Amanhã vamos iniciar nossa pequena tour pelo leste europeu: seguimos para Budapeste, dia 2 de janeiro para Praga e dia 7 para Berlin. Voltamos para Estocolmo dia 11. Não vou levar meu computador mas vou tentar postar pelo caminho.
Até mais!
Amanhã vamos iniciar nossa pequena tour pelo leste europeu: seguimos para Budapeste, dia 2 de janeiro para Praga e dia 7 para Berlin. Voltamos para Estocolmo dia 11. Não vou levar meu computador mas vou tentar postar pelo caminho.
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Hoje vamos abordar um tema muito relevante para o futuro da humanidade: comidas natalinas. Se você amiga(o) leitor(a) já esteve a se perguntar o que se come nessas terras onde a neve natalina já foi verdadeira e não bolinhas de isopor, não se pergunte mais, a resposta está aqui.
Inglaterra
Na Inglaterra o Natal se comemora no dia 25 com um super almoço, na verdade as pessoas começam a comer desde que acordam e só param lá pelo dia 5 de janeiro, quando começam a comprar Kits detox em grandes quantidades. Mas o tal almoço é composto geralmente de: Peru recheado com castanhas, salsicha de porco, bacon, batata assada e couve-de-bruxelas.
Ali do lado esquerdo do prato parece um omelete, mas eu não me lembro de ter comido nos anos que morei lá e que comia o Christmas Lunch da firma. Na sobremesa temos o super tradicional Christmas Pudding, aquele que estava nas fotos de TODOS os meus livros de natal, quando eu era pequena e que eu sempre ficava me perguntado por que ele não dava as caras no jantar de natal. Vários anos depois pude provar essa iguaria que, quando bem preparada é muito gostosa. É um bolo bem molhado, com frutas secas e algum tipo de álcool. Tem um sabor bem encorpado e não é muito doce e é acompanhado de brandy butter – uma mistura de açúcar escuro, acúcar de confeiteiro, manteiga e brandy (conhaque) – algo tão delicioso quanto engordativo, quando de boa qualidade. Nos almoços da firma o Chrismas Pudding parecia papelão e a brandy butter creme de maizena.
Nas semanas que antecedem o natal também é bem comum encontrar nas lojas inglesas mince pies e mulled wine. Mince pies parecem umas empadinhas com recheio de maçã, passas-de-uva, temperos como gengibre e canela e… preparem-se… gordura de cordeiro. Parece nojento, mas não é, na verdade eu sempre comi mince pies e só descobri o ingrediente menos nobre agora quando fui pesquisar do que elas são feitas. Elas são gostosinhas, mas uma vez por ano é o bastante.
Mulled wine é basicamente um tipo de quentão: vinho tinto com vários temperos como canela, cravo, gengibre, cardemuma, noz moscada etc. É bem gostoso e necessário em temperaturas em torno dos zero graus. 
Se eu fosse falar de todas as comidas de natal daqui acho que precisaria escrever um livro, porque no mês de dezembro o país entra numa febre natalina e dá para achar praticamente tudo de natal, até papel-higiênico, sim, até isso. Tem cerveja de natal, pão de natal, biscoitos de natal, etc. Mas vou me restringir às mais populares. Já em novembro, padarias, lancherias, mercados, etc, começam a vender os pãezinhos de natal – lusekatter- aromatizados com açafrão e geralmente em forma de 8. Também presentes em qualquer loja de gêneros alimentícios nessa época são as bolachinhas de natal em vários formatos – pepparkakor – feitas com gengibre e canela. Essas bolachinhas são um grande sucesso entre certos membros da família Sartoretto e eu corro o risco de ser presa por importação ilegal (biscuit smuggling, nunca ouviram falar). Além de serem digeridas elas tambem são usadas como decoração. Para acompanhar as bolachinhas as pessoas bebem glögg que nada mais é do que um mulled wine, ou quentão sueco. Só que a coisa não podia ficar assim na simplicidade, então existem vários tipos de glögg mais forte, mais fraco, com sabor de baunhilha, de chocolate, com conhaque e por aí vai. Tem uma marca bem tradicional de glögg que a cada ano lança um sabor diferente, o desse ano era com mirtilo e já tinha terminado duas semanas antes do natal
Daí enquanto todos vêm se empanturrando dessas coisas por mais ou menos dois meses, chega o dia 24 e muitas outras comidas entram na jogada. Claro que existe a possibilidade de já ter rolado uma confraternização da firma, onde as iguarias são oferecidas ou pode-se ter visitado alguma das inúmeras mesas de natal (julbord) que os restaurantes fazem.
