Arquivo para a categoria 'Assuntos aleatórios'

Umberto, o gato top model

Oi pessoas bonitas que leêm meu blog. Por motivo de furto (minha irmã roubou minha câmera) não tinha dado até o momento para mostrar o Umberto para vocês.

Mas aqui está ele, com todo seu charme e elegância.

Aqui está ele deitado em cima das contas a pagar, acho que ele tava com medo que faltasse dinheiro para a comida dele!

Bild 005Bild 006Bild 007

O grande projeto

Eu estou fazendo esse curso de redação acadêmica que não é um curso para estrangeir@s, na minha turma, de estrangeiras, somos eu e uma menina alemã. Até agora tive duas aulas, a professora é muito atenciosa e competente e o pessoal bem interessado. Por ser um curso noturno tem bastante gente mais velha que já trabalha há tempo. Os alunos são de todas áreas química, engenharia mecânica, serviço social, ciências políticas e por aí vai.

Na semana passada teve aquele negócio de se apresentar e a professora pediu que falássemos sobre a nossa experiência em escrever textos acadêmicos.

Daí chegou a vez dessa aluna falar, uma senhora de uns 60 anos.

- Meu nome é Kerstin, eu estudei Teoria Literária, Pedagogia e Francês e espero que esse curso vá me ajudar no meu projeto …

Professora: Legal, qual é seu projeto?

- É o projeto em que eu estou trabalhando

Professora: Que consiste em…

- Em um grande projeto que eu estou envolvida no momento.

Daí a professora deixou por isso mesmo né. Ficamos no aguardo das manchetes nos principais jornais, canais de TV e estações de rádio.

Como não ser feliz na sua vida de expatriad@

Há quase oito anos fora do Brasil, eu sempre ouço gente dizendo que nunca mais quer voltar a morar lá, ou gente dizendo que no Brasil tudo é maravilhoso, o sol, o mar, o futebol, o samba… Muita gente que quer sair do Brasil e pensa se a vida lá fora vai dar certo ou não. Então eu sempre me pego em análises pseudo-sócio-antropológicas de quais os fatores que fazem com que sejamos felizes e satisfeitos com nossa vida fora da pátria amada. Eu consegui elencar já alguns fatores, mas veja bem, essa é apenas a minha opinião. A sua pode ser diferente. Muitos desses erros eu já cometi, por isso achei por bem avisar.

1. Reclame de onde você está. Muito. Ache defeitos em tudo, tenha uma visão assim bem p&b, simplista e reducionista das coisas. Aqui não dá para ter empregada, ir na manicure, cabeleireiro, massagista então é ruim. Não ter carro então… Quem um dia disse que isso era o primeiro mundo errou feio.

2. Concentre-se no #1, mas não esqueça de explicar, salientar, fazer com que todos entendam que NO BRASIL TUDO É MELHOR. O sistema de saúde é maravilhoso, as escolas e faculdades todas ótimas racismo, que isso? Xenofobia? Xeno o que mesmo…? Esqueca o grande esquema das coisas. Ele não existe

3. Irrite-se com todo e qualquer estrangeiro que mostrar desconhecimento sobre o Brasil (desconhecimento e preconceito são coisas diferentes) afinal de contas nos sabemos muito bem quem é o presidente da Polônia, que língua se fala na Indía, sem falar na geografia da China e da Rússia, mesmo esses sendo países sem a mínima importância no cenário mundial.

4. Se você tem um-a parceir@ nativ@ do país onde está morando, deixe que ele-a resolva todos os seus problemas, não se meta.

5. Se você não fala a língua do país onde está, não se esforce muito em aprender.

6. Generalize bastante quanto aos nativ@s do país onde você está. Afinal de contas, a cor do passaporte deles é a mesma, muito diferentes eles não deve ser um do outro.

7. Generalize e discrimine também outros imigrantes, pois nada melhor do que achar um grupo em situação pior do que a que estamos para nos fazer sentir melhor. Saia falando por aí dos indianos que são sujos, coloque árabes e muçulman@s tod@s no mesmo saco e saia falando que eles não sabem viver numa sociedade civilizada. Romenos… todos ciganos, que são um povo em que não podemos confiar. Outros Latino-Americanos, que elegem elegem um índio e um comunista para presidente. Se você vem do sul do Brasil, não esqueça dos nordestin@s e goian@s. Classe média? Só se misture com seus iguais.

8. No trabalho, reclame que seus colegas são preguiçosos, pois povo trabalhador é o brasileiro. Também não se misture muito com seus colegas, porque eles provavelmente bebem demais, comem comidas esquisitas e não tomam banho.

9. Não perca tempo em aprender sobre a cultura e a história do país onde você está.

10. Também não procure entender muito sobre política, legislação e afins, porque nada funciona mesmo.

Fazendo todas essas coisas tenho certeza de que você terá uma péssima experiência em qualquer país e poderá voltar ao Brasil onde você vai, com certeza, reclamar que nada funciona e que bom mesmo é na Europa/Estados Unidos/Austrália/Japão. A não ser que você tenha morado na África, outros países da América Latina e mais uns tantos países considerados piores que o Brasil. Daí você vai voltar dizendo que o Brasil é mais ou menos como uma Europa abaixo da linha do Equador.

Carros e música

A Saab tem revelado (bom, pelo menos para mim) artistas suec@s muito talentos@s em seus comerciais, primeiro foi a banda Oh Laura! com a música Release me e agora Asha Ali com The time is now.

Gatinhos sem dono

Oskar

Esse é o Oscar, um dos gatinhos que esperam por um dono no abrigo para gatos Solglängtan em Estocolmo. Clique na imagem para ver outros gatinhos, é tanta fofura que me dá vontade de chorar!

