Eu comecei a escrever esse post ano passado, mas nunca publiquei porque nunca achei que estivesse bom o suficente. Imigração é um tema que rende muito assunto, livros, programas de rádio e TV, filmes… Mas pegando carona no post sobre a Anita Dorazio, resolvi publicar esse agora.

o tamanho da área representa o número de imigrantes internacionais vivendo ali. Fonte: worldmapper.org
Nos últimos anos, a Europa tem adotado ou tentado adotar posturas que limitem ou tornem a imigração mais difícil. Desde 2002, quando cheguei em Londres, eu tenho percebido que o preconceito e posturas negativas com relação aos imigrantes, principalmente muçulmanos e não-ocidentais tem aumentado e se tornado mais socialmente aceita. Parte da mídia britânica, não sei em outros países, trata dos imigrantes e refugiados sob uma luz muito negativa. Para jornais como o Daily Mail ou Daily Express, imgrantes são terroristas em potencial, abusam do sistema e não respeitam as tradições e costumes do país que os acolhe. Acontecimentos como 11 de Setembro, as bombas no metrôs de Madri em 2003 e Londres em 2005 e a revolta civil na França também em 2005 contribuíram para o racismo e o preconceito, antes condenados, tornarem-se justificáveis e até mesmo socialmente aceitos.
No início do ano passado, eu li uma matéria no The Guardian sobre como comentários e posturas racistas, anti-imigração estavam se tornando comuns em setores como o governo e academia. Ano passado, a BBC mostrou um vídeo do departamento de imigracao Holandês que estava causando polêmica por mostrar casais gays e mulheres fazendo topless para ilustrar que a Holanda é um país liberal e que quem quiser morar lá precisa compartilhar dos mesmos valores. Segundo alguns grupos, esse vídeo teria como objetivo dissuadir muçulmanos da idéia de emigrar para o país Europeu.
Ainda na Grã-Bretanha, o número de apoiadores do BNP (British National Party) que é contra a imigração e do qual
apenas britânicos brancos podem fazer parte, tem crescido principalmente entre a classe média-baixa. Aqui na Suécia, uma pesquisa realizada pelo Departamento de Imigracao Sueco (Migrationsverket) revelou que um em cada quatro suecos votaria em um partido que restringisse os direitos dos imigrantes. Na Itália, o governo está fazendo uma verdadeira caça aos ciganos, que já são tratados como cidadãos de segunda classe em vários países.
Desde que eu decidi sair do Brasil e morar no exterior, tenho me interessado bastante por questões relacionadas à imigração. Enquanto houver conflitos, guerras, fome e miséria em parte do mundo, a imigração vai continuar sendo uma realidade, especialmente em países europeus. Entretanto, é interessante que os países que recebem o maior número de imigrantes per cápita são Estados Unidos, Canadá e Austrália*, nenhum deles na Europa. Já a Suécia é um dos países que mais recebes refugiados em valores relativoz. Então eu me pergunto: Quais são os direitos dos imigrantes? Qual o grau de integração e contribuição para a sociedade que o acolhe o imigrante precisa ter para ter mesmos direitos dos cidadãos nativos? E mais importante, é justo que um país feche suas fronteiras ou imponha restrições à imigração?
O termo “fortress europe” ou fortaleza europa tem sido usado para definir exatamente as políticas que estão se tornando comuns em vários países europeus de dificultar a imigração e pedidos de asilo e refúgio. Só que aí existe uma pequena contradição: esses mesmos países que agora estão fechando as fronteiras deram sua contribuição para que a situação em alguns países esteja tão ruim que as pessoas sejam obrigadas a emigrar. A Grã-Bretanha foi um dois países que mais explorou a escravidão até o início do século XIX, além de explorar suas colônias na África e Ásia. A França e Holanda, que também estão fechando suas portas, não escapam do passado colonialista. Várias formas de exploração de países subdesenvolvidos ainda exíste hoje, como por exemplo os subsídios dados aos agricultores europeus e a guerra no Iraque que tem a Grã-Bretanha como ¨ator coadjuvante¨. Segundo a Agência da ONU para Refugiados, existem hoje quase 33 milhões de pessoas entre as categorias de refugiados, asilados, pessoas sem estado e pessoas internamente destituídas.
Tem que haver alguma coisa de muito errada quando as pessoas arriscam a vida para sair de seu país. Provavelmente o risco que se corre permanecendo no país é maior do que aquele oferecido pela jornada. Nesse caso, talvez os governos do oeste europeu devessem colocar a mão na consciência e e fazer algo para resolver os problemas que ajudaram a criar. É muito estranho que as pessoas falam tanto em comércio globalizado, economia globalizada mas ninguém fala de solidariedade globalizada. Na minha opinião não há nada mais justo, porque se companhias európeias e norte-americanas lucram vendendo armas para os warlords em Darfur, por exemplo; esses países deveriam arcar com o ônus da guerras guerras com as quais lucram.
Existe também uma certa tendência da mídia, de políticos um tanto quanto salafrários e da polícia – esses dois últimos, geralmente as principais fontes do jornalismo – de dar bastante espaço a qualquer tipo de ofensa cometida por imigrantes, deste assaltos, estupros até abuso do sistema social. É bom lembrar que nós não sabemos ao certo se imigrantes cometem mais assaltos do que nativos, ou se abusam mais do sistema social. Mas a julgar pelo que vemos em alguns setores da mídia é mais ou menos isso que eles fazem todos os dias. É lógico que é muito fácil jogar a culpa pela criminalidade crescente e ineficiência do sistema social nos imigrantes, eles chegaram por último, eles são preguiçosos, eles vêm de países “sem-lei”, como vão saber respeitar as leis do nosso civilizado mundo ocidental? É muito bom quando podemos colocar a culpa no outro, isso evita que precisemos olhar para os nossos defeitos.











Hoje encontrei esse 


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