Os pratos mais típicos são:
Presunto cozido (julskinka): presunto curado, dizem que por dias, servido geralmente acompanhado por mostarda. Do presunto eu gosto, mas mostarda me faz espirrar.

Essa semana compramos dois móveis para a sala, um que eu nao sei como se chama, mas é tipo um balcão, a minha vó tinha um onde ela colocava as louças mais finas e uma mesa de centro que na verdade são duas. Por que estou contando isso aqui no blog? Porque isso me fez pensar que aqui nos vivemos fazendo uma coisa que nunca tinha feito no Brasil e não vejo meus amigos ou família fazer: comprar coisas usadas e vender aquelas que não usamos mais. Esses dois móveis são da BoConcept uma loja dinamarquesa bem cara, novos eles custariam mais ou menos 4.500 reais mas nós pagamos menos de mil. Os dois estão praticamente novos e são de ótima qualidade.
Além disso eu comprei um vaporizador de roupas pela metade do preço e ele veio na caixa, a pessoa que comprou não tinha nem aberto (não sei por que comprou, mas melhor para mim), quase todos os livros que usei na faculdade, roupas e coisas para a cozinha. Nós também vendemos muitas coisas que não usamos, como uma mesa de jantar com cadeiras, um sofá horrível que o Nicklas comprou sem me consultar – reparem na propensão para ditadora doméstica – quando ainda morávamos separados, eu em Londres e ele aqui na Suécia e já levei todos os livros que não vou mais usar para vender.
Aqui é super comum comprar e vender coisas usadas e existe uma ótima estrutura para facilitar a vida de quem quer dar rotatividade aos seus pertences. Nos sites Blocket e Tradera dá para encontrar de tudo, desde bilhetes para shows até um castelo no sul da França; o primeiro é como se fosse um mercadão onde todo mundo anuncia de tudo – dá para encontrar até mesmo coisas de graça, quando as pessoas tão querendo se livrar mesmo, já vi pianos, livros e até gatos – e o segundo é o Ebay sueco e as vendas funcionam como leilões. Na universidade tem uma livraria onde dá para comprar e vender livros usados e também tem um site onde dá para comprar livros acadêmicos usados super baratos. Já encontrei livros sendo vendidos por 1/4 do preço porque o dono sublinhou ou fez anotações.
Também tem as lojas de caridade como a Myrorna que pertence ao que tem coisas muito legais: roupas, móveis, decoração por preços ótimos. Para quem mora em Estocolmo, está procurando móveis e não quer as coisas descartáveis da Ikea, a Myrorna de Skärholmen é uma ótima opção. Eles tem uma área de 500 m2 só de móveis, tem vários achados.
Há razões de sobra para comprar e vender coisas usadas:relação preçoxqualidade (vejam meus móveis por exemplo), ganhar uma grana extra, ajudar organizações de caridade em vez de ajudar empresas que não precisam muito da nossa ajuda, achar coisas diferentes que não são iguais às que todo mundo tem.
