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Ao redor do buraco tudo é beira

Durante a semana passada o diário sueco Dagens Nyheter publicou uma série de reportagens escritas pelo jornalista e escritor Maciej Zaremba, que é polonês naturalizado sueco e chegou aqui desde 1969, com 18 anos fugindo das perseguições aos judeus na Polônia. A série se chama “I väntan på Sverige” (à espera da Suécia), nela o autor discute a integração de imigrantes sob vários pontos de vista. Ele fala sobre multiculturalismo, nacionalismo, sobre a burocracia sueca encontrada por refugiados e asilados e sobre aprender sueco. Em linhas gerais ele discute porque é tão difícil para imigrantes se integrarem à sociedade sueca.

Imigração e integração são assuntos que dão pano para manga aqui na Europa. Muitos países do velho continente que por muito tempo tiveram populações etnicamente homogêneas ou em que um grupo conseguiu por décadas manter uma certa dominancia cultural e política estão tendo vários valores questionados por imigrantes ou minorias que podem ser pequenas, mas não são nem um pouco submissas. Uma questão que é recorrende nessas discussões é: quem precisa se adaptar a quem?

Apesar de o autor usar quase só exemplos particulares para ilustrar o geral e apresentar bem poucos dados que comprovem que a realidade daquelas pessoas que ele descreveu é reprensentativa do todo, em muitos pontos eu pude me identificar com o que ele escreveu. Nos primeiros textos ele fala sobre o ensino de sueco e como ele NÃO corresponde à necessidade da maioria dos alunos. Para mim isso não é novidade. Uma coisa que não aconteceu comigo, mas que eu sei que não é raro principalmente em cidades pequenas aqui na Suécia (aconteceu com algumas pessoas que eu conheço), é abrirem turmas em que juntam gente que é analfabeto em sua língua materna  com outros que terminaram a faculdade. Não estou querendo dizer que ninguém é melhor que ninguém, mas acho que são grupos com necessidades diferentes.

Daí passamos ao conteúdo dos livros que tratam imigrantes e suecos de uma forma tão estereotipada que chega a ser quase cômico. Se não fosse trágico. Nos livros de sueco Ali e Fatima estão sempre esperando cartas da imigração ou falando com com o funcionário do órgão que deveria ajudar as pessoas a encontrarem empregos.  E é óbvio que o funcionário ou funcionária sempre tem um nome sueco. Ah, também acontece de Zeinab e Juan procurarem emprego, que geralmente é como cozinheiro (a), ajudande em creches ou operário (a) de fábrica.  Novamente, nada contra esses empregos, mas será que todos os imigrantes querem seguir essas carreiras ou todos os suecos querem exercer profissões de nível universitário?

Outra coisa é a tonelada de coisas inúteis que precisamos engolir quando o que queremos é apenas dominar uma língua. Por que eu preciso conhecer clássicos da música sueca do século XVIII? Por que eu preciso ler livros do século XIX escritos em de uma maneira que não se escreve nem fala mais hoje em dia? Como eu já disse em outro post, eu quero aprender a língua e depois decidir de acordo com a MINHA agenda que livros eu vou ler e que tipo de música eu vou escutar.

Adestramento

O autor também fala da idéia que parece permear a burocracia sueca de que nós (sim nós, eu também sou imigrante assim como você que está aí lendo e mora na Suécia, não apenas árabes, somalis e iraquianos) precisamos primeiro aprender a viver na sociedade sueca, antes de qualquer coisa. Sim porque no mundo lá fora TUDO funciona diferente e se nós não aprendermos como as coisas funcionam AQUI, nunca conseguiremos nos integrar. Eu não acho que isso seja racismo, talvez um pouco de preconceito, somado à ignorância com uma pitada de inocência e falta de conhecimento do mundo lá fora, aquele para além da costa leste do país. É essa mistura que faz com que, por exemplo, a Ju quase fosse impedida de entrar no segundo nível de um curso de francês na Universidade de Estocolmo, mesmo tendo estudado francês na França, porque dã, ela não fez o primeiro nível na Universidade de Estocolmo. E qualquer que seja o Francês que eles ensinam lá na França é óbvio que não é a mesma coisa que ensinam aqui.

Numa das respostas à série de reportagem – que teve muitas respostas, hoje o jornal publicou duas páginas só com respostas – uma professora sueca aposentada diz que ajudou um professor polonês com 15 anos de experiência a escrever uma monografia para poder ter licença para dar aula aqui na Suécia.  Ela conclui com uma certa ironia

Ele será certamente um professor muito melhor depois de escrever 30 páginas sobre como se ensina, não é mesmo?

Outra leitora do jornal diz o seguinte

Eu fiz parte de uma revolução, estudei em três países e falo quatro línguas. Mas isso não é nenhum mérito na Suécia, o que conta é ser sueco, falar como sueco, se comportar como sueco, pensar como sueco.

Esse mesmo preconceito, misturado à inocência, ignorância e ao gosto por tudo o que já é conhecido e claro como água constrói o muro que separa muitos imigrantes do mercado de trabalho. Segundo Maciej Zaremba muitos suecos são selecionados para empregos no lugar de imigrantes porque

Vão rir das mesmas piadas, não vão dar uma opinão que não seja fundamentada, não vão falar de livros que os outros não conheçam, não vão interromper quem está falando, vão compreender exatamente o que sigfica dizer que Olsson “é meio especial”*.

Por isso tudo eu tenho um certo receio de vir a trabalhar num lugar onde eu seja a única estrangeira (isso me lembra do Daffyd, the only gay in the village, personagem do David Walliams em Little Britain). Eu não quero ser o elefante branco no meio da sala. Na Inglaterra eu sempre trabalhei com gente de vários lugares, não tinha olhares estranhos, ninguém se sentia excluído.  E todos precisavam, uma vez ou outra, explicar piadas.

A indústria da integração

Num dos artigos da série o autor fala que a integração pode não ter dado certo na Suécia, mas muita gente saiu lucrando. Sim porque o governo está tentando privatizar a integração e começou pelas escolas de sueco. E é obvio que isso significa professores não necessariamente qualificados, ganhando menos  e  salas de aula cheias.  O concurso é para ver quem consegue “educar” mais gente pelo menor preço. O tipo de ensino e aprendizado resultam dessa  equação vocês podem imaginar.

Quando eu estava na escola, a minha professora queria que eu fizesse a prova final um mês antes da data que estava marcada porque ela achava que eu estava preparada.  Quando ela foi pedir a autorização da diretora da escola (que nunca me viu mais gorda), a diretora disse que eu deveria esperar mais um mês. Eu ja tinha feito outra prova um mês antes da data marcada e acho que a diretora achou que eu não estava dando lucro para a escola, que recebia por aluno/hora-aula.

Identidade escrita na pedra

Nesse debate todo sobre integração, uma coisa que eu não entendo é porque tem gente que pensa que a identidade de uma pessoa está escrita na pedra, não pode mudar.Istoé: se eu sou brasileira não posso aceitar a cultura sueca e valores suecos.  Eu acredito que uma coisa nao exclui a outra, que uma pessoa pode se identificar com várias culturas, com várias nações.

Na minha opinião a era de um povo, uma nação, uma cultura já passou.

* Em sueco, quando se diz que uma pessoa é um pouquinho especial isso significa que a pessoa não bate bem, é estranha. Esse é outro exemplo de swenglish. as vezes o Nicklas me falava que ciclano ou beltrano era a little special e eu achava que a pessoa era trilegal, só não entendia por que ele falava que a pessoa era só um pouquinho especial em vez de dizer que a pessoa era bem especial.

