Arquivo para a categoria 'Ativismo'

Europride em Estocolmo

Obs.: Depois volto para contar como foi

Assim com fiz ano passado, esse ano fui ver a parada gay em Estocolmo. Esse ano a cidade sediou o Europride, que reuniu grupos de luga pelos direitos GLBT de toda a Europa. Aqui em Estocolmo mais de 45 mil pessoas desfilaram e mais de 450 mil assistiram, o que fez dessa a maior parada gay da história. Com um detalhe, embaixo de uma chuva muito chata.

O que mais me impressiona é o publico completamente variado: jovens, velhos, famílias com crianças, turistas, tem de tudo. Cá para nós, se eu tivesse filhos preferiria leva-los na parada gay a leva-los no Carnaval. A minha única preocupação é o que acontece DEPOIS da festa, se o apoio e a visibilidade se traduzem em respeito e melhores condições no trabalho, educação e na sociedade em geral.

If you broke it, you shouldn’t be allowed to fix it

Terça-feira, dia 3 foi um dia que eu nunca vou esquecer: eu tive a oportunidade de escutar Naomi Klein ao vivo no Södra Teatern aqui em Estocolmo. Eu sou fã dela desde No Logo e agora depois de ler The Shock Doctrine minha admiração pela escritora canadense aumentou. The Shock Doctrine (A Doutrina do Choque) é um livro de quase 600 páginas que fala sobre algo que ela chama de “disaster capitalism” ou seja como governantes (os Republicanos nos Estados Unidos) se aproveitam disastres - naturais ou provocados - para empurrar leis de privatização e desregulamentação. No livro ela cita vários exemplos de quando isso aconteceu: golpes de estado nos anos 60-70 na América Latina, Rússia depois do fim da União Soviética, Sri Lanka depois do Tsunami, New Orleans depois do furacão Katrina e por último o Iraque. A idéia dela quando começou a escrever o livro era falar sobre a indústria de reconstrução e segurança que vem lucrando com a reconstrução do Iraque. Entretanto, na palestra Naomi contou que quando estava na Argentina em 2003 ela participou de algumas manifestações contra a ocupação e percebeu que as Mães da Praça de Maio argumentavam que estavam fazendo com o Iraque a mesma coisa que fizeram com a Argentina nos anos 60. Foi então que ela começou a refletir sobre o assunto, perdeu muitos prazos de entrega de manuscritos e o que era para ser um livro sobre a ocupação do Iraque se transformou num tratado sobre o Capitalismo de Disastre.

Naomi falou da crescente indústria de segurança que ganha cada vez mais dinheiro protegendo países e pessoas de ameaças que muitas vezes nem sequer existem. O que essa indústria faz é criar sofisticados sistemas de proteção para os ricos e “gerenciar” os pobres com prisões, controles de fronteiras além de tratar de afastá-los fisicamente - com projetos habitacionais e planejamento urbano - de quem tem dinheiro, como aconteceu no Sri Lanka depois do Tsunami. Naquele país, o dinheiro que os europeus enviaram para ajudar as comunidades locais a se recuperarem do desastre, foi na verdade usado para afastá-los da costa e do mar, de onde tiravam seus sustento, para construir resorts ultra luxuosos.

Já no Iraque, a reconstrução depois da guerra se transformou num mega negócio onde quem ganhou foram empresas de segurança como Halliburton e Blackwater (onde um dos maiores acionistas é o vice-presidente Dick Cheney) e quem perdeu foi o povo Iraquiano.

Como disse a apresentadora da palestra -não lembro o nome dela- o The Shock Doctrine não é um livro esperançoso, mas é certamente inspirador. Segundo Naomi, a saída para evitar os tratamentos de choque planejados pelo governo americano é falar e refletir sobre o que está acontecendo a nossa volta, porque os estrategistas do capitalismo de disastre se aproveitam exatamente dos momentos em que todos estão chocados e sem entender o que está acontecendo.

Por fim, Naomi falou da idéia do débito ecológico, ou seja, que os países desenvolvidos paguem para que as reservas naturais continuem intactas, uma vez que países como Equador e Brasil também querem lucrar com petróleo e outras commodities. O que não pode acontecer é deixar que os responsáveis pelo estrago tenham a chance de arrumar a casa como aconteceu no Iraque.

O mais engraçado de tudo foi um grupo de jovens suecos arrumadinhos na porta do teatro carregando umas placas com fotos do Milton Friedman. Para mim eles pareciam umas crianças mimadas que não têm idéia do que é pobreza, desemprego e fome tentando defender seu direito de dirigir uma BMw, passar férias na Tailândia e carregar uma bolsa Gucci. Ridículo.

