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Eu estou fazendo esse curso de redação acadêmica que não é um curso para estrangeir@s, na minha turma, de estrangeiras, somos eu e uma menina alemã. Até agora tive duas aulas, a professora é muito atenciosa e competente e o pessoal bem interessado. Por ser um curso noturno tem bastante gente mais velha que já trabalha há tempo. Os alunos são de todas áreas química, engenharia mecânica, serviço social, ciências políticas e por aí vai.
Na semana passada teve aquele negócio de se apresentar e a professora pediu que falássemos sobre a nossa experiência em escrever textos acadêmicos.
Daí chegou a vez dessa aluna falar, uma senhora de uns 60 anos.
- Meu nome é Kerstin, eu estudei Teoria Literária, Pedagogia e Francês e espero que esse curso vá me ajudar no meu projeto …
Professora: Legal, qual é seu projeto?
- É o projeto em que eu estou trabalhando
Professora: Que consiste em…
- Em um grande projeto que eu estou envolvida no momento.
Daí a professora deixou por isso mesmo né. Ficamos no aguardo das manchetes nos principais jornais, canais de TV e estações de rádio.
Como não ser feliz na sua vida de expatriad@
Publicado 9 09UTC Setembro 09UTC 2009 Assuntos aleatórios , Pensando e existindo 23 ComentáriosHá quase oito anos fora do Brasil, eu sempre ouço gente dizendo que nunca mais quer voltar a morar lá, ou gente dizendo que no Brasil tudo é maravilhoso, o sol, o mar, o futebol, o samba… Muita gente que quer sair do Brasil e pensa se a vida lá fora vai dar certo ou não. Então eu sempre me pego em análises pseudo-sócio-antropológicas de quais os fatores que fazem com que sejamos felizes e satisfeitos com nossa vida fora da pátria amada. Eu consegui elencar já alguns fatores, mas veja bem, essa é apenas a minha opinião. A sua pode ser diferente. Muitos desses erros eu já cometi, por isso achei por bem avisar.
1. Reclame de onde você está. Muito. Ache defeitos em tudo, tenha uma visão assim bem p&b, simplista e reducionista das coisas. Aqui não dá para ter empregada, ir na manicure, cabeleireiro, massagista então é ruim. Não ter carro então… Quem um dia disse que isso era o primeiro mundo errou feio.
2. Concentre-se no #1, mas não esqueça de explicar, salientar, fazer com que todos entendam que NO BRASIL TUDO É MELHOR. O sistema de saúde é maravilhoso, as escolas e faculdades todas ótimas racismo, que isso? Xenofobia? Xeno o que mesmo…? Esqueca o grande esquema das coisas. Ele não existe
3. Irrite-se com todo e qualquer estrangeiro que mostrar desconhecimento sobre o Brasil (desconhecimento e preconceito são coisas diferentes) afinal de contas nos sabemos muito bem quem é o presidente da Polônia, que língua se fala na Indía, sem falar na geografia da China e da Rússia, mesmo esses sendo países sem a mínima importância no cenário mundial.
4. Se você tem um-a parceir@ nativ@ do país onde está morando, deixe que ele-a resolva todos os seus problemas, não se meta.
5. Se você não fala a língua do país onde está, não se esforce muito em aprender.
6. Generalize bastante quanto aos nativ@s do país onde você está. Afinal de contas, a cor do passaporte deles é a mesma, muito diferentes eles não deve ser um do outro.
7. Generalize e discrimine também outros imigrantes, pois nada melhor do que achar um grupo em situação pior do que a que estamos para nos fazer sentir melhor. Saia falando por aí dos indianos que são sujos, coloque árabes e muçulman@s tod@s no mesmo saco e saia falando que eles não sabem viver numa sociedade civilizada. Romenos… todos ciganos, que são um povo em que não podemos confiar. Outros Latino-Americanos, que elegem elegem um índio e um comunista para presidente. Se você vem do sul do Brasil, não esqueça dos nordestin@s e goian@s. Classe média? Só se misture com seus iguais.
