Agora que já fiz minhas provas, já lavei a roupa acumulada da viagem, já conversei com a minha orientadora que diga-se de pasagem é ótima, competentíssima e meu deu muitas ideias legais, posso sentar para escrever como foi a viagem, começando por Budapeste, que foi nossa primeira parada.
A idéia de visitar Budapeste foi minha, ela surgiu e se desenvolveu da leitura de dois livros: Budapeste, do Chico Buarque, que nem é tão bom, mas despertou a minha curiosidade e O Historiador da Elisabeth Kostova.
A chegada na cidade foi um pouco desapontadora, nós tínhamos comprado uma passagem de ônibus do aeroporto para o centro da cidade, junto com a passagem de avião. Chegamos no aeroporto, cadê o ônibus? Tinha uma empresa lá mas eles disseram que a nossa pasagem não era com eles, perguntamos a umas seis pessoas incluindo um representante da companhia aérea, no balcão de informações turísticas e no balcão de iformações do aeroporto e ninguém sabia de nada, nos mandaram de um lado para outro, nos mandaram olhar os sinais no aeroporto. Daí para eu não me irritar mais resolvi dar a idéia de pegar um taxi.
Depois de dar voltas e mais voltas por becos e ruelas chegamos no hotel, bom na verdade era um predio de apartamentos meio velho sem nenhuma cara de hotel. Nessa altura estávamos um tanto apreensivos. Entramos no prédio, subimos as escadas até o terceiro andar porque nao confiamos no elevador dos anos 50 e chegamos no hotel. Para a nossa surpresa o quarto era bem bonzinho, o banheiro limpo e depois descobrimos que tinha uma estação de metrô literalmente na porta do hotel. O hotel, na verdade parecia um apartamento com vários quartos para hóspedes, o café da manhã era na cozinha, servido por um senhor muito simpático. O inglês dele se resumia ao menu do café da manhã, mas ele era bem legal de qualquer forma. O café da manhã era bem servido, tinha de tudo, incluindo omelete e salsicha, que não podem faltar no café da manhã pra lá da antiga cortina de ferro.
Nós chegamos na cidade à tardinha e apesar do frio resolvemos dar uma caminhada e ir jantar. Fomos andando até o centro da cidade, uns 15 minutos de caminhada e achamos um restaurante super turístico chamado Karpátia, o restaurante existe há mais de 130 anos e é super bonito por dentro, não é dos mais baratos, mas comparando com os preços da suecia nao era tão caro. Depois caminhamos um pouco pelas ruas centrais e voltamos para o hotel.
No domingo acordamos super cedo para explorar a cidade, Nicklas é o homem da tour com guia, sempre que viajamos a primeira coisa que ele faz é procurar uma tour da cidade. Em Budapeste não foi diferente. Antes de achar a tour, compramos o Budapest Card que é uma boa pedida para quem vai visitar a cidade, várias cidades européias têm esses cartões que dão direito a transporte, entrada em museus e descontos. Comprado o cartão fomos fazer a tour.
Na noite anterior eu já tinha achado a cidade bem grande, maior do que eu imaginava que fosse, mas quando passeamos de onibus é que vi que ela é enorme. Budapeste tem aproximadamente 2,2 millhões de habitantes (Estocolmo tem aproximadamente 1,2 milhões) e tem muito mais cara de cidade grande do que Estocolmo. A cidade na verade são duas Buda e Peste dividídas pelo rio Danúbio, Peste é onde estão os prédios do governo, bancos, teatros e museus enquanto Buda é uma área mais residencial. É muito interessante que as duas atravessar o rio é como ir para outro munto: em Peste as ruas são largas, os predios grandes e suntuosos, há muitas lojas e restaurantes; já Buda lembra os centros antigos de algumas cidades européias com ruas estreitas de paralelepípedos, casas e prédios mais antigos e uma atmosfera bem mais aconchegante.