A princesa casa e o povo paga a conta

Não sei se alguém notou a minha falta virtual, mas eu passei a semana inteira lendo jornais do ano passado para a minha dissertação. Segunda-feira eu tive uma reunião com a minha orientadora e o grupo de orientandas dela (eu e mais três colegas, ao todo somos cinco, mas uma das minhas colegas está fazendo um curso em Londres) e precisei também ler as propostas das minhas colegas para poder discutí-las. Para o meu profundo alívio a minha orientadora disse estar muito satisfeita com o meu progresso e gostou do que eu escrevi até o momento.  E se ela está satisfeita, eu também estou.

Mas vamos ao que interessa. Acho que já é de conhecimento geral que a princesa vai casar ano que vem. Quem não está a par dos detalhes pode ler o post da Ju. Como nós sabemos, ou melhor imaginamos (porque não é todo mundo que frequenta círculos reais), esse tipo de evento custa caro. E a família real sueca não pode fazer feio perante outras casas reais. Imagine só, se o príncipe fulano da Noruega teve uma fonte de Cristal, se no casamento da princesa fulana da Espanha serviram trufas com folhas de ouro, o casamento da Vitória não pode deixar por menos.

Só tem um problema. Dinheiro de menos. Os assessores econômicos do rei descobriram que a verba de cerca de 112 milhões de coroas (cerca de 30 milhões de reais) que a casa real vai receber esse ano não será suficiente para organizar um casamento digno de uma princesa-herdeira. E como quem casa quer casa, além do casamento também é preciso montar um ninho para os pombinhos. Diante dessa situação, o que faz o rei? Como nesses tempos modernos em que vivemos não dá para ele vender um pedaço de terra para a Dinamarca ou Noruega ou conquistar mais uns territórios na direção da Rússia, a única coisa que resta ao nosso soberano é pedir mais dinheiro ao parlamento sueco. E eu não preciso explicar de onde vem a grana não é mesmo? Dos impostos.

Mas veja bem, nós estamos falando de um país que atravessa uma crise econômica. Um país onde milhares de pessoas perderam seus empregos ano passado e onde estima-se que mais gente vá ser demitida esse ano. Um país onde muita gente foi obrigada a vender a casa com prejuízo porque não podia pagar a hipoteca por causa do aumento nos juros. Daí o que faz o monarca, que possui uma coleção de carros antigos? Ignora tudo isso e pede mais uns milhõezinhos para enterter umas cabeças coroadas do mundo. Não sei se é porque a família real não é nenhum símbolo de orgulho ou identidade nacional para mim pessoalmente, mas eu achei isso um insulto.

Tem muita gente dizendo o dinheiro que o rei vai ganhar não é nada perto da publicidade e aumento no turismo que o casamento vai gerar para a Suécia. Eu na minha ignorância não vejo nenhuma relação, eu acho que o turismo aqui na Suécia é influenciado por outros fatores. E eu não vejo uma como uma pessoa na Áustralia, por exemplo, pode ver umas fotos do casamento numa revista e pensar: poxa que casal simpático, vou ter que visitar a Suécia para conhece-los.

Acho que um uso muito melhor do dinheiro seria investir em treinamento para as pessoas que estão desempregadas ou criar uma linha de crédito para aqueles que não estão conseguindo pagara hipoteca das casas. Porque não sei se o rei se deu conta, mas quanto menos gente trabalhando e pagando impostos no país, menos chance ele tem de receber seu salário.

Olhem só os comentários deixados no site de um jornal sueco (traduzidos por mim):

Todo mundo pode mesmo se mudar para o castelo com o rei quando o dinheiro e os empregos sumirem.

Eu imagino como deve ser viver como o rei a a família real… Eles não foram nenhum pouco afetados pela crise econômica.  Parece que eles estão completamente fora da realidade. “Agora minha filha vai casar e precisa de uma casa, mandem o dinheiro”

Eu conheço essa história: pagar 100 milhões de coroas para que eles apareçam em revistas de fofocas espanholas e alemãs. Nós não ganhamos nenhum dinheiro com isso. Como já disse, com a minha experiência em viagens, eu sei que a família real é um pontinho no espaço. No geral ninguém se importa com eles. Bom talvez tenham alguns monarquistas fanáticos suecos espalhados pelo mundo. Mas eles podem continuar a adorar a família real independente de o rei ser ou não pago pelo estado.

Não é só o rei que precisa de dinheiro. Tem muito mais gente que gostaria de receber uns trocados extras do governo. Mas quando a Saab precisa de ajuda eles dizem não. A Saab não é um símbolo sueco? Quantos estrangeiros conhecem a Saab versus o rei? Por que nós não investimos em gerar empregos na Suécia em vez de investir no rei? Em vez de dar mais dinheiro para o rei poderiam salbar uma empresa sueca, ou retomar o controle de empresas que eram suecas.

Deixem aqueles que tem a ganhar com o casamento pagar por ele Aftonbladet, Expressen, Svensk Damtidning, Se och hör (jornais e revistas de fofoca). Todas as revistas e jornais de fofoca devem pagar mais impostos ano que vem. São os que ganham com o casamento que tem condições de pagar por ele. Simples.

A história da política de imigração na Suécia

A revista Fokus dessa semana publicou uma matéria com o Ministro da Imigração Tobias Billström que propôs uma nova lei que recebeu duras críticas mesmo de partidos aliados. De acordo com a lei proposta por Billström cidadãos suecos naturalizados que cometam crimes perderão a cidadania sueca. A matéria conta a história do ministro desde os tempos de universidade, mas também a história do desenvolvimento da política de imigração sueca, que eu achei muito interessante e resovi traduzir aqui.

O modelo sueco

Virar a casaca de acordo com o vento

Houve um tempo em que a imagem da Suécia como o país mais generoso com imigrantes no mundo inteiro refletia a realidade.  Desde a metade do século XIX até a I Guerra Mundial a imigração era uma prática totalmente desregulada. Mas mesmo assim  o número de imigrantes não era grande. Em contrapartida os suecos emigravam: 1,3 milhões de suecos deixaram o país durante esse período para tentar a sorte nos Estados Unidos.

A situação mudou com o desenvolvimento da indústria e a demanda por mão-de-obra depois da guerra.  Finlandeses, Iugoslavos, gregos, turcos. Durante duas décadas cidadãos de certas nacionalidades podiam trabalhar e viver na Suécia livremente.

O número de imigrantes aumentava a cada ano e o desenvolvimento econômigo do país parecia durar para sempre. Em 1965 chegaram aqui 46500 estrangeiros, o número mais alto até então. No ano seguinte a situação econômica apertou e os políticos se apressaram em fechar as fronteiras. Em 1967  a imigração de trabalhadores para a Suécia foi regulamentada.

Ao mesmo tempo que a imigração de força-de-trabalho diminuiu os políticos ganharam um novo problema para resolver. Refugiados. Eles não eram tantos antes. Talvez mil por ano. O número exato é difícil de saber porque o Departamento de Imigração só começou a elaborar estatísticas na década de 80. Os refugiados vinham de países completamente diferentes que os trabalhadores europeus que migraram para a Suécia nos anos anteriores. O golpe militar no Chile foi em 1973 foi uma de muitas razões.

Frente à uma situação completamente nova o parlamento sueco decidiu por unanimidade em 1975 criar uma política de imigração. Mais um modelo sueco, como os políticos declararam orgulhosos, era lançado. Segundo a própria descrição, o mais humano do mundo.

O consenso do bloco político sobre a política de imigração permameceu por décadas porque existiam duas salva-guardas: Social-democratas e Moderados. A vontade dos outros partidos teve um papel apenas marginal.

O que tinha um papel importante, entretanto, era a opiniões. Quando imigração significaca imigração de trabalhadores não havia muito espaço para opiniões. Os imigrantes tinham emprego, casa e se assimilaram à sociedade sueca. Não havia muito o que discutir.

Mas nos anos 80 falar em imigrantes era falar em iraquianos, iranianos, eritreus e somalis. A indústria estava em declínio e o Miljonprogrammet* tinha terminado. O descontentamento com a política de imigração se tornava cada vez mais aparente.