Daí eu fico pensando, por que tão pouca gente compra coisa usada no Brasil? Bom, não posso falar por todos os quase 200 milhões de habitantes do território nacional, mas na cidade interiorana onde eu nasci, cheio de gente que adora mostrar que tem, que tão podendo, comprar coisas usadas deve ser dar atestado de pobreza. Admitir que comprou algo porque era mais barato, que comprou algo que alguém já usou: nunca, o que os amigos vão pensar. O máximo admissível é comprar em antiquários prá lá de caros, por que, bom, aí é caro né, não é todo mundo que pode.
Enquanto isso nós aqui seguimos dando rotatividade às nossas coisas e às coisas dos outros, sem dívidas e com uma graninha sobrando para fazer uma viagem de vez em quando.
Eu comecei a escrever esse post ano passado, mas nunca publiquei porque nunca achei que estivesse bom o suficente. Imigração é um tema que rende muito assunto, livros, programas de rádio e TV, filmes… Mas pegando carona no post sobre a Anita Dorazio, resolvi publicar esse agora.

o tamanho da área representa o número de imigrantes internacionais vivendo ali. Fonte: worldmapper.org
Nos últimos anos, a Europa tem adotado ou tentado adotar posturas que limitem ou tornem a imigração mais difícil. Desde 2002, quando cheguei em Londres, eu tenho percebido que o preconceito e posturas negativas com relação aos imigrantes, principalmente muçulmanos e não-ocidentais tem aumentado e se tornado mais socialmente aceita. Parte da mídia britânica, não sei em outros países, trata dos imigrantes e refugiados sob uma luz muito negativa. Para jornais como o Daily Mail ou Daily Express, imgrantes são terroristas em potencial, abusam do sistema e não respeitam as tradições e costumes do país que os acolhe. Acontecimentos como 11 de Setembro, as bombas no metrôs de Madri em 2003 e Londres em 2005 e a revolta civil na França também em 2005 contribuíram para o racismo e o preconceito, antes condenados, tornarem-se justificáveis e até mesmo socialmente aceitos.
No início do ano passado, eu li uma matéria no The Guardian sobre como comentários e posturas racistas, anti-imigração estavam se tornando comuns em setores como o governo e academia. Ano passado, a BBC mostrou um vídeo do departamento de imigracao Holandês que estava causando polêmica por mostrar casais gays e mulheres fazendo topless para ilustrar que a Holanda é um país liberal e que quem quiser morar lá precisa compartilhar dos mesmos valores. Segundo alguns grupos, esse vídeo teria como objetivo dissuadir muçulmanos da idéia de emigrar para o país Europeu.
Ainda na Grã-Bretanha, o número de apoiadores do BNP (British National Party) que é contra a imigração e do qual
apenas britânicos brancos podem fazer parte, tem crescido principalmente entre a classe média-baixa. Aqui na Suécia, uma pesquisa realizada pelo Departamento de Imigracao Sueco (Migrationsverket) revelou que um em cada quatro suecos votaria em um partido que restringisse os direitos dos imigrantes. Na Itália, o governo está fazendo uma verdadeira caça aos ciganos, que já são tratados como cidadãos de segunda classe em vários países.
Desde que eu decidi sair do Brasil e morar no exterior, tenho me interessado bastante por questões relacionadas à imigração. Enquanto houver conflitos, guerras, fome e miséria em parte do mundo, a imigração vai continuar sendo uma realidade, especialmente em países europeus. Entretanto, é interessante que os países que recebem o maior número de imigrantes per cápita são Estados Unidos, Canadá e Austrália*, nenhum deles na Europa. Já a Suécia é um dos países que mais recebes refugiados em valores relativoz. Então eu me pergunto: Quais são os direitos dos imigrantes? Qual o grau de integração e contribuição para a sociedade que o acolhe o imigrante precisa ter para ter mesmos direitos dos cidadãos nativos? E mais importante, é justo que um país feche suas fronteiras ou imponha restrições à imigração?