Nos comentários desse post eu, a Lola, a Ju e a Marina discutimos sobre gatinhos abandonados em Estocolmo. A Lola perguntou se tem bastante, eu disse que não vejo tantos como via no Brasil (eu adotava uns dois por mes achados na minha rua, para o desespero dos meus pais) mas a Ju e a Marina disseram que tem muitos gatinhos abandonados por aqui.

Bom, hoje saiu uma matéria no jornal dizendo que os abrigos para gatos de Estocolmo estão superlotados. A responsável por  dois abrigos disse que a situação é catastrófica nos abrigos em Estocolmo porque todos os dias alguém liga dizendo que achou um gatinho no lixo. Uma das explicações para o abandono dos felinos é que agora nas férias as pessoas vão viajar e não sabem o que fazer com seus gatos daí decidem jogá-los fora, assim como se eles fossem um rádio que não funciona mais. Um gatinho novo que é abandonado não sobrevive por muito tempo porque não tem o sistema imunológico desenvolvido e também porque pode se tornar presa de outros animais que povoam as florestas em Estocolmo, segundo a matéria.

Nos abrigos um gatinho custa 900 coroas, cerca de 230 reais e já vem vacinado e castrado. Bem que eu podia ajudar a resolver o problema dos abrigos!

Amigos e memórias

Há umman walks into a roomas semanas eu terminei de ler Man Walks into a Room (ainda sem tradução para português) da escritora americana Nicole Krauss* que também escreveu A História do Amor. Man Walks into a Room foi o primeiro romance escrito pela então poeta mas só foi publicado agora provavelmente porque a editora resolveu capitalizar depois do sucesso de A História do Amor. O livro conta a história de Samson Greene um professor de Literatura Inglesa em Nova Iorque que é encontrado vagando pelo deserto de Nevada sem ter a mínima idéia de quem é. Depois de ser socorrido, Samson é levado para um hospital onde descobre ter perdido a memória de sua vida a partir dos 12 anos, ele tem 36. Ele volta para seu apartamento em Nova Iorque na companhia da esposa com quem viveu os últimos 10 anos sem saber quem ela é. Colegas da universidade, alun@s, amig@s e a esposa se tornam estranhos de uma hora para outra.  Samson se vê no meio do grande problema que encontrar sentido num vácuo de 24 anos e achar uma ligação entre a criança que ele lembra ter sido e o adulto que ele é hoje.

Uma das críticas que eu li sobre Man Walks into a Room fala que o livro discute a questão de que nós nãoa historia do amor somos muito mais do que um acumulado de nossas memórias. Anna, mulher de Samson, reluta em aceitar um homem com quem ela não divide mais o passado, que não lembra nem dela nem do primeiro encontro, do casamento ou da lua-de-mel passada no Brasil. E Samson reluta em encontrar pessoas que o conheciam antes do acidente talvez porque ele ache que sem suas memórias não é mais a mesma pessoa que os amigos e colegas conheceram.

Mudar de cidade, estado, país também é perder um pouco de memória. Mudar de país duas vezes já adulta me obrigou a estabelecer novas relações com pessoas que não me conheceram quando eu tinha oito anos e colecionava borrachas cheirosas, quando eu tinha 12 anos e queria ser uma pianista famosa e montei com meu vizinho uma biblioteca no porão da minha casa ou quando eu tinha 20 anos, tomava chimarrão na sacada do apartamento da 24 Horas em Santa Maria, comia morte-lenta (cachorro-quente de 1 real) na saída das festas e meus sonhos não iam além, geograficamente falando, de um emprego em Porto Alegre. Eu ainda encontro amig@s desse tempo, mas bem esporadicamente, quando vou ao Brasil ou quando alguém vem para a Europa, mas não é a mesma coisa do que estar a um telefonema de distância.

Claro que é bom encontrar gente legal e fazer novos amigos em qualquer fase da vida, se bem que vai ficando mais difícil com o tempo porque ficamos mais exigentes e porque trabalho, família e outras coisas da vida adulta vão tomando o tempo tão necessário para que as amizades sejam cultivadas. Mas também é bom ter gente com quem dividimos memórias, pessoas que sabem por onde passamos para chegarmos no que somos hoje, porque qualquer memória morre aos poucos se não é dividida.

* Informação sem muita utilidade mas não de todo desinteressante: Nicole é casada com Jonathan Safran Foer autor de Extremamente Alto e Incrivelmente Perto e Tudo se Ilumina.

De onde vem as opiniões?

Ontem recebi um comentário de uma moça que disse ter lido meu blog e depois de dois ou três posts ter percebido que eu sou arrogante e que isso é muito triste. Depois de desistir da idéia de me atirar pela sacada para assim livrar o mundo e eu mesma da tristeza que eu causo comecei a refletir sobre algumas coisas, na verdade duas, que me intrigaram sobremaneira.

A primeira é como alguém depois de ler dois ou três posts (sic.) consegue fazer uma afirmação tão categórica sobre a minha pessoa. Tem alguns blogs que eu sigo há tempo (meses e, em alguns casos anos) e não posso dizer que “conheço” @s don@s dos blogs dessa forma. Posso fazer algumas afirmações sobre suas idéias e posições, mas não sei se são arrogantes, humildes, simpáticos ou antipáticos. Primeiro porque eu acho que para ter esse tipo de opinião sobre alguém é preciso conhecer a pessoa no sentido real e não virtual da palavra – bater um papo de vez enquanto, conviver, trabalhar junto, discutir. Segundo porque eu acho que não dá para simplificar a ponto de dizer que uma pessoa é simpática, antipática, inteligente, burra, etc pois nós seres human@s somos muito mais complex@s do que isso. Em alguns momentos posso ter sido arrogante, noutros posso ter sido tímida e em outros mais extrovertida e por ai vai.

