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I say tomato you say tomeito

Hoje meus olhos foram maiores que a barriga e eu servi mais do que consegui comer. Resultado: precisei jogar comida fora. 

Ao ver o desperdício, Nicklas disse:

- Pense nas crianças da África que não tem o que comer, era o que minha mãe costumava dizer.

Eu tive que responder:

- Já eu não precisava ir tão longe com o pensamento…

Caixas e mais caixas

Passaremos o fim-de-semana encaioxotando coisas aqui em casa em preparação para a mudança no próximo sábado. Queremos realizar uma operação organizada e eficiente como foi nossa mudança para Estocolmo há um ano. Já recrutamos ajudantes e elaboramos um cronograma de atividades. O bom é que dessa vez o apartamento fica a 5 minutos de carro de onde moramos agora.

Semana que vem tem a nossa nano-blogagem do dia do trabalho. Ano que vem quero ver se organizo mais e arrecado mais uns participantes.

Enquanto isso até o final de maio preciso escrever:

2 trabalhos 1trabalho atrasado de metodologia de pesquisa

1 trabalho de redação em sueco

1 trabalho de Filosofia e ética na pesquisa (para teça-feira)

1 redação em sueco (para segunda-feira, acho que vou matar aula)

2 trabalhos de expressão oral em sueco para compensar 2 aulas que eu perdi.

1 Relatório de um projeto piloto para o mestrado (eu fiz uma pequena falcatrua e usei minha dissertação do mestrado em Londres)

2 trabalhos muito idiotas de Estudos Sociais em sueco, um em grupo, um individual.

uns 3 textos para o site da conferência da IAMCR

Fora isso, no final de maio e inicio de junho eu tenho provas de redação e interpretação de textos, gramática e uma prova oral em sueco. Acho que vou tentar um truque que vi no Desperate Housewives : as mães tomavam os remédios para ADHD dos filhos e ficavam ligadonas, o que lhes permitia gerenciar a casa com maestria, cuidar dos rebentos e produzir a apresentação de fim de ano da escola. O único problema é que eu não conheço ninguém com ADHD para roubar umas pílulas mágicas.

Cadê?

Aqui na Suécia as coisas funcionam, em geral, de maneira organizada. Eu ouço buzinas pouquíssimas vezes. A lavanderia do prédio funciona bem, todo mundo marca sua hora, lava sua roupa e deixa o local livre e limpo para o próximo.

Eu disse no geral, porque no particular as coisas de vez em quando complicam. Eu estava reunindo meus documentos escolares para me inscrever para um curso. Eis que percebo que falta 1 página na tradução de uns dos meus históricos escolares. Daí eu pensei cá com meus botões, quando a mesma coisa aconteceu em Londres, eu fui na secretaria da faculdade e pedi para tirar uma cópia, pois eles tinham todos os meus documentos que foram enviados quando eu me candidatei para o mestrado. Eles ainda carimbaram as cópias e deram uma declaração dizendo que eles tinham os originais e que aquela era uma cópia legítima. Mais ou menos como uma autenticação.

Seguindo o mesmo raciocínio, mandei um email perguntando se eu podia tirar uma cópia dos meus documentos para a coordenadora do meu curso, que sugeriu que eu falasse com a secretaria, o que eu imediatamente fiz. Hoje a secretária do curso me escreve dizendo que falou com a ex-coordenadora do curso que por sua vez disse que se eu tenho pressa talvez seja melhor conseguir o documento de outra forma.

Agora a pergunta é, o que eles fizeram com meus documentos? Porque se era por uma questão de espaço, eles poderiam ter me devolvido depois de terem constatado que eu preenchia os requisitos para o curso.

Será que é mal das faculdades de comunicação? Porque os outros departamentos com quais eu tenho contato na Universidade de Estocolmo parecem ser bem organizados e em Londres eu estudei no departamento de Sociologia.

Agora eu estou pensando em quais serão as consequências de enviar meus documentos com uma página da tradução de um histórico faltando….

Bem feito para mim, se tivesse cuidado melhor dos meus papéis…

Humpf!

Tem muitas coisas que eu gosto muito na universidade aqui na Suécia, mas tem uma que eu ODEIO: o fato de que somos praticamente obrigados a comprar livros. Não, eu não tenho nada contra comprar livros, muito pelo contrário, eu trabalhei numa livraria principalmente para poder comprar livros com 35% de desconto. O problema é ter que comprar um livro do qual eu só vou mesmo usar alguns capítulos. Ou, como é o caso no momento, comprar um livro de 300 coroas (+ou- 80 reais) que eu vou usar apenas por duas aulas. Livros acadêmicos são caros, porque não são impressas muitas cópias, ao contrário dos Paulo Coelho da vida. Eu não acho isso certo, mas é a realidade. Sendo assim, eu prefiro comprar aqueles que me serão úteis como referência e não livros que eu vou usar por 1 ou 2 meses e depois largar na estante para pegar poeira.

