Pois é, cá estou eu de volta na Suécia depois de seis semanas viajando pelo Brasil. Eu tenho assunto para uns dez posts, mas como cheguei na sexta-feira e ontem já comecei a trabalhar na conferência da IAMCR (que está muito interessante e acho que vai render assunto para mais alguns posts) vou começar apontando algumas coisas que eu vi no Brasil e achei muito bizarras, sim porque nao é só aqui nas Oropa que tem bizarrice, pai que prende filha no porão, gente que sai pra rua vestido de árvore, etc… Mas vamos lá
Botox eu estava olhando a novela das sete e quase tive um susto, achei que o filho do Edson Celullari já tinha crescido e estava atuando, mas depois eu vi que era o próprio, ou sua versão updated. Mas vamos combinar que tá meio scary. Perguntei para o Nicklas quantos anos dava para Edson, resposta: uns 30, resposta certa: 50. E a Ana Maria Brega, a boca dela não fecha mais. Será que essa gente se olha no espelho e se acha bonita?
Botas horrorosas com sola tijolão. Elas estão por toda a parte, here, there everywhere. Tem umas com a sola vazada, tem de várias cores, tem até uns sapatinhos boneca com o mesmo solado e quem usa não tem bom-senso.
Ataque dos vendedores. Eu até nem tinha vontade de fazer compras porque era só botar o pé numa loja e já vem um vendedor me atacando, seguindo, mostrando coisas, e o meu sossego, e a minha paz, e quanto a fazer compras calmamente, procurando coisas pelas araras, pensando se eu quero mesmo as coisas, se vai combinar com o que eu tenho, se eu quero alguma outra coisa? Sim porque metade das vezes que eu entro numa loja eu não sei o que eu quero, ou melhor sei, eu quero bisbilhotar. Sem ninguém me perseguindo. Por isso que eu sempre gostei da Renner, pena que esse ano as roupitchas tavam bem feinhas. E caras. (Aproveitando a deixa, que coisa horrível o que fizeram com a Livraria do Globo no centro de Porto Alegre. Explico: era uma livraria até que legal, bonitinha, com fotos e máquinas da antiga Editora do Globo, tinha um restaurante na parte de cima e tal. Agora é uma loja de sapatos horrorosa, cheia das botas horrorosas ai de baixo e com vendedores que atacam os passantes que se dirigem à Livraria do Globo que agora se resume a um quartinho nos fundos da tal loja. Lamentável)
Cobertura “jornalistica” de tragédias a la novela mexicana. Isso além de ser bizarro é triste, transformar a dor de uma família que perde um filho ou o caso chocante de uma mãe com problemas psiquiátricos que jogou a filha da janela em um espetáculo para um país ver. Tudo com muitas lágrimas, juras de justiça, xingamentos. Enquanto isso os suecos vão comprando os pampas para plantar eucalipto transgênico (sobre isso a ermã é que vai ter que escrever).
Ainda tem mais uma coisa que eu notei e não é apenas bizarra, mas vergonhosa: acho que boa parte da classe média e seus porta-vozes na mídia gostariam mesmo é de construir umas câmaras de gás e mandar os pobres para lá. Eu vi isso principalmente em Porto Alegre, andando pelas ruas e vendo os motoristas dos carros com vidro escuro quase atropelando os pobres na rua e ouvi alguns comentários amendrontadores na TV. A ermã inclusive me avisou que vai desconfiar caso os mendigos comecem a sumir das ruas de Porto Alegre assim de repente.