A segunda coisa que me intriga é o fato de a pessoa (que não me conhece, nunca me viu, nunca falou comigo), após ter feito esse julgamento categórico da minha personalidade baseado na leitura de dois ou três posts no meu blog ter se sentido no dever de me informar a sua opinião. Para mim é como eu chegar para, sei lá, um(a) colega distante de trabalho que eu vi umas duas vezes lascar: depois daquela reunião e daquela festa da firma em que nos encontramos to pra te dizer que tu é muito chata. Alguém faz isso na vida real? Eu não. Será que a moça que me escreveu faria? Arrisco a dizer que não. Porque a anonimidade da internet dá a muitos coragem para ofender estranhos. Eu vou confessar que leio algus blogs de pessoas com quem eu, num sentido muito virtual da coisa, não simpatizo. Acho que não to sozinha nessa, muita gente deve fazer o mesmo. Mas, diferente da moça em questão, eu não me sinto nem um pouco compelida a escrever para @s blogueir@s expressando minha opinião. Por dois motivos: 1) pra que cansar meus dedinhos, que benefício terei fazendo isso? e 2) como já falei, na maioria dos casos, EU NÃO CONHEÇO @ don@ do blog pessoalmente e tenho consciência de que o que uma pessoa escreve no blog revela apenas uma parcela ínfima de sua vida, caráter e identidade. Vai que um dia eu conheço pessoalmente um(a) don@ de blog com quem eu supostamente não simpatizo e ela(e) é completamente diferente do que eu imaginava? Todo mundo faz julgamentos errados e eu não sou exceção.

Pra terminar eu gostaria de deixar bem claro para vocês, caros 10 leitores, que podem se sentir à vontade para discordar do que eu escrevo e ter opiniões diferentes e escrevê-las no blog, os comentários serão sempre publicados. Eu sei que eu não sou a dona da verdade. Agora, quem não me conhece e quiser me insultar, poupe a energia de seus dedinhos e guarde suas observações perspicazes e julgamentos para as pessoas do seu círculo social REAL

Oi

Caso os meus 10 leitores estejam se perguntando eu terminei meu mestrado, sexta-feira foi a minha defesa, que aqui na Suécia é um pouco diferente do Brasil. Em sueco na verdade não se chama defesa mas sim disputa (disputation) e foi o seguinte, uma colega minha leu meu artigo (também podemos escolher se queremos escrever uma dissertação ou um artigo + um relatório de pesquisa, que foi o que eu escolhi) e criticou, eu respondi e uma professora resumiu nossa discussão e fez mais críticas ao meu trabalho. Para quem está acostumado com o esquema do Brasil de apresentar um trabalho, responder umas perguntinhas e receber uns elogios, a coisa aqui parece bem mais hardcore. No sistema escolar sueco é muito importante que aprendamos a criticar construtivamente, o papel do oponente (quem discute o artigo, dissertação ou tese) não é de achar defeitos, mas de fazer comentários que ajudem o autor do trabalho a melhorá-lo. Eu fiquei satisfeita com a minha defesa, recebi várias sugestões muito boas tanto da minha colega como da professora que “presidiu” a defesa. Já a minha orientadora achou que eles criticaram demais, foi até um pouco estranho ver a minha orientadora e a minha examinadora, que já trabalham juntas há quase 20 anos, discutindo por causa do meu artigo. Mas o importante é que o mestrado II é uma página virada da minha vida.

O mês de maio foi um pouco estressante porque precisei dar o último gás na minha dissertação e tive as últimas provas do meu curso de sueco .  Além disso tivemos várias visitas se hospedando aqui na nossa pousada casa. Falando em visitas, eu li várias vezes em comunidades do Orkut de brasileiros morando no exterior sobre a falta de simancol de gente que se convida para ficar na casa, amigos que reaparecem direto do túnel do tempo apenas para arrumar uma hospedagem fora do Brasil e coisas do tipo.  Muitas histórias cabeludas de gente que abusou da hospitalidade alheia no exterior.  Eu sou obrigada a admitir que isso nunca me aconteceu quando eu morava em Londres  muito pouca gente foi me visitar porque eu sempre aluguei quartos então não tinha como mesmo e aqui na Suécia todas as pessoas que nos visitaram até agora foram amigos muito queridos. Nós temos um apartamento relativamente grande e gostamos de receber visitas, com os amigos não-brasileiros ou brasileiros morando no exterior eu não preciso me preocupar; os primeiros porque não gostam de abusar da hospitalidade (precisei de 2 anos para convencer meu ex-colega de trabalho inglês a vir me visitar porque ele não queria “invadir”) e os segundos porque conhecem bem a situação em que vivemos fora do Brasil e que ninguém tá podendo dar uma de hotel fazenda. Já no Brasil, depois de quase 8 anos morando fora, eu só mantenho contatos com pessoas que realmente significam muito para mim, essas pessoas estão permanentemente convidadas para me visitar e como eu escolho muito bem minhas amizades, elas tem simancol. Hoje, por exemplo, chega mais uma visita, a minha irmã que está morando em Londres.  Como ela tem o paladar de uma criança de 10 anos, já me avisou que não quer comer peixe nem “coisas estranhas”, então eu tô aqui pensando em coisas “não estranhas” para ela comer.

Helsinki

Em maio nós também demos um pulinho em Helsinki, um amigo meu estaria lá E eu gahei um super desconto para o cruzeiro Estocolmo-Helsinki. Ficamos lá apenas um dia então não deu para ver muita coisa, considerando que o dia foi uma segunda-feira deu para ver menos ainda porque em várias cidades os museus fecham na segunda. Gostaria muito de ter visto o estúdio do Alvar Aalto por exemplo. Mas deu para passear um pouco pelas ruas da cidade, ver a igreja branca e ir no café Fazer, que é uma marca de chocolates finlandeses bem famosa e visitar o pequeno mas super charmoso Mercado Público. A cidade não é tão antiga como Estocolmo e é inacreditavelmente limpa, eu não vi um papel ou um toco de cigarro no chão. Mas definitivamente, enquanto o Euro estiver subindo meteoricamente é melhor visitar o leste europeu.

Estudos

O fim do mestrado não significou o fim da minha vida de estudante, como estudar não só é de graça como eu recebo para estudar, resolvi me matricular em alguns cursos de verão, para dar uma calibrada no currículo e treinar o sueco. Dois dos cursos são em sueco:  Gerenciamento de Projetos e Etnia, diversidade e integração e um deles é em inglês: Guerra, Mídia e Cultura. O curso de gerenciamento de projetos e à distância e um pouco chatinho, preciso admitir mas ao mesmo tempo muito importante para o currículo. Os outros dois cursos são presenciais e muito interessantes então acho que vai ser um verão bem produtivo.

A censura que nós não conhecemos

Uma das minhas colegas no mestrado está fazendo uma pesquisa super interessante sobre um fenômeno chamado Blue Jacking (de highjacking ou hijacking – que significa tomar controle) que vem acontecendo no Irã. O que acontece é que o Irã é governado por um ditador muçulmano e a imprensa do país sofre uma censura bem pesada. Não dá para criticar a religião nem o governo, as mulheres são bastante oprimidas e, obviamente, não dá para sair googlando qualquer coisa porque as buscas na internet são controladas.  Mas é óbvio que como jeitinho não existe apenasmente no Brasil, os iranianos também encontram uma saída para a censura: mensagens por bluetooth. Como essas mensagens não podem ser rastreadas eles aproveitam para mandar de tudo para familiares e amigos, desde cenas de filme (uma das minhas colegas iranianas falou que demonstrações de afeto são proibidas na TV) até piadas e notícias.  Segundo a minha colega é normal receber cerca de 100 mensagens por dia. Então ela está explorando essa mundo meio que underground e como as pessoas – principalmente jovens – lidam com esse fenômeno.

Isso me faz pensar nas coisas que nós, no nosso mundo ocidental, temos e não damos o mínimo valor. Eu posso escrever criticando o governo brasileiro no meu blog, muita gente pode ler e ninguém vai para a cadeia por isso. Eu posso seguir a religião que eu quiser, ou não seguir nenhuma. Se eu quiser googlar homem fazendo sexo com uma camela (não que eu me interesse em fazê-lo) eu posso e não duvido de que venham resultados. Mas eu não vou tentar. Foi apenas um exemplo, uma hipótese.

Para mim a idéia de não poder escolher em que acreditar, não poder falar o que eu quero, não poder criticar aquilo que acho que está errado, não ter acesso às informações que eu procuro é completamente alien. Eu não sei o que faria se estivesse numa situação dessas.

Mas o melhor (ou pior) vem agora, minha colega se inscreveu numa conferência na Polônia sobre Oriende Médio, mídia e democracia, ou algo do tipo. O trabalho dela foi aceito, ela mandou o resumo e está tudo pronto para ela ir. Mas eis que ela resolve olhar a lista de participantes iranianos e vê que o nome de altos-oficiais do governo. Pânico. Hoje ela estava sem saber o que fazer, porque ela quer poder voltar ao país sem correr perigo de ser sequestrada presa no aeroporto e desaparecer.  Ela disse que o governo está de olho em estudantes iranianos em outros países, para saber se o que eles andam pesquisando e escrevendo representa alguma ameaça à “soberania nacional”. Outra coisa que para mim é completamente natural, poder apresentar minha pesquisa – que é sobre comunicação política, in case you wonder – em conferências sem me preocupar se vai ter alguém lá para me acusar de estar traindo a nação.

Por outro lado eu não cesso de me surpreender com a habilidade que o ser humano tem de driblar situações adversas e encontrar saídas. Não dá para escrever no jornal, não dá para mandar email,  a TV não mostra o que a gente quer ver? Bluetooth neles!

Atualização: Falei com a minha colega essa semana, ela disse que conversou com os organizadores do evento que disseram para ela que o pessoal do Irã eram apenas pesquisadores, que não tinha ninguém do governo mas que não tinha nenhum problema se ela quisesse mudar o tema da aprensantação. Então ela disse que mudou para uma coisa mais neutra, acho que ela vai dar uma receita de bolo de cenoura ou algo do tipo.

Swenglish

Swenglish é uma língua muito falada aqui na Suécia, é a língua que vários que pensam que falam inglês realmente falam.  A característica principal da língua é traduzir literalmente expressões e palavras do sueco para o inglês, algumas delas quando traduzidas ficam bem engraçadas.

Alguns exemplos:

Logo que eu conheci o Nicklas eu não entendia porque ele me perguntava

Did you eat your medicine? Você comeu o seu remédio?

Quando o certo em inglês seria: Did you take your medicine? Você tomou seu remédio. Mas, depois de estudar um pouco a língua eu descobri que em sueco não se toma remédio, come-se.

Outra coisa que me causou espanto foi quando ele me disse:

When my parents married I was in my mum’s stomach. Quando meus pais casaram eu estava no estômago da minha mãe.

Não, não foi o fato de ela ter casado grávida que me espantou, mas sim o fato de que o bebê estava no estômago. O certo seria dizer : I was in my mum’s womb – Eu estava na barriga da minha mãe. Mas só que no sueco coloquial, há apenas uma palavra para toda a area que pode significar tanto estômago quanto barriga.

