Arquivo para a categoria 'Deu na TV (radio, jornal, internet)'

O X da questão

Domingo, depois de um mês de pausa, a minha assinatura do jornal voltou. Eu ganho a assinatura da faculdade, então eles precisavam registrar que eu paguei o equivalente sueco ao Diretório Acadêmico. Voltou em tempo de eu ler sobre o debate envolvendo reformas propostas para o SFI (Svenska för invandrare) o curso de língua sueca e “intrudução à sociedade” que é oferecido a todos os imigrantes com visto de residência e trabalho.

O que acontece é que, segundo a aliança governista, o curso precisa ser reestruturado. Eles alegam que muita gente usa o curso como fonte de sustento - através da ajuda de custo oferecida a refugiados - e fica estudando o beabá em sueco por aaaaanos a fio. As propostas, elaboradas em conjunto pelos ministérios da Educação e Integração, incluem um limite de três anos para que o aluno termine o SFI, um bonus para aqueles que terminarem o curso em pouco tempo, mais fiscalização nas escolas e treinamento para os professores.

O problema é que essas propostas não foram muito bem aceitas entre os professores e diretores de escolas. Eles acham que o foco dos parlamentares está no lugar errado. Segundo eles, o foco deveria ser em melhorar a qualidade do ensino e oferecer treinamento aos professores. O X da questão não é que as pessoas demoram muito para terminar o SFI, mas sim que muitos desistem da escola sem terminar o curso. Jakob Thunell, diretor de uma escola em Södertalje, na região metropolitanana de Estocolmo, diz que não reconhece o quadro pintado pelos governantes, de estudantes que permanecem no SFI por tempo ilimitado; pelo contrário, ele diz que muitos pedem para fazer a prova para terminar o curso, mesmo não estando prontos.

Outro ponto salientado por professores e diretores de escolas é a diferença de background entre os alunos. Segundo estimativas do governo, 23% dos alunos têm até seis anos de escola em seus países de origem, alguns são analfabetos e, obviamente, precisam primeiro ser alfabetizados para depois aprender a língua.

De minha parte, eu tendo a concordar com os professores e diretores de escola. Eles trabalham todos os dias com o ensino de sueco e provavelmente têm muito mais conhecimento de causa do que os políticos que recebem relatórios prontos de seus assessores, provavelmente sem nunca ter pisado numa dessas escolas. Eu tive uma experiência ótima e uma péssima com o SFI e acho que a qualidade do ensino realmente fez muita diferença na motivação que eu tinha para estudar. Quanto às pessoas usarem o SFI como fonte de sustento, eu acredito que existem casos, mas não é a regra. A grande maioria dos meus colegas queria terminar o curso para poder ir adiante na vida: fazer um curso universitário, encontrar um emprego e principalmente se incluir na sociedade. Mas, quando as coisas não vão bem é muito fácil colocar a culpa na parte mais fraca: os imigrantes, principalmente refugiados que “só querem saber de mamar nas tetas do governo”, afinal de contas, nem votar eles votam!

Informações para quem vai trabalhar no exterior

O governo brasileiro acaba de lançar uma cartilha para brasileiros que pretendem trabalhar no exterior. A cartilha traz informações sobre vistos, organizações de apoio ao imigrante, deportações, etc.

Clique aqui para baixar a cartilha.

