
Hoje eu acordei, li o jornal, fui à aula e li um livro, fui numa reunião e anotei várias coisas, agora estou escrevendo no blog. Essas são atividades diárias para mim. A palavra escrita faz parte da minha vida assim como o ar e a água . Provavelmente faz parte da sua vida também, se você esta lendo esse texto. Ler e escrever são coisas tão normais na vida de muita gente que nós não nos damos conta de que tem muita gente no Brasil que não pode ler um livro, não pode ler o jornal, não pode ler um contrato antes de assinar para se certificar de que não está sendo passado para trás.
Sem dúvida, saber ler e escrever é crucial para que sejamos cidadãos completos e hoje, no dia Nacional do Livro, a Georgia e a Meiroca estão promovendo a blogagem coletiva “O que você faz para acabar com o analfabetismo no Brasil”. E eu preciso confessar , com um tanto de vergonha, que eu não faço muita coisa! Lendo o post da Lys eu me identifiquei um pouco com a descrição dela da classe média que não se interessa muito pelo fim do analfabetismo. Não que eu critique os programas do governo como o bolsa-escola e o bolsa-familia, muito pelo contrário. Eu acho que graças a esses programas muita gente saiu da miséria completa para condições um pouco mais sobrevivíveis. O que eu quero dizer é que eu não atrapalho, mas também não ajudo.
Por outro lado, vivendo aqui na Suécia, um país com uma longa experiência de democracia participativa, eu acredito no poder do cidadão de operar mudanças na sociedade. O Brasil ainda está no ensino básico da escola da democracia. Entretanto eu tenho esperança de que com o passar do tempo nós vamos aprender a eleger, monitorar e cobrar nossos representantes.
Quando nós votamos, estamos dando ao nosso canditado o poder de nos representar. Só que eu acho que muita gente esquece de cobrar. Por que há comunidades sem escola? Por que há crianças em idade escolar trabalhando? Por que existem adultos analfabetos e como podemos alfabetiza-los e permitir que eles conciliem trabalho e estudo? A minha opinião é que antes de criticar os políticos que são corruptos, que criam programas com os quais não concordamos, que não fazem seu trabalho, etc nós devemos nos perguntar se nós fazemos nosso dever de casa de cidadãos que não acaba quando clicamos em confirmar na urna eletrônica.


Paola, entao somos duas meu anjo, afinal, eu tambem me encaixo nessa classe media que nao ajuda mas tambem nao atrapalha. Apesar de esbravejar um pouco eu de fato ja fui engolida por ela.
Os programas sociais tem defeitos sem duvida e como voce disse estamos apenas engatinhando para aprender a fazer as coisas de forma mais justa no Brasil, mas tenho fe na humanidade !
Um beijo querida. Estava com saudades. Fazia tempo que nao passava por aqui. Fazia tempo que nao passava em lugar nenhum. Tenho que me organizar.
Ah ! E dia 1 de maio temos um compromisso ne ? Voce divulgou aqui chamando gente ? Se ainda nao que tal fazermos isso ?
Mais beijocas
Lys
A questão é que quem tem vóz pra reclamar, acha um horror o governo “desperciçar” dinheiro com programas sociais.
Pois eh Laura. Agora me diz… e voce pode ver la no meu blog, toda vez que eu “me atrevo” a falar uma coisa boa do governo o povo se enfurece. Ja reparou ? Voces ja perceberam que a blogosfera tem uma verdadeira aversao e furor ao governo Lula ? Agora eu me pergunto, por que tanta raiva hem ? Eh claro que os programas sociais nao sao perfeitos, mas dai a desqualifica-los completamente chega a ser um absurdo.
Lys, eu acho que a raiva se deve ao fato de que, infelizmente, quem consegue ter acesso à rede e ter um blog reprensenta a classe média e alta do país, justamente quem tem o poder de reclamar e ver suas queixas atendidas. Essas pessoas, por sua vez, de maneira medíocre, formam suas opinões através da mídia, que, como sabemos, tem um interesse enorme em ver certas pessoas no poder. Além do mais, eu só vejo “metendo o pau” nos programas do governo, pessoas que podem pagar por escolas particulares para seus filhos, e que tem grana pra comprar comida. Pergunta pro cara no nordeste, que ganha um dinheiro pode ser a salvação de uma morte por desnutrição, o que ele acha dos programas sociais. Eu prefiro a opinião de quem precisa dessa ação!
Bjos
Oi Lys, pode deixar que eu vou divulgar, não vai ser uma super blogagem coletiva de proporções avassaladoras, mas seria legal se mais gente escrevesse, principalmente agora com a questão do etanol, que está sendo visto como a 8a maravilha do mundo por uma parcela da sociedade. Inclusive o Lula (agora vou critica-lo) disse que os usineiros são heróis. Na verdade pouca gente está vendo os benefícios da produção de etanol e, da maneira como esta sendo gerenciada, ela está criando uma demanda por trabalhadores em condições análogas a escravidão além de contribuir para a crise na produção de alimentos. Mas isso é assunto para o primeiro de maio.
Ermã e Lys, eu acho que a classe média e a Veja estão cada vez mais falando para ninguém ouvir, ou melhor, apenas eles se escutam. Pois mesmo depois de toda a campanha contra o Lula ele venceu as eleições e a popularidade dele continua alta. Nós não ouvimos o que o João e a Maria que receberam bolsa-escola e conseguiram colocar comida na mesa falam, porque, como a Laura disse, eles não tem voz. Mas na hora de votar, eles faze a sua parte.
Eh isso ai meninas. Acho que eh por ai mesmo Laura. Voce tem razao. Eh como a Paola disse, Joao e Maria que receberam bolsa-escola nao tem voz e muito menos acesso a internet. Mas vamos que vamos.
Paola, esse negocio eh complicadissimo mesmo. Saiu uma revista ha poucos meses atras aqui na Inglaterra que dizia que se o Brazil viraria uma potencia se produzisse biocombustivel, no entanto, nos sabemos muito bem que produzir bio combustivel quer dizer um aumento na plantacao e colheita da cana de acucar cujas condicoes trabalhistas sao semelhantes a escravidao. Ou seja, para virar potencia mundial eh necessario voltar milenios atras em relacao a direitos humano. Voltaremos a epoca da sinha moca
Ta ai.. esse eh um otimo tema para discutir na sua coletiva. Voutentar achar a revista e ler novamente. Divulgue aqui que eu copio e colo la e tento chamar algumas pessoas. Nao se preocupe com numeros OK ? Pense que ja somos 3
beijocas
Lys
Mas serio, eu acho que nao sou contra o biocombustivel nao. Mas tambem nao quero que o Brasil seja um pais de monocultura. Fico confusa… vou tentar ler mais e sair de cima do muro
Oi consegui chegar até aqui. Fica mesmo difícl fazer alguma coisa quando vivemos em outro país, embora nao impossível. Talvez por você pertencer a uma classe média no Brasil, talvez em sua família você nao tenha problemas com sobrinho para ler um livro ou direcioná-los ao gosto da leitura.
Como você mesma iniciou este seu texto uma rotina. E encaixou bem a dificuldade de alguém que nao pode ler. Imagina alguém te perguntando o nome de uma rua por nao saber lê-la na placa?
Obrigada pela particpacao.
Valeu mesmo.
Abracos Georgia