8. No trabalho, reclame que seus colegas são preguiçosos, pois povo trabalhador é o brasileiro. Também não se misture muito com seus colegas, porque eles provavelmente bebem demais, comem comidas esquisitas e não tomam banho.
9. Não perca tempo em aprender sobre a cultura e a história do país onde você está.
10. Também não procure entender muito sobre política, legislação e afins, porque nada funciona mesmo.
Fazendo todas essas coisas tenho certeza de que você terá uma péssima experiência em qualquer país e poderá voltar ao Brasil onde você vai, com certeza, reclamar que nada funciona e que bom mesmo é na Europa/Estados Unidos/Austrália/Japão. A não ser que você tenha morado na África, outros países da América Latina e mais uns tantos países considerados piores que o Brasil. Daí você vai voltar dizendo que o Brasil é mais ou menos como uma Europa abaixo da linha do Equador.
A Saab tem revelado (bom, pelo menos para mim) artistas suec@s muito talentos@s em seus comerciais, primeiro foi a banda Oh Laura! com a música Release me e agora Asha Ali com The time is now.

Esse é o Oscar, um dos gatinhos que esperam por um dono no abrigo para gatos Solglängtan em Estocolmo. Clique na imagem para ver outros gatinhos, é tanta fofura que me dá vontade de chorar!
Nos comentários desse post eu, a Lola, a Ju e a Marina discutimos sobre gatinhos abandonados em Estocolmo. A Lola perguntou se tem bastante, eu disse que não vejo tantos como via no Brasil (eu adotava uns dois por mes achados na minha rua, para o desespero dos meus pais) mas a Ju e a Marina disseram que tem muitos gatinhos abandonados por aqui.
Bom, hoje saiu uma matéria no jornal dizendo que os abrigos para gatos de Estocolmo estão superlotados. A responsável por dois abrigos disse que a situação é catastrófica nos abrigos em Estocolmo porque todos os dias alguém liga dizendo que achou um gatinho no lixo. Uma das explicações para o abandono dos felinos é que agora nas férias as pessoas vão viajar e não sabem o que fazer com seus gatos daí decidem jogá-los fora, assim como se eles fossem um rádio que não funciona mais. Um gatinho novo que é abandonado não sobrevive por muito tempo porque não tem o sistema imunológico desenvolvido e também porque pode se tornar presa de outros animais que povoam as florestas em Estocolmo, segundo a matéria.
Nos abrigos um gatinho custa 900 coroas, cerca de 230 reais e já vem vacinado e castrado. Bem que eu podia ajudar a resolver o problema dos abrigos!
Amigos e memórias
Publicado 21 21UTC Julho 21UTC 2009 Assuntos aleatórios , Pensando e existindo 3 ComentáriosHá um
as semanas eu terminei de ler Man Walks into a Room (ainda sem tradução para português) da escritora americana Nicole Krauss* que também escreveu A História do Amor. Man Walks into a Room foi o primeiro romance escrito pela então poeta mas só foi publicado agora provavelmente porque a editora resolveu capitalizar depois do sucesso de A História do Amor. O livro conta a história de Samson Greene um professor de Literatura Inglesa em Nova Iorque que é encontrado vagando pelo deserto de Nevada sem ter a mínima idéia de quem é. Depois de ser socorrido, Samson é levado para um hospital onde descobre ter perdido a memória de sua vida a partir dos 12 anos, ele tem 36. Ele volta para seu apartamento em Nova Iorque na companhia da esposa com quem viveu os últimos 10 anos sem saber quem ela é. Colegas da universidade, alun@s, amig@s e a esposa se tornam estranhos de uma hora para outra. Samson se vê no meio do grande problema que encontrar sentido num vácuo de 24 anos e achar uma ligação entre a criança que ele lembra ter sido e o adulto que ele é hoje.