A Ministra da Imigração Maj-Lis Lööw assumiu no governo social-democrata junto com Göran Persson em 1989. Nessa época o próprio ministro da imigração era a última instância num processo de pedido de asilo. Ela tomou a decisão na segunda-feira. Na quinta-feira da mesma semana foram publicados os nomes daqueles que deveriam deixar o país.

A ministra ainda era nova no posto quando ela tomou sua decisão mais difícil. Foi no dia de Santa-Lúcia** em 1989. O título do release revela a pressão pela qual ela passava: “O sistema sueco de asilo político se encontra em crise”.   O decreto de Santa Lúcia, como foi chamado, foi o aperto mais forte na política de imigração até então. Apenas refugiados segundo a Convenção de Geneva poderiam receber asilo e não pessoas que se encontrassem em situação de risco em seus países.

Mesmo assim isso não representou uma mudança de curso. A lógica continuava a mesma do tempo da grande imigração de mão-de-obra, como sempre foi: quando a integração não é bem sucedida o número de imigrantes precisa diminuir e vice-versa.

E o espiral continuou até a eleição de 1991, quando 368 282 eleitores votaram no Ny demokrati (Nova Democracia – partido ultra-nacionalista de extrema direita). 6,7 porcento do total de eleitores. O sucesso se deveu à política de imigração do partido. Nunca os suecos foram tão críticos à imigração quanto no início dos anos 90, de acordo com uma pesquisa do Instituto Som. E isso deixou marcas na política.

- O Ny demokrati influenciou os outros partidos indiretamente na elaboração de políticas mais restritivas. Eles ganharam um significado maior do que o apoio dos eleitores – diz o professor Björn Fryklund na faculdade de Malmö, que há muito tempo pesquisa sobre movimentos e partidos populistas de direita.

O governo de direita, com Friggebo como ministro da imigração, tentou acabar com a vinda de refugiados da Iugoslávia através da imposição de visto para bosnios (?) em 1993, quando a guerra estava em seu pior momento. “

* Miljonprogrammet: programa do governo sueco durante os anos 60-70 para construir 1 milhão de apartamentos como preços acessíveis.

** Dia de Santa Lucia: 13 de dezembro, marca o início das comemorações de Natal

Escreva primeiro, pergunte depois

Pegue uma mulher num país estrangeiro, possivelmente com problemas psicológicos, governado por um partido de extrema direita que fez uma campanha abertamente contrária à imigracão. Digamos que ela invente um ataque xenofóbico. O resultado poderia ser uma família preocupada, um julgamento, alguns traumas e possivelmente um tratamento psicológico. Agora coloque na equacão uma imprensa onde a falta de profissionalismo impera, qual o resultado? Escândalo, caos e marcas que ficarão por toda a vida.

Eu não estou dizendo que se se confirmar que a Paula Oliveira mentiu, inventou a gravidez e o ataque, ela seja uma coitadinha. Acho que se ela mentiu para a polícia precisa ser punida; se tem problemas psicológicos precisa ser tratada. Mas facamos um exercício: o que teria acontecido se o caso não estivesse nas capas dos jornalões e na tela da TV um dia depois de ter acontecido? O que aconteceria se fosse eu ou você que não temos pais bem relacionados em Brasília? (No meu caso, pode ser que o Jornal do Povo desse uma notícia, talvez, bem talvez, a Zero Hora, porque meus pais não são tão bem relacionados quanto o Sr. Paulo Oliveira, político e advogado). Imagine se fosse um de nós, eu ou você, e se nós realmente tivéssemos problemas psicológicos. Você ia querer a sua foto estampada nos principais jornais do país? Não né, pois é, nem eu e acredito que nem a Paula.

Para mim é um misto de mau-caratismo com covardia que a imprensa tenha se portado como se portou. Quem trabalha na imprensa sabe o poder que tem em mãos e deveria saber que esse poder deve ser usado com cuidado. Agora imaginem, alguém numa redacão de jornal recebe o telefonema do Sr. Paulo Oliveira, umas fotos por email – que ele disse ter pedido à filha que tirasse para servir como prova – e tcharan, o que temos: uma notícia. Para que checar com a polícia, para que investigar, para que ouvir os outros lados da história, quando se pode dar a notícia imediatamente, antes de todo mundo, não é mesmo?

Parece que o imediatismo é bem mais importante que outros princípios do jornalismo, como a investigacão.  Um jornalista não pode esperar escrever a verdade absoluta sobre alguma coisa – muitos duvidam até que algo como verdade absoluta exista – mas investigar um fato sob vários ângulos, procurar informacões em várias fontes, isso é perfeitamente possível. O problema é que investigar um fato minuciosamente significa esperar uns dias para publicá-lo, o que parece ser inaceitável para a imprensa brasileira. O importante é falar qualquer coisa, mesmo que depois seja preciso desmentir. A Paula por exemplo era vítima na semana passada e nessa é culpada. Semana passada ela tinha nome e sobrenome na Folha, essa semana ela só tem sobrenome.  Mas no fim das contas contas é a cara – e a barriga – da Paula que estão nos jornais mesmo, não a do editor, então para que se preocupar como essas coisas de ética?

Na minha humilde opinião o maior vexame nessa história toda foi o da imprensa, mas os jornais vão continuar aí, todo mundo vai continuar lendo e daqui a pouco eles acham outro super furo de reportagem , outra pessoa para julgar. Enquanto a Paula vai continuar sendo para muita gente a brasileira que saí por aí manchando a reputacão do Brasil no primeiro mundo.

*Povo eu estou escrevendo no computador da universidade e não consegui achar o cedilha, peco desculpas pelos transtornos causados!

Artistas arteiros

A Konstfack é uma escola de artes super tradicional aqui na Suécia, cujas origens datam lá do século XIX. Muita gente famosa por aqui – no ramo das artes, fique bem entendido- estudou lá, como por exemplo Mats Åkerman e Jan Stenmark. Dizem que não é qualquer um que estuda lá: precisa apresentar portfólio e uma carta de intenções e  tem uma  entrevista.  É algo tipo a nata da nata da vanguarda artística.

Acontece que agora alguns alunos da Konstfack resolveram fazer arte. Não essa arte dos quadros que temos nas paredes, mas aquela que as mães não gostam que os filhos façam. Como por exemplo escrever nas paredes com chocolate, no meu caso. (Eu era uma criança bem criativa, assim como os alunos da dita escola).  E eis que a escola agora não sai das páginas dos jornais.
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Primeiro foi um aluno até agora não identificado que em seu projeto de graduação resolveu pichar um trem do metrô de Estocolmo, quebrar uma janela para sair e filmar. Tudo isso com o trem em trânsito. O filme de dois minutos foi o trabalho de conclusão de curso dele. Agora a SL, empresa de transporte público de Estocolmo está processando a escola em 100 mil Coroas Suecas (cerca de 26 mil Reais) pelos danos causados. A escola diz que não autoriza projetos que possam causar danos à propriedade pública ou privada, mas o aluno foi aprovado e ganhou seu diploma.

Agora em janeiro outra aluna, Anna Odell, colocou em prática seu projeto de se fazer passar por doente mental tentando cometer suicídio perto de uma ponte aqui em Estocolmo.  Ela foi ajudada por passantes que chamaram a polícia. A polícia levou Anna para uma emergência psiquiátrica onde ela foi medicada. Depois disso ela se identificou, disse que era completamente saudável e que tudo era parte de um projeto para a faculdade. Os médicos não acharam o acontecido lá muito artístico e reportaram Anna para a polícia. A estudante está sendo acusada por sete infrações legais. Os professores da faculdade expressaram seu apoio à estudante, mas a escola iniciou uma investigação interna para reavaliar seus procedimentos.