No Brasil o xerox rolava solto, aqui até que rola, mas as vezes leva semanas para conseguir o livro na biblioteca. Na universidade em Londres os professores diziam para não comprarmos os livros e até que tinha um bom número de exemplares na biblioteca. Tudo bem, em Londres eu tinha que pagar pelo meu curso e aqui eu não preciso. Eu acho que o raciocínio por trás disso é que aqui na Suécia os estudantes geralmente recebem algum tipo de ajuda do governo. Geralmente, mas não sempre. Paola Madrid Sartoretto, por exemplo, não recebe nenhuma coroa. Mesmo se recebesse, odiando desperdício como eu odeio, acho que ainda ia reclamar de ter que comprar livros caros que para mim não valem o seu preço.

E tenho dito. Votem em mim na próxima eleição (só não sei para que…)

P.S. Tem uma coisa que me causa muita inveja: entrar nos escritórios dos meus professores e ver as paredes CHEIAS de livros. A minha inveja quase me deixa sem fala.

O X da questão

Domingo, depois de um mês de pausa, a minha assinatura do jornal voltou. Eu ganho a assinatura da faculdade, então eles precisavam registrar que eu paguei o equivalente sueco ao Diretório Acadêmico. Voltou em tempo de eu ler sobre o debate envolvendo reformas propostas para o SFI (Svenska för invandrare) o curso de língua sueca e “intrudução à sociedade” que é oferecido a todos os imigrantes com visto de residência e trabalho.

O que acontece é que, segundo a aliança governista, o curso precisa ser reestruturado. Eles alegam que muita gente usa o curso como fonte de sustento - através da ajuda de custo oferecida a refugiados - e fica estudando o beabá em sueco por aaaaanos a fio. As propostas, elaboradas em conjunto pelos ministérios da Educação e Integração, incluem um limite de três anos para que o aluno termine o SFI, um bonus para aqueles que terminarem o curso em pouco tempo, mais fiscalização nas escolas e treinamento para os professores.

O problema é que essas propostas não foram muito bem aceitas entre os professores e diretores de escolas. Eles acham que o foco dos parlamentares está no lugar errado. Segundo eles, o foco deveria ser em melhorar a qualidade do ensino e oferecer treinamento aos professores. O X da questão não é que as pessoas demoram muito para terminar o SFI, mas sim que muitos desistem da escola sem terminar o curso. Jakob Thunell, diretor de uma escola em Södertalje, na região metropolitanana de Estocolmo, diz que não reconhece o quadro pintado pelos governantes, de estudantes que permanecem no SFI por tempo ilimitado; pelo contrário, ele diz que muitos pedem para fazer a prova para terminar o curso, mesmo não estando prontos.

Outro ponto salientado por professores e diretores de escolas é a diferença de background entre os alunos. Segundo estimativas do governo, 23% dos alunos têm até seis anos de escola em seus países de origem, alguns são analfabetos e, obviamente, precisam primeiro ser alfabetizados para depois aprender a língua.

De minha parte, eu tendo a concordar com os professores e diretores de escola. Eles trabalham todos os dias com o ensino de sueco e provavelmente têm muito mais conhecimento de causa do que os políticos que recebem relatórios prontos de seus assessores, provavelmente sem nunca ter pisado numa dessas escolas. Eu tive uma experiência ótima e uma péssima com o SFI e acho que a qualidade do ensino realmente fez muita diferença na motivação que eu tinha para estudar. Quanto às pessoas usarem o SFI como fonte de sustento, eu acredito que existem casos, mas não é a regra. A grande maioria dos meus colegas queria terminar o curso para poder ir adiante na vida: fazer um curso universitário, encontrar um emprego e principalmente se incluir na sociedade. Mas, quando as coisas não vão bem é muito fácil colocar a culpa na parte mais fraca: os imigrantes, principalmente refugiados que “só querem saber de mamar nas tetas do governo”, afinal de contas, nem votar eles votam!