Uma das críticas que eu li sobre Man Walks into a Room fala que o livro discute a questão de que nós não
somos muito mais do que um acumulado de nossas memórias. Anna, mulher de Samson, reluta em aceitar um homem com quem ela não divide mais o passado, que não lembra nem dela nem do primeiro encontro, do casamento ou da lua-de-mel passada no Brasil. E Samson reluta em encontrar pessoas que o conheciam antes do acidente talvez porque ele ache que sem suas memórias não é mais a mesma pessoa que os amigos e colegas conheceram.
Mudar de cidade, estado, país também é perder um pouco de memória. Mudar de país duas vezes já adulta me obrigou a estabelecer novas relações com pessoas que não me conheceram quando eu tinha oito anos e colecionava borrachas cheirosas, quando eu tinha 12 anos e queria ser uma pianista famosa e montei com meu vizinho uma biblioteca no porão da minha casa ou quando eu tinha 20 anos, tomava chimarrão na sacada do apartamento da 24 Horas em Santa Maria, comia morte-lenta (cachorro-quente de 1 real) na saída das festas e meus sonhos não iam além, geograficamente falando, de um emprego em Porto Alegre. Eu ainda encontro amig@s desse tempo, mas bem esporadicamente, quando vou ao Brasil ou quando alguém vem para a Europa, mas não é a mesma coisa do que estar a um telefonema de distância.
Claro que é bom encontrar gente legal e fazer novos amigos em qualquer fase da vida, se bem que vai ficando mais difícil com o tempo porque ficamos mais exigentes e porque trabalho, família e outras coisas da vida adulta vão tomando o tempo tão necessário para que as amizades sejam cultivadas. Mas também é bom ter gente com quem dividimos memórias, pessoas que sabem por onde passamos para chegarmos no que somos hoje, porque qualquer memória morre aos poucos se não é dividida.
* Informação sem muita utilidade mas não de todo desinteressante: Nicole é casada com Jonathan Safran Foer autor de Extremamente Alto e Incrivelmente Perto e Tudo se Ilumina.
Ontem recebi um comentário de uma moça que disse ter lido meu blog e depois de dois ou três posts ter percebido que eu sou arrogante e que isso é muito triste. Depois de desistir da idéia de me atirar pela sacada para assim livrar o mundo e eu mesma da tristeza que eu causo comecei a refletir sobre algumas coisas, na verdade duas, que me intrigaram sobremaneira.
A primeira é como alguém depois de ler dois ou três posts (sic.) consegue fazer uma afirmação tão categórica sobre a minha pessoa. Tem alguns blogs que eu sigo há tempo (meses e, em alguns casos anos) e não posso dizer que “conheço” @s don@s dos blogs dessa forma. Posso fazer algumas afirmações sobre suas idéias e posições, mas não sei se são arrogantes, humildes, simpáticos ou antipáticos. Primeiro porque eu acho que para ter esse tipo de opinião sobre alguém é preciso conhecer a pessoa no sentido real e não virtual da palavra – bater um papo de vez enquanto, conviver, trabalhar junto, discutir. Segundo porque eu acho que não dá para simplificar a ponto de dizer que uma pessoa é simpática, antipática, inteligente, burra, etc pois nós seres human@s somos muito mais complex@s do que isso. Em alguns momentos posso ter sido arrogante, noutros posso ter sido tímida e em outros mais extrovertida e por ai vai.