Eu sempre cuidei para não falar swenglish ou portuglês, porque às vezes pode ficar estranho e também porque não quero ninguém rindo da minha cara (mais do que já riem quando eu falo sueco) porque eu falo errado. Só que nas últimas semanas eu andei cometendo uns deslizes. O primeiro deles foi quando escrevi para um amigo em Londres. Eu escrevi o seguinte:

It’s very cold here, minus degrees everyday. Algo como: Está muito frio aqui, graus negativos todos os dias.

É assim que se diz em sueco, só que em inglês o certo seria below zero.

E ontem eu falei para o Nicklas:

She couldn’t call me because she had no coverage. Ela não conseguiu me ligar porque não tinha cobertura.

Em português até que funciona porque nós também dizemos cobertura para o celular, assim como no sueco. Só que em inglês se diz reception.

Tem outras coisas que eu acho muito engraçadas quando traduzidas diretamente do sueco para o português. Uma delas e chaleira elétrica (vattenkokare) que quer dizer, literalmente, cozinhador de água. Porque em sueco não se esquenta ou ferve água mas se cozinha água.

Atualização: a minha irmã me lembrou de que eu tinha dito que o Nicklas fala “morar no hotel” (pousada, casa de amigos etc) em vez de “ficar”.  Realmente em sueco se mora na hospedagem, independente do duração da estada.  Numa das primeiras vezes que nos viajamos juntos, para Amsterdam em 2003, eu fiquei intrigada porque ele dizia

Here’s were we live. É aqui que moramos

e apontava para o hotel no mapa. O certo seria:  Here’s were we are staying.

Aqui também tem índio – ou melhor, habitantes nativos

Sexta-feira, dia 06 foi o Dia Nacional dos Samis,  o povo que habita a região que muitos de nós chamamos de Lapônia mas que para eles se chama Sàpmi e fica numa área que abrange o norte da Noruega, Suécia, Finlândia e um pedacinho da Rússia. A data comemora o primeiro congresso Sami, realizado em Trondheim na Noruega em 1917. Nesse congresso Samis da Noruega e Suécia se encontraram pela primeira vez para discutir seus problemas.Segundo a Wikipédia os Sami são os indígenas aqui da área, o que eu acho que significa que eles chegaram aqui no pedaço antes mesmo dos vikings, há mais de 2500 anos.  Aqui muita gente os chama de Lapp, ou lapão, que tem um sentido pejorativo porque lapp nas línguas escadinavas significa trapo e reza a lenda que os Sami eram chamados assim por causa de suas roupas típicas.

Durante muito tempo os Sami viveram de atividades rurais como pesca e pastoreio (de renas) e também artesanato.  Como  precisavam se adaptar ao clima Ártico os Sami eram um povo nômade. Hoje em é apenas uma minoria que vive da criação de renas, apenas 2,800 de um total de 135 mil. A criação de rena é uma atividade que permitida somente a Samis.  Hoje em dia a maioria dos Samis vive uma vida moderna como a minha e a sua. O maior número de Samis vive na Noruega – de 60 a 100 mil e o segundo maior na Suécia 15 a 25 mil; em seguida vem a Finlândia e a Rússia, com 6 e 2 mil respectivamente.

Os Sami sempre se consideraram uma nação, mas a idéia de território Sami (Sàpmi) surgiu na década de 70 para indicar a região que pode ser culturalmente ligada ao povo Sami.  Eles também possuem representantes na Noruega, Suécia e Finlândia – os Parlamentos Sami de cada país.  Há ainda um órgão cooperativo dos Samis desses três países – o conselho Sami,  que tem o objetivo de defender os interesses do povo Sami internacionalmente. Isso inclui a preservação de sua cultura, tradições e identidade.

Feira de Jokkmokk

Feira de Jokkmokk

Atualmente há algumas feiras Sami no norte da Suécia, a mais famosa é a de Jokkmokk onde dá para comprar artesanato e comidas típicas.

Não existe uma língua Sami, mas sim nove dialetos falados nas regiões onde os Sami vivem, dois dialetos (Kemi Sami e Akkala Sami) foram extintos.  A TV e a Rádio Sueca ( SVT e SR) apresentam programas em Sami, não sei qual dos dialetos.  Na universidade de Oulu, na Finlândia é possível fazer uma graduação em Sàmi.

Aqui em Estocolmo, a data esta sendo comemorada com várias atividades no Skansen, o parque mais famoso de Estocolmo, incluindo concertos de jojk (música folclórica Sami) e jazz Sami, além de uma feira com produtos típicos.

Um jornal aqui publicou algumas regras de etiqueta quando se fala com Samis, uma delas é que não da para chegar perguntando: Aí seu lapão, quantas rena tu tem? Isso é completamente no-no, primeiro porque eles não se chamam lapões, segundo porque muito poucos criam renas hoje em dia. Da mesma forma como nós não gostamos quando estrangeiros nos perguntam se no Brasil existe água encanada, não é mesmo. (Ainda que em alguns lugares não exista, mas isso a gente não gosta de contar). Outra coisa é que não se sai chamando as pessoas de metade-lapão, um quarto-lapão ou quaquer que seja a fração, por motivos bem óbvios e explicados anteriormente. Assim como a gente não gosta de ser chamado de cabeça preta (svartskalle) aqui na Suécia.

Eu e a burocracia sueca

Acabei de preencher o formulário para prolongar minha permissão de residência na Suécia e uma pergunta me fez refletir:

Descreva as mudanças que aconteceram desde seu último pedido de visto e fale sobre seus planos para o futuro

Minha resposta:
- Mudamos de Örebro para Estocolmo em maio/2007
- Mudamos de Farsta (em Estocolmo) para Hagsätra, outra area de Estocolmo em maio/2008.