Adestramento de pessoas: AQUI

Depois de duas semanas correndo de um lado para o outro pela cidade, hoje deu para ficar o dia inteiro em casa. Não tive aula no curso de sueco nem no mestrado, e como é carnaval no Brasil, também nao fui trabalhar.  Nessas duas semanas que passaram eu fui uma das melhores clientes da SL (companhia de transporte urbano de Estocolmo), peguei inúmeros trens e onibus por dia, para ir da universidade 1 para a universidade 2 e da universidade 2 para o trabalho. A universidade 1 e a 2 são a mesma universidade, o que acontece é que a Faculdade de Jornalismo e Comunicação fica no centro da cidade e nao no campus onde é o meu curso de sueco. Super conveniente!

Por falar no curso de sueco, ele vai muito bem. Tirando os professores que acham que estão adestrando cachorros e se esquecem de que estão ensinando seres humanos. Isso é uma coisa que me irrita muito, desde que comecei a estudar sueco, o tempo DESPERDIÇADO  em discutir estereótipos (”o sistema penintenciário da Suécia é uma colônia de férias”; sexismo no ambiente de trabalho; quais são as tarefas consideradas masculinas e quais são as tarefas consideradas “femininas”; e por aí vai) porque eles têm que preparar os imigrantes semi-civilizados para viver nessa sociedade democrática-iguálitaria-inclusiva-justa e tudo mais. Não que eu ache que a sociedade sueca não é todas essas coisas ou que esses assuntos não devem ser tratados em aula, mas isso poderia ser feito de uma forma menos “aqui-homem-lava-louça-e-cozinha-e-a-mulher-trabalha-fora”. Eu já estudei inglês e italiano e não me lembro de ter passado horas discutindo sobre se os ingleses vão muito ao pub ou se os italianos falam muito alto. Durante os cursos eu li sobre a história e costumes dos dois países, porque são interessantes e porque é um jeito divertido de aprender a língua. Agora, ficar batendo na mesma tecla do aqui é todo mundo igual e não converse com as pessoas no metro, pelamordedeus, haja saco.

Para aumentar ainda a minha antipatia com professores que acham que nós somos retardados, na aula de expressão oral nós tivemos que apresentar para a turma três pontos importantes do livro que estamos lendo. É óbvio que todo mundo gaguejou, ficou pensando nas palavras, ninguém na turma fala sueco fluente. Só que eu acho que o professor não entendeu isso e saiu com uma palestra sobre como falar em público, com direito a exercícios de respiração e um tal de ficar repetindo aaaa - mmmmm- uuuuuu. E eu lá pensando se falava ou não para ele que eu quero aprender a falar sueco, não aprender a falar em público que nisso até que eu me viro, contanto que seja numa língua que eu domino.

Bom, mas agora chega de reclamação, porque os exercícios de sueco me esperam.

Voltei

Nossa, passei tanto tempo sem escrever um post decente que agora os meus 10 leitores devem ter diminuído para 2. Mas a vida tem sido um pouco atribulada do lado de cá. Durante as ¨férias¨precisei fazer um trabalho para o mestrado. Trabalho esse muito chato e inútil, devo dizer. Eu fico boquiberta com a incapacidade de uma das minhas professoras de se expressar por escrito numa maneira pelo menos semi-inteligível. Mas enfim, o trabalho foi entregue.

Semana passada minhas aulas no mestrado começaram e parece que dessa vez eu vou, finalmente, ter um curso de metodologia de pesquisa que preste. Tem muita coisa para ler, mais ou menos 120 páginas por semana, mas acho que vai valer à pena. O lado ruim é que acho que vou levar vários meses para terminar The Shock Doctrine e eu estou com God Delusion que ganhei de Natal esperando para ser lido. Acho que ele vai ter que esperar bastante.
ó
A outra coisa legal é que passei para o curso de sueco na Universidade de Estocolmo. Eu tinha comentado aqui sobre a prova. Eu fiquei em segundo lugar na lista de espera para o curso e acabei conseguindo uma vaga. Não tinha comentado antes, porque sabem como é, tem muito olho gordo por aí. E além do mais, não gosto muito de ficar falando das coisas antes que elas aconteçam, pois como diz a minha mãe, não se deve contar com o ovo no c* da galinha. Mas enfim, comecei o curso terça-feira. Esse é um curso de sueco como língua estrangeira (Svenska som främmande språk) e temos aula de gramática, sueco oral, redação e algo como estudos sociais. Até agora tive aula de gramática e adorei a professora e de redação, achei o professor um pouco pedante. O curso parece muito mais sério do que o “Swedish for Idiots” que eu estava estudando. Nas aulas de redação e sueco oral as turmas são de 20 pessoas, o que ajuda bastante.