A segunda coisa que me intriga é o fato de a pessoa (que não me conhece, nunca me viu, nunca falou comigo), após ter feito esse julgamento categórico da minha personalidade baseado na leitura de dois ou três posts no meu blog ter se sentido no dever de me informar a sua opinião. Para mim é como eu chegar para, sei lá, um(a) colega distante de trabalho que eu vi umas duas vezes lascar: depois daquela reunião e daquela festa da firma em que nos encontramos to pra te dizer que tu é muito chata. Alguém faz isso na vida real? Eu não. Será que a moça que me escreveu faria? Arrisco a dizer que não. Porque a anonimidade da internet dá a muitos coragem para ofender estranhos. Eu vou confessar que leio algus blogs de pessoas com quem eu, num sentido muito virtual da coisa, não simpatizo. Acho que não to sozinha nessa, muita gente deve fazer o mesmo. Mas, diferente da moça em questão, eu não me sinto nem um pouco compelida a escrever para @s blogueir@s expressando minha opinião. Por dois motivos: 1) pra que cansar meus dedinhos, que benefício terei fazendo isso? e 2) como já falei, na maioria dos casos, EU NÃO CONHEÇO @ don@ do blog pessoalmente e tenho consciência de que o que uma pessoa escreve no blog revela apenas uma parcela ínfima de sua vida, caráter e identidade. Vai que um dia eu conheço pessoalmente um(a) don@ de blog com quem eu supostamente não simpatizo e ela(e) é completamente diferente do que eu imaginava? Todo mundo faz julgamentos errados e eu não sou exceção.
Pra terminar eu gostaria de deixar bem claro para vocês, caros 10 leitores, que podem se sentir à vontade para discordar do que eu escrevo e ter opiniões diferentes e escrevê-las no blog, os comentários serão sempre publicados. Eu sei que eu não sou a dona da verdade. Agora, quem não me conhece e quiser me insultar, poupe a energia de seus dedinhos e guarde suas observações perspicazes e julgamentos para as pessoas do seu círculo social REAL
Caso os meus 10 leitores estejam se perguntando eu terminei meu mestrado, sexta-feira foi a minha defesa, que aqui na Suécia é um pouco diferente do Brasil. Em sueco na verdade não se chama defesa mas sim disputa (disputation) e foi o seguinte, uma colega minha leu meu artigo (também podemos escolher se queremos escrever uma dissertação ou um artigo + um relatório de pesquisa, que foi o que eu escolhi) e criticou, eu respondi e uma professora resumiu nossa discussão e fez mais críticas ao meu trabalho. Para quem está acostumado com o esquema do Brasil de apresentar um trabalho, responder umas perguntinhas e receber uns elogios, a coisa aqui parece bem mais hardcore. No sistema escolar sueco é muito importante que aprendamos a criticar construtivamente, o papel do oponente (quem discute o artigo, dissertação ou tese) não é de achar defeitos, mas de fazer comentários que ajudem o autor do trabalho a melhorá-lo. Eu fiquei satisfeita com a minha defesa, recebi várias sugestões muito boas tanto da minha colega como da professora que “presidiu” a defesa. Já a minha orientadora achou que eles criticaram demais, foi até um pouco estranho ver a minha orientadora e a minha examinadora, que já trabalham juntas há quase 20 anos, discutindo por causa do meu artigo. Mas o importante é que o mestrado II é uma página virada da minha vida.
O mês de maio foi um pouco estressante porque precisei dar o último gás na minha dissertação e tive as últimas provas do meu curso de sueco . Além disso tivemos várias visitas se hospedando aqui na nossa pousada casa. Falando em visitas, eu li várias vezes em comunidades do Orkut de brasileiros morando no exterior sobre a falta de simancol de gente que se convida para ficar na casa, amigos que reaparecem direto do túnel do tempo apenas para arrumar uma hospedagem fora do Brasil e coisas do tipo. Muitas histórias cabeludas de gente que abusou da hospitalidade alheia no exterior. Eu sou obrigada a admitir que isso nunca me aconteceu quando eu morava em Londres muito pouca gente foi me visitar porque eu sempre aluguei quartos então não tinha como mesmo e aqui na Suécia todas as pessoas que nos visitaram até agora foram amigos muito queridos. Nós temos um apartamento relativamente grande e gostamos de receber visitas, com os amigos não-brasileiros ou brasileiros morando no exterior eu não preciso me preocupar; os primeiros porque não gostam de abusar da hospitalidade (precisei de 2 anos para convencer meu ex-colega de trabalho inglês a vir me visitar porque ele não queria “invadir”) e os segundos porque conhecem bem a situação em que vivemos fora do Brasil e que ninguém tá podendo dar uma de hotel fazenda. Já no Brasil, depois de quase 8 anos morando fora, eu só mantenho contatos com pessoas que realmente significam muito para mim, essas pessoas estão permanentemente convidadas para me visitar e como eu escolho muito bem minhas amizades, elas tem simancol. Hoje, por exemplo, chega mais uma visita, a minha irmã que está morando em Londres. Como ela tem o paladar de uma criança de 10 anos, já me avisou que não quer comer peixe nem “coisas estranhas”, então eu tô aqui pensando em coisas “não estranhas” para ela comer.