Planos para o futuro:
- Pintar o hall
- Viajar para algum lugar na Páscoa
- Viajar para o Brasil em Janeiro de 2010
- Ter um gato

Será que eles queriam que eu respondesse algo do tipo receber o Prêmio Nobel da Paz ou ser primeira-ministra?
Bom, mas pelo menos eu não to planejando explodir nada não é mesmo, menos uma para eles se preocuparem.

Borta bra – hemma bäst

Isso quer dizer mais ou menos: viajar é bom mas estar em casa é melhor. É mais ou menos como nos sentimos, já estávamos com saudade da nossa casa, nossa cama e de uma cidade onde nós sabemos onde as coisas ficam. A viagem foi ótima, vou escrever mais durante a semana, mas é ótimo voltar para casa, mesmo ela estando meio bagunçadinha.

Amanhã tenho aula e quarta-feira tenho prova de sueco oral além disso preciso entrar em contato com a minha orientadora que teoricamente só começa a trabalhar na faculdade em março.

Enchendo o bucho internacionalmente e festivamente

Hoje vamos abordar um tema muito relevante para o futuro da humanidade: comidas natalinas. Se você amiga(o) leitor(a) já esteve a se perguntar o que se come nessas terras onde a neve natalina já foi verdadeira e não bolinhas de isopor, não se pergunte mais, a resposta está aqui.

Inglaterra
Na Inglaterra o Natal se comemora no dia 25 com um super almoço, na verdade as pessoas começam a comer desde que acordam e só param lá pelo dia 5 de janeiro, quando começam a comprar Kits detox em grandes quantidades. Mas o tal almoço é composto geralmente de: Peru recheado com castanhas, salsicha de porco, bacon, batata assada e couve-de-bruxelas.

xmaslunch1 Ali do lado esquerdo do prato parece um omelete, mas eu não me lembro de ter comido nos anos que morei lá e que comia o Christmas Lunch da firma.  Na sobremesa temos o super tradicional Christmas Pudding, aquele que estava nas fotos de TODOS os meus livros de natal, quando eu era pequena e que eu sempre ficava me perguntado por que ele não dava as caras no jantar de natal. Vários anos depois pude provar essa iguaria que, quando bem preparada é muito gostosa. É um bolo bem molhado, com frutas secas e algum tipo de álcool. Tem um sabor bem encorpado e não é muito doce e é acompanhado de brandy butter – uma mistura de açúcar escuro, acúcar de confeiteiro, manteiga e brandy (conhaque) – algo tão delicioso quanto engordativo, quando de boa qualidade.  Nos almoços da firma o Chrismas Pudding parecia papelão e a brandy butter creme de maizena.

brandybutter

xmaspuddingNas semanas que antecedem o natal também é bem comum encontrar nas lojas inglesas mince pies e mulled wine. Mince pies parecem umas empadinhas com recheio de maçã, passas-de-uva, temperos como gengibre e canela e… preparem-se… gordura de cordeiro. Parece nojento, mas não é, na verdade eu sempre comi mince pies e só descobri o ingrediente menos nobre agora quando fui pesquisar do que elas são feitas. Elas são gostosinhas, mas uma vez por ano é o bastante.

Mulled wine é basicamente um tipo de quentão: vinho tinto com vários temperos como canela, cravo, gengibre, cardemuma, noz moscada etc. É bem gostoso e necessário em temperaturas em torno dos zero graus. mulled-wine

Suécialussekatter

Se eu fosse falar de todas as comidas de natal daqui acho que precisaria escrever um livro, porque no mês de dezembro o país entra numa febre natalina e dá para achar praticamente tudo de natal, até papel-higiênico, sim, até isso.  Tem cerveja de natal, pão de natal, biscoitos de natal, etc. Mas vou me restringir às mais populares. Já em novembro, padarias, lancherias, mercados, etc, começam a vender os pãezinhos de natal – lusekatter-  aromatizados com açafrão e geralmente em forma de 8. Também presentes em qualquer loja de gêneros alimentícios nessa época são as bolachinhas de natal em vários formatos – pepparkakor – feitas com gengibre e canela. Essas bolachinhas são um grande sucesso entre certos membros da família Sartoretto e eu corro o risco de ser presa por importação ilegal (biscuit smuggling, nunca ouviram falar). Além de serem digeridas elas tambem são usadas como decoração.  Para acompanhar as bolachinhas as pessoas bebem glögg que nada mais é do que um mulled wine, ou quentão sueco.  Só que a coisa não podia ficar assim na simplicidade, então existem vários tipos de glögg mais forte, mais fraco, com sabor de baunhilha, de chocolate, com conhaque e por aí vai. Tem uma marca bem tradicional de glögg que a cada ano lança um sabor diferente, o desse ano era com mirtilo e já tinha terminado duas semanas antes do natal

Pepparkakor decorados em vários formatos.

Pepparkakor decorados em vários formatos.

gloggDaí enquanto todos vêm se empanturrando dessas coisas por mais ou menos dois meses, chega o dia 24 e muitas outras comidas entram na jogada. Claro que existe a possibilidade de já ter rolado uma confraternização da firma, onde as iguarias são oferecidas ou pode-se ter visitado alguma das inúmeras mesas de natal (julbord) que os restaurantes fazem.

Os pratos mais típicos são:

Presunto cozido (julskinka): presunto curado, dizem que por dias, servido geralmente acompanhado por mostarda. Do presunto eu gosto, mas mostarda me faz espirrar.

