Arquivo para Junho, 2009

De onde vem as opiniões?

Ontem recebi um comentário de uma moça que disse ter lido meu blog e depois de dois ou três posts ter percebido que eu sou arrogante e que isso é muito triste. Depois de desistir da idéia de me atirar pela sacada para assim livrar o mundo e eu mesma da tristeza que eu causo comecei a refletir sobre algumas coisas, na verdade duas, que me intrigaram sobremaneira.

A primeira é como alguém depois de ler dois ou três posts (sic.) consegue fazer uma afirmação tão categórica sobre a minha pessoa. Tem alguns blogs que eu sigo há tempo (meses e, em alguns casos anos) e não posso dizer que “conheço” @s don@s dos blogs dessa forma. Posso fazer algumas afirmações sobre suas idéias e posições, mas não sei se são arrogantes, humildes, simpáticos ou antipáticos. Primeiro porque eu acho que para ter esse tipo de opinião sobre alguém é preciso conhecer a pessoa no sentido real e não virtual da palavra – bater um papo de vez enquanto, conviver, trabalhar junto, discutir. Segundo porque eu acho que não dá para simplificar a ponto de dizer que uma pessoa é simpática, antipática, inteligente, burra, etc pois nós seres human@s somos muito mais complex@s do que isso. Em alguns momentos posso ter sido arrogante, noutros posso ter sido tímida e em outros mais extrovertida e por ai vai.

A segunda coisa que me intriga é o fato de a pessoa (que não me conhece, nunca me viu, nunca falou comigo), após ter feito esse julgamento categórico da minha personalidade baseado na leitura de dois ou três posts no meu blog ter se sentido no dever de me informar a sua opinião. Para mim é como eu chegar para, sei lá, um(a) colega distante de trabalho que eu vi umas duas vezes lascar: depois daquela reunião e daquela festa da firma em que nos encontramos to pra te dizer que tu é muito chata. Alguém faz isso na vida real? Eu não. Será que a moça que me escreveu faria? Arrisco a dizer que não. Porque a anonimidade da internet dá a muitos coragem para ofender estranhos. Eu vou confessar que leio algus blogs de pessoas com quem eu, num sentido muito virtual da coisa, não simpatizo. Acho que não to sozinha nessa, muita gente deve fazer o mesmo. Mas, diferente da moça em questão, eu não me sinto nem um pouco compelida a escrever para @s blogueir@s expressando minha opinião. Por dois motivos: 1) pra que cansar meus dedinhos, que benefício terei fazendo isso? e 2) como já falei, na maioria dos casos, EU NÃO CONHEÇO @ don@ do blog pessoalmente e tenho consciência de que o que uma pessoa escreve no blog revela apenas uma parcela ínfima de sua vida, caráter e identidade. Vai que um dia eu conheço pessoalmente um(a) don@ de blog com quem eu supostamente não simpatizo e ela(e) é completamente diferente do que eu imaginava? Todo mundo faz julgamentos errados e eu não sou exceção.

Pra terminar eu gostaria de deixar bem claro para vocês, caros 10 leitores, que podem se sentir à vontade para discordar do que eu escrevo e ter opiniões diferentes e escrevê-las no blog, os comentários serão sempre publicados. Eu sei que eu não sou a dona da verdade. Agora, quem não me conhece e quiser me insultar, poupe a energia de seus dedinhos e guarde suas observações perspicazes e julgamentos para as pessoas do seu círculo social REAL

Oi

Caso os meus 10 leitores estejam se perguntando eu terminei meu mestrado, sexta-feira foi a minha defesa, que aqui na Suécia é um pouco diferente do Brasil. Em sueco na verdade não se chama defesa mas sim disputa (disputation) e foi o seguinte, uma colega minha leu meu artigo (também podemos escolher se queremos escrever uma dissertação ou um artigo + um relatório de pesquisa, que foi o que eu escolhi) e criticou, eu respondi e uma professora resumiu nossa discussão e fez mais críticas ao meu trabalho. Para quem está acostumado com o esquema do Brasil de apresentar um trabalho, responder umas perguntinhas e receber uns elogios, a coisa aqui parece bem mais hardcore. No sistema escolar sueco é muito importante que aprendamos a criticar construtivamente, o papel do oponente (quem discute o artigo, dissertação ou tese) não é de achar defeitos, mas de fazer comentários que ajudem o autor do trabalho a melhorá-lo. Eu fiquei satisfeita com a minha defesa, recebi várias sugestões muito boas tanto da minha colega como da professora que “presidiu” a defesa. Já a minha orientadora achou que eles criticaram demais, foi até um pouco estranho ver a minha orientadora e a minha examinadora, que já trabalham juntas há quase 20 anos, discutindo por causa do meu artigo. Mas o importante é que o mestrado II é uma página virada da minha vida.

