Me dá uma angústia ver o blog às jogado às traças, mas acontece que eu estava ocupada aproveitando o verão. Sim, aproveitar o verão é mais ou menos uma religião por aqui. Na TV só passa porcaria tipo primeiras temporadas de Seventh Heaven e Gilmore Girls porque, hey, quem vai querer ficar sentado em casa assistindo TV quando o sol brilha lá fora até as 11 da noite. A piscina da academia fechou por seis semanas porque quem vai querer nadar na piscina limpinha com tantos lagos cheios de lodo dando sopa por aí. Desculpa gente, eu não gosto mesmo de nadar em lago, açude, rio, porque tenho nojo da lama que fica no fundo. Além do mais não conseguir ver o fundo me dá angústia. E se tiver um animal venenoso lá?
Apesar de eu não gostar de verão tenho que admitir que o verão sueco é bem mais agradável que o verão brasileiro, principalmente o verão no sul do Brasil – muito abafado e úmido – e particularmente em Santa Maria, onde eu morei os últimos seis anos antes de vir para a Europa, onde as folhas das árvores não se mexem, o sol é escaldante e não dá para viver sem ar condicionado. O verão aqui é melhor porque 1) tem vento, 2)à noite refresca bastante e 3) NÃO TEM BARATA.
Mas então, eu resolvi aproveitar o verão, só que não exatamente como os suecos. Não fui acampar, não nadei no lago (motivos já explicados) e não peguei um bronze, nem natural, nem artificial. Eu fiz alguns cursos na universidade, arrumei guarda-roupas, dei coisas, outras vendi no Tradera (Ebay sueco), remei numa canoa pela primeira vez na vida, peguei um cruzeiro para a Estônia para celebrar a despedida de solteira de uma amiga, comi churrasco de picanha, fiz duas entrevistas de emprego e brinquei com o Umberto que agora já está interagindo bastante.
Mas agora acabou o aproveitamento porque o outono tá ai, piscina da academia reabriu. Os seriados legais tipo Desperate Housewives vão voltar a TV – na verdade eu queria que algum canal passasse Mad Men, mas não sei se vai rolar – e as aulas recomeçaram. Esse outono inicia com uma novidade, eu recebi uma proposta para dar aula na universidade de Karlstad, uma cidade que fica a 350 km de Estocolmo. Completamente out of the blue um professor me escreveu e disse que precisava de alguém para dar aula da disciplina de Global Media e que meu nome tinha sido recomendado a ele por alguns colegas. Minha surpresa foi que a professora que me recomendou – no início eu achei que tivesse sido a minha orientadora porque sei que ela trabalhou com professores dessa universidade – me deu aula no primeiro semestre do mestrado e nem trabalha mais na Universidade de Estocolmo. Fiquei super feliz por ter conseguido esse emprego sem ajuda de ninguém – bom com a ajuda da minha ex-professora, mas ela não me recomendou porque eu sou simpática e querida – sem ser amiga, namorada, esposa, filha, irmã ou prima de ninguém, apenas pela minha competência.
No início eu achei que esse professor que me contratou, sendo o responsável pela disciplina, iria preparar todo o programa e eu só chegaria lá para dar as aulas, porque afinal de contas ele não me conhece e eu não tenho experiência. Mas qual não foi a minha surpresa quando ele me pediu opinião sobre o programa, métodos de avaliação e disse que eu poderia escolher os assuntos que quero ensinar e os textos que vou usar. Depois disso a coordenadora do curso me ligou para discutir detalhes práticos tipo, se eu precisasse de livros poderia comprar que depois a universidade me reembolsa e já disse que semestre que vem pode ser que eles precisem de mim para outras disciplinas. Pois bem, nas últimas semanas tenho me dedicado a isso, pesquisar textos, le-los, tentar conter minha vontade de incluir no programa todos os textos interessantes que eu achei para não assustar os probres alunos. Segundo o professor esse é o primeiro curso que eles estão fazendo em inglês, então não dá para exigir muito. Além de agilizar coisas práticas como arrumar onde ficar em Karlstad (minhas aulas são quarta e quinta-feira então só vou ficar lá nesses dias), pesquisar preços de passagens de trem e tentar comprar livros nas livrarias online suecas que insistem em cancelar os meus pedidos.
No mais estou adorando sair de casa de manhã com um ventinho frio batendo no rosto – ótimo para acordar – que me lembra o vento Minuano que soprava quando ia para a universidade às sete e meia da manhã em Santa Maria.



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