco para festividades. Queria apenas ir dormir segunda-feira à noite e acordar terça-feira. Sem pensar que hoje é 2007 e amanhã será 2008. Em primeiro lugar porque os meus professores completamente sem noção nos deixaram um ensaio para escrever durante as férias, preciso entregá-lo dia 14 de janeiro. Além de ser um período extremamente inconveniente para afazeres acadêmicos ainda tem o fato de que o conteúdo não me interessa muito com o agravante de que eles nos dão pouquíssima liberdade para explorar temas que nos interessem. Temos que seguir as questões, usar a literatura trabalhada em aula, enfim, um saco. Parece segundo-grau.

Em segundo lugar vem o fato de que eu costumo celebrar a entrada do ano com a família e amigos e esse ano não vai ser possível. A família está do outro lado da lagoa e os amigos espalhados por vários cantos do mundo.

Mudando de assunto, semana passada dia 26, eu a Ju e a Nicole pegamos os respectivos e fomos para Riga, capital da Letônia. Fomos de cruzeiro que é baratissimo (em torno de 70 reais por pessoa) e passamos algumas horas do dia 27 lá. Chegamos as 11 e saímos as 6 da tarde. Não deu para ver muito da cidade em apenas 7 horas, fizemos uma visita guiada, fomos num mercado que antigamente era um hangar de zepelins e almoçamos num restaurante que reproduz o cardápio, atmosfera e roupas da idade média.

Em comparação com Tallinn, a outra capital dos países bálticos que visitei, Riga parece bem maior, com ruas largas e prédios altos. Na verdade à primeira vista é bem parecida com Estocolmo. Eu gostaria de passar 1 ou 2 dias na cidade, poder visitar museus e andar um pouco. O tempo também não ajudou muito, estava -3 graus e nublado. Além disso, Riga não é tão barata quanto Tallinn.

No cruzeiro, que definitivamente não é o ponto alto da viagem, nós tivemos uma amostra da moda local: muitas estampas de animal, peles, cabelos vermelhos e muita, mas muita, maquiagem. Eu sei que isso é muito feio, mas demos boas risadas às custas dos outros passageiros do cruzeiro.

Mudando de assunto novamente, eu nem comentei que terminei o SFI (Svenska för invändrare ou Sueco para Imigrantes ou Swedish for Idiots, como eu costumo chamar). Fiz a prova dia 20 de novembro e recebi o resultado formal dia 16 de dezembro, pois minha profe já tinha me dito que era certo que eu tinha passado na prova. Fiquei um pouco chateada porque eu poderia ter feito a prova em outubro, como minha professora tinha sugerido e depois não sei por que não me deixaram fazer. Perdi quase um mês e precisei me submeter a uma maratona de duas provas no mesmo dia. Mas, espero que a partir de agora as aulas sejam melhores e eu não precise estudar sobre o que come um vegetariano ou por que as pessoas fazem dietas. Também espero que agora meu estudo de sueco engrene porque eu estava ficando muito irritada com o anda e pára (um pouco por minha culpa, preciso admitir): comecei a estudar em março, em Örebro, daí estudei de março até o final de abril quando nos mudamos para Estocolmo e precisei esperar 1 mes para começar de novo. Estudei o mes de junho e julho foram férias. No final de agosto fiz a prova para terminar o nível C do SFI, comecei o nível D dia 10 de S=setembro, fiz a prova para terminar o nível dia 20 de novembro e agora preciso esperar até janeiro para começar no próximo curso. E eu ODEIO esperar!

Buenas, mas depois de todas as reclamações, desejo um ótimo 2008 para todos os meus 10 ou 11 leitores.

A interessante experiência de ler o jornal

Ontem, no caminho para o centro peguei um dos jornais distribuidos gratuitamente para ler. Foi uma experiência, digamos, interessante. A manchete era sobre um a quadrilha de latino-americanos sul- americanos que roubam as casas no sul de Estocolmo, onde moro. Até ai tudo bem, crime e primeira página de jornal sempre combinaram como arroz e feijão. Entretanto, eu achei engraçado eles se referirem aos ladrões como latino-americanos sul-americanos . Segundo a Wikipédia, a América Latina engloba 22 países. Como Nicklas argumentou, é mesma coisa que dizer uma quadrilha européia, não esclarece nada, os ladrões podem ser croatas, alemães, poloneses, suíços… Mas não para por aí, pois o jornal também afirma que os membros da quadrilha tinham “aparência latino- sul-americana”. Alguém pode me dizer que aparência é essa, pois se eu penso nos (as) latinos (as) que conheço de vários dos 22 países, eles tem várias aparências. Fazia tempo que eu não via algo de tamanha ignorância publicado num jornal (sem contar aquela revista semanal brasileira, cujo nome é sinônimo de olhe). Eu aceito que uma das minhas colegas no curso de sueco diga que eu não pareço brasileira, porque sou muito clara, afinal o cidadão comum não tem obrigação de ter um vasto conhecimento sobre o Brasil. Eu também, até bem pouco tempo, não sabia muito sobre o Curdistão, de onde ela vem. Só fiquei sabendo mais porque tive uma colega austríaca, mas de origem curda, no mestrado em Londres. Ela estava pesquisando sobre a diáspora dos Curdos e me contou várias coisas sobre essa parte do mundo. Mas um jornal, na minha humilde opinião, deveria ter um pouco mais de cuidado com uso da palavra escrita. Não interessa se é um jornal grátis. Jornalistas, repórteres, editores, não precisam ser experts em américa-latina (ou américa do sul) , mas poderiam pensar um pouquinho mais e procurar informações (coisa em que eles deveriam ser peritos) para não escrever tamanha burrice.