O mês de maio foi um pouco estressante porque precisei dar o último gás na minha dissertação e tive as últimas provas do meu curso de sueco .  Além disso tivemos várias visitas se hospedando aqui na nossa pousada casa. Falando em visitas, eu li várias vezes em comunidades do Orkut de brasileiros morando no exterior sobre a falta de simancol de gente que se convida para ficar na casa, amigos que reaparecem direto do túnel do tempo apenas para arrumar uma hospedagem fora do Brasil e coisas do tipo.  Muitas histórias cabeludas de gente que abusou da hospitalidade alheia no exterior.  Eu sou obrigada a admitir que isso nunca me aconteceu quando eu morava em Londres  muito pouca gente foi me visitar porque eu sempre aluguei quartos então não tinha como mesmo e aqui na Suécia todas as pessoas que nos visitaram até agora foram amigos muito queridos. Nós temos um apartamento relativamente grande e gostamos de receber visitas, com os amigos não-brasileiros ou brasileiros morando no exterior eu não preciso me preocupar; os primeiros porque não gostam de abusar da hospitalidade (precisei de 2 anos para convencer meu ex-colega de trabalho inglês a vir me visitar porque ele não queria “invadir”) e os segundos porque conhecem bem a situação em que vivemos fora do Brasil e que ninguém tá podendo dar uma de hotel fazenda. Já no Brasil, depois de quase 8 anos morando fora, eu só mantenho contatos com pessoas que realmente significam muito para mim, essas pessoas estão permanentemente convidadas para me visitar e como eu escolho muito bem minhas amizades, elas tem simancol. Hoje, por exemplo, chega mais uma visita, a minha irmã que está morando em Londres.  Como ela tem o paladar de uma criança de 10 anos, já me avisou que não quer comer peixe nem “coisas estranhas”, então eu tô aqui pensando em coisas “não estranhas” para ela comer.

Helsinki

Em maio nós também demos um pulinho em Helsinki, um amigo meu estaria lá E eu gahei um super desconto para o cruzeiro Estocolmo-Helsinki. Ficamos lá apenas um dia então não deu para ver muita coisa, considerando que o dia foi uma segunda-feira deu para ver menos ainda porque em várias cidades os museus fecham na segunda. Gostaria muito de ter visto o estúdio do Alvar Aalto por exemplo. Mas deu para passear um pouco pelas ruas da cidade, ver a igreja branca e ir no café Fazer, que é uma marca de chocolates finlandeses bem famosa e visitar o pequeno mas super charmoso Mercado Público. A cidade não é tão antiga como Estocolmo e é inacreditavelmente limpa, eu não vi um papel ou um toco de cigarro no chão. Mas definitivamente, enquanto o Euro estiver subindo meteoricamente é melhor visitar o leste europeu.

Estudos

O fim do mestrado não significou o fim da minha vida de estudante, como estudar não só é de graça como eu recebo para estudar, resolvi me matricular em alguns cursos de verão, para dar uma calibrada no currículo e treinar o sueco. Dois dos cursos são em sueco:  Gerenciamento de Projetos e Etnia, diversidade e integração e um deles é em inglês: Guerra, Mídia e Cultura. O curso de gerenciamento de projetos e à distância e um pouco chatinho, preciso admitir mas ao mesmo tempo muito importante para o currículo. Os outros dois cursos são presenciais e muito interessantes então acho que vai ser um verão bem produtivo.


Porto Alegre Click for Porto Alegre, Brazil Forecast Estocolmo Click for Stockholm, Sweden Forecast

Atenção

Eu moro na Suécia mas não sou agência de turismo, intercâmbio nem trabalho no consulado brasileiro, então não me peça informações sobre morar aqui, aprender a língua, estudar, etc, para essas coisas existe o Google e foi googlando que eu achei 99% das informações que precisava para morar aqui. Na página de links tem vários sites com informações úteis sobre morar na Suécia e Inglaterra.

 

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