Melhor pensar bem antes de comprar mais um batom…

A interessante experiência de ler o jornal

Ontem, no caminho para o centro peguei um dos jornais distribuidos gratuitamente para ler. Foi uma experiência, digamos, interessante. A manchete era sobre um a quadrilha de latino-americanos sul- americanos que roubam as casas no sul de Estocolmo, onde moro. Até ai tudo bem, crime e primeira página de jornal sempre combinaram como arroz e feijão. Entretanto, eu achei engraçado eles se referirem aos ladrões como latino-americanos sul-americanos . Segundo a Wikipédia, a América Latina engloba 22 países. Como Nicklas argumentou, é mesma coisa que dizer uma quadrilha européia, não esclarece nada, os ladrões podem ser croatas, alemães, poloneses, suíços… Mas não para por aí, pois o jornal também afirma que os membros da quadrilha tinham “aparência latino- sul-americana”. Alguém pode me dizer que aparência é essa, pois se eu penso nos (as) latinos (as) que conheço de vários dos 22 países, eles tem várias aparências. Fazia tempo que eu não via algo de tamanha ignorância publicado num jornal (sem contar aquela revista semanal brasileira, cujo nome é sinônimo de olhe). Eu aceito que uma das minhas colegas no curso de sueco diga que eu não pareço brasileira, porque sou muito clara, afinal o cidadão comum não tem obrigação de ter um vasto conhecimento sobre o Brasil. Eu também, até bem pouco tempo, não sabia muito sobre o Curdistão, de onde ela vem. Só fiquei sabendo mais porque tive uma colega austríaca, mas de origem curda, no mestrado em Londres. Ela estava pesquisando sobre a diáspora dos Curdos e me contou várias coisas sobre essa parte do mundo. Mas um jornal, na minha humilde opinião, deveria ter um pouco mais de cuidado com uso da palavra escrita. Não interessa se é um jornal grátis. Jornalistas, repórteres, editores, não precisam ser experts em américa-latina (ou américa do sul) , mas poderiam pensar um pouquinho mais e procurar informações (coisa em que eles deveriam ser peritos) para não escrever tamanha burrice.

Mais adiante no mesmo jornal, uma publicidade me chamou atenção. Era um anúncio de uma página da Svenskt Näringsliv, algo como Confederação das Empresas Suecas. Esse anúncio, com o título “A fábula da moça que comprou muito pouco”, contava, de forma literária, a estória de uma moça que no Natal sempre comprava várias coisas: presentes, decorações, comidas fazendo a felicidade do dono da loja, que assim podia manter seu negócio, pagar seus funcionários, etc. Mas, tudo mudou quando a moça leu artigos dos cruéis articulistas, que diziam que as pessoas estão comprando demais, que isso é ruim para o meio ambiente além de alimentar um sistema exploratório. Os articulistas diabólicos pediam que as pessoas comprassem menos, fizessem seus presentes, etc. E a moça (e mais um monte de gente) ouviu os articulistas e decidiu comprar menos. E isso teve sérias consequências: o dono da loja precisou fechar seu negócio, seus fornecedores tiveram que demitir funcionários porque o consumo diminuiu e a moça do título teve um natal muito chato. Tudo isso porque ela não comprou o suficiente.

Tudo bem, eu defendo a liberdade de expressão (até mesmo dos neonazis) mas isso é um insulto à inteligência das pessoas. Primeiro essa linguagem de estória infantil forçou a barra. Segundo, são exatamente pequenos negócios, como o da fábula, que sofrem com a expansão das grandes corporações. Terceiro, a maioria dos movimentos e organizações que tentam propor alternativas ao nosso modo de vida extremamente nocivo ao ambiente defendem o consumo em negócios locais, como o caso da propaganda. Na verdade, quando eu li o anúncio eu não sabia se dava risada da idéia totalmente equivocada que a agência de publicidade teve, ou se me irritava com a maneira como eles distorceram a realidade.

Depois dessa, eu parei de ler o jornal, tinha chegado na minha estação.

Ao contrário da moça que comprou muito pouco, eu acho que comprei o necessário, comprei de lojas pequenas (onde o atendimento geralmente é muiiiito melhor) e a maioria das embalagens eram recicláveis. Acho que o meu Natal não vai ser chato como o da moça que comprou muito pouco.

Para que servem os jornalistas

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Semana passada a Ju me passou o link do programa Uppdrag granskning (não sei uma tradução boa para o português, aceito contribuições. Recebi contribuições da Ju - vide comentários e da Givana: Missão Investigação. Valeu gurias) que foi ao ar quarta feira dia 24/10. O UG é um excelente programa de jornalismo investigativo apresentado pelo Janne Josefsson, que eu considero um jornalista com culhões, ele não se intimida diante de políticos, empresários e exige deles respostas e explicações sobre os assuntos investigados. O programa que assisti falava sobre empresas de limpeza contratadas (terceirizadas, para variar) para limpar cadeias de restaurantes como Mc Donald’s, Burger King e Max (um tipo de Mc D’s sueco). Essas empresas empregam quase sempre imigrantes, pagam pouquíssimo e obviamente, não cumprem os direitos trabalhistas.
Quando a reportagem termina, o Janne questiona pessoas envolvidas no assunto. Nesse caso foram representantes do Burger King, Max e McDonalds.Quem ta pensando que eles vieram com aquela conversa e isso é lamentável, não era de nosso conhecimento, vamos tomar providências o mais rápido possível acertou em cheio.