O termo “fortress europe” ou fortaleza europa tem sido usado para definir exatamente as políticas que estão se tornando comuns em vários países europeus de dificultar a imigração e pedidos de asilo e refúgio. Só que aí existe uma pequena contradição: esses mesmos países que agora estão fechando as fronteiras deram sua contribuição para que a situação em alguns países esteja tão ruim que as pessoas sejam obrigadas a emigrar. A Grã-Bretanha foi um dois países que mais explorou a escravidão até o início do século XIX, além de explorar suas colônias na África e Ásia. A França e Holanda, que também estão fechando suas portas, não escapam do passado colonialista. Várias formas de exploração de países subdesenvolvidos ainda exíste hoje, como por exemplo os subsídios dados aos agricultores europeus e a guerra no Iraque que tem a Grã-Bretanha como ¨ator coadjuvante¨. Segundo a Agência da ONU para Refugiados, existem hoje quase 33 milhões de pessoas entre as categorias de refugiados, asilados, pessoas sem estado e pessoas internamente destituídas.
Tem que haver alguma coisa de muito errada quando as pessoas arriscam a vida para sair de seu país. Provavelmente o risco que se corre permanecendo no país é maior do que aquele oferecido pela jornada. Nesse caso, talvez os governos do oeste europeu devessem colocar a mão na consciência e e fazer algo para resolver os problemas que ajudaram a criar. É muito estranho que as pessoas falam tanto em comércio globalizado, economia globalizada mas ninguém fala de solidariedade globalizada. Na minha opinião não há nada mais justo, porque se companhias európeias e norte-americanas lucram vendendo armas para os warlords em Darfur, por exemplo; esses países deveriam arcar com o ônus da guerras guerras com as quais lucram.
Existe também uma certa tendência da mídia, de políticos um tanto quanto salafrários e da polícia – esses dois últimos, geralmente as principais fontes do jornalismo – de dar bastante espaço a qualquer tipo de ofensa cometida por imigrantes, deste assaltos, estupros até abuso do sistema social. É bom lembrar que nós não sabemos ao certo se imigrantes cometem mais assaltos do que nativos, ou se abusam mais do sistema social. Mas a julgar pelo que vemos em alguns setores da mídia é mais ou menos isso que eles fazem todos os dias. É lógico que é muito fácil jogar a culpa pela criminalidade crescente e ineficiência do sistema social nos imigrantes, eles chegaram por último, eles são preguiçosos, eles vêm de países “sem-lei”, como vão saber respeitar as leis do nosso civilizado mundo ocidental? É muito bom quando podemos colocar a culpa no outro, isso evita que precisemos olhar para os nossos defeitos.
Meu cérebro está participando de uma maratona solitária. Faz mais ou menos uma hora que eu cheguei da minha segunda prova final de sueco. Eu ja fiz a de Educação Moral e Cívica versão sueca (blergh) e hoje foi de redação e interpretação de textos. Em janeiro tenho a prova oral, depois preciso apresentar meu pseudo-projeto científico, uma coisa bem feira de ciências, sabem? A prova de hoje não estava muito difícil, os textos eram até que mais ou menos interessantes e a redação foi sobre um tema bom: necessidade de notas no sistema escolar. Primeiro foi a parte de interpretação, cinco textos e acho que umas 30 questões para responder em 50 minutos (não da para pensar muito), os textos variavam de meia página a duas e um pouquinho. Isso feito tivemos um intervalo de meia hora e depois colamos a bunda na cadeira por duas horas e meia para escrever uma redação com cerca de 400 palavaras. Eu acho essas provas longas um saco! Principalmente a de redação porque não dá para sair, dar uma espairecida ou trocar uma idéia com o colega ao lado no caso de a inspiração desaparecer por uns instantes. Mas sobrevivi.