Semana passada alguns professores da faculdade escreveram um artigo em um dos diários nacionais suecos, o Dagens Nyheter, apoiando a aluna.  Eles dizem que (tradução bem livre minha)

“Todos nós sabemos que a medicina, os hospitais e psiquiatria tem funcionado historicamente não apenas como mecanismos de apoio, ajuda e cura mas também como um campo para o exercício do poder e disciplina.

Poucos negam que o papel da psiquiatria tem sido o de apontar e definir os limites da normalidade”

Acho que esses profes andaram lendo o Alienista. Bom, mas voltando ao assunto, eles acrescentam que um experimento parecido foi feito por uma jornalista na década de 70 e que também gerou intenso debate. Além disso, dizem os professores, quando a aluna terminar o trabalho e expor seu objetivo – que até agora não foi exposto – a sociedade irá entender o porquê de ela ter agido como agiu.

Daí eu me pergunto, quais são os limites da arte. Eu acho que a criatividade não deve ser limitada.  Se empresas podem pagar para colocar seus outdoors feios  e muitas vezes cheios de preconceito e estereótipos no espaço público, por que artistas não podem utilizar esse espaço? Só que eu também acho que a arte deve nos fazer pensar, nos fazer ver as coisas sob uma perspectiva diferente. Eu não sei se eu considero o resultado do projeto do nosso pichador anônimo arte. Mas e aí, quem decide o que é arte e o que não é? Eu? Os intelectuais? Os curadores dos museus? Executivos de grandes empresas quando decidem que projetos vão patrocinar?

E o projeto da moça que se fingiu de suicida é arte? É um desperdício do dinheiro público? E se fosse um estudo sociológico, será que despertaria tanta polêmica?

Se alguém tem a resposta para essas perguntas, be my guest, porque eu não faço a mínima ideia.


Todos querem ser donos da verdade

Eu não retiro uma vírgula do que disse no post anterior. Eu acho que a história da agressão à Paula tomou rumos inesperados e mesmo que a hipótese de que ela teria se auto-mutilado e inventado o ataque seja comprovada isso não vai mudar em nada o fato de que a situação para imigrantes aqui na Europa está se deteriorando.

Até agora eu não encontrei uma fonte de informações confiável.  A imprensa brasileira é muito apressada em achar culpados em achar uma explicação, qualquer que seja, vide o caso do vôo TAM.

Do lado suíço, não sei o que esperar de um país governado por um partido de extrema direita, que tinha um discurso racista durante a campanha eleitoral e que em sua plataforma de governo quer limitar os direitos de imigrantes no país. Além disso, até 1990 mulheres não podiam votar nesse cantão suíço.  (Os textos estão em inglês e espanhol, respectivamente). Nesse contexto assim super favorável (ironic mode on) a mulheres e imigrantes não dá para esperar que instituições estatais – como a polícia – tratem um membro desses dois grupos maravilhosamente bem.

Nós e os outros

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Ontem de manhã eu saí da academia e no caminho até a estação de metrô, uns 5 minutos, liguei para a Ju. Eu cheguei em casa sã e salva o que não aconteceu com a Paula Oliveira, que mora em Zurique, na Suíça. Como muita gente deve saber a Paula foi agredida por neonazistas quando voltava do trabalho, o choque a fez perder os gêmeos que estava esperando. Infelizmente a Paula não foi a primeira vítima desse tipo de crime aqui na Europa. E lamentavelmente ela não será a última.

Em setembro de 2007 eu escrevi nesse post sobre a campanha eleitoral ultra-racista do SVP, o partido que agora está no poder na Suíça. O SVP é apenas um, talvez o mais bem sucedido, dos partidos de extrema direita que pipocam aqui na Europa. A Grã-bretanha tem o British National Party, a Itália tem o Lega Nord e aqui na Suécia tem o Sverigedemokraterna. Durante os últimos anos o número de votos para esses partidos tem crescido bastante. O problema não é que as pessoas hoje são mais racistas do que no passado, mas sim que hoje certos comportamentos estão se tornando socialmente aceitos. E isso é muito perigoso.

Muito do racismo que existe hoje na Europa e faz com que episódios horríveis como o que aconteceu com a Paula Oliveira se tornem mais comuns tem origem num raciocínio prá lá de tacanha, que muitas vezes é incentivado pela mídia. O discursos desses partidos neonazistas é, em essência, de que a imigração é a principal causa da violência e desmantelamento da sociedade. Falta de emprego, criminalidade, baixos salários … é tudo culpa dos imigrantes.

Para quem não se esforça em entender outras culturas é muito fácil colocar culpar quem é diferente e mais vulnerável. Para quem não quer entender uma complexa rede de relações sociais e políticas que causam a falta de emprego, os baixos salários e a alta criminalidade, é muito fácil dar uma cara ao vilão. Criar um antagonismo entre nós e eles faz um grupo pensar que ao eliminar o outro estará solucionalndo todos os seus problemas.

A partir da década de 90 o fluxo de imigrantes para os países do oeste europeu aumentou muito. Duas guerras no Iraque e conflitos na ex-Yugoslávia e África contribuíram para que muita gente deixasse seus países. Ao chegarem no novo país, imigrantes, asilados e refugiados estão numa posição muito vulnerável. A integração à nova sociedade é muitas vezes quase impossível sem falar a língua e morando num gueto. A segregação da qual muitos imigrantes são vítimas causa outros problemas como desigualdade, pobreza e obviamente a violência.

Do outro lado da equação está a ignorância que anda de mãos dadas com o preconceito. Não entender a cultura do outro faz muitas vezes com que nós formemos opinões erradas – preconceito. O preconceito faz que nós não aceitemos que outros sejam diferentes de nós – intolerância. Como eu já escrevi lá em cima, a mídia contribui muito para formar a imagem dos imigrantes em vários países na Europa. Ela contribui quando retrata imigrantes como criminosos, ou quando diz que imigrantes abusam do sistema de bem-estar social ao mesmo tempo que se cala  sobre a dificulde de encontrar emprego, ser aceito e se integrar na nova sociedade. A mídia também contribui quando retrata certas culturas e religiões – vocês sabem quais – de uma forma extrema, maniqueísta e unilateral.

Mas eu acredito que nós brasileiros – principalmente os que moram na Europa – não estamos numa posição muito boa para falar de tolerância. Eu já ouvi e li muitas opiniões extremamente preconceituosas sobre árabes, muçulmanos, africanos, europeus do leste, indianos … a lista poderia continuar. Quando um de nós é agredido e violentado é preciso refletir e pensar que a raíz dessa agressão é esse tipo de idéia que nós também temos a respeito de outros.

Leia o post da Ju sobre o assunto.

Leia mais sobre imigração na Europa.

O X da questão

Domingo, depois de um mês de pausa, a minha assinatura do jornal voltou. Eu ganho a assinatura da faculdade, então eles precisavam registrar que eu paguei o equivalente sueco ao Diretório Acadêmico. Voltou em tempo de eu ler sobre o debate envolvendo reformas propostas para o SFI (Svenska för invandrare) o curso de língua sueca e “intrudução à sociedade” que é oferecido a todos os imigrantes com visto de residência e trabalho.

O que acontece é que, segundo a aliança governista, o curso precisa ser reestruturado. Eles alegam que muita gente usa o curso como fonte de sustento – através da ajuda de custo oferecida a refugiados – e fica estudando o beabá em sueco por aaaaanos a fio. As propostas, elaboradas em conjunto pelos ministérios da Educação e Integração, incluem um limite de três anos para que o aluno termine o SFI, um bonus para aqueles que terminarem o curso em pouco tempo, mais fiscalização nas escolas e treinamento para os professores.