Dia Internacional do Trabalhador


Como todos sabem, 1° de maio é o Dia Internacional de Trabalhador, uma data que foi criada para celebrar as conquistas sociais e econômicas da classe trabalhadora. Entretanto, hoje em dia anda meio complicado falar em celebração quando muitos direitos adquiridos depois de anos de luta vão sendo perdidos pouco a pouco por conta do capitalismo desenfreado e da tão aclamada economia globalizada.
Um exemplo disso é o trabalho escravo: estima-se que hoje existam 27 milhões de pessoas trabalhando em condições análogas à escravidão pelo mundo afora, em torno de 25 mil delas no Brasil.

Eu não tenho a intenção de organizar uma super blogagem coletiva como as que a Lys, a Georgia e a Meroca organizaram nos últimos meses, principalmente porque eu vou me mudar dia 3 de maio e dia 1° eu vou blogar diretamente do meio das caixas. Além disso provavelmente eu fique sem internet nos primeiros dias depois no novo apê. Mas seria legal se um monte de gente escrevesse sobre os atuais problemas enfrentados pelos trabalhadores no Brasil, em especial o trabalho escravo.

Há muitas questões pertinentes no tocante ao trabalho escravo e direitos trabalhistas, principalmente agora com o aumento da demanda por etanol que esta gerando uma demanda por mão-de-obra escrava nos canaviais. Mas essa é apenas uma sugestão.

Para mais idéias eu sugiro esses sites

Repórter Brasil
Blog do Leonardo Sakamoto
Agência Carta Maior
Comissão Pastoral da Terra

Em inglês
Anti-Slavery International
Free the Slaves

PS: quem tiver a fim de participar, deixe um comentário que eu coloco um link para o blog de vocês.

Presença Confirmada
Lys
Laura

Analfabetismo no Brasil

Hoje eu acordei, li o jornal, fui à aula e li um livro, fui numa reunião e anotei várias coisas, agora estou escrevendo no blog. Essas são atividades diárias para mim. A palavra escrita faz parte da minha vida assim como o ar e a água . Provavelmente faz parte da sua vida também, se você esta lendo esse texto. Ler e escrever são coisas tão normais na vida de muita gente que nós não nos damos conta de que tem muita gente no Brasil que não pode ler um livro, não pode ler o jornal, não pode ler um contrato antes de assinar para se certificar de que não está sendo passado para trás.

Sem dúvida, saber ler e escrever é crucial para que sejamos cidadãos completos e hoje, no dia Nacional do Livro, a Georgia e a Meiroca estão promovendo a blogagem coletiva “O que você faz para acabar com o analfabetismo no Brasil”. E eu preciso confessar , com um tanto de vergonha, que eu não faço muita coisa! Lendo o post da Lys eu me identifiquei um pouco com a descrição dela da classe média que não se interessa muito pelo fim do analfabetismo. Não que eu critique os programas do governo como o bolsa-escola e o bolsa-familia, muito pelo contrário. Eu acho que graças a esses programas muita gente saiu da miséria completa para condições um pouco mais sobrevivíveis. O que eu quero dizer é que eu não atrapalho, mas também não ajudo.

Por outro lado, vivendo aqui na Suécia, um país com uma longa experiência de democracia participativa, eu acredito no poder do cidadão de operar mudanças na sociedade. O Brasil ainda está no ensino básico da escola da democracia. Entretanto eu tenho esperança de que com o passar do tempo nós vamos aprender a eleger, monitorar e cobrar nossos representantes.

Quando nós votamos, estamos dando ao nosso canditado o poder de nos representar. Só que eu acho que muita gente esquece de cobrar. Por que há comunidades sem escola? Por que há crianças em idade escolar trabalhando? Por que existem adultos analfabetos e como podemos alfabetiza-los e permitir que eles conciliem trabalho e estudo? A minha opinião é que antes de criticar os políticos que são corruptos, que criam programas com os quais não concordamos, que não fazem seu trabalho, etc nós devemos nos perguntar se nós fazemos nosso dever de casa de cidadãos que não acaba quando clicamos em confirmar na urna eletrônica.

As mulheres e a escravidão

 Obs.:tive algumas dificuldades técnicas e não consegui colocar o selo da blogagem coletiva. Que saco!