Enquanto fazia a prova eu fiquei olhando para o céu azul e para o sol que tinha voltado de umas férias de 10 dias nas Ilhas Canárias e pensando que quando chegasse em casa eu ia me sentar aqui na mesa da sala e aproveitar a última horinha de sol do dia, almoçar, ver meus emails, etc. Ledo engano, acho que o sol não gostou muito do que viu aqui na Suécia e logo depois do meio-dia resolveu voltar para as Ilhas Canárias.
Mas voltando à sobrecarga cerebral, hoje entreguei um trabalho do mestrado. Já estava pronto há quase uma semana mas eu não estava muito satisfeita, reli umas mil vezes, mudei umas coisas, não fiquei satisfeita, mas foi do mesmo jeito. Agora tenho artigo de 10 paginas que precisa ficar pronto antes do Natal, a data de entrega é dia 7 de janeiro, mas como vamos viajar e só voltamos dia 11 preciso entregar antes. Esse trabalho é para valer por uma disciplina na qual não teremos aula, entenderam? Seguinte, nesse semestre tive duas disciplinas Media Philosophy e Media and Crime daí escolhemos fazer uma “extensão” em um dos dois, que na verdade significa escrever o artigo, ter 20 minutos de orientação com a professora e fazer uma apresentação.
Na verdade a minha interpretação do fato é: não sabemos o que mais colocar nesse mestrado, não temos professores suficiente, essas criaturas precisam de um número x de pontos para terminarem o programa de mestrado, o que faremos? Solução, mandamos eles escreverem um artigo, que será chamado de extensão a uma das disciplinas do semestre, assim não precisamos preparar mais um curso e nenhum dos professores precisará se distrair das suas pesquisas que mudarão o futuro da humanidade para dar aula para alunos inúteis. Os alunos por sua vez ficarão tão preocupados com o fato de que terão que escrever um artigo de 10 paginas baseado em no mínimo 500 páginas de literatura, entre Natal e Ano Novo, logo antes de começarem a escrever suas dissertações que nem terão tempo de reclamar. Espertinhos esses professores, não?

Anita Dorazio, 72 anos foi eleita sueca do ano pela revista Fokus (revista semanal de jornalismo) por seu trabalho com refugiados e imigrantes ilegais. Anita fundou a primeira clínica secreta da Suécia há 13 anos. Aqui refugiados e imigrantes ilegais precisam pagar pelo tratamento médico e convenhamos que quem foge de uma guerra ou da pobreza extrema não tem lá as melhores condições finaceiras o que torna virtualmente impossível que essas pessoas tenham acesso a um hospital ou pronto socorro.
Nos anos 90, quando Anita iniciou a primeira clínica em Estocolmo, a lei de imigração havia mudado recentemente, o país estava recebendo muitos refugiados da ex-Yugoslávia e o partido de direita Ny Demokrati (Nova Democracia) questionava o direito de refugiados e imigrantes ilegais de receber auxílio do sistema de saúde. Nessa época Anita trabalhava pelo direito dos refugiados a asilo político. Como professora ela tinha contato com muitos imigrantes e percebeu a dificuldade que eles tinham em ter acesso a remédios ou tratamento médico. Ela decidiu então fazer alguma coisa e, tendo contato com vários profissionais da área de saúde, muitos com experiência em países em desenvolvimento, conseguiu montar um grupo para atender quem não tinha acesso ao sistema de saúde. A primeira clínica secreta abriu suas portas dia 7 de maio de 1995 em Estocolmo. Mais tarde outras clínicas em Gotemburgo e Malmö passaram a atender os “sem-papéis” como são chamados os ilegais aqui na Suécia.
Desde então a situação para imigrantes ilegais e exilados se deteriorou. Uma nova lei de asilo político, que entrou eu vigor na primavera gerou um debate sobre o acesso limitado dessas pessoas ao sistema de saúde. Diante disso 27 organizações da sociedade civil – entre elas Anistia Internacional, Cruz Vermelha, Igreja Sueca e lideranças sindicais – fundaram a Rätt till vård initiativet (Iniciativa pelo direito à assistência médica).