Mais uma coisa legal é que eu comecei a trabalhar!!!! Bom, o trabalho será apenas por um mês, mas qualquer coisa aqui na Suécia já é ótimo. O negócio é o seguinte: o presidente dessa que promove cursos de treinamento técnico para profissionais de telecomunicações vai para o Brasil em fevereiro para fazer contatos com possíveis clientes. O que eu tenho que fazer é ligar para varias empresas de telecomunicações e tentar agendar reuniões com eles. Chato, mas melhor do que nada. Mas o que eu achei realmente estranho foi a confiança que eles têm nas pessoas: no segundo dia eu fiquei sozinha no trabalho (por causa do fuso eu fico até as 7-8 horas) e eles me deixaram lá, com a chave do escritório, vários computadores, telefones celulares, o escambau. Além disso, depois de ter trabalhado 5 anos na Inglaterra eu confesso que é meio estranho não ter Health and Safety Training. Eu não tenho idéia de onde as saídas de emergência são, não sei para onde ir se o prédio tiver que ser evaculado. Ainda mais preocupante é o fato de que eu não sei o que fazer se receber uma ligação de alguém dizendo que colocou uma bomba no prédio.
E além de tudo isso, eu não vi nenhuma câmera de CCTV. E olhem que eu procurei.

Eu ainda não sei se fiquei aliviada ou se o meu senso de normalidade foi tão distorcido que eu acho que não ser filmada 300 vezes por dia é anormal…

A interessante experiência de ler o jornal

Ontem, no caminho para o centro peguei um dos jornais distribuidos gratuitamente para ler. Foi uma experiência, digamos, interessante. A manchete era sobre um a quadrilha de latino-americanos sul- americanos que roubam as casas no sul de Estocolmo, onde moro. Até ai tudo bem, crime e primeira página de jornal sempre combinaram como arroz e feijão. Entretanto, eu achei engraçado eles se referirem aos ladrões como latino-americanos sul-americanos . Segundo a Wikipédia, a América Latina engloba 22 países. Como Nicklas argumentou, é mesma coisa que dizer uma quadrilha européia, não esclarece nada, os ladrões podem ser croatas, alemães, poloneses, suíços… Mas não para por aí, pois o jornal também afirma que os membros da quadrilha tinham “aparência latino- sul-americana”. Alguém pode me dizer que aparência é essa, pois se eu penso nos (as) latinos (as) que conheço de vários dos 22 países, eles tem várias aparências. Fazia tempo que eu não via algo de tamanha ignorância publicado num jornal (sem contar aquela revista semanal brasileira, cujo nome é sinônimo de olhe). Eu aceito que uma das minhas colegas no curso de sueco diga que eu não pareço brasileira, porque sou muito clara, afinal o cidadão comum não tem obrigação de ter um vasto conhecimento sobre o Brasil. Eu também, até bem pouco tempo, não sabia muito sobre o Curdistão, de onde ela vem. Só fiquei sabendo mais porque tive uma colega austríaca, mas de origem curda, no mestrado em Londres. Ela estava pesquisando sobre a diáspora dos Curdos e me contou várias coisas sobre essa parte do mundo. Mas um jornal, na minha humilde opinião, deveria ter um pouco mais de cuidado com uso da palavra escrita. Não interessa se é um jornal grátis. Jornalistas, repórteres, editores, não precisam ser experts em américa-latina (ou américa do sul) , mas poderiam pensar um pouquinho mais e procurar informações (coisa em que eles deveriam ser peritos) para não escrever tamanha burrice.

Mais adiante no mesmo jornal, uma publicidade me chamou atenção. Era um anúncio de uma página da Svenskt Näringsliv, algo como Confederação das Empresas Suecas. Esse anúncio, com o título “A fábula da moça que comprou muito pouco”, contava, de forma literária, a estória de uma moça que no Natal sempre comprava várias coisas: presentes, decorações, comidas fazendo a felicidade do dono da loja, que assim podia manter seu negócio, pagar seus funcionários, etc. Mas, tudo mudou quando a moça leu artigos dos cruéis articulistas, que diziam que as pessoas estão comprando demais, que isso é ruim para o meio ambiente além de alimentar um sistema exploratório. Os articulistas diabólicos pediam que as pessoas comprassem menos, fizessem seus presentes, etc. E a moça (e mais um monte de gente) ouviu os articulistas e decidiu comprar menos. E isso teve sérias consequências: o dono da loja precisou fechar seu negócio, seus fornecedores tiveram que demitir funcionários porque o consumo diminuiu e a moça do título teve um natal muito chato. Tudo isso porque ela não comprou o suficiente.