Jensens Frestelse (Tentação de Jensen): como se fosse uma torta de batatas com vários temperos, entre eles nós moscada, muito creme. Hummmmm
Prinzkorvar (Salsichas Prinz): umas salsichinhas pequenas e bem gostosas.
Köttbullar (almôndegas): um clássico da culinária sueca, não podia faltar no natal
Risgrynsgröt : é um tipo de arroz de leite, feito com um arroz especial e servido com amêndoas, canela e geléia de framboesa.julmust_27875b
Para completar,  o refrigerante de natal, que se chama Julmust e é parecido com Coca-cola mas não exatamente igual. Dizem que as vendas de Coca-cola despencam durante o natal aqui e por isso se vê propagandas de Coca-cola por todos os lados
Julbord - mesa de natal com vários pratos tipicos

Julbord - mesa de natal com vários pratos típicos

Pôr-do-sol

dsc013641Ontem às 3 da tarde, em Estocolmo.

Filme

15wanted

Aqui em casa as vezes rolam uns momentos “Mas como tu não sabe quem é …. (ator, atriz, banda, cantor, cantora,político, terrorista, etc)! Uma vez eu soltei um “Mas como tu não sabe quem é Mikail Baryshnikov?” isso foi quando ele apareceu em SATC. Depois ficamos discutindo se Mikhail era ou não mais famoso do que algum cantor ou compositor de quem não lembro o nome. Nosso parâmetro para medir fama foram entradas no google e eu tenho a impressão de que perdi.

Isso aconteceu de novo semana passada quando fomos assistir ao filme “The Baaden-Meinhof Complex” sobre o grupo terrorista (ou revolucionário…) de esquerda alemão RAF (Red Army Faction) que foi muito ativo e violento no final da década de 60 e 70. Eu não fazia a mínima idéia de quem eles eram, me senti até um pouco burrinha. Mas tudo bem acho que a razão pela qual aqui na Suécia muita gente sabe quem eles são, na verdade são duas razões, primeiro porque a Alemanha é ali do lado e segundo o critério de proximidade nossos vizinhos sempre tendem a ser notícia; segundo porque o grupo foi responsável por um atentado a embaixada alemã aqui na Suécia.

Mas mesmo não sabendo nada sobre o RAF eu gostei bastante do filme. Ele é baseado no livro de não-fição de Stefan Aust, que segundo o site do IMDB é um best seller. Eu não tenho certeza, mas acho que li em algum lugar nesse vasto mundo virtual que o filme foi indicado para o Oscar de melhor filme estrangeiro. A história é contada principalmente sob o ponto de vista da jornalista alemã Ulrike Meinhof que escrevia para revistas de esquerda e entra em contato com o grupo quando vai entrevistar uma das líderes, Gudrun Ensslin, na prisão. Ulrike estava um tanto descontente com sua militância até então pacífica e resolve partir para a luta armada passando a fazer parte do grupo.

Eu achei o filme equilibrado, ele não retrata os membros da RAF como santos, bem longe disso, mas também mostra que eles tinham ideais e acreditavam em coisas que eu e muita gente também acredita. É óbvio que eu não cogito matar ninguém em nome do que eu acredito. A idéia de que violência pode vir tanto da direita, quanto da esquerda, como também da polícia esta bem presente no filme. O filme também mostra as falhas no julgamento dos quatro líderes do grupo, que podiam se reunir por tempo limitado para preparar sua defesa, tiveram acesso a médicos negado e se é que eu entendi bem (assisti o filme é em alemão com legenda em sueco) tinham acesso restrito aos advogados de defesa. É óbvio que um filme de duas horas e meia não é suficiente para explicar eventos complexos que aconteceram num espaço de 10 anos. Entretanto ele serviu para despertar minha curiosidade.

Informação inútil mas engraçada: por algum motivo, o ator que faz o policial sueco na cena da invasão à embaixada alemã em Estocolmo não é alemão e falou, ou melhor, tentou falar umas três frases em sueco com um sotaque pra lá de carregado. Eu ouvi várias gargalhadas do povo em volta nessa hora.

Eu lembro que quando eu era adolescente, há bem poucos anos, eu vi o filme Vida de Solteiro (Singles) sobre um grupo de jovens em Seattle. Naquela época, anos 90, o grunge era mais ou menos o que emo é hoje. Isto é, como mais foco na música e menos foco no visual. Bandas como Pearl Jam (que eu amo até hoje) Soundgarden e Nirvana estavam no auge e todo mundo, meninas e meninos, andava com umas camisas xadrezas extra grandes.

Eu estava pensando no filme, porque lembro que a personagem da Bridget Fonda, Janet Livermore disse uma coisa que eu nunca esqueci. Ela estava completando 25 anos e falou mais ou menos o seguinte: “Quando eu tinha 12 anos eu pensava que aos 25 ia estar casada com 2 filhos e nós andariamos em discos voadores”. Claro que a vida tomou rumos bem diferentes do que ela imaginava.

Ontem eu tive um momento Janet Livermore e fiquei refletindo sobre como eu imaginava que seria a minha vida quando eu atingisse a avançada idade de 29 anos. Em primeiro lugar eu achei que seria solteira por muito tempo, eu contava com morar sozinha até os 35, 36 anos. Confesso que isso foi um pouco influência do SATC. E, no entanto, aqui estou eu, 5 anos e meio de namoro e quase 2 de casamento sem papéis.

Eu achava que depois da faculdade eu fosse morar em Porto Alegre, mesmo quando eu morava em Londres, nos primeiros meses, eu fazia planos para voltar para Porto Alegre. Eu nunca pensei em morar para sempre fora do Brasil, lembro que uma vez eu e a Camila, minha amiga, estávamos filosofando sobre a vida e eu perguntei para ela se ela moraria para sempre em Londres. Ela disse que se tivesse um emprego legal (não de garçonete que era nosso emprego na época), ela ficaria uns cinco anos. Eu concordei, achava que cinco anos era um tempo legal para ter experiência e voltar para o Brasil. Eu morei em Londres cinco anos, mas não voltei para o Brasil.