O problema é que essas propostas não foram muito bem aceitas entre os professores e diretores de escolas. Eles acham que o foco dos parlamentares está no lugar errado. Segundo eles, o foco deveria ser em melhorar a qualidade do ensino e oferecer treinamento aos professores. O X da questão não é que as pessoas demoram muito para terminar o SFI, mas sim que muitos desistem da escola sem terminar o curso. Jakob Thunell, diretor de uma escola em Södertalje, na região metropolitanana de Estocolmo, diz que não reconhece o quadro pintado pelos governantes, de estudantes que permanecem no SFI por tempo ilimitado; pelo contrário, ele diz que muitos pedem para fazer a prova para terminar o curso, mesmo não estando prontos.

Outro ponto salientado por professores e diretores de escolas é a diferença de background entre os alunos. Segundo estimativas do governo, 23% dos alunos têm até seis anos de escola em seus países de origem, alguns são analfabetos e, obviamente, precisam primeiro ser alfabetizados para depois aprender a língua.

De minha parte, eu tendo a concordar com os professores e diretores de escola. Eles trabalham todos os dias com o ensino de sueco e provavelmente têm muito mais conhecimento de causa do que os políticos que recebem relatórios prontos de seus assessores, provavelmente sem nunca ter pisado numa dessas escolas. Eu tive uma experiência ótima e uma péssima com o SFI e acho que a qualidade do ensino realmente fez muita diferença na motivação que eu tinha para estudar. Quanto às pessoas usarem o SFI como fonte de sustento, eu acredito que existem casos, mas não é a regra. A grande maioria dos meus colegas queria terminar o curso para poder ir adiante na vida: fazer um curso universitário, encontrar um emprego e principalmente se incluir na sociedade. Mas, quando as coisas não vão bem é muito fácil colocar a culpa na parte mais fraca: os imigrantes, principalmente refugiados que “só querem saber de mamar nas tetas do governo”, afinal de contas, nem votar eles votam!

Informações para quem vai trabalhar no exterior

O governo brasileiro acaba de lançar uma cartilha para brasileiros que pretendem trabalhar no exterior. A cartilha traz informações sobre vistos, organizações de apoio ao imigrante, deportações, etc.

Clique aqui para baixar a cartilha.

Melhor pensar bem antes de comprar mais um batom…

A interessante experiência de ler o jornal

Ontem, no caminho para o centro peguei um dos jornais distribuidos gratuitamente para ler. Foi uma experiência, digamos, interessante. A manchete era sobre um a quadrilha de latino-americanos sul- americanos que roubam as casas no sul de Estocolmo, onde moro. Até ai tudo bem, crime e primeira página de jornal sempre combinaram como arroz e feijão. Entretanto, eu achei engraçado eles se referirem aos ladrões como latino-americanos sul-americanos . Segundo a Wikipédia, a América Latina engloba 22 países. Como Nicklas argumentou, é mesma coisa que dizer uma quadrilha européia, não esclarece nada, os ladrões podem ser croatas, alemães, poloneses, suíços… Mas não para por aí, pois o jornal também afirma que os membros da quadrilha tinham “aparência latino- sul-americana”. Alguém pode me dizer que aparência é essa, pois se eu penso nos (as) latinos (as) que conheço de vários dos 22 países, eles tem várias aparências. Fazia tempo que eu não via algo de tamanha ignorância publicado num jornal (sem contar aquela revista semanal brasileira, cujo nome é sinônimo de olhe). Eu aceito que uma das minhas colegas no curso de sueco diga que eu não pareço brasileira, porque sou muito clara, afinal o cidadão comum não tem obrigação de ter um vasto conhecimento sobre o Brasil. Eu também, até bem pouco tempo, não sabia muito sobre o Curdistão, de onde ela vem. Só fiquei sabendo mais porque tive uma colega austríaca, mas de origem curda, no mestrado em Londres. Ela estava pesquisando sobre a diáspora dos Curdos e me contou várias coisas sobre essa parte do mundo. Mas um jornal, na minha humilde opinião, deveria ter um pouco mais de cuidado com uso da palavra escrita. Não interessa se é um jornal grátis. Jornalistas, repórteres, editores, não precisam ser experts em américa-latina (ou américa do sul) , mas poderiam pensar um pouquinho mais e procurar informações (coisa em que eles deveriam ser peritos) para não escrever tamanha burrice.

Mais adiante no mesmo jornal, uma publicidade me chamou atenção. Era um anúncio de uma página da Svenskt Näringsliv, algo como Confederação das Empresas Suecas. Esse anúncio, com o título “A fábula da moça que comprou muito pouco”, contava, de forma literária, a estória de uma moça que no Natal sempre comprava várias coisas: presentes, decorações, comidas fazendo a felicidade do dono da loja, que assim podia manter seu negócio, pagar seus funcionários, etc. Mas, tudo mudou quando a moça leu artigos dos cruéis articulistas, que diziam que as pessoas estão comprando demais, que isso é ruim para o meio ambiente além de alimentar um sistema exploratório. Os articulistas diabólicos pediam que as pessoas comprassem menos, fizessem seus presentes, etc. E a moça (e mais um monte de gente) ouviu os articulistas e decidiu comprar menos. E isso teve sérias consequências: o dono da loja precisou fechar seu negócio, seus fornecedores tiveram que demitir funcionários porque o consumo diminuiu e a moça do título teve um natal muito chato. Tudo isso porque ela não comprou o suficiente.

Tudo bem, eu defendo a liberdade de expressão (até mesmo dos neonazis) mas isso é um insulto à inteligência das pessoas. Primeiro essa linguagem de estória infantil forçou a barra. Segundo, são exatamente pequenos negócios, como o da fábula, que sofrem com a expansão das grandes corporações. Terceiro, a maioria dos movimentos e organizações que tentam propor alternativas ao nosso modo de vida extremamente nocivo ao ambiente defendem o consumo em negócios locais, como o caso da propaganda. Na verdade, quando eu li o anúncio eu não sabia se dava risada da idéia totalmente equivocada que a agência de publicidade teve, ou se me irritava com a maneira como eles distorceram a realidade.

Depois dessa, eu parei de ler o jornal, tinha chegado na minha estação.

Ao contrário da moça que comprou muito pouco, eu acho que comprei o necessário, comprei de lojas pequenas (onde o atendimento geralmente é muiiiito melhor) e a maioria das embalagens eram recicláveis. Acho que o meu Natal não vai ser chato como o da moça que comprou muito pouco.

Para que servem os jornalistas

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Semana passada a Ju me passou o link do programa Uppdrag granskning (não sei uma tradução boa para o português, aceito contribuições. Recebi contribuições da Ju – vide comentários e da Givana: Missão Investigação. Valeu gurias) que foi ao ar quarta feira dia 24/10. O UG é um excelente programa de jornalismo investigativo apresentado pelo Janne Josefsson, que eu considero um jornalista com culhões, ele não se intimida diante de políticos, empresários e exige deles respostas e explicações sobre os assuntos investigados. O programa que assisti falava sobre empresas de limpeza contratadas (terceirizadas, para variar) para limpar cadeias de restaurantes como Mc Donald’s, Burger King e Max (um tipo de Mc D’s sueco). Essas empresas empregam quase sempre imigrantes, pagam pouquíssimo e obviamente, não cumprem os direitos trabalhistas.
Quando a reportagem termina, o Janne questiona pessoas envolvidas no assunto. Nesse caso foram representantes do Burger King, Max e McDonalds.Quem ta pensando que eles vieram com aquela conversa e isso é lamentável, não era de nosso conhecimento, vamos tomar providências o mais rápido possível acertou em cheio.

Eis que hoje, o jornal diário de circulação nacional Dagens Nyheter publicou essa matéria afirmando que depois da transmissão do programa, uma das cadeias de restaurantes reviu seus contratos com as empresas de limpeza e está oferecendo vagas àqueles anteriormente empregados por elas.

Quando eu pensava em ser jornalista e depois durante a faculdade eu sempre acreditei que esse é o papel da imprensa: denunciar, exigir explicações e ajudar a promover mudança social. Claro que não é sempre que isso acontece e não é sempre que os jornalistas têm essa possibilidade.