Mais adiante no mesmo jornal, uma publicidade me chamou atenção. Era um anúncio de uma página da Svenskt Näringsliv, algo como Confederação das Empresas Suecas. Esse anúncio, com o título “A fábula da moça que comprou muito pouco”, contava, de forma literária, a estória de uma moça que no Natal sempre comprava várias coisas: presentes, decorações, comidas fazendo a felicidade do dono da loja, que assim podia manter seu negócio, pagar seus funcionários, etc. Mas, tudo mudou quando a moça leu artigos dos cruéis articulistas, que diziam que as pessoas estão comprando demais, que isso é ruim para o meio ambiente além de alimentar um sistema exploratório. Os articulistas diabólicos pediam que as pessoas comprassem menos, fizessem seus presentes, etc. E a moça (e mais um monte de gente) ouviu os articulistas e decidiu comprar menos. E isso teve sérias consequências: o dono da loja precisou fechar seu negócio, seus fornecedores tiveram que demitir funcionários porque o consumo diminuiu e a moça do título teve um natal muito chato. Tudo isso porque ela não comprou o suficiente.

Tudo bem, eu defendo a liberdade de expressão (até mesmo dos neonazis) mas isso é um insulto à inteligência das pessoas. Primeiro essa linguagem de estória infantil forçou a barra. Segundo, são exatamente pequenos negócios, como o da fábula, que sofrem com a expansão das grandes corporações. Terceiro, a maioria dos movimentos e organizações que tentam propor alternativas ao nosso modo de vida extremamente nocivo ao ambiente defendem o consumo em negócios locais, como o caso da propaganda. Na verdade, quando eu li o anúncio eu não sabia se dava risada da idéia totalmente equivocada que a agência de publicidade teve, ou se me irritava com a maneira como eles distorceram a realidade.

Depois dessa, eu parei de ler o jornal, tinha chegado na minha estação.

Ao contrário da moça que comprou muito pouco, eu acho que comprei o necessário, comprei de lojas pequenas (onde o atendimento geralmente é muiiiito melhor) e a maioria das embalagens eram recicláveis. Acho que o meu Natal não vai ser chato como o da moça que comprou muito pouco.

Prato Cheio

A Ju me lembrou há pouco de divulgar nosso blog de receitas: As tipas na cozinha. Eu, Ju e Martha começamos o blog há uns meses, mas agora já tem mais receitas então dá para chamar visitantes.
Bom Apetite!

Papai Noel não esquece de ninguém … Será?

Nossa, já passa da metade do mês e eu não escrevi nenhum post. Que desleixo, que falta de consideração com os meus 10 fiéis leitores. Bom, dada a época do ano, eu havia pensado em escrever um post de Natal. Depois de alguns natais em Londres, eu acho que sofri de uma overdose do lado ruim desse feriado: consumismo exacerbado, gente se batendo em lojas e nas ruas e decorações de mau, digo, péssimo gosto.

Eu não quero ser estraga prazeres, mas se as minhas contas estão certas, menos da metade da população mundial (cristãos) celebra o Natal (teoricamente). E desse que, teoricamente, celebram o Natal, quantos têm condições de fazê-lo? Acho que não muitos. E daqueles que têm condições de celebrar o Natal, aposto que tem muita gente que tem uma idéia bem vaga do porquê está celebrando. Não estou advogando o anti-espírito natalino, entretanto acho que as pessoas deveriam pensar mais sobre a data em vez de divagar eternamente sobre comprar árvore artificial ou natural.

Nesse clima “reflexivo” eu sugiro o vídeo The Story of Stuff (em 7 partes) que eu achei no blog do Leonardo Sakamoto.

Também no blog do Sakamoto, tem um post ótimo sobre os bolivianos que trabalham em fábricas de roupas no Brasil. Sim porque “sweatshops” não são um privilégio da China, Tailandia ou Bangladesh. Eles também existem em São Paulo. Ambos, o texto e o vídeo, mostram o que está por trás da indústria que alimenta nossa fome por mais roupas, mais sapatos, mais computadores, tudo mais novo, maior (ou menor no caso de produtos tecnológicos) e mais baratos.

Por fim, deixo as recomendações do site The Story of Stuff, tiradas do blog do Leonardo, que fez a boa ação de traduzir para o português

1) Use menos energia

2) Produza menos lixo

3) Fale sobre o assunto com outras pessoas

4) Faça sua voz ser ouvida

5) Desintoxique seu corpo, sua casa e a economia (evitando produtos com aditivos químicos desnecessários)

6) Fique menos tempo na TV e na internet e mais tempo com sua comunidade

7) Deixe seu carro parado… e quanto necessário marche, proteste!

8 ) Mude seu tipo de lâmpada e sua maneira de viver

9) Recicle seu lixo… e recicle seus representantes eleitos

10) Compre verde, compre de comércio justo, compre de sua economia local, compre usado e, o mais importante, compre menos.


Porto Alegre Click for Porto Alegre, Brazil Forecast Estocolmo Click for Stockholm, Sweden Forecast

Atenção

Eu moro na Suécia mas não sou agência de turismo, intercâmbio nem trabalho no consulado brasileiro, então não me peça informações sobre morar aqui, aprender a língua, estudar, etc, para essas coisas existe o Google e foi googlando que eu achei 99% das informações que precisava para morar aqui. Na página de links tem vários sites com informações úteis sobre morar na Suécia e Inglaterra.

 

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