Mas teve uma coisa que aconteceu como eu imaginava: eu nunca pensei que fosse ter filhos antes dos 30 anos. E sei que isso é impossível porque saio da casa dos 20 mês que vem.

6 coisas que amo

A Ermã me passou uma tarefa de escrever sobre 6 coisas que amo e ainda afirmou que eu a obedeço porque ela é maior, coitada…

Aqui vão as coisas

Ler Eu adoro começar um livro novo, passar uma tarde lendo, ler no ônibus, no trem. Gosto de livros de ficção e não-ficção e até mesmo alguns meio trash.

Estudar Além de aprender e descobrir eu gosto do ambiente da universidade e espero permanecer nele por um bom tempo.

Viajar Conhecer novos lugares, pisar num país ou cidade pela primeira vez, usar dinheiro diferente, escutar uma lingua diferente, comer coisas diferentes.

Cuidar da minha casa Gosto de encontrar coisas diferentes, em lojas de segunda-mão, liquidações, combinar coisas e receber amigos.

Passar tempo com as pessoas que gosto Eu passo boa parte do meu tempo com pessoas com as quais eu não escolho estar, então, meu no meu tempo livre gosto de passar tempo com pessoas que são especiais para mim.

Cozinhar é o mais perto de gostar de química que eu consigo chegar. Misturar coisas, ver massa se transformar em bolo, pão crescer, coisas mudarem de cor e sabor é muito divertido, principalmente quando estou cercada de gente legal.

Bom meu povo, eu não tenho poder de influenciar seis habitantes dessa blogosfera, mas eu posso subornar a Ju com sorvete de limão.

As regras são as seguintes

As regras que os convidados devem seguir sao simples:

1. indicar os links de quem os convidou
2. escrever o regulamento no proprio blog
3. citar os 6 objetos do jogo
4. envolver outras seis pessoas
5. comunicar aos proximos 6 sortudos a nomination

Cadê?

Aqui na Suécia as coisas funcionam, em geral, de maneira organizada. Eu ouço buzinas pouquíssimas vezes. A lavanderia do prédio funciona bem, todo mundo marca sua hora, lava sua roupa e deixa o local livre e limpo para o próximo.

Eu disse no geral, porque no particular as coisas de vez em quando complicam. Eu estava reunindo meus documentos escolares para me inscrever para um curso. Eis que percebo que falta 1 página na tradução de uns dos meus históricos escolares. Daí eu pensei cá com meus botões, quando a mesma coisa aconteceu em Londres, eu fui na secretaria da faculdade e pedi para tirar uma cópia, pois eles tinham todos os meus documentos que foram enviados quando eu me candidatei para o mestrado. Eles ainda carimbaram as cópias e deram uma declaração dizendo que eles tinham os originais e que aquela era uma cópia legítima. Mais ou menos como uma autenticação.

Seguindo o mesmo raciocínio, mandei um email perguntando se eu podia tirar uma cópia dos meus documentos para a coordenadora do meu curso, que sugeriu que eu falasse com a secretaria, o que eu imediatamente fiz. Hoje a secretária do curso me escreve dizendo que falou com a ex-coordenadora do curso que por sua vez disse que se eu tenho pressa talvez seja melhor conseguir o documento de outra forma.

Agora a pergunta é, o que eles fizeram com meus documentos? Porque se era por uma questão de espaço, eles poderiam ter me devolvido depois de terem constatado que eu preenchia os requisitos para o curso.

Será que é mal das faculdades de comunicação? Porque os outros departamentos com quais eu tenho contato na Universidade de Estocolmo parecem ser bem organizados e em Londres eu estudei no departamento de Sociologia.

Agora eu estou pensando em quais serão as consequências de enviar meus documentos com uma página da tradução de um histórico faltando….

Bem feito para mim, se tivesse cuidado melhor dos meus papéis…

Na sala-de-aula com Paola

Uma das coisas que as pessoas mais digitam antes de vir parar nesse blog é:

Como se comportar na sala-de-aula

Então eu resolvi dar uma ajuda àqueles que têm dúvidas sobre como se comportar nos bancos escolares.

Lá vai, leia com ateção.

- Seja pontual e se chegar atrasado não entre na sala como um carro alegórico da Mangueira, seja discreto.

- Desligue o celular ou pelo menos deixe no silencioso.

- Quando o professor fala, os alunos ESCUTAM (ou pelo menos calam a boca). Se você não gosta do professor ou acha o assunto chato, saia da aula, vá tomar um café mas NÃO comece a conversar com os colegas nas proximidades. Caso não possa ou não queira sair da sala leia um livro, leia a Caras ou faça qualquer atividade silenciosa. Outras pessoas podem estar aproveitando a aula.

Esse é o básico do básico, achei que mais gente soubesse disso, mas pelo jeito não sabem.

Próxima Página »


Porto Alegre Click for Porto Alegre, Brazil Forecast Estocolmo Click for Stockholm, Sweden Forecast

Atenção

Eu moro na Suécia mas não sou agência de turismo, intercâmbio nem trabalho no consulado brasileiro, então não me peça informações sobre morar aqui, aprender a língua, estudar, etc, para essas coisas existe o Google e foi googlando que eu achei 99% das informações que precisava para morar aqui. Na página de links tem vários sites com informações úteis sobre morar na Suécia e Inglaterra.

 

Novembro 2009
S T Q Q S S D
« Out    
 1
2345678
9101112131415
16171819202122
23242526272829
30  

Blog Stats

  • 57,463 hits