Especialmente no que tange à violação dos direitos trabalhistas, eu acho que a mídia tem um papel muito importante a cumprir. O poder legislativo elabora leis e o judiciário garante que serão elas cumpridas e pune o não cumprimento. Mas quem comete abusos aos direitos trabalhistas sempre conta com a ignorância da justiça. Só que quando o fato esta na capa do jornal, na tela da TV e do computador, fica mais difícil ignorá-lo.

Ainda no mesmo tema, hoje a Denise, do Síndrome de Estocolmo escreveu sobre a fábrica de roupas fornecedora da Gap* na Ìndia onde foram encontradas crianças trabalhando em condições análogas à escravidão. Imaginem qual foi a resposta da Gap?? Isso é lamentável, não sabíamos de nada, blablabla. Que por sua vez é uma resposta muito pareciada com a de quem explora trabalho escravo no Brasil. Bom, eles têm que dar alguma desculpa, porque dizer: sim, nós deliberadamente exploramos trabalhadores para ter mais lucro, não fica muito bonito.

* Eu trabalhei na Gap por 8 meses em Londres,foi sem dúvida o meu pior emprego. Gerentes que tratavam os empregados como idiotas, uma pressão para estar sempre sorrindo, vendendo, e forçando intimidade com os clientes, salário péssimo e além de tudo eles faziam o possível para se esquivar de nos pagar benefícios, como horas-extra, adicional noturno e compensação para trabalhar em feriados. Depois que eu pedi demissão de lá, o trauma foi tão grande que eu só consegui entrar numa loja da Gap depois de um ano, e mesmo assim, não foi na loja em que eu trabalhava. Também não comprei mais nada lá e não pretendo comprar.

Refugiados, asilados, imigrantes

“As one of the countries involved in the invasion of Iraq, it(the UK) has a moral obligation to help those displaced by the bloodshed that has followed.” Kate Allen, Director of Amnesty International – UK Section

“Como um dos países envolvidos na invasão do Iraque, o Reino Unido tem a obrigação moral de ajudar os desabrigados durante o derramanento de sangue que seguiu a invasão.” Kate Allen, Diretora da Anistia Internacional-Reino Unido

Enquanto isso, mais ao norte …

More than half the asylum requests received in Sweden were from Iraqis. The 9,300 Iraqis who sought asylum in Sweden accounted for more than half of the Iraqi asylum applications worldwide.

Mais da metade dos pedidos de asilo recebidos na Suécia na primeira metade desse ano foram de iraquianos. Os 9,300 iraquianos que buscaram asilo na Suécia representam mais da metade dos pedidos de asilo de iraquianos no mundo inteiro.

Tirem suas próprias conclusões.

Eu não falei?

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Há tempos que eu venho observando essa onda de nacionalismo exacerbado e uma certa aceitaçãon social do racismo na Europa. Pois bem, hoje, lá na capa do The Independent, com todas as letras, está uma reportagem sobre a campanha do Partido do Povo Suíço para tornar mais rígidas as leis de imigração e punições para imigrantes no país, que é uma das mais antigas democracias da Europa.

O jornalista Paul Vallely sumarizou muitos dos meus pensamentos sobre os conflitos raciais, nacionalismo e choque entre o ocidente e oriente, em especial os crescentes problemas enfrentados pelos muçulmanos na Europa.

Leia a matéria em inglês, ou a minha tradução não profissional abaixo.

Suíça:trevas da Europa?
A Suíça é conhecida como um paraíso de paz e neutralidade. Mas hoje é o país da lugar a um novo tipo de extremismo que tem alarmado a ONU. Propostas por novas leis draconianas que tem como alvo os imigrantes foram taxadas de racistas e injustas. Um poster, parte da capanha do principal partido político, é tido cono xenofóbico. Teria a Suíça se tornado as trevas européias?

À primeira vista, o poster parece uma inocente história em quadrinhos para crianças. Três ovelhas brancas ao lado de uma negra. No desenho, parece que os animais estão sorrindo. Mas então você nota que os três animais brancos estão sobre a bandeira suíça. Uma das ovelhas brancas está chutando a negra para fora da bandedeira.express20070830_8155534_3.jpg

O poster representa, de acordo com a ONU, o símbolo sinistro do crescimento de um novo racismo e xenofobia no coração de uma das mais antigas democracias independentes em todo o mundo.

Um preocupante novo tipo de extremismo está em alta. Pois o poster – que traz o slogan “Por Mais Segurança” – não é o trabalho de um grupo neo-nazista. Ele foi concebido – e colado em outdoors, publicado em jornais e enviado para todas as casas numa mala-direta – pelo Partido do Povo Suíço (Schzweizerische Volkspartei ou SVP) que possui o maior número de cadeiras no parlamento Suíço e faz parte da coligação que governa o país.

Com as eleições gerais marcadas para o mês que vem, o partido lançou uma campanha que fez com que o observador especial para racismo da ONU pedisse uma explicação oficial do governo. O governo lançou uma campanha para obter 100 mil assinaturas necessárias para forçar um referendo para reintroduzir no código penal uma medida que permite que juízes deportem estrageiros que tenham cometido crimes sérios assim que eles cumpram sua sentença na prisão.

Ainda mais dramático, o SVP anunciou sua intenção de submeter ao voto parlamentar uma lei permitindo que a família inteira de um criminoso menor de 18 anos seja deportada assim que a sentença seja anunciada.

Essa será a primeira lei desse tipo na Europa desde a prática nazista de Sippenhaft – responsabilidade por parentesco – segundo a qual parentes de criminosos eram considerados responsáveis pelos crimes de seu parente e punidos igualmente.

A proposta será um caso-teste não apenas para a Suíça mas para toda a Europa, onde uma divisão entre multiculturalismo liberal e um isolamento conservador está se abrindo no discurso político em muitos países, incluindo o Reino Unido.

Graças a pontualidade dos trens suícos, o compromisso foi na hora exata. Eu iria encontrar Dr. Ulrich Schlüer – um dos homens por trás da proposta draconiana – no restaurante da principal estação de trem em Zurique às 19:10. Enquanto caminhava pela estação a caminho do encontro, eu ponderei o que pensaria Dr. Schlüer dessa hiper eficiente e limpa estação, onde uma sorridente menina somali vende sanduíches de peixe, um norte-africano limpa o chão, e babá negra fala inglês rudimentar com a criança de quem toma conta. A atitude do Partido do Povo Suíço para com imigrantes é, podemos dizer, ambivalente.

Um quarto dos trabalhadores Suíços – um em cada quatro, como a ovelha negra do poster – são imigrantes estrangeiros nessa pacífica, próspera e estável economia com baixo desemprego e um PIB per capita maior do que outras economias ocidentais. Zurique foi, nos últimos dois anos, considerada a cidade com a melhor qualidade de vida no mundo.

O que a babá pensava do poster da ovelha negra, perguntei a ela. “Eu sou convidade nesse país”, ela respondeu. “É melhor que eu não diga”.

Dr. Schlürt é um homel pequeno e afável. Mas ao mesmo tempo que fala com suavidade, ele empunha uma enorme espada. As estatísticas são claras, ele disse, a probalidade de que um estrangeiro cometa um crime é quatro vezes maior do que para um suíço. “Num subúrbio de Zurique, um grupo de jovens entre 14 e 18 anos recentemente estuprou uma menina de 13 anos”, ele disse. “No fim, todos eles já estavam sob investigação algum tipo de infração. Eles eram todos estrangeiros dos Balcans e Turquia. Os pais disseram que estes meninos estão fora de controle. Nós dizemos: ‘Isso não é aceitável. É responsabilidade de vocês controlá-los e se vocês não conseguem vocês vão ter que deixar o país’. É uma punição que todos entendem.”