Helsinki
Em maio nós também demos um pulinho em Helsinki, um amigo meu estaria lá E eu gahei um super desconto para o cruzeiro Estocolmo-Helsinki. Ficamos lá apenas um dia então não deu para ver muita coisa, considerando que o dia foi uma segunda-feira deu para ver menos ainda porque em várias cidades os museus fecham na segunda. Gostaria muito de ter visto o estúdio do Alvar Aalto por exemplo. Mas deu para passear um pouco pelas ruas da cidade, ver a igreja branca e ir no café Fazer, que é uma marca de chocolates finlandeses bem famosa e visitar o pequeno mas super charmoso Mercado Público. A cidade não é tão antiga como Estocolmo e é inacreditavelmente limpa, eu não vi um papel ou um toco de cigarro no chão. Mas definitivamente, enquanto o Euro estiver subindo meteoricamente é melhor visitar o leste europeu.
Estudos
O fim do mestrado não significou o fim da minha vida de estudante, como estudar não só é de graça como eu recebo para estudar, resolvi me matricular em alguns cursos de verão, para dar uma calibrada no currículo e treinar o sueco. Dois dos cursos são em sueco: Gerenciamento de Projetos e Etnia, diversidade e integração e um deles é em inglês: Guerra, Mídia e Cultura. O curso de gerenciamento de projetos e à distância e um pouco chatinho, preciso admitir mas ao mesmo tempo muito importante para o currículo. Os outros dois cursos são presenciais e muito interessantes então acho que vai ser um verão bem produtivo.
A censura que nós não conhecemos
Publicado 8 08UTC Abril 08UTC 2009 Assuntos aleatórios , Pensando e existindo 8 Comentários
Uma das minhas colegas no mestrado está fazendo uma pesquisa super interessante sobre um fenômeno chamado Blue Jacking (de highjacking ou hijacking – que significa tomar controle) que vem acontecendo no Irã. O que acontece é que o Irã é governado por um ditador muçulmano e a imprensa do país sofre uma censura bem pesada. Não dá para criticar a religião nem o governo, as mulheres são bastante oprimidas e, obviamente, não dá para sair googlando qualquer coisa porque as buscas na internet são controladas. Mas é óbvio que como jeitinho não existe apenasmente no Brasil, os iranianos também encontram uma saída para a censura: mensagens por bluetooth. Como essas mensagens não podem ser rastreadas eles aproveitam para mandar de tudo para familiares e amigos, desde cenas de filme (uma das minhas colegas iranianas falou que demonstrações de afeto são proibidas na TV) até piadas e notícias. Segundo a minha colega é normal receber cerca de 100 mensagens por dia. Então ela está explorando essa mundo meio que underground e como as pessoas – principalmente jovens – lidam com esse fenômeno.
Isso me faz pensar nas coisas que nós, no nosso mundo ocidental, temos e não damos o mínimo valor. Eu posso escrever criticando o
governo brasileiro no meu blog, muita gente pode ler e ninguém vai para a cadeia por isso. Eu posso seguir a religião que eu quiser, ou não seguir nenhuma. Se eu quiser googlar homem fazendo sexo com uma camela (não que eu me interesse em fazê-lo) eu posso e não duvido de que venham resultados. Mas eu não vou tentar. Foi apenas um exemplo, uma hipótese.
Para mim a idéia de não poder escolher em que acreditar, não poder falar o que eu quero, não poder criticar aquilo que acho que está errado, não ter acesso às informações que eu procuro é completamente alien. Eu não sei o que faria se estivesse numa situação dessas.