Tudo bem, eu defendo a liberdade de expressão (até mesmo dos neonazis) mas isso é um insulto à inteligência das pessoas. Primeiro essa linguagem de estória infantil forçou a barra. Segundo, são exatamente pequenos negócios, como o da fábula, que sofrem com a expansão das grandes corporações. Terceiro, a maioria dos movimentos e organizações que tentam propor alternativas ao nosso modo de vida extremamente nocivo ao ambiente defendem o consumo em negócios locais, como o caso da propaganda. Na verdade, quando eu li o anúncio eu não sabia se dava risada da idéia totalmente equivocada que a agência de publicidade teve, ou se me irritava com a maneira como eles distorceram a realidade.

Depois dessa, eu parei de ler o jornal, tinha chegado na minha estação.

Ao contrário da moça que comprou muito pouco, eu acho que comprei o necessário, comprei de lojas pequenas (onde o atendimento geralmente é muiiiito melhor) e a maioria das embalagens eram recicláveis. Acho que o meu Natal não vai ser chato como o da moça que comprou muito pouco.

Aqui não tem baratas, mas também não tem Amazon

livrokb.jpgOntem eu fui olhar meu hotmail, que nunca olho. Lá estava um e-mail do Amazon com o novo livro do Kevin Bales, que será lançado dia 1º de setembro, e que eu NÃO POSSO COMPRAR porque o Amazon não entrega na Suécia e se entregasse o frete ia ser mais caro do que o livro.

Mais um ítem para a lista de coisas de Londres que eu sinto falta. Esse Amazon é uma mão na roda, praticamente uma mãe, já comprei de tudo lá, de depilador a impressora, incluido muitos livros.

Ou isto ou aquilo

“Quem sobe nos ares não fica no chão,
Quem fica no chão não sobe nos ares.
É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo em dois lugares!”

Cecília Meireles

Hoje estava conversando com a Ju e o assunto enveredou para coisas boas e ruins da Suécia. Antes de vir para cá, como já é sabido, eu morei quase 5 anos em Londres e, salvo algumas poucas coisas prefiro a Suécia. Mas como bem disse a Cecília Meireles não se pode ter tudo ao mesmo tempo.

Depois da nossa conversa, resolvi fazer uma lista de coisas melhores e piores aqui na Suécia e em Londres.
(Lembrando que não sei o quão diferente são as regiões da Suécia, mas existe uma enorme diferença entre morar em Londres e numa cidade do interior)

Coisas que achava melhor em Londres:
- Eu podia me comunicar, ler jornais e assistir a programação da TV local.
- Podia comprar álcool em qualquer supermercado ou boteco e não apenas numa companhia de monopólio estatal (A semana de vinhos do Sainsbury’s não me pertence mais).
- Podia comprar remédios como aspirina no supermercado e não ficava a mercê de outra companhia de monopólio estatal que fecha às 6 da tarde e em muitos casos não abre aos domingos.
- Eu tinha um emprego.
- Não que isso me afetasse, mas a maioria das comunicações de órgãos estatais (sistema de saúde e administração municipal) vinham em várias línguas além do inglês (árabe, urdu, gujharati, russo, etc).

- Camden Town e Portobello Market, ainda não encontrei mercados de rua aqui na Suécia.

Coisas que acho melhor na Suécia
- Temos condições de morar num apartamento bem maior e melhor do que teríamos em Londres.
- Até agora fui super bem atendida em todas as repartições públicas onde precisei ir (Imigração, Posto de Saúde, Escola de Sueco, “Receita Federal”).
- O metro daqui é barato, limpo e pontual.
- Os supermercados têm máquinas para reciclar garrafas plásticas e latas e no geral reciclar lixo aqui é bem menos complicado que em Londres.
- Eu estou estudando sueco e vou começar um mestrado em agosto e não pago absolutamente nada, enquanto que em Londres, contando cursos e provas de inglês e mestrado eu gastei mais de £6 mil (em torno de R$25 mil).
- Por enquanto eu não sinto medo quando um grupo de adolescentes se aproxima de mim no metro ou na rua.

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Atenção

Eu moro na Suécia mas não sou agência de turismo, intercâmbio nem trabalho no consulado brasileiro, então não me peça informações sobre morar aqui, aprender a língua, estudar, etc, para essas coisas existe o Google e foi googlando que eu achei 99% das informações que precisava para morar aqui. Na página de links tem vários sites com informações úteis sobre morar na Suécia e Inglaterra.

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