Depois de fazermos a tour, nós conseguimos a façanha turística de visitar quatro museus no mesmo dia. Primeiro fomos no Museu de Arte e no Museu de Arte Contemporânea que ficam na Praça dos Heróis. Eu achei o museu de arte um pouco chato para dizer a verdade (que venham as pedras!) pois eles estavam mostrando uma exposição sobre arte sacra e era um tal de Jesus na cruz, Jesus sendo torturado, santos sendo apedrejados, sem falar nos quadros enormes de reis voltando das guerras. O Museu de arte contemporânea é bem pequeno, acho que são umas seis ou sete salas e eles estavam com uma exposição de um fotógrafo alemão que eu não lembro o nome e não consigo achar o folheto que tinha guardado para depois escrever no blog mas que era muito interessante. Depois fomos no museu etnográfico que eu recomendo eles tinham uma exposição que se chamava “O outro” e era sobre como os povos e grupos são vistos por quem está de fora, as fotos eram muito interessantes pena que não tinha tradução para inglês. Uma das instalações era um túnel com fotos de vários povos e com o nome pelo qual eles se chamam e o nome pelo qual esses povos são chamados pelos seus inimigos, por exemplo os roma (não sei qual é o termo politicamente-correto para ciganos em português) que são chamados pejorativamente de ciganos. Depois do museu de etnografia ainda conseguimos ir na Casa do Terror, que é um prédio que foi usado com quartel-general primeiro pelos nazistas que ocuparam a Hungria até o final da II Guerra Mundial e depois pelo Partido Comunista.
Casas de Banho
Budapeste é famosa pelos spas e essa era uma das coisas que eu queria fazer lá, nós visitamos o Széchenyi que foi construído no século XIX e é prédio lindíssimo. A piscina de águas termais naturais fica do lado de fora, o fora da piscina estava -3 graus e dentro 38. Gostamos tanto da experiência que resolvemos visitar outro spa, o Szt. Gellért. Nesse as piscinas ficam dentro do prédio, a piscina externa é fechada durante o inverno então não precisamos quase congelar na caminhada da piscina até o vestiário. Mas o ponto negativo é que as piscinas térmicas (36 e 38 graus) são bem pequenas e como nós fomos dia 1 de janeiro estava super cheio.
Memento Park
A idéia desse parque foi reunir todos os monumentos da era comunista em um parque, que não está realmente pronto. Pelo que entendi, o município de Budapeste decidiu que esses monumentos representam um período importante da história do país e que não devem ser destruídos. O parque fica meio fora da cidade, mais ou menos meia hora de ônibus. No momento apenas os monumentos estão lá e tem um “galpão” onde dá para assistir um filme e ver algumas fotos, mas a idéia é construir um museu. Eu, que tinha visto essas estátuas apenas em fotos, achei elas impressionantes ao vivo, não tanto pelo tamanho, mas porque muitas delas são bem dramáticas, as pessoas quase nunca são retratadas paradas, sempre em movimento e com expressões faciais bem distintas.
Judaísmo
Grande parte dos judeus que morreram durante o Holocausto eram húngaros e, como é de se esperar, várias atrações turísticas na cidade são dedicadas à memória das vítimas do Holocausto. Nós fizemos uma tour por uma das sinagogas que fica dentro do antigo gueto judeu e depois visitamos o museu de arte judaica. Também visitamos o museu do Holocausto que é super completo e conta a história dos judeus na Hungria desde o século 17.
Melhor restaurante
O melhor restaurante de toda a viagem foi sem dúvida o Bagolyvár em Budapeste, o restaurante serve comida típica Húngara (muito schnitzel, pratos com carne de porco e batata) e fica numa casa típica da Transilvânia, região que já pertenceu à Hungria mas hoje pertence à Romênia. Apenas mulheres trabalham no restaurante: chef, cozinheiras, garçonetes. A comida não podia ser mais gostosa e as moças são simpaticíssimas. De entrada comemos três tipos de queijo quente com nectarinas e uvas, depois comemos schnitzel com salada vienense que consistia em alface, ovos bem picados e um molho e de sobremesa panquecas de nutela e avelã, que estavam ótimas mas infelizmente eu só consegui dar duas garfadas (mas estava considerando fazer como os romanos: regurgitar para liberar o espaço). O jantar com bebidas saiu em torno de 135 reais para duas pessoas, não sei como estão os preços no Brasil, lembro que nós fomos num bufê de filés e massas em Novo Hamburgo ano passado e pagamos mais ou menos isso. Comparando com os preços aqui da Suécia estava razoável.
Se arrependimento matasse…
Uma noite eu acordei com muita sede e não tinha água mineral. Não querendo dar uma de Charlotte do SATC resolvi tomar uma água da torneira mesmo, que mal poderia fazer… Bom, fez um mal razoável, passei dois dias com dor de estômago e fui impedida de provar as famosas tortas e bolos húngaros.
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