Mas o melhor (ou pior) vem agora, minha colega se inscreveu numa conferência na Polônia sobre Oriende Médio, mídia e democracia, ou algo do tipo. O trabalho dela foi aceito, ela mandou o resumo e está tudo pronto para ela ir. Mas eis que ela resolve olhar a lista de participantes iranianos e vê que o nome de altos-oficiais do governo. Pânico. Hoje ela estava sem saber o que fazer, porque ela quer poder voltar ao país sem correr perigo de ser sequestrada presa no aeroporto e desaparecer. Ela disse que o governo está de olho em estudantes iranianos em outros países, para saber se o que eles andam pesquisando e escrevendo representa alguma ameaça à “soberania nacional”. Outra coisa que para mim é completamente natural, poder apresentar minha pesquisa – que é sobre comunicação política, in case you wonder – em conferências sem me preocupar se vai ter alguém lá para me acusar de estar traindo a nação.
Por outro lado eu não cesso de me surpreender com a habilidade que o ser humano tem de driblar situações adversas e encontrar saídas. Não dá para escrever no jornal, não dá para mandar email, a TV não mostra o que a gente quer ver? Bluetooth neles!
Atualização: Falei com a minha colega essa semana, ela disse que conversou com os organizadores do evento que disseram para ela que o pessoal do Irã eram apenas pesquisadores, que não tinha ninguém do governo mas que não tinha nenhum problema se ela quisesse mudar o tema da aprensantação. Então ela disse que mudou para uma coisa mais neutra, acho que ela vai dar uma receita de bolo de cenoura ou algo do tipo.
Aqui também tem índio – ou melhor, habitantes nativos
Publicado 8 08UTC Fevereiro 08UTC 2009 Assuntos aleatórios 1 Comentário
Sexta-feira, dia 06 foi o Dia Nacional dos Samis, o povo que habita a região que muitos de nós chamamos de Lapônia mas que para eles se chama Sàpmi e fica numa área que abrange o norte da Noruega, Suécia, Finlândia e um pedacinho da Rússia. A data comemora o primeiro congresso Sami, realizado em Trondheim na Noruega em 1917. Nesse congresso Samis da Noruega e Suécia se encontraram pela primeira vez para discutir seus problemas.Segundo a Wikipédia os Sami são os indígenas aqui da área, o que eu acho que significa que eles chegaram aqui no pedaço antes mesmo dos vikings, há mais de 2500 anos. Aqui muita gente os chama de Lapp, ou lapão, que tem um sentido pejorativo porque lapp nas línguas escadinavas significa trapo e reza a lenda que os Sami eram chamados assim por causa de suas roupas típicas.
Durante muito tempo os Sami viveram de atividades rurais como pesca e pastoreio (de renas) e também artesanato. Como precisavam se adaptar ao clima Ártico os Sami eram um povo nômade. Hoje em é apenas uma minoria que vive da criação de renas, apenas 2,800 de um total de 135 mil. A criação de rena é uma atividade que permitida somente a Samis. Hoje em dia a maioria dos Samis vive uma vida moderna como a minha e a sua. O maior número de Samis vive na Noruega – de 60 a 100 mil e o segundo maior na Suécia 15 a 25 mil; em seguida vem a Finlândia e a Rússia, com 6 e 2 mil respectivamente.

Os Sami sempre se consideraram uma nação, mas a idéia de território Sami (Sàpmi) surgiu na década de 70 para indicar a região que pode ser culturalmente ligada ao povo Sami. Eles também possuem representantes na Noruega, Suécia e Finlândia – os Parlamentos Sami de cada país. Há ainda um órgão cooperativo dos Samis desses três países – o conselho Sami, que tem o objetivo de defender os interesses do povo Sami internacionalmente. Isso inclui a preservação de sua cultura, tradições e identidade.