De acordo com a polícia há mais de 8 mil refugiados (que não tiveram seu pedido de asilo aceito pelas autoridades suecas mas decidiram permanecer ilegais no país) na Suécia. O Departamento de Imigração acredita que o número de pessoas que vivem na Suécia sem permissão de residência está em torno de 10 e 15 mil. Já a Organização Médicos no Mundo acredita que esse número pode chegar a 35 mil. Essas pessoas estão numa situação extremamente vulnerável, muitos são obrigados a trabalhar por salários bem abaixo do mínimo em condições muito desfavoráveis porque recebem ameaças dos empregadores. Em 2006 Paul Hunt, relator da ONU fez críticas severas ao governo sueco por não satizfazer o direito universal à saúde. A conclusão dele foi de que a legislacão sueca estava entre as mais restritivas da União Européia desobedecendo inclusive a Declaração Universal dos Direitos Humanos que prevê o direito universal ao melhor tratamento médico possível. Muitos governos locais na Suécia estão insatisfeitos com as leis federais, tanto que nove províncias suecas resolveram aumentar as possibilidades de acesso ao sistema de saúde para imigrantes iligais e refugiados.
- Eu tenho vergonha de ser sueca, nesse país não existem mais direitos humanos para refugiados, diz Anita. Ela considera inaceitável o fato de que depois de 13 anos as clinícas secretas ainda precisem existir. Segundo Anita muitos refugiados e imigrantes ilegais tem uma vida pior que animais de estimação em lares suecos.
Mesmo fazendo um trabalho extremamente necessário e ajudando centenas de pessoas Anita sempre recebeu muitas críticas e insultos. Anita chegou a receber um caixão pelos correios e além de receber muitas ligações anônimas em que era chamada de “amante dos refugiados”. Ela conta que um dia recebeu uma ligação de Bert Karlsson, fundador do partido político Ny Demokrati e também magnata da cafonisse (c?) (ele fez uma considerável fortuna produzindo música brega sueca) que entre gritos perguntou se ela trababalhava para o Departamento de Imigração, ao que ela respondeu: “não, mas provavelmente contra”.
Explicando:
“sem-papéis” ou ilegais são aquelas pessoas que entraram na Suécia sem se registrar no sisteme. Na prática essas pessoas não existem porque não tem um número de identidade sueco.
Refugiados são pessoas que solicitaram asilo político às autoridade suecas, tiveram seu pedido negado e decidiram permanecer no país ilegalmente.

Aqui em casa as vezes rolam uns momentos “Mas como tu não sabe quem é …. (ator, atriz, banda, cantor, cantora,político, terrorista, etc)! Uma vez eu soltei um “Mas como tu não sabe quem é Mikail Baryshnikov?” isso foi quando ele apareceu em SATC. Depois ficamos discutindo se Mikhail era ou não mais famoso do que algum cantor ou compositor de quem não lembro o nome. Nosso parâmetro para medir fama foram entradas no google e eu tenho a impressão de que perdi.
Isso aconteceu de novo semana passada quando fomos assistir ao filme “The Baaden-Meinhof Complex” sobre o grupo terrorista (ou revolucionário…) de esquerda alemão RAF (Red Army Faction) que foi muito ativo e violento no final da década de 60 e 70. Eu não fazia a mínima idéia de quem eles eram, me senti até um pouco burrinha. Mas tudo bem acho que a razão pela qual aqui na Suécia muita gente sabe quem eles são, na verdade são duas razões, primeiro porque a Alemanha é ali do lado e segundo o critério de proximidade nossos vizinhos sempre tendem a ser notícia; segundo porque o grupo foi responsável por um atentado a embaixada alemã aqui na Suécia.