Essa esta longe de ser a única idéia polêmica do partido. Dr. Schlüer lançou uma campanha para um referendo para banir a construção de minaretes muçulmanos. Em 2004, o partido fez uma bem-sucedida campanha para leis de imigração mais rígidas usando a imagem de mãos negras num pote cheio de passaportes suíços. E um de seus principais líderes, o Ministro da Justiça, Christoph Blocher, disse que ele quer suavizar as leis anti-racismo porque elas diminuem a liberdade de imprensa.

Os oponentes dizem que tudo depende das eleições gerais mes que vem. Apesar de a deportação ter sido excluída do código penal, ela ainda está em vigor na legislação administrativa, diz Daniel Jositsch, professor de direito penal na Universidade de Zurique. “No fim, nada mudou, o criminoso ainda vai para o aerporto e para o avião.”

Com táticas astutas, o referendo do SVP se restringe à restituição simbólica. Seu plano de deportar famílias inteiras foi submetido ao parlamento onde tem pequenas chaces de passar. Ainda assim, o dividendo em publicidade é o mesmo. E é tão preocupante para ativistas de direitos-humanos que um observador especial da ONU, Doudou Diène, advertiu ainda esse ano sobre uma “dinâmica racista e xenofóbica” que costumava ser comum apenas na extrema-direita está se tornando uma parte regular do sistema democrático na Suíça.

Dr. Schlüer rebate. “Ele vem do Senegal onde eles têm vários problemas que precisam ser resolvidos. Eu não sei por que ele vem aqui em vez de cuidar dos problemas do país dele.”

Esse tipo discurso apenas reforça as opiniões de seus oponentens. Mario Fehr é um parlamentar Social Democrata da região de Zurique. Ele diz: “Deportar alguém que comenteu um crime é não apenas injusto e desumano, é estúpido. Três quartos da população suíça acha que estrangeiros que trabalham aqui estão contribuindo para a economia. Nós temos vários trabalhadores qualificados – especialistas em informática, médicos, dentistas.” Livrar-se dos estrangeiros, o que os oponentes suspeitam ser a real intenção do SVP “seria um desastre econômico”.

Dr. Schlürt insiste que o SVP não é contra todos os estrangeiros. “Antes da guerra nos Balcans, nós tínhamos ótimos trabalhadores que vinham da Iugoslávia. Mas depois da guerra houve um grande influxo de pessoas com quem nós tivemos muitos problemas. O abuso dos benefícios sociais é um grande problema. Estima-se que custa R$3 bilhões por ano. Mais de 50% disso vai apra estrangeiros.”

Ele não esconde suas suspeitas no Islã. Ele causou alarme entre muitos muçulmamos suíços (em torno de 4,3% de 7,5 milhões) com sua campanha para banir o minarete. “Nós não somos contra mesquitas, mas o minarete não é mencionado no Alcorão ou nenhum outro texto Islamico. Ele apenas simbliza o lugar onde a lei Islâmica é estabeleciada.” E lei Islâmica, diz ele, é incompatível com o sistema legal suíço.

Atualmente há apenas duas mesquitas no país com minaretes, mas urbanistas estão negando solicitações para outros, depois que pesquisas de opinião mostraram que quase metade da população suíça era a favor da proibição. O que está em jogo na Suíça não é apenas a aversão a estrangeiro ou desconfiança no Islã mas algo muito mais fundamental. É um choqie que está no coração da crise de identidade que se vê em toda a Europa e nos Estados Unidos. É sobre como vivemos num mundou que mudou radicalmente desde a Guerra Fria com o crescimento da economia globalizada, crescimento do fluxo imigratório, crescimento do Islã como uma força internacional e o ataque terrorista de 119. A Suíça apenas ilustra esse fenômeno mais geograficamente que outros lugares.

A Suíça também é um exemplo latente por causa da complexa rede de influencias que encontram expressão em Ulrich Schlüer e seus colegas de partido

Ele é extremamente orgulhoso da independência de seu país. Ele é um defensor da política de neutralidade armada, que determina que a Suíça não possui um exército mas todos homens jovens são treinados e estão em stand-by.

Ligado a isso, está um sistema de democracia direta em que muitas decisões sobre impostos, educação, saúde e outras áres importantes são tomadas em nível local.

“Como a democracia direta funciona é um ponto muito sensível na Suíça”, ele diz, explicando que ele sempre se opôs a entrada do país na União Européia.

A Suíça tem as leis mais rígidas de naturalização em toda a Europa. Para se naturalizar, você deve viver no país legalmente por pelo menos 12 anos, sem ficha criminal e pagar impostos. A solicitação ainda pode ser negada pelo seu município que o encontra para perguntar: “Você fala alemão, você trabalha, é integrado à comunidade suíça?”

O município também pode perguntar, como aconteceu com Fatma Karademir, 23 anos – que nasceu na Suíça mas que de acordo com a lei é turca assim como seus pais – se ela sabia a letra do hino nacional suíço, se ela pensava em casar com um garoto suíço e para quem ela torceria se a Suíça jogasse contra a Turquia. “Esse tipo de questão estão fora da lei”, diz Mario Fehr. “Mas em alguns vilarejos remotos você tem problemas se vier da ex-Iugoslávia.”

O governo federal em Berna quer tirar o poder de decisão das comunidades lucais, uma delas concedeu o direito de voto as mulheres apenas em 1990. Mas as propostas do governo foram derrotadas duas vezes em referendos populares.

O grande e silencioso problema aqui é como a cidadania é definida. “Quando uma mulher suíça que emigrou para o Canadá tem um filho, essa criança é automaticamente cidadão suíço,” Dr. Schlürt diz. Mas em que sentido um menino nascido no Canadá, que crescerá num ambiente diferente com outra visão de mundo e valores é mais suíço de alguém como Fatma Karademir que nunca viveu em outro lugar a não ser a Suíça?

A verdade é que no âmago da visão do SVP está uma noção visceral de parentesco, procriação e sangue que os liberais gostariam de pensar que vai de encontro às ideias da maior parte do mundo Ocidental. Isso é o que está por trás do medo que o SVP tem até mesmo da facção moderada do Islã.

A questão de raça é mais abrangente que a política na minúscula nação. “Eu estou otimista de que a maré está se movendo na nossa direção, aqui em em outros países Europeus”, disse Dr. Schlüer. “Eu me sinto mais apoiado do que criticado do lado de fora.”

O drama que é interpretado numa linguagem direta e politicamente incorreta na Suíça tem repercussões em toda a Europa e fora dela.

Neutralidade e Nacionalidade

* A Suíça tem quatro líguas oficiais – Alemão, Italiano, Francês e Romanche. A maioria dos residentes fala Alemão como primeira língua.

* A população cresceu de 1,7 milhões em 1815 para 7,5 milhões em 2006.

* A Lei Suíça para nacionalidade demanda que canditatos à naturalização tenham um mínimo de tempo de residência legal no país e sejam fluentes numa das linguagens nacionais.

* Mais de 20% da população e 25% da força de trabalho não é naturalizada.

* No fim de 2006, 5888 pessoas foram internadas em prisões suíças, 31% cidadãos suíços e 69% de estrangeiros ou asilados.

* O número de trabalhadores migrantes trabalhando sem autorização é cerca de 100 mil.

Pena de Morte

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The Bush administration is preparing to speed up the executions of criminals who are on death row across the United States, in effect, cutting out several layers of appeals in the federal courts so that prisoners can be “fast-tracked” to their deaths.

O governo Bush está se preparando para acelerar o processo de execução de criminosos que estão no corredor da morte nos Estados Unidos, passando por cima de vários apelos em diversas instâncias das Cortes Federais para que os prisioneiros sejam mortos antes. The Independent

O que está acontecendo com o mundo? Eu espero sinceramente que os republicanos não ganhem as próximas eleições presidenciais nos Estados Unidos. Quero ver o que diz quem é a favor da pena de morte …

Escravidão na Europa

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Escravidão contemporânea existe também nos países ricos do oeste europeu. Aliás, para quem está desavisado, vou dar a notícia: escravidão AINDA existe no mundo inteiro. Estima-se que mais de 20 milhões de pessoas trabalhem hoje em condições análogas à escravidão, em torno de 25 mil delas no Brasil.