Feira de Jokkmokk
Atualmente há algumas feiras Sami no norte da Suécia, a mais famosa é a de Jokkmokk onde dá para comprar artesanato e comidas típicas.
Não existe uma língua Sami, mas sim nove dialetos falados nas regiões onde os Sami vivem, dois dialetos (Kemi Sami e Akkala Sami) foram extintos. A TV e a Rádio Sueca ( SVT e SR) apresentam programas em Sami, não sei qual dos dialetos. Na universidade de Oulu, na Finlândia é possível fazer uma graduação em Sàmi.
Aqui em Estocolmo, a data esta sendo comemorada com várias atividades no Skansen, o parque mais famoso de Estocolmo, incluindo concertos de jojk (música folclórica Sami) e jazz Sami, além de uma feira com produtos típicos.
Um jornal aqui publicou algumas regras de etiqueta quando se fala com Samis, uma delas é que não da para chegar perguntando: Aí seu lapão, quantas rena tu tem? Isso é completamente no-no, primeiro porque eles não se chamam lapões, segundo porque muito poucos criam renas hoje em dia. Da mesma forma como nós não gostamos quando estrangeiros nos perguntam se no Brasil existe água encanada, não é mesmo. (Ainda que em alguns lugares não exista, mas isso a gente não gosta de contar). Outra coisa é que não se sai chamando as pessoas de metade-lapão, um quarto-lapão ou quaquer que seja a fração, por motivos bem óbvios e explicados anteriormente. Assim como a gente não gosta de ser chamado de cabeça preta (svartskalle) aqui na Suécia.
Acabei de preencher o formulário para prolongar minha permissão de residência na Suécia e uma pergunta me fez refletir:
Descreva as mudanças que aconteceram desde seu último pedido de visto e fale sobre seus planos para o futuro
Minha resposta:
- Mudamos de Örebro para Estocolmo em maio/2007
- Mudamos de Farsta (em Estocolmo) para Hagsätra, outra area de Estocolmo em maio/2008.
Planos para o futuro:
- Pintar o hall
- Viajar para algum lugar na Páscoa
- Viajar para o Brasil em Janeiro de 2010
- Ter um gato
Será que eles queriam que eu respondesse algo do tipo receber o Prêmio Nobel da Paz ou ser primeira-ministra?
Bom, mas pelo menos eu não to planejando explodir nada não é mesmo, menos uma para eles se preocuparem.
Borta bra – hemma bäst
Publicado 11 11UTC Janeiro 11UTC 2009 Assuntos aleatórios Deixar um ComentárioIsso quer dizer mais ou menos: viajar é bom mas estar em casa é melhor. É mais ou menos como nos sentimos, já estávamos com saudade da nossa casa, nossa cama e de uma cidade onde nós sabemos onde as coisas ficam. A viagem foi ótima, vou escrever mais durante a semana, mas é ótimo voltar para casa, mesmo ela estando meio bagunçadinha.
Amanhã tenho aula e quarta-feira tenho prova de sueco oral além disso preciso entrar em contato com a minha orientadora que teoricamente só começa a trabalhar na faculdade em março.
Eu lembro que quando eu era adolescente, há bem poucos anos, eu vi o filme Vida de Solteiro (Singles) sobre um grupo de jovens em Seattle. Naquela época, anos 90, o grunge era mais ou menos o que emo é hoje. Isto é, como mais foco na música e menos foco no visual. Bandas como Pearl Jam (que eu amo até hoje) Soundgarden e Nirvana estavam no auge e todo mundo, meninas e meninos, andava com umas camisas xadrezas extra grandes.
Eu estava pensando no filme, porque lembro que a personagem da Bridget Fonda, Janet Livermore disse uma coisa que eu nunca esqueci. Ela estava completando 25 anos e falou mais ou menos o seguinte: “Quando eu tinha 12 anos eu pensava que aos 25 ia estar casada com 2 filhos e nós andariamos em discos voadores”. Claro que a vida tomou rumos bem diferentes do que ela imaginava.
