A revista Fokus dessa semana publicou uma matéria com o Ministro da Imigração Tobias Billström que propôs uma nova lei que recebeu duras críticas mesmo de partidos aliados. De acordo com a lei proposta por Billström cidadãos suecos naturalizados que cometam crimes perderão a cidadania sueca. A matéria conta a história do ministro desde os tempos de universidade, mas também a história do desenvolvimento da política de imigração sueca, que eu achei muito interessante e resovi traduzir aqui.
“ O modelo sueco
Virar a casaca de acordo com o vento
Houve um tempo em que a imagem da Suécia como o país mais generoso com imigrantes no mundo inteiro refletia a realidade. Desde a metade do século XIX até a I Guerra Mundial a imigração era uma prática totalmente desregulada. Mas mesmo assim o número de imigrantes não era grande. Em contrapartida os suecos emigravam: 1,3 milhões de suecos deixaram o país durante esse período para tentar a sorte nos Estados Unidos.
A situação mudou com o desenvolvimento da indústria e a demanda por mão-de-obra depois da guerra. Finlandeses, Iugoslavos, gregos, turcos. Durante duas décadas cidadãos de certas nacionalidades podiam trabalhar e viver na Suécia livremente.
O número de imigrantes aumentava a cada ano e o desenvolvimento econômigo do país parecia durar para sempre. Em 1965 chegaram aqui 46500 estrangeiros, o número mais alto até então. No ano seguinte a situação econômica apertou e os políticos se apressaram em fechar as fronteiras. Em 1967 a imigração de trabalhadores para a Suécia foi regulamentada.
Ao mesmo tempo que a imigração de força-de-trabalho diminuiu os políticos ganharam um novo problema para resolver. Refugiados. Eles não eram tantos antes. Talvez mil por ano. O número exato é difícil de saber porque o Departamento de Imigração só começou a elaborar estatísticas na década de 80. Os refugiados vinham de países completamente diferentes que os trabalhadores europeus que migraram para a Suécia nos anos anteriores. O golpe militar no Chile foi em 1973 foi uma de muitas razões.
Frente à uma situação completamente nova o parlamento sueco decidiu por unanimidade em 1975 criar uma política de imigração. Mais um modelo sueco, como os políticos declararam orgulhosos, era lançado. Segundo a própria descrição, o mais humano do mundo.
O consenso do bloco político sobre a política de imigração permameceu por décadas porque existiam duas salva-guardas: Social-democratas e Moderados. A vontade dos outros partidos teve um papel apenas marginal.
O que tinha um papel importante, entretanto, era a opiniões. Quando imigração significaca imigração de trabalhadores não havia muito espaço para opiniões. Os imigrantes tinham emprego, casa e se assimilaram à sociedade sueca. Não havia muito o que discutir.
Mas nos anos 80 falar em imigrantes era falar em iraquianos, iranianos, eritreus e somalis. A indústria estava em declínio e o Miljonprogrammet* tinha terminado. O descontentamento com a política de imigração se tornava cada vez mais aparente.
A Ministra da Imigração Maj-Lis Lööw assumiu no governo social-democrata junto com Göran Persson em 1989. Nessa época o próprio ministro da imigração era a última instância num processo de pedido de asilo. Ela tomou a decisão na segunda-feira. Na quinta-feira da mesma semana foram publicados os nomes daqueles que deveriam deixar o país.
A ministra ainda era nova no posto quando ela tomou sua decisão mais difícil. Foi no dia de Santa-Lúcia** em 1989. O título do release revela a pressão pela qual ela passava: “O sistema sueco de asilo político se encontra em crise”. O decreto de Santa Lúcia, como foi chamado, foi o aperto mais forte na política de imigração até então. Apenas refugiados segundo a Convenção de Geneva poderiam receber asilo e não pessoas que se encontrassem em situação de risco em seus países.
Mesmo assim isso não representou uma mudança de curso. A lógica continuava a mesma do tempo da grande imigração de mão-de-obra, como sempre foi: quando a integração não é bem sucedida o número de imigrantes precisa diminuir e vice-versa.
E o espiral continuou até a eleição de 1991, quando 368 282 eleitores votaram no Ny demokrati (Nova Democracia – partido ultra-nacionalista de extrema direita). 6,7 porcento do total de eleitores. O sucesso se deveu à política de imigração do partido. Nunca os suecos foram tão críticos à imigração quanto no início dos anos 90, de acordo com uma pesquisa do Instituto Som. E isso deixou marcas na política.
- O Ny demokrati influenciou os outros partidos indiretamente na elaboração de políticas mais restritivas. Eles ganharam um significado maior do que o apoio dos eleitores – diz o professor Björn Fryklund na faculdade de Malmö, que há muito tempo pesquisa sobre movimentos e partidos populistas de direita.
O governo de direita, com Friggebo como ministro da imigração, tentou acabar com a vinda de refugiados da Iugoslávia através da imposição de visto para bosnios (?) em 1993, quando a guerra estava em seu pior momento. “
* Miljonprogrammet: programa do governo sueco durante os anos 60-70 para construir 1 milhão de apartamentos como preços acessíveis.
** Dia de Santa Lucia: 13 de dezembro, marca o início das comemorações de Natal
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