Mas engana-se quem pensa que isso acontece apenas em países subdesenvolvidos, países industrializados europeus também têm culpa no cartório. Hoje o The Guardian publicou uma matéria sobre 40 búlgaros encontrados trabalhando em condições análogas à escravidão numa fazenda na Cornuália. Essas pessoas pagaram pela sua viagem para a Inglaterra, pagaram pelo emprego e quando chegaram lá foram obrigados a dormir em trailers (7 pessoas num trailer projetado para 6) e ainda tinham que pagar pela acomodação.

A fazenda em que eles trabalhavam é um dos fornecedores de legumes para o Tesco (maior rede de supermercados do Reino Unido) e Morrisson (se não me engano a 5a maior). O problema é que geralmente esse tipo de trabalho é terceirizado, quarteirizado, quinteirizado, o escambau e as empresas conseguem, muitas vezes, fechar os olhos até que uma auditoria descubra daí elas posam de inocentes dizendo que não sabiam de nada.

Importante: de acordo com a OIT, o Brasil possui um dos mais consistentes programas de erradicação do trabalho escravo no planeta. Desde 1995, 26 mil trabalhadores foram libertados.
Fonte: Repórter Brasil

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Hoje o Nicklas me acordou as 6:45 por causa do acidente com o avião da TAM. Ele ficou preocupado porque sabe que a minha mãe viaja com frequência saindo de Porto Alegre. Felizmente ela não estava nesse vôo. Mas eu fico pensando nas famílias das pessoas que morreram e naqueles que precisam voar com frequência. Muito triste!

‘We are all fucking conscious of global warming.’

p1-080707_251763a.jpgNão, não fui eu quei disse isso, foi o Bob Geldof, organizador do Live 8, concertos simutâneos nos países do G8 e na África do Sul realizados em julho de 2005 no intuito de conscientizar o mundo sobre os problemas na África. Na frase título, Geldof dá sua opinião mais do que sincera sobre uma iniciativa semelhante mas com um alvo diferente, o Live Earth que aconteceu ontem em 8 cidades (incluindo o Rio de Janeiro, única cidade onde o show foi grátis) para conscientizar as pessoas no mundo todo sobre o problema do aquecimento global. O organizador não podia ser outro, Al Gore “porta-voz do Planeta Terra”.

Estima-se que mais de 2 bilhões de pessoas assistiram aos concertos no mundo todo. Só que essa iniciativa gerou uma onda de críticas, como por exemplo de que a emissão de gás-carbônico incluindo jatos particulares para transportar os artistas, carros, metro, ônibus para transportar os espectadores foi de pelo menos 31,5 toneladas, o que representa mais de 3000 vezes a emissão média anual de um britânico, segundo o The Guardian. Rebatendo a crítica, Al Gore disse que não se pode fazer um omelete sem quebrar alguns ovos. O The Independent que se diz o jornal mais verde do Reino Unido aplaudiu a iniciativa do Live Earth (o que eu sinceramente achei estranho) dizendo que ao contrário do que o Bob Geldoff pensa, muita gente ainda não está fucking consciente do aquecimento global e que eventos como esse contribuem para que as pessoas fiquem mais por dentro do que acontece pelo mundo. De acordo com o jornal, não importa se muita gente foi lá só pela festa, pois muitos outros entenderam a mensagem.

Bom, é cedo para afirmar se o Live Earh teve107-p45.jpg ou vai ter algum efeito concreto, mesmo porque esse tipo de coisa é muito difícil de medir. Eu acredito na força da mobilização popular, mas também concordo com aqueles que falaram da hipocrisia que é consumir uma quantidade imensa de energia organizado um evento que pretende conscientizar as pessoas para poupá-la. Mas existe uma diferença entre o objetivo do Live 8 e o do Live Earth. O primeiro dependia muito mais dos políticos do que o segundo e como indivíduos, nós podemos fazer muito mais pelo meio-ambiente do que para salvar a África. Entretanto o que me impressiona é que as pessoas precisam ouvir isso de uma celebridade para acreditar que morre muito mais gente de AIDS ou em conflitos na África do que morreram no ataque terrorista do World Trade Center, ou que nós seres-humanos estamos abusando e muito dos recursos que a natureza nos oferece.

Outra coisa que também não me agrada muito é a simplificação e banalização desses problemas: o pessoal vai lá, canta, dança, compra uma pulseirinha e acha que fez sua parte, quando na verdade, o buraco é bem mais embaixo. Talvez eu seja um pouco pessimista, e até espero que os fatos provem o contrário do que eu digo, mas por enquanto eu vejo o Live Earth com um certo ceticismo.

********

A TV sueca (SVT 2) transmitiu o Live Earth, e quando mostraram o evento no Brasil, eles introduziram a famosa cantora e aprensentadora brasileira Tchu-Tcha, alguém conhece?

SATC – O Filme

250px-satclogo.jpgLi hoje no The Independent que o filme do Sex and the City vai começar a ser filmado esse outono (no hemisfério norte, primavera no Brasil), depois de várias negociações parece que chegaram a um acordo.

SATC pode ser fútil pode ser completamente fora da realidade das mulheres normais (é ficção mesmo), mas eu sempre fui fã, nunca tive uma personagen preferida, às vezes gostava mais de uma ou de outra dependia do momento. Mas sempre achei que a Miranda (Cynthia Nixon) tinha tiradas ótimas. Gostava do tom despretencioso da série e do humor dos personagens. Entre os personagens masculinos, Mr Big (Chris Noth) era o meu preferido e eu acho que faço parte de uma minoria que achava que a Carrie deveria terminar com ele e não com o Aidan.

Por muito tempo eu achei que ficaria solteira até uns 30 e poucos anos e quis ter o apartamento da Samantha e os sapatos da Carrie. A solteirice não aconteceu, estou feliz com o nosso apartamento atual mas continuo querendo os sapatos.

Assim que o filme estrear no cinema estarei lá, absofuckinlutely!

Bomba em Londres

Hoje meus phaymarketart.jpgais não vão se preocupar quando souberem que uma bomba foi desativada num carro na região de Picadilly Circus em Londres, como aconteceu em 7 e 14 de julho de 2005 quando eu ainda morava lá. Essa é uma das razões pelas quais eu não me arrependo de ter saído de Londres, o nível de risco de um ataque terrorista na cidade é classificado como severo, apenas um nível abaixo do mais alto, crítico. Isso gera um desconforto muito grande, sem falar nas inconveniências diárias como ruas fechadas, rotas de ônibus desviadas, metro que não funciona, policiais olhando desconficados para as pessoas, pessoas olhando desconfiadas umas para as outras, dedos sendo apontados e a culpa sendo jogada de um lado para outro.


Na matéria do The Guardian, eles argumentam que o que acontece hoje nas ruas de Bagdá, onde carros-bomba são uma ocorrência frequente, pode vir acontecer nas ruas de Londres.

Ainda bem que a Suécia não invadiu o Iraque.

Atualização

Agora à tarde, outras ruas do centro de Londres foram fechadas por causa de suspeitas de que um carro num estacionamento subterrâneo contenha explosivos.Leia mais aqui

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Atenção

Eu moro na Suécia mas não sou agência de turismo, intercâmbio nem trabalho no consulado brasileiro, então não me peça informações sobre morar aqui, aprender a língua, estudar, etc, para essas coisas existe o Google e foi googlando que eu achei 99% das informações que precisava para morar aqui. Na página de links tem vários sites com informações úteis sobre morar na Suécia e Inglaterra.

 

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