Mas mesmo não sabendo nada sobre o RAF eu gostei bastante do filme. Ele é baseado no livro de não-fição de Stefan Aust, que segundo o site do IMDB é um best seller. Eu não tenho certeza, mas acho que li em algum lugar nesse vasto mundo virtual que o filme foi indicado para o Oscar de melhor filme estrangeiro. A história é contada principalmente sob o ponto de vista da jornalista alemã Ulrike Meinhof que escrevia para revistas de esquerda e entra em contato com o grupo quando vai entrevistar uma das líderes, Gudrun Ensslin, na prisão. Ulrike estava um tanto descontente com sua militância até então pacífica e resolve partir para a luta armada passando a fazer parte do grupo.
Eu achei o filme equilibrado, ele não retrata os membros da RAF como santos, bem longe disso, mas também mostra que eles tinham ideais e acreditavam em coisas que eu e muita gente também acredita. É óbvio que eu não cogito matar ninguém em nome do que eu acredito. A idéia de que violência pode vir tanto da direita, quanto da esquerda, como também da polícia esta bem presente no filme. O filme também mostra as falhas no julgamento dos quatro líderes do grupo, que podiam se reunir por tempo limitado para preparar sua defesa, tiveram acesso a médicos negado e se é que eu entendi bem (assisti o filme é em alemão com legenda em sueco) tinham acesso restrito aos advogados de defesa. É óbvio que um filme de duas horas e meia não é suficiente para explicar eventos complexos que aconteceram num espaço de 10 anos. Entretanto ele serviu para despertar minha curiosidade.
Informação inútil mas engraçada: por algum motivo, o ator que faz o policial sueco na cena da invasão à embaixada alemã em Estocolmo não é alemão e falou, ou melhor, tentou falar umas três frases em sueco com um sotaque pra lá de carregado. Eu ouvi várias gargalhadas do povo em volta nessa hora.
É a única explicação! Acho que eu vou parar de estudar e procurar emprego de motorista do metro. Que vocês tão pensando: não ganha mal, não precisa pagar transporte, pode xingar as pessoas, dá pra ficar escutando música. As vantagens não param…
Sim porque tentar estudar nesse país está se tornando um desafio. Hoje recebi a lista dos supervisores da dissertação. Eu estava o tempo todo pensando: pode ser qualquer um menos o Fulansson (fulando em sueco), qualquer um menos ele. Dito e feito: Fulansson será meu orientador. Ele acabou de acabar o doutorado, ele não é um bom professor (ser um bom pesquisador e ser um bom professor são coisas muito diferentes), ele não tá nem aí para os alunos e no topo de tudo isso o agravante de que não da para entender o que ele fala.
Agora eu estou aqui pensando o que eu faço: bom já perguntei qual foi o critério de atribuição de supervisores porque tinha outra professora que seria bem mais adequada.
Nesse meio tempo vou dar uma olhada no site da empresa de transporte, quem sabe eles estão precisando de motoristas para o metro.
Dizem as lendas e pesquisas que aprender uma língua depois de uma certa idade já não é tão fácil eu não sei se concordo, acho que depende muito dos métodos de ensino, da vontade do cidadão e do esforço que colocamos na tarefa. Eu não acho que sueco seja mais fácil ou mais díficil do que as outras línguas que estudei, tem coisas que são mais fáceis e coisas que são mais difíceis, mas no frigir dos ovos dá na mesma. O problema são os métodos – ou a falta de – de ensino de sueco como língua estrangeira.
Primeiro precisamos reconhecer que não é muita gente que quer aprender sueco como língua estrangeira, comprarando com inglês e espanhol por exemplo. Eu “guesstimo” que a grande maioria das pessoas que estuda sueco como língua estrangeira o faz porque mora aqui e precisa falar a língua. Logo não há uma grande demanda para que se desenvolvam métodos modernos para ensinar a língua. E quem sofre são os alunos.
Desenhando: esse curso que estou fazendo (que é o último nível de sueco como língua estrangeira) se divide em quatro disciplinas: sueco oral, redação e duas outras muito inúteis que eu tenho vontade de chorar por perder meu temo estudando que são projeto – nós temos que fazer um pseudo (bem pseudo mesmo) projeto de pesquisa e algo que equivale à Educação Moral e Cívica (chama-se Realia em sueco), lembram? Acho quem fez o ensino fundamental na década de 80 deve lembrar. Nessa aula somos domesticados em cultura sueca. O professor de projeto e Educação Moral e Cívica é o mesmo e ele parou na década de 60. E a prova é daquelas de vomitar o livro pelas mãos, mais ou menos como as minhas provas de história da 7a série, quando eu precisava explicar a divisão das capitanias hereditárias. Eu tenho provas de que ele dá as mesmas aulas há 4 anos, mas acredito que seja muito mais. A aula de redação é uma brincadeira, primeiro porque é uma aula de como escrever, não de como escrever EM SUECO. E o método da professora é o seguinte, nós escrevemos os textos, ela corrige muito mal corrigido e depois nos sentamos com o coleguinha ao lado e tentamos ajudar um ao outro a melhorar seu texto. Se é assim, para que professor? Eu podia muito bem me encontrar com meus colegas uma vez por semana e discutir sobre os nossos textos. Já o foco da aula de sueco oral é desenvolver a importantíssima habilidade de falar em público, lemos textos sobre retórica, aprendemos como estruturar um discurso, apresentamos discursos, uma maravilha. Agora, quando eu terei a oportunidade de fazer um discurso em sueco eu não sei. Talvez quando eu receber algum prêmio nobel, for eleita para algum cargo político, que são coisas que realmente estão nos meus planos.
O que mais me irrita nisso tudo é que os professores ficam tentando impor a agenda deles: o que ler, que partes da cultura são importantes; quando o que eu quero é apenas aprender a língua de tal maneira que eu possa me comunicar de maneira eficaz. Que livros ler e a maneira como eu vou entender a sociedade e a cultura eu me reservo o direito de escolher de acordo com a MINHA agenda. Outra coisa que me irrita é que salvo algumas exceções os professores nos tratam como se tivéssemos 10 anos
Para não dizer que todos os professores são ruins, em quase dois anos eu tive duas professoras boas, nenhuma delas sueca. A primeira foi no Swedish For Idiots, ela era alemã e a segunda foi a professora de gramática nesse curso da universidade que é finlandesa.
Como eu consegui aprender sueco?
Apesar dos professores eu até que consigo me virar no sueco, falo, leio, escrevo é óbvio que saem erros, mas eu me preocupo bastante em evitá-los. Para mim o mélhor método para aprender uma língua estrangeira é lendo porque eu adoro ler dai eu fico prestando atenção nas palavras, como elas podem ser usadas, expressões e até mesmo gramática. Estou muito satisfeita porque estou conseguindo ler uma quantidade razoável de ficção, levando-se em conta as 150-200 páginas que preciso ler por semana para o mestrado. O último livro que li foi Fågelbovägen 32 da Sarah Kadelfors, li em menos de uma semana e gostei bastante. Agora estou lendo Den vindunderliga kärlekens historian que está bem promissor. Também comprei alguns livros do Chomsky e um do John Pilger em sueco e quero começar a ler logo.
Como a pronúncia do sueco é bem peculiar – a sílaba tônica de uma palavra pode mudar de lugar, por exemplo – eu procuro assistir TV e ouvir rádio sempre que dá. Um dos meus programas sérios favoritos chama-se Uppdrag Granskning, do qual ja falei aqui, e passa na SVT1, é um programa de jornalismo investigativo. No ramo mais trash, eu gosto de assistir programas de decoração (Room Service no Canal 5, Design Simon e Thomas no Canal 3) e alguns de culinária principalmente Vad blir det för mat (Qual vai ser a comida?) no canal 4+.
Leia mais sobre as minhas aventuras aprendendo sueco aqui, aqui e aqui
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