Eis que hoje, o jornal diário de circulação nacional Dagens Nyheter publicou essa matéria afirmando que depois da transmissão do programa, uma das cadeias de restaurantes reviu seus contratos com as empresas de limpeza e está oferecendo vagas àqueles anteriormente empregados por elas.

Quando eu pensava em ser jornalista e depois durante a faculdade eu sempre acreditei que esse é o papel da imprensa: denunciar, exigir explicações e ajudar a promover mudança social. Claro que não é sempre que isso acontece e não é sempre que os jornalistas têm essa possibilidade.

Especialmente no que tange à violação dos direitos trabalhistas, eu acho que a mídia tem um papel muito importante a cumprir. O poder legislativo elabora leis e o judiciário garante que serão elas cumpridas e pune o não cumprimento. Mas quem comete abusos aos direitos trabalhistas sempre conta com a ignorância da justiça. Só que quando o fato esta na capa do jornal, na tela da TV e do computador, fica mais difícil ignorá-lo.

Ainda no mesmo tema, hoje a Denise, do Síndrome de Estocolmo escreveu sobre a fábrica de roupas fornecedora da Gap* na Ìndia onde foram encontradas crianças trabalhando em condições análogas à escravidão. Imaginem qual foi a resposta da Gap?? Isso é lamentável, não sabíamos de nada, blablabla. Que por sua vez é uma resposta muito pareciada com a de quem explora trabalho escravo no Brasil. Bom, eles têm que dar alguma desculpa, porque dizer: sim, nós deliberadamente exploramos trabalhadores para ter mais lucro, não fica muito bonito.

* Eu trabalhei na Gap por 8 meses em Londres,foi sem dúvida o meu pior emprego. Gerentes que tratavam os empregados como idiotas, uma pressão para estar sempre sorrindo, vendendo, e forçando intimidade com os clientes, salário péssimo e além de tudo eles faziam o possível para se esquivar de nos pagar benefícios, como horas-extra, adicional noturno e compensação para trabalhar em feriados. Depois que eu pedi demissão de lá, o trauma foi tão grande que eu só consegui entrar numa loja da Gap depois de um ano, e mesmo assim, não foi na loja em que eu trabalhava. Também não comprei mais nada lá e não pretendo comprar.

Refugiados, asilados, imigrantes

“As one of the countries involved in the invasion of Iraq, it(the UK) has a moral obligation to help those displaced by the bloodshed that has followed.” Kate Allen, Director of Amnesty International - UK Section

“Como um dos países envolvidos na invasão do Iraque, o Reino Unido tem a obrigação moral de ajudar os desabrigados durante o derramanento de sangue que seguiu a invasão.” Kate Allen, Diretora da Anistia Internacional-Reino Unido

Enquanto isso, mais ao norte …

More than half the asylum requests received in Sweden were from Iraqis. The 9,300 Iraqis who sought asylum in Sweden accounted for more than half of the Iraqi asylum applications worldwide.

Mais da metade dos pedidos de asilo recebidos na Suécia na primeira metade desse ano foram de iraquianos. Os 9,300 iraquianos que buscaram asilo na Suécia representam mais da metade dos pedidos de asilo de iraquianos no mundo inteiro.

Tirem suas próprias conclusões.

Eu não falei?

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Há tempos que eu venho observando essa onda de nacionalismo exacerbado e uma certa aceitaçãon social do racismo na Europa. Pois bem, hoje, lá na capa do The Independent, com todas as letras, está uma reportagem sobre a campanha do Partido do Povo Suíço para tornar mais rígidas as leis de imigração e punições para imigrantes no país, que é uma das mais antigas democracias da Europa.

O jornalista Paul Vallely sumarizou muitos dos meus pensamentos sobre os conflitos raciais, nacionalismo e choque entre o ocidente e oriente, em especial os crescentes problemