Arquivo para a categoria 'Ativismo'

Fortress Europe

Eu comecei a escrever esse post ano passado, mas nunca publiquei porque nunca achei que estivesse bom o suficente. Imigração é um tema que rende muito assunto, livros, programas de rádio e TV, filmes… Mas pegando carona no post sobre a Anita Dorazio, resolvi publicar esse agora.

worldmapper.org

o tamanho da área representa o número de imigrantes internacionais vivendo ali. Fonte: worldmapper.org

Nos últimos anos, a Europa tem adotado ou tentado adotar posturas que limitem ou tornem a imigração mais difícil. Desde 2002, quando cheguei em Londres, eu tenho percebido que o preconceito e posturas negativas com relação aos imigrantes, principalmente muçulmanos e não-ocidentais tem aumentado e se tornado mais socialmente aceita. Parte da mídia britânica, não sei em outros países, trata dos imigrantes e refugiados sob uma luz muito negativa. Para jornais como o Daily Mail ou Daily Express, imgrantes são terroristas em potencial, abusam do sistema e não respeitam as tradições e costumes do país que os acolhe. Acontecimentos como 11 de Setembro, as bombas no metrôs de Madri em 2003 e Londres em 2005 e a revolta civil na França também em 2005 contribuíram para o racismo e o preconceito, antes condenados, tornarem-se justificáveis e até mesmo socialmente aceitos.

No início do ano passado, eu li uma matéria no The Guardian sobre como comentários e posturas racistas, anti-imigração estavam se tornando comuns em setores como o governo e academia. Ano passado, a BBC mostrou um vídeo do departamento de imigracao Holandês que estava causando polêmica por mostrar casais gays e mulheres fazendo topless para ilustrar que a Holanda é um país liberal e que quem quiser morar lá precisa compartilhar dos mesmos valores. Segundo alguns grupos, esse vídeo teria como objetivo dissuadir muçulmanos da idéia de emigrar para o país Europeu.

Ainda na Grã-Bretanha, o número de apoiadores do BNP (British National Party) que é contra a imigração e do qual SPAIN IMMIGRANTSapenas britânicos brancos podem fazer parte, tem crescido principalmente entre a classe média-baixa. Aqui na Suécia, uma pesquisa realizada pelo Departamento de Imigracao Sueco (Migrationsverket) revelou que um em cada quatro suecos votaria em um partido que restringisse os direitos dos imigrantes. Na Itália, o governo está fazendo uma verdadeira caça aos ciganos, que já são tratados como cidadãos de segunda classe em vários países.

Desde que eu decidi sair do Brasil e morar no exterior, tenho me interessado bastante por questões relacionadas à imigração. Enquanto houver conflitos, guerras,  fome e miséria em parte do mundo, a imigração vai continuar sendo uma realidade, especialmente em países europeus. Entretanto, é interessante que os países que recebem o maior número de imigrantes per cápita são Estados Unidos, Canadá e Austrália*, nenhum deles na Europa. Já a Suécia é um dos países que mais recebes refugiados em valores relativoz. Então eu me pergunto: Quais são os direitos dos imigrantes? Qual o grau de integração e contribuição para a sociedade que o acolhe o imigrante precisa ter para ter mesmos direitos dos cidadãos nativos? E mais importante, é justo que um país feche suas fronteiras ou imponha restrições à imigração?

O termo “fortress europe” ou fortaleza europa tem sido usado para definir exatamente as políticas que estão se tornando comuns em vários países europeus de dificultar a imigração e pedidos de asilo e refúgio. Só que aí existe uma pequena contradição: esses mesmos países que agora estão fechando as fronteiras deram sua contribuição para que a situação em alguns países esteja tão ruim que as pessoas sejam obrigadas a emigrar. A Grã-Bretanha foi um dois países que mais explorou a escravidão até o início do século XIX, além de explorar suas colônias na África e Ásia. A França e Holanda, que também estão fechando suas portas, não escapam do passado colonialista. Várias formas de exploração de países subdesenvolvidos ainda exíste hoje, como por exemplo os subsídios dados aos agricultores europeus e a guerra no Iraque que tem a Grã-Bretanha como ¨ator coadjuvante¨. Segundo a Agência da ONU para Refugiados, existem hoje quase 33 milhões de pessoas entre as categorias de refugiados, asilados, pessoas sem estado e pessoas internamente destituídas.

imigracao-3Tem que haver alguma coisa de muito errada quando as pessoas arriscam a vida para sair de seu país. Provavelmente o risco que se corre permanecendo no país é maior do que aquele oferecido pela jornada. Nesse caso, talvez os governos do oeste europeu devessem colocar a mão na consciência e e fazer algo para resolver os problemas que ajudaram a criar. É muito estranho que as pessoas falam tanto em comércio globalizado, economia globalizada mas ninguém fala de solidariedade globalizada. Na minha opinião não há nada mais justo, porque se companhias európeias e norte-americanas lucram vendendo armas para os warlords em Darfur, por exemplo; esses países deveriam arcar com o ônus da guerras guerras com as quais lucram.

Existe também uma certa tendência da mídia, de políticos um tanto quanto salafrários e da polícia – esses dois últimos, geralmente as principais fontes do jornalismo – de dar bastante espaço a qualquer tipo de ofensa cometida por imigrantes, deste assaltos, estupros até abuso do sistema social.  É bom lembrar que nós não sabemos ao certo se imigrantes cometem mais assaltos do que nativos, ou se abusam mais do sistema social. Mas a julgar pelo que vemos em alguns setores da mídia é mais ou menos isso que eles fazem todos os dias. É lógico que é muito fácil jogar a culpa pela criminalidade crescente e ineficiência do sistema social nos imigrantes, eles chegaram por último, eles são preguiçosos, eles vêm de países “sem-lei”, como vão saber respeitar as leis do nosso civilizado mundo ocidental? É muito bom quando podemos colocar a culpa no outro, isso evita que precisemos olhar para os nossos defeitos.

Europride em Estocolmo

Obs.: Depois volto para contar como foi

Assim com fiz ano passado, esse ano fui ver a parada gay em Estocolmo. Esse ano a cidade sediou o Europride, que reuniu grupos de luga pelos direitos GLBT de toda a Europa. Aqui em Estocolmo mais de 45 mil pessoas desfilaram e mais de 450 mil assistiram, o que fez dessa a maior parada gay da história. Com um detalhe, embaixo de uma chuva muito chata.

O que mais me impressiona é o publico completamente variado: jovens, velhos, famílias com crianças, turistas, tem de tudo. Cá para nós, se eu tivesse filhos preferiria leva-los na parada gay a leva-los no Carnaval. A minha única preocupação é o que acontece DEPOIS da festa, se o apoio e a visibilidade se traduzem em respeito e melhores condições no trabalho, educação e na sociedade em geral.

If you broke it, you shouldn’t be allowed to fix it

Terça-feira, dia 3 foi um dia que eu nunca vou esquecer: eu tive a oportunidade de escutar Naomi Klein ao vivo no Södra Teatern aqui em Estocolmo. Eu sou fã dela desde No Logo e agora depois de ler The Shock Doctrine minha admiração pela escritora canadense aumentou. The Shock Doctrine (A Doutrina do Choque) é um livro de quase 600 páginas que fala sobre algo que ela chama de “disaster capitalism” ou seja como governantes (os Republicanos nos Estados Unidos) se aproveitam disastres – naturais ou provocados – para empurrar leis de privatização e desregulamentação. No livro ela cita vários exemplos de quando isso aconteceu: golpes de estado nos anos 60-70 na América Latina, Rússia depois do fim da União Soviética, Sri Lanka depois do Tsunami, New Orleans depois do furacão Katrina e por último o Iraque. A idéia dela quando começou a escrever o livro era falar sobre a indústria de reconstrução e segurança que vem lucrando com a reconstrução do Iraque. Entretanto, na palestra Naomi contou que quando estava na Argentina em 2003 ela participou de algumas manifestações contra a ocupação e percebeu que as Mães da Praça de Maio argumentavam que estavam fazendo com o Iraque a mesma coisa que fizeram com a Argentina nos anos 60. Foi então que ela começou a refletir sobre o assunto, perdeu muitos prazos de entrega de manuscritos e o que era para ser um livro sobre a ocupação do Iraque se transformou num tratado sobre o Capitalismo de Disastre.

Naomi falou da crescente indústria de segurança que ganha cada vez mais dinheiro protegendo países e pessoas de ameaças que muitas vezes nem sequer existem. O que essa indústria faz é criar sofisticados sistemas de proteção para os ricos e “gerenciar” os pobres com prisões, controles de fronteiras além de tratar de afastá-los fisicamente – com projetos habitacionais e planejamento urbano – de quem tem dinheiro, como aconteceu no Sri Lanka depois do Tsunami. Naquele país, o dinheiro que os europeus enviaram para ajudar as comunidades locais a se recuperarem do desastre, foi na verdade usado para afastá-los da costa e do mar, de onde tiravam seus sustento, para construir resorts ultra luxuosos.

Já no Iraque, a reconstrução depois da guerra se transformou num mega negócio onde quem ganhou foram empresas de segurança como Halliburton e Blackwater (onde um dos maiores acionistas é o vice-presidente Dick Cheney) e quem perdeu foi o povo Iraquiano.

Como disse a apresentadora da palestra -não lembro o nome dela- o The Shock Doctrine não é um livro esperançoso, mas é certamente inspirador. Segundo Naomi, a saída para evitar os tratamentos de choque planejados pelo governo americano é falar e refletir sobre o que está acontecendo a nossa volta, porque os estrategistas do capitalismo de disastre se aproveitam exatamente dos momentos em que todos estão chocados e sem entender o que está acontecendo.

Por fim, Naomi falou da idéia do débito ecológico, ou seja, que os países desenvolvidos paguem para que as reservas naturais continuem intactas, uma vez que países como Equador e Brasil também querem lucrar com petróleo e outras commodities. O que não pode acontecer é deixar que os responsáveis pelo estrago tenham a chance de arrumar a casa como aconteceu no Iraque.

O mais engraçado de tudo foi um grupo de jovens suecos arrumadinhos na porta do teatro carregando umas placas com fotos do Milton Friedman. Para mim eles pareciam umas crianças mimadas que não têm idéia do que é pobreza, desemprego e fome tentando defender seu direito de dirigir uma BMw, passar férias na Tailândia e carregar uma bolsa Gucci. Ridículo.

Dia Internacional do Trabalhador


Como todos sabem, 1° de maio é o Dia Internacional de Trabalhador, uma data que foi criada para celebrar as conquistas sociais e econômicas da classe trabalhadora. Entretanto, hoje em dia anda meio complicado falar em celebração quando muitos direitos adquiridos depois de anos de luta vão sendo perdidos pouco a pouco por conta do capitalismo desenfreado e da tão aclamada economia globalizada.
Um exemplo disso é o trabalho escravo: estima-se que hoje existam 27 milhões de pessoas trabalhando em condições análogas à escravidão pelo mundo afora, em torno de 25 mil delas no Brasil.

Eu não tenho a intenção de organizar uma super blogagem coletiva como as que a Lys, a Georgia e a Meroca organizaram nos últimos meses, principalmente porque eu vou me mudar dia 3 de maio e dia 1° eu vou blogar diretamente do meio das caixas. Além disso provavelmente eu fique sem internet nos primeiros dias depois no novo apê. Mas seria legal se um monte de gente escrevesse sobre os atuais problemas enfrentados pelos trabalhadores no Brasil, em especial o trabalho escravo.

Há muitas questões pertinentes no tocante ao trabalho escravo e direitos trabalhistas, principalmente agora com o aumento da demanda por etanol que esta gerando uma demanda por mão-de-obra escrava nos canaviais. Mas essa é apenas uma sugestão.

Para mais idéias eu sugiro esses sites

Repórter Brasil
Blog do Leonardo Sakamoto
Agência Carta Maior
Comissão Pastoral da Terra

Em inglês
Anti-Slavery International
Free the Slaves

PS: quem tiver a fim de participar, deixe um comentário que eu coloco um link para o blog de vocês.

Presença Confirmada
Lys
Laura

Analfabetismo no Brasil

Hoje eu acordei, li o jornal, fui à aula e li um livro, fui numa reunião e anotei várias coisas, agora estou escrevendo no blog. Essas são atividades diárias para mim. A palavra escrita faz parte da minha vida assim como o ar e a água . Provavelmente faz parte da sua vida também, se você esta lendo esse texto. Ler e escrever são coisas tão normais na vida de muita gente que nós não nos damos conta de que tem muita gente no Brasil que não pode ler um livro, não pode ler o jornal, não pode ler um contrato antes de assinar para se certificar de que não está sendo passado para trás.

Sem dúvida, saber ler e escrever é crucial para que sejamos cidadãos completos e hoje, no dia Nacional do Livro, a Georgia e a Meiroca estão promovendo a blogagem coletiva “O que você faz para acabar com o analfabetismo no Brasil”. E eu preciso confessar , com um tanto de vergonha, que eu não faço muita coisa! Lendo o post da Lys eu me identifiquei um pouco com a descrição dela da classe média que não se interessa muito pelo fim do analfabetismo. Não que eu critique os programas do governo como o bolsa-escola e o bolsa-familia, muito pelo contrário. Eu acho que graças a esses programas muita gente saiu da miséria completa para condições um pouco mais sobrevivíveis. O que eu quero dizer é que eu não atrapalho, mas também não ajudo.

Por outro lado, vivendo aqui na Suécia, um país com uma longa experiência de democracia participativa, eu acredito no poder do cidadão de operar mudanças na sociedade. O Brasil ainda está no ensino básico da escola da democracia. Entretanto eu tenho esperança de que com o passar do tempo nós vamos aprender a eleger, monitorar e cobrar nossos representantes.

Quando nós votamos, estamos dando ao nosso canditado o poder de nos representar. Só que eu acho que muita gente esquece de cobrar. Por que há comunidades sem escola? Por que há crianças em idade escolar trabalhando? Por que existem adultos analfabetos e como podemos alfabetiza-los e permitir que eles conciliem trabalho e estudo? A minha opinião é que antes de criticar os políticos que são corruptos, que criam programas com os quais não concordamos, que não fazem seu trabalho, etc nós devemos nos perguntar se nós fazemos nosso dever de casa de cidadãos que não acaba quando clicamos em confirmar na urna eletrônica.

As mulheres e a escravidão

 Obs.:tive algumas dificuldades técnicas e não consegui colocar o selo da blogagem coletiva. Que saco!

Hoje algumas mulheres vão receber flores, chocolates, cartões mas para muitas, dia 08 de março de 2008 vai ser um dia como qualquer outro: de trabalho. Duro, pesado e acima de tudo forçado. Embora tenhamos avançado muito em termos de direitos e participação da mulher na sociedade ( para uma visão geral da história do movimento feminino, leiam o post de hoje da Lys que esta ótimo) ainda temos um longo caminho a percorrer. Muitas mulheres brasileiras ainda são exploradas de diversas maneiras, dentro ou fora do Brasil e não têm a quem recorrer para reclamar seus direitos, muitas vezes não tem conhecimento de seus direitos e outras vezes são ingnoradas por autoridades cujo papel seria defendê-las.

Hoje eu estava procurando dados sobre as mulheres e o trabalho escravo no Brasil e não encontrei muita coisa (inclusive, se alguém tiver algum link, faça a enorme gentileza de postar nos comentários) então vou usar o meu achômetro e arriscar dizer que a maioria das mulheres trabalhando em condições análogas à escravidão no Brasil está na prostituição e indústria de vestuário. Eu arrisco em dizer que grande maioria das pessoas exploradas em prostituição são mulheres. De acordo com um relatório de 2006 da Anti-Slavery International, aproximadadamente 70 mil mulheres estão envolvidas em prostituição em outros países, notadamente Espanha e Portugal (Daí se entende porque tantas brasileiras são barradas ou ter que dar satisfação de toda essa vida e das passadas nas imigrações desses países). Eu acho que qualquer país tem direito de defender suas fronteiras, mas isso não quer dizer que eu ache que um estado soberano poderia colocar exércitos atirando de metralhadora quem tentasse entrar muito menos tratar pessoas de forma indigna e muitas vezes injusta e discriminatória. Bom, esse é um caso: muita gente vem para a Europa a passeio, a trabalho, em viagens de estudo e acaba sendo barrado por conta das estatísticas que depõem contra nós.

O segundo caso é de uma mulher que está vindo para para a Europa para se prostituir. Vamos analisar o seguinte: esse mesmo relatório da Anti-Slavery do qual falei antes, cita dados da Polícia Federal que revelam que, em geral, as mulheres traficadas para exploração sexual com fins comerciais têm entre 18 e 30 anos, baixo nível de escolaridade, a maior parte são solteiras com histórico de violência doméstica e algumas vezes com experiências prévias trabalhando como prostitutas. Agora convenhamos: uma pessoa que viaja nessas condições (muitas vezes pensando que está vindo para a Europa para trabalhar de garçonete, faxineira, babá) merece ser tratada como criminosa? Geralmente, a mulher que é levada a se prostituir é a parte mais fraca que um esquema que movimenta muito dinheiro, ela precisa de amparo e de autoridades que ajam em seu favor e de leis que reconheçam sua posição. Pensem que eu, ou você que está lendo tivemos o privilégio de escolher nossas profissões, de estudar. Muita gente não tem, especialmente no Brasil.

No âmbito do trabalho escravo no meio rural, o reconhecimento do papel da mulher pode ser muito importante para a erradicação da escravidão. Mesmo que a mão-de-obra seja constituída em sua maioria por homens, esses homens têm mães, esposas e filhas. Se houverem conscientização e iniciativas no sentido de incluir a mulher no trabalho remunerado muitos homes irão escapar da situação de desespero que faz com que eles aceitem promessas mirabolantes, sejam levados para outro estados e explorados.Em seu último livro (Ending Slavery) Kevin Bales fala sobre a importância de incluir as mulheres nas políticas de desenvolvimento e erradicação da escravidão. Ele dá o exemplo de um programa de micro-crédito para mulheres em Bangladesh, o dinheiro servia para que as mulheres fizessem de tudo um pouco desde plantar ervas, costurar, vender roupas até iniciar pequenas fábricas e manufaturas.

Mas que contribuição nós, enquanto cidadãos podemos dar para a erradicação do trabalho escravo, especialmente o trabalho escravo feminino? Em primeiro lugar podemos nos informar sobre o que acontece em áreas bem remotas do Brasil, de posse dessa informação, precisamos entender o problema da escravidão e quem tem mais poder para solucioná-lo. Fazendo isso, descobrimos que os muito está nas mãos dos políticos e empresários o que significa que nós, enquando cidadãos, podemos usar o poder de voto, o poder de compra e o poder de agir e cobrar de políticos e empresarios ações que contribuam à erradicação do trabalho escravo.

Em relação à prostituição, acho que muita gente precisa rever seurs conceitos, refletir mais sobre suas opiniões. Aqui na Europa eu ouço muitos brasileiros falando: “quem vem para se prostituir sabe no que está se metendo” ou “essas prostitutas acabam com a reputação de quem sai do Brasil para estudar e trabalhar”. Quanto à primeira afirmação, dá para dizer que muita gente não sabe no que está se metendo e outras tantas sabem e só estão se metendo porque estão desesperadas mesmo. Quanto à segunda afirmação eu poderia escrever um post inteiro mas vou apenas dizer que erra quem faz a generalização de que todas as brasileiras que vêm para a Europa são prostitutas e erra quem julga sem entender a lógica da situação.

Por fim, espero a data de hoje sirva para celebrar as conquistas de muitas mulheres que lutaram para que hoje nós tenhamos possamos votar, estudar, trabalhar e dizer o que pensamos e para refletir sobre o caminho que ainda temos que percorrer para que os direitos conquistados pela luta feminista possam ser desfrutados por mulheres de diferentes classes, religiões e etnias.

Melhor pensar bem antes de comprar mais um batom…

Papai Noel não esquece de ninguém … Será?

Nossa, já passa da metade do mês e eu não escrevi nenhum post. Que desleixo, que falta de consideração com os meus 10 fiéis leitores. Bom, dada a época do ano, eu havia pensado em escrever um post de Natal. Depois de alguns natais em Londres, eu acho que sofri de uma overdose do lado ruim desse feriado: consumismo exacerbado, gente se batendo em lojas e nas ruas e decorações de mau, digo, péssimo gosto.

Eu não quero ser estraga prazeres, mas se as minhas contas estão certas, menos da metade da população mundial (cristãos) celebra o Natal (teoricamente). E desse que, teoricamente, celebram o Natal, quantos têm condições de fazê-lo? Acho que não muitos. E daqueles que têm condições de celebrar o Natal, aposto que tem muita gente que tem uma idéia bem vaga do porquê está celebrando. Não estou advogando o anti-espírito natalino, entretanto acho que as pessoas deveriam pensar mais sobre a data em vez de divagar eternamente sobre comprar árvore artificial ou natural.

Nesse clima “reflexivo” eu sugiro o vídeo The Story of Stuff (em 7 partes) que eu achei no blog do Leonardo Sakamoto.

Também no blog do Sakamoto, tem um post ótimo sobre os bolivianos que trabalham em fábricas de roupas no Brasil. Sim porque “sweatshops” não são um privilégio da China, Tailandia ou Bangladesh. Eles também existem em São Paulo. Ambos, o texto e o vídeo, mostram o que está por trás da indústria que alimenta nossa fome por mais roupas, mais sapatos, mais computadores, tudo mais novo, maior (ou menor no caso de produtos tecnológicos) e mais baratos.

Por fim, deixo as recomendações do site The Story of Stuff, tiradas do blog do Leonardo, que fez a boa ação de traduzir para o português

1) Use menos energia

2) Produza menos lixo

3) Fale sobre o assunto com outras pessoas

4) Faça sua voz ser ouvida

5) Desintoxique seu corpo, sua casa e a economia (evitando produtos com aditivos químicos desnecessários)

6) Fique menos tempo na TV e na internet e mais tempo com sua comunidade

7) Deixe seu carro parado… e quanto necessário marche, proteste!

8 ) Mude seu tipo de lâmpada e sua maneira de viver

9) Recicle seu lixo… e recicle seus representantes eleitos

10) Compre verde, compre de comércio justo, compre de sua economia local, compre usado e, o mais importante, compre menos.

Para que servem os jornalistas

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Semana passada a Ju me passou o link do programa Uppdrag granskning (não sei uma tradução boa para o português, aceito contribuições. Recebi contribuições da Ju – vide comentários e da Givana: Missão Investigação. Valeu gurias) que foi ao ar quarta feira dia 24/10. O UG é um excelente programa de jornalismo investigativo apresentado pelo Janne Josefsson, que eu considero um jornalista com culhões, ele não se intimida diante de políticos, empresários e exige deles respostas e explicações sobre os assuntos investigados. O programa que assisti falava sobre empresas de limpeza contratadas (terceirizadas, para variar) para limpar cadeias de restaurantes como Mc Donald’s, Burger King e Max (um tipo de Mc D’s sueco). Essas empresas empregam quase sempre imigrantes, pagam pouquíssimo e obviamente, não cumprem os direitos trabalhistas.
Quando a reportagem termina, o Janne questiona pessoas envolvidas no assunto. Nesse caso foram representantes do Burger King, Max e McDonalds.Quem ta pensando que eles vieram com aquela conversa e isso é lamentável, não era de nosso conhecimento, vamos tomar providências o mais rápido possível acertou em cheio.

Eis que hoje, o jornal diário de circulação nacional Dagens Nyheter publicou essa matéria afirmando que depois da transmissão do programa, uma das cadeias de restaurantes reviu seus contratos com as empresas de limpeza e está oferecendo vagas àqueles anteriormente empregados por elas.

Quando eu pensava em ser jornalista e depois durante a faculdade eu sempre acreditei que esse é o papel da imprensa: denunciar, exigir explicações e ajudar a promover mudança social. Claro que não é sempre que isso acontece e não é sempre que os jornalistas têm essa possibilidade.

Especialmente no que tange à violação dos direitos trabalhistas, eu acho que a mídia tem um papel muito importante a cumprir. O poder legislativo elabora leis e o judiciário garante que serão elas cumpridas e pune o não cumprimento. Mas quem comete abusos aos direitos trabalhistas sempre conta com a ignorância da justiça. Só que quando o fato esta na capa do jornal, na tela da TV e do computador, fica mais difícil ignorá-lo.

Ainda no mesmo tema, hoje a Denise, do Síndrome de Estocolmo escreveu sobre a fábrica de roupas fornecedora da Gap* na Ìndia onde foram encontradas crianças trabalhando em condições análogas à escravidão. Imaginem qual foi a resposta da Gap?? Isso é lamentável, não sabíamos de nada, blablabla. Que por sua vez é uma resposta muito pareciada com a de quem explora trabalho escravo no Brasil. Bom, eles têm que dar alguma desculpa, porque dizer: sim, nós deliberadamente exploramos trabalhadores para ter mais lucro, não fica muito bonito.

* Eu trabalhei na Gap por 8 meses em Londres,foi sem dúvida o meu pior emprego. Gerentes que tratavam os empregados como idiotas, uma pressão para estar sempre sorrindo, vendendo, e forçando intimidade com os clientes, salário péssimo e além de tudo eles faziam o possível para se esquivar de nos pagar benefícios, como horas-extra, adicional noturno e compensação para trabalhar em feriados. Depois que eu pedi demissão de lá, o trauma foi tão grande que eu só consegui entrar numa loja da Gap depois de um ano, e mesmo assim, não foi na loja em que eu trabalhava. Também não comprei mais nada lá e não pretendo comprar.

Racismo, violência e intolerância

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A ermã acaba de me contar um triste episódio acontecido segunda-feira no DCE da UFRGS, um colega dela no curso de Direito foi espancado no banheiro do DCE por um grupo supostamente neonazistas. O menino, que vou chamar de Pedro*, defendia as cotas na UFRGS e justiça social. Eu tive que parar um pouco de escrever meu ensaio para comentar isso no blog.

Tem gente que acha que no Brasil não existe racismo. Essas pessoas devem viver em algum tipo de bolha sedadas por algum tipo de soma. No Brasil existe racismo sim e acho que no sul do Brasil a situação é ainda pior pois tem aqueles que se acham melhores, superiores porque afinal de contas, descendem da nata européia.

Agora eu me pergunto, esses tais de Neonazistas, acham que são o que? Europeus? Essa mania da elite branca e classe média brasileira de achar que pertence a uma casta superior porque seu tataratataravô fugiu da fome ou da guerra encontrar abrigo no Brasil é deplorável. E mesmo que tenham sangue europeu correndo nas veias, isso não os faz melhores do que ninguém. Desde quando uma raça é superior a outra? Acho que essa idéia da superioridade racial foi abandonada há no mínimo uns 50 anos. Eu entendo que há pessoas que são contra o regime de cotas nas universidades públicas, sou defensora da liberdade de pensamento e expressão, mesmo que o pensamento seja diferente do meu. O que não faz sentido é o uso da violência para defender um ponto de vista.

Eu espero que quem agrediu o Pedro responda pelos seus atos, para que outras pessoas que cogitam agir da mesma forma saibam que racismo e violência são crimes. Eu espero também que aqueles lutam contra a segregação racial e por uma sociedade mais igualitária e tolerante não se intimidem com esse tipo de ameaça.

*A Laura (ermã) pediu para eu não divulgar o nome verdadeiro do Pedro porque ele teme que a falta de civilidade de seus agressores tome proporções maiores.

FREE BURMA

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Escravidão na Europa

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Escravidão contemporânea existe também nos países ricos do oeste europeu. Aliás, para quem está desavisado, vou dar a notícia: escravidão AINDA existe no mundo inteiro. Estima-se que mais de 20 milhões de pessoas trabalhem hoje em condições análogas à escravidão, em torno de 25 mil delas no Brasil.

Mas engana-se quem pensa que isso acontece apenas em países subdesenvolvidos, países industrializados europeus também têm culpa no cartório. Hoje o The Guardian publicou uma matéria sobre 40 búlgaros encontrados trabalhando em condições análogas à escravidão numa fazenda na Cornuália. Essas pessoas pagaram pela sua viagem para a Inglaterra, pagaram pelo emprego e quando chegaram lá foram obrigados a dormir em trailers (7 pessoas num trailer projetado para 6) e ainda tinham que pagar pela acomodação.

A fazenda em que eles trabalhavam é um dos fornecedores de legumes para o Tesco (maior rede de supermercados do Reino Unido) e Morrisson (se não me engano a 5a maior). O problema é que geralmente esse tipo de trabalho é terceirizado, quarteirizado, quinteirizado, o escambau e as empresas conseguem, muitas vezes, fechar os olhos até que uma auditoria descubra daí elas posam de inocentes dizendo que não sabiam de nada.

Importante: de acordo com a OIT, o Brasil possui um dos mais consistentes programas de erradicação do trabalho escravo no planeta. Desde 1995, 26 mil trabalhadores foram libertados.
Fonte: Repórter Brasil

Blood Diamonds

Photo of Blood Diamond,  Jennifer Connelly

Essa semana eu vi “Blood Diamonds”, aquele indicado para 5 Oscars. O filme é sobre como a venda de diamantes financia a guerra em países africanos. Bom, na verdade é um filme de aventura que bem superficialmente fala sobre conflict diamonds e ainda mais vagamente sobre criancas sendo recrutadas como soldados. Tudo bem que é um filme, nao um relatório da ONU e que se o assunto fosse tratado com um pouco mais de profundidade, talvez a bilheteria sofresse. Mas eu achei bem fraquinho.

No final tudo termina bem, o pescador Solomon Vandi reecontra seu filho que fora sequestrado pelos rebeldes e se tornou soldado, vira asilado em Londres com sua família e vai dar seu testemunho numa Corte Internacional.

O que eu me pergunto é, será que esse tipo de filme tem algum poder de mudar a situacao que retrata? Será que vai fazer com que aqueles que compram diamantes exijam o certificado de que a pedra nao vem de áreas em conflito? Será que vai fazer com que as indústrias fiscalizem seus fornecedores. Eu realmente espero que sim, mas tenho minhas dúvidas.

Diamantes e conflitos na África

Na Angola, Serra Leoa, República Democrática do Congo e Libéria, a venda de diamantes financia conflitos e a guerra civil. Segundo a Anistia Internacional, os lucros com o comércio de diamantes nessas áreas foram usados por “generais” e rebeldes para comprar armas usadas em guerras em que morreram cerca de 3,7 milhoes de pessoas, mais de 100 vezes o número de mortos em 11 de Setembro. A Anistia Internacional alerta para o fato de que, enquanto as guerras em Angola, Serra Leoa e Libéria terminaram e os conflitos na República Democrática do Congo diminuíram bastante, diamantes vindos de minas em áreas rebeldes na Costa do Marfim estao chegando ao mercado internacional. Além disso, diamantes vindos de áreas em conflito na Libéria estao sendo contrabandeados para os países vizinhos, onde passam por diamantes “legais”.

Em 2003 um sistema internacional de certificacao entrou eu vigor, o Kimberley Process, que torna ilegal comercializar diamantes de áreas em conflito. A Anistia Internacional recomenda que as pessoas procurem pelo certificado de origem ao comprarem diamantes.24071.jpg

É óbvio que foram necessárias várias manifestacoes, negociacoes e dedos apontados para que a indústria milionária concordasse em com essas medidas. Eu lembro que quando fiz um workshop de Campanhas para mudanca social, na universidade em Londres, nós estudamos o caso de uma manifestacao num encontro do setor de joalherias. O estudo de caso dessa manifestacao está no livro Global Activism, Global Media. Nao consegui encontrar nenhuma foto, mas essa manifestacao foi o seguinte: num encontro da indústria de diamantes, acho que em Londres, a WDM contratou uma atriz para fazer o papel de Marlyn Monroe (Diamonds are a girl’s best friend) e alguns atores que empunhavam cartazes com fatos sobre os diamantes vindos de áreas em confito. A manifestacao atraiu atencao dos participantes do encontro e da mídia. A indústria obviamente precisou responder aos argumentos dos manifestantes e das ONGs e, para nao ficarem com o título de homens maus que financiam a guerra na África, eles aceitaram negociar os termos de uma certificacao.

Bom, eu estou longe de ser proprietária de um diamante (imaginem quantos móveis da Ikea nao da para comprar com o dinheiro de UM diamante), mas se alguém pensa em ter a pedrinha, antes leiam o guia da Anistia Internacional.

Dois anos do Pacto Nacional para Erradicacao do Trabalho Escravo

O Pacto Nacional para a Erradicacao do Trabalho Escravo completa dois anos hoje. Eu dei uma olhada nos principais jornais brasileiros e, pelo menos nos sites, nao encontrei nada falando sobre a data. O Pacto tem como objetivo engajar a iniciativa privada na erradicacao do trabalho escravo e a data foi comemorada com um evento no dia 17, fazendo um balanco dos resultados atingidos nesses dois anos. As empresas signitárias do pacto coprometem-se em adotar práticas contra o trabalho escravo e contribuir para a integracao dos trabalhadores. O pacto é coordenado pelo Instituto Ethos, Organizacao Internacional do Trabalho e Repórter Brasil e entre as empresas que assinaram o pacto estao a Wal-Mart, Cargill, Petrobras, Coteminas, Grupo Pao-de-Acucar e Carrefour. Eu tenho algumas restricoes a essa história de responsabilidade social, nao que eu nao acredite que as empresas também precisem exercer sua cidadania e contribuir para a sociedade onde atuam, mas grande parte das iniciativas de responsabilidade social acabam sendo atos de auto-promocao. Eu desconfio principalmente da Wal-Mart, que trata mal seus funcionários, nao paga precos justos aos fornecedores e destruiu o comércio local em várias cidades americanas e inglesas. Entretanto, a iniciativa privada tem um papel muito importante na erradicacao do trabalho escravo, identificando seus fornecedores e eliminando o uso de trabalho escravo em sua cadeia produtiva. Por isso, o diálogo do governo e do terceiro setor com as empresas é muito importante.

Leia mais aqui
e aqui

Escravidao na imprensa

Hoje encontrei esse ótimo texto no site da Repórter Brasil sobre a cobertura da imprensa no dia 13 de maio, quando comemoramos a abolicao da escravatura. Ele diz que a escravidao contemporanea no Brasil, apesar da importancia, é considerado um assunto “frio” nas redacoes porque pode ser coberto a qualquer momento.
Quando fiz a minha pesquisa, eu observei que a cobertura jornalística sobre escravidao se concetrava em certas datas, como quando do assassinado dos fiscais do Ministério do Trabalho em 2004 e libertacoes de trabalhadores. Infelizmente é, como diz Rolf Kuntz, autor do texto acima, repórteres e editores estao interessados no factual. Por isso a cobertura da escravidao se concentra quando ha fatos novos.
Eu acretido que a imprensa precisa partir para um papel mais ativo na solucao do problema da escravidao: nao apenas reportar, mas servir como uma arena de debates e dar voz aos que fazem da erradicacao do trabalho escravo sua luta diária.

Escravidao e Aquecimento Global

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A matéria de capa do jornal britanico The Independent fala sobre como o desmatamento de florestas tropicais contribui para o aquecimento Global. Segundo a matéria 24 horas de desmatamento liberam uma quantidade de CO2 equivalente a 8 milhoes de pessoas voando de Londres para Nova York.

A Floresta Amazonica junto com áreas na Indonésia e Congo sao as campeas de emissao de CO2 devido ao desmatamento.
E o que isso tem a ver com escravidao? Segundo pesquisadores e ativistas, boa parte dos trabalhadores em condicoes análogas a escravidao é “empregado” para desmatar a floresta, dando lugar a pastagens para o gado ou plantacoes. O jornalista Daniel Howden segue argumentanto que para solucionar esse problema nao sao necessárias novas tecnologias ou grandes investimentos, mas vontade política. Numa situacao em que existe a possibilidade de obter lucro com plantacao ou criacao de animais ou manter a floresta como está sem nenhum ganho capital, é óbvio que os fazendeiros escolhem a primeira opcao. Nas Europa, os governos pagam E200 por “servicos ambientais” aos fazendeiros para que eles mantenham suas terras intactas.

Já faz tempo que o Brasil vem sendo criticado nao apenas pelo desmatamento da Floresta Amazonica, mas pelo uso de mao-de-obra escrava. Quando estava pesquisando para a minha dissertacao encontrei várias matérias sobre o assunto. Em 18/10/05, George Monbiot escreveu o texto The price of cheap beef: disease, deforestation, slavery and murder (O preco da carne barata: doenca, desmatamento, escravidao e morte) em que ele argumenta que a carne brasileira nao é ética, pois é produzida as custas do desmatamento da Floresta Amazonica e do trabalho escravo. Em pouco mais de uma semana da publicacao dessa matéria, o entao embaixador do Brasil no Reino Unido respondeu no mesmo jornal, com o texto Why calls for a boycott on Brazilian beef are misplaced argumentando que o desmatamento diminuiu no ano de 2004 e que o governo brasileiro estabeleceu uma comissao para erradicacao do trabalho escravo (CONATRAE) que libertou em torno de 10 mil trabalhadores de 2002 a 2004. E em janeiro do ano passado, o Daily Telegraph publicou a matéria Cheap Brazilian beef imports are “subsidised by slave labour” (A importacao de carne barata do Brasil é “subsidiada pelo trabalho escravo”) que abordava o mesmo tema.

Eu acredito na importancia de que esses temas sejam discutidos em esfera internacional, afinal de contas, o desmatamento das florestas tropicais tem consequencias que vao muito além de suas fronteiras. Eu nao acho que o boicote defendido por George Monbiot seja a saída, pois como muito bem argumenta Kevin Bales, um dos mais importantes pesquisadores sobre escravidao comtemporanea, existem aqueles que produzem dentro das regras e os que nao o fazem e quando boicotamos um produto, estamos prejudicando os dois. O caminho para a erradicacao do trabalho escravo passa por mudancas estruturais e políticas e um sistema legal que funcione e seja rígido com quem explora mao-de-obra escrava.

Escravidao Contemporanea

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Para muita gente essas duas palavras nao fazem muito sentido juntas, muitos acreditam que a escravidao acabou no final do século XIX e hoje existe apenas nos livros de história. Infelizmente isso está longe de ser verdade, estima-se que atualmente existam 27 milhoes de pessoas trabalhando em condicoes análogas a escravidao no mundo inteiro, em torno de 25 mil no Brasil.

No ano de 2005 eu comecei a pesquisar sobre formas contemporaneas de escravidao para a minha dissertacao de mestrado em Comunicacao Internacional e Direitos Humanos na City University. O meu interesse pelo tema aconteceu por acaso, um dia eu estava pesquisando na biblioteca da faculdade quando encontrei o livro Disposable People, do Kevin Bales. Um dos capítulos do livro fala sobre o Brasil, nele o pesquisador traca um panorama da situacao de milhares de trabalhadores e a luta daqueles que tentam fazer com que escravidao seja realmente história. Ao acabar de ler o livro, o tema da minha dissertacao estava escolhido.
Na minha dissertacao eu analisei como as ONGs que trabalham na erradicacao da escravidao usam a mídia para atingir seus objetivos, usando como estudo de caso a Anti-Slavery International, a Repórter Brasil e a Comissao Pastoral da Terra.
Eu pretendo continuar estudando o papel da mídia na erradicacao da escravidao e o uso dos veículos de comunicacao por ONGs e movimentos da sociedade civil e quero usar o meu blog para divulgar informacoes, trocar idéias e interagir com pesquisadores, ativistas e pessoas que tenham interesse pelo tema.


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Atenção

Eu moro na Suécia mas não sou agência de turismo, intercâmbio nem trabalho no consulado brasileiro, então não me peça informações sobre morar aqui, aprender a língua, estudar, etc, para essas coisas existe o Google e foi googlando que eu achei 99% das informações que precisava para morar aqui. Na página de links tem vários sites com informações úteis sobre morar na Suécia e Inglaterra.

 

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