Ontem eu tive um momento Janet Livermore e fiquei refletindo sobre como eu imaginava que seria a minha vida quando eu atingisse a avançada idade de 29 anos. Em primeiro lugar eu achei que seria solteira por muito tempo, eu contava com morar sozinha até os 35, 36 anos. Confesso que isso foi um pouco influência do SATC. E, no entanto, aqui estou eu, 5 anos e meio de namoro e quase 2 de casamento sem papéis.
Eu achava que depois da faculdade eu fosse morar em Porto Alegre, mesmo quando eu morava em Londres, nos primeiros meses, eu fazia planos para voltar para Porto Alegre. Eu nunca pensei em morar para sempre fora do Brasil, lembro que uma vez eu e a Camila, minha amiga, estávamos filosofando sobre a vida e eu perguntei para ela se ela moraria para sempre em Londres. Ela disse que se tivesse um emprego legal (não de garçonete que era nosso emprego na época), ela ficaria uns cinco anos. Eu concordei, achava que cinco anos era um tempo legal para ter experiência e voltar para o Brasil. Eu morei em Londres cinco anos, mas não voltei para o Brasil.
Mas teve uma coisa que aconteceu como eu imaginava: eu nunca pensei que fosse ter filhos antes dos 30 anos. E sei que isso é impossível porque saio da casa dos 20 mês que vem.
A Ermã me passou uma tarefa de escrever sobre 6 coisas que amo e ainda afirmou que eu a obedeço porque ela é maior, coitada…
Aqui vão as coisas
Ler Eu adoro começar um livro novo, passar uma tarde lendo, ler no ônibus, no trem. Gosto de livros de ficção e não-ficção e até mesmo alguns meio trash.
Estudar Além de aprender e descobrir eu gosto do ambiente da universidade e espero permanecer nele por um bom tempo.
Viajar Conhecer novos lugares, pisar num país ou cidade pela primeira vez, usar dinheiro diferente, escutar uma lingua diferente, comer coisas diferentes.
Cuidar da minha casa Gosto de encontrar coisas diferentes, em lojas de segunda-mão, liquidações, combinar coisas e receber amigos.
Passar tempo com as pessoas que gosto Eu passo boa parte do meu tempo com pessoas com as quais eu não escolho estar, então, meu no meu tempo livre gosto de passar tempo com pessoas que são especiais para mim.
Cozinhar é o mais perto de gostar de química que eu consigo chegar. Misturar coisas, ver massa se transformar em bolo, pão crescer, coisas mudarem de cor e sabor é muito divertido, principalmente quando estou cercada de gente legal.
Bom meu povo, eu não tenho poder de influenciar seis habitantes dessa blogosfera, mas eu posso subornar a Ju com sorvete de limão.
As regras são as seguintes
As regras que os convidados devem seguir sao simples:
1. indicar os links de quem os convidou
2. escrever o regulamento no proprio blog
3. citar os 6 objetos do jogo
4. envolver outras seis pessoas
5. comunicar aos proximos 6 sortudos a nomination
Uma das coisas que as pessoas mais digitam antes de vir parar nesse blog é:
Como se comportar na sala-de-aula
Então eu resolvi dar uma ajuda àqueles que têm dúvidas sobre como se comportar nos bancos escolares.
Lá vai, leia com ateção.
- Seja pontual e se chegar atrasado não entre na sala como um carro alegórico da Mangueira, seja discreto.
- Desligue o celular ou pelo menos deixe no silencioso.
- Quando o professor fala, os alunos ESCUTAM (ou pelo menos calam a boca). Se você não gosta do professor ou acha o assunto chato, saia da aula, vá tomar um café mas NÃO comece a conversar com os colegas nas proximidades. Caso não possa ou não queira sair da sala leia um livro, leia a Caras ou faça qualquer atividade silenciosa. Outras pessoas podem estar aproveitando a aula.
Esse é o básico do básico, achei que mais gente soubesse disso, mas pelo jeito não sabem.


















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