Hoje algumas mulheres vão receber flores, chocolates, cartões mas para muitas, dia 08 de março de 2008 vai ser um dia como qualquer outro: de trabalho. Duro, pesado e acima de tudo forçado. Embora tenhamos avançado muito em termos de direitos e participação da mulher na sociedade ( para uma visão geral da história do movimento feminino, leiam o post de hoje da Lys que esta ótimo) ainda temos um longo caminho a percorrer. Muitas mulheres brasileiras ainda são exploradas de diversas maneiras, dentro ou fora do Brasil e não têm a quem recorrer para reclamar seus direitos, muitas vezes não tem conhecimento de seus direitos e outras vezes são ingnoradas por autoridades cujo papel seria defendê-las.

Hoje eu estava procurando dados sobre as mulheres e o trabalho escravo no Brasil e não encontrei muita coisa (inclusive, se alguém tiver algum link, faça a enorme gentileza de postar nos comentários) então vou usar o meu achômetro e arriscar dizer que a maioria das mulheres trabalhando em condições análogas à escravidão no Brasil está na prostituição e indústria de vestuário. Eu arrisco em dizer que grande maioria das pessoas exploradas em prostituição são mulheres. De acordo com um relatório de 2006 da Anti-Slavery International, aproximadadamente 70 mil mulheres estão envolvidas em prostituição em outros países, notadamente Espanha e Portugal (Daí se entende porque tantas brasileiras são barradas ou ter que dar satisfação de toda essa vida e das passadas nas imigrações desses países). Eu acho que qualquer país tem direito de defender suas fronteiras, mas isso não quer dizer que eu ache que um estado soberano poderia colocar exércitos atirando de metralhadora quem tentasse entrar muito menos tratar pessoas de forma indigna e muitas vezes injusta e discriminatória. Bom, esse é um caso: muita gente vem para a Europa a passeio, a trabalho, em viagens de estudo e acaba sendo barrado por conta das estatísticas que depõem contra nós.

O segundo caso é de uma mulher que está vindo para para a Europa para se prostituir. Vamos analisar o seguinte: esse mesmo relatório da Anti-Slavery do qual falei antes, cita dados da Polícia Federal que revelam que, em geral, as mulheres traficadas para exploração sexual com fins comerciais têm entre 18 e 30 anos, baixo nível de escolaridade, a maior parte são solteiras com histórico de violência doméstica e algumas vezes com experiências prévias trabalhando como prostitutas. Agora convenhamos: uma pessoa que viaja nessas condições (muitas vezes pensando que está vindo para a Europa para trabalhar de garçonete, faxineira, babá) merece ser tratada como criminosa? Geralmente, a mulher que é levada a se prostituir é a parte mais fraca que um esquema que movimenta muito dinheiro, ela precisa de amparo e de autoridades que ajam em seu favor e de leis que reconheçam sua posição. Pensem que eu, ou você que está lendo tivemos o privilégio de escolher nossas profissões, de estudar. Muita gente não tem, especialmente no Brasil.

No âmbito do trabalho escravo no meio rural, o reconhecimento do papel da mulher pode ser muito importante para a erradicação da escravidão. Mesmo que a mão-de-obra seja constituída em sua maioria por homens, esses homens têm mães, esposas e filhas. Se houverem conscientização e iniciativas no sentido de incluir a mulher no trabalho remunerado muitos homes irão escapar da situação de desespero que faz com que eles aceitem promessas mirabolantes, sejam levados para outro estados e explorados.Em seu último livro (Ending Slavery) Kevin Bales fala sobre a importância de incluir as mulheres nas políticas de desenvolvimento e erradicação da escravidão. Ele dá o exemplo de um programa de micro-crédito para mulheres em Bangladesh, o dinheiro servia para que as mulheres fizessem de tudo um pouco desde plantar ervas, costurar, vender roupas até iniciar pequenas fábricas e manufaturas.

Mas que contribuição nós, enquanto cidadãos podemos dar para a erradicação do trabalho escravo, especialmente o trabalho escravo feminino? Em primeiro lugar podemos nos informar sobre o que acontece em áreas bem remotas do Brasil, de posse dessa informação, precisamos entender o problema da escravidão e quem tem mais poder para solucioná-lo. Fazendo isso, descobrimos que os muito está nas mãos dos políticos e empresários o que significa que nós, enquando cidadãos, podemos usar o poder de voto, o poder de compra e o poder de agir e cobrar de políticos e empresarios ações que contribuam à erradicação do trabalho escravo.

Em relação à prostituição, acho que muita gente precisa rever seurs conceitos, refletir mais sobre suas opiniões. Aqui na Europa eu ouço muitos brasileiros falando: “quem vem para se prostituir sabe no que está se metendo” ou “essas prostitutas acabam com a reputação de quem sai do Brasil para estudar e trabalhar”. Quanto à primeira afirmação, dá para dizer que muita gente não sabe no que está se metendo e outras tantas sabem e só estão se metendo porque estão desesperadas mesmo. Quanto à segunda afirmação eu poderia escrever um post inteiro mas vou apenas dizer que erra quem faz a generalização de que todas as brasileiras que vêm para a Europa são prostitutas e erra quem julga sem entender a lógica da situação.

Por fim, espero a data de hoje sirva para celebrar as conquistas de muitas mulheres que lutaram para que hoje nós tenhamos possamos votar, estudar, trabalhar e dizer o que pensamos e para refletir sobre o caminho que ainda temos que percorrer para que os direitos conquistados pela luta feminista possam ser desfrutados por mulheres de diferentes classes, religiões e etnias.

Melhor pensar bem antes de comprar mais um batom…

Papai Noel não esquece de ninguém … Será?

Nossa, já passa da metade do mês e eu não escrevi nenhum post. Que desleixo, que falta de consideração com os meus 10 fiéis leitores. Bom, dada a época do ano, eu havia pensado em escrever um post de Natal. Depois de alguns natais em Londres, eu acho que sofri de uma overdose do lado ruim desse feriado: consumismo exacerbado, gente se batendo em lojas e nas ruas e decorações de mau, digo, péssimo gosto.

Eu não quero ser estraga prazeres, mas se as minhas contas estão certas, menos da metade da população mundial (cristãos) celebra o Natal (teoricamente). E desse que, teoricamente, celebram o Natal, quantos têm condições de fazê-lo? Acho que não muitos. E daqueles que têm condições de celebrar o Natal, aposto que tem muita gente que tem uma idéia bem vaga do porquê está celebrando. Não estou advogando o anti-espírito natalino, entretanto acho que as pessoas deveriam pensar mais sobre a data em vez de divagar eternamente sobre comprar árvore artificial ou natural.

Nesse clima “reflexivo” eu sugiro o vídeo The Story of Stuff (em 7 partes) que eu achei no blog do Leonardo Sakamoto.

Também no blog do Sakamoto, tem um post ótimo sobre os bolivianos que trabalham em fábricas de roupas no Brasil. Sim porque “sweatshops” não são um privilégio da China, Tailandia ou Bangladesh. Eles também existem em São Paulo. Ambos, o texto e o vídeo, mostram o que está por trás da indústria que alimenta nossa fome por mais roupas, mais sapatos, mais computadores, tudo mais novo, maior (ou menor no caso de produtos tecnológicos) e mais baratos.

Por fim, deixo as recomendações do site The Story of Stuff, tiradas do blog do Leonardo, que fez a boa ação de traduzir para o português

1) Use menos energia

2) Produza menos lixo

3) Fale sobre o assunto com outras pessoas

4) Faça sua voz ser ouvida

5) Desintoxique seu corpo, sua casa e a economia (evitando produtos com aditivos químicos desnecessários)

6) Fique menos tempo na TV e na internet e mais tempo com sua comunidade

7) Deixe seu carro parado… e quanto necessário marche, proteste!

8 ) Mude seu tipo de lâmpada e sua maneira de viver

9) Recicle seu lixo… e recicle seus representantes eleitos

10) Compre verde, compre de comércio justo, compre de sua economia local, compre usado e, o mais importante, compre menos.

Para que servem os jornalistas

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Semana passada a Ju me passou o link do programa Uppdrag granskning (não sei uma tradução boa para o português, aceito contribuições. Recebi contribuições da Ju - vide comentários e da Givana: Missão Investigação. Valeu gurias) que foi ao ar quarta feira dia 24/10. O UG é um excelente programa de jornalismo investigativo apresentado pelo Janne Josefsson, que eu considero um jornalista com culhões, ele não se intimida diante de políticos, empresários e exige deles respostas e explicações sobre os assuntos investigados. O programa que assisti falava sobre empresas de limpeza contratadas (terceirizadas, para variar) para limpar cadeias de restaurantes como Mc Donald’s, Burger King e Max (um tipo de Mc D’s sueco). Essas empresas empregam quase sempre imigrantes, pagam pouquíssimo e obviamente, não cumprem os direitos trabalhistas.
Quando a reportagem termina, o Janne questiona pessoas envolvidas no assunto. Nesse caso foram representantes do Burger King, Max e McDonalds.Quem ta pensando que eles vieram com aquela conversa e isso é lamentável, não era de nosso conhecimento, vamos tomar providências o mais rápido possível acertou em cheio.

Eis que hoje, o jornal diário de circulação nacional Dagens Nyheter publicou essa matéria afirmando que depois da transmissão do programa, uma das cadeias de restaurantes reviu seus contratos com as empresas de limpeza e está oferecendo vagas àqueles anteriormente empregados por elas.

Quando eu pensava em ser jornalista e depois durante a faculdade eu sempre acreditei que esse é o papel da imprensa: denunciar, exigir explicações e ajudar a promover mudança social. Claro que não é sempre que isso acontece e não é sempre que os jornalistas têm essa possibilidade.

Especialmente no que tange à violação dos direitos trabalhistas, eu acho que a mídia tem um papel muito importante a cumprir. O poder legislativo elabora leis e o judiciário garante que serão elas cumpridas e pune o não cumprimento. Mas quem comete abusos aos direitos trabalhistas sempre conta com a ignorância da justiça. Só que quando o fato esta na capa do jornal, na tela da TV e do computador, fica mais difícil ignorá-lo.

Ainda no mesmo tema, hoje a Denise, do Síndrome de Estocolmo escreveu sobre a fábrica de roupas fornecedora da Gap* na Ìndia onde foram encontradas crianças trabalhando em condições análogas à escravidão. Imaginem qual foi a resposta da Gap?? Isso é lamentável, não sabíamos de nada, blablabla. Que por sua vez é uma resposta muito pareciada com a de quem explora trabalho escravo no Brasil. Bom, eles têm que dar alguma desculpa, porque dizer: sim, nós deliberadamente exploramos trabalhadores para ter mais lucro, não fica muito bonito.

* Eu trabalhei na Gap por 8 meses em Londres,foi sem dúvida o meu pior emprego. Gerentes que tratavam os empregados como idiotas, uma pressão para estar sempre sorrindo, vendendo, e forçando intimidade com os clientes, salário péssimo e além de tudo eles faziam o possível para se esquivar de nos pagar benefícios, como horas-extra, adicional noturno e compensação para trabalhar em feriados. Depois que eu pedi demissão de lá, o trauma foi tão grande que eu só consegui entrar numa loja da Gap depois de um ano, e mesmo assim, não foi na loja em que eu trabalhava. Também não comprei mais nada lá e não pretendo comprar.

Racismo, violência e intolerância

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A ermã acaba de me contar um triste episódio acontecido segunda-feira no DCE da UFRGS, um colega dela no curso de Direito foi espancado no banheiro do DCE por um grupo supostamente neonazistas. O menino, que vou chamar de Pedro*, defendia as cotas na UFRGS e justiça social. Eu tive que parar um pouco de escrever meu ensaio para comentar isso no blog.

Tem gente que acha que no Brasil não existe racismo. Essas pessoas devem viver em algum tipo de bolha sedadas por algum tipo de soma. No Brasil existe racismo sim e acho que no sul do Brasil a situação é ainda pior pois tem aqueles que se acham melhores, superiores porque afinal de contas, descendem da nata européia.

Agora eu me pergunto, esses tais de Neonazistas, acham que são o que? Europeus? Essa mania da elite branca e classe média brasileira de achar que pertence a uma casta superior porque seu tataratataravô fugiu da fome ou da guerra encontrar abrigo no Brasil é deplorável. E mesmo que tenham sangue europeu correndo nas veias, isso não os faz melhores do que ninguém. Desde quando uma raça é superior a outra? Acho que essa idéia da superioridade racial foi abandonada há no mínimo uns 50 anos. Eu entendo que há pessoas que são contra o regime de cotas nas universidades públicas, sou defensora da liberdade de pensamento e expressão, mesmo que o pensamento seja diferente do meu. O que não faz sentido é o uso da violência para defender um ponto de vista.

Eu espero que quem agrediu o Pedro responda pelos seus atos, para que outras pessoas que cogitam agir da mesma forma saibam que racismo e violência são crimes. Eu espero também que aqueles lutam contra a segregação racial e por uma sociedade mais igualitária e tolerante não se intimidem com esse tipo de ameaça.

*A Laura (ermã) pediu para eu não divulgar o nome verdadeiro do Pedro porque ele teme que a falta de civilidade de seus agressores tome proporções maiores.

FREE BURMA

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Atenção

Eu moro na Suécia mas não sou agência de turismo, intercâmbio nem trabalho no consulado brasileiro, então não me peça informações sobre morar aqui, aprender a língua, estudar, etc, para essas coisas existe o Google e foi googlando que eu achei 99% das informações que precisava para morar aqui. Na página de links tem vários sites com informações úteis sobre morar na Suécia e Inglaterra.

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