Domingo, depois de um mês de pausa, a minha assinatura do jornal voltou. Eu ganho a assinatura da faculdade, então eles precisavam registrar que eu paguei o equivalente sueco ao Diretório Acadêmico. Voltou em tempo de eu ler sobre o debate envolvendo reformas propostas para o SFI (Svenska för invandrare) o curso de língua sueca e “intrudução à sociedade” que é oferecido a todos os imigrantes com visto de residência e trabalho.
O que acontece é que, segundo a aliança governista, o curso precisa ser reestruturado. Eles alegam que muita gente usa o curso como fonte de sustento – através da ajuda de custo oferecida a refugiados – e fica estudando o beabá em sueco por aaaaanos a fio. As propostas, elaboradas em conjunto pelos ministérios da Educação e Integração, incluem um limite de três anos para que o aluno termine o SFI, um bonus para aqueles que terminarem o curso em pouco tempo, mais fiscalização nas escolas e treinamento para os professores.
O problema é que essas propostas não foram muito bem aceitas entre os professores e diretores de escolas. Eles acham que o foco dos parlamentares está no lugar errado. Segundo eles, o foco deveria ser em melhorar a qualidade do ensino e oferecer treinamento aos professores. O X da questão não é que as pessoas demoram muito para terminar o SFI, mas sim que muitos desistem da escola sem terminar o curso. Jakob Thunell, diretor de uma escola em Södertalje, na região metropolitanana de Estocolmo, diz que não reconhece o quadro pintado pelos governantes, de estudantes que permanecem no SFI por tempo ilimitado; pelo contrário, ele diz que muitos pedem para fazer a prova para terminar o curso, mesmo não estando prontos.
Outro ponto salientado por professores e diretores de escolas é a diferença de background entre os alunos. Segundo estimativas do governo, 23% dos alunos têm até seis anos de escola em seus países de origem, alguns são analfabetos e, obviamente, precisam primeiro ser alfabetizados para depois aprender a língua.
De minha parte, eu tendo a concordar com os professores e diretores de escola. Eles trabalham todos os dias com o ensino de sueco e provavelmente têm muito mais conhecimento de causa do que os políticos que recebem relatórios prontos de seus assessores, provavelmente sem nunca ter pisado numa dessas escolas. Eu tive uma experiência ótima e uma péssima com o SFI e acho que a qualidade do ensino realmente fez muita diferença na motivação que eu tinha para estudar. Quanto às pessoas usarem o SFI como fonte de sustento, eu acredito que existem casos, mas não é a regra. A grande maioria dos meus colegas queria terminar o curso para poder ir adiante na vida: fazer um curso universitário, encontrar um emprego e principalmente se incluir na sociedade. Mas, quando as coisas não vão bem é muito fácil colocar a culpa na parte mais fraca: os imigrantes, principalmente refugiados que “só querem saber de mamar nas tetas do governo”, afinal de contas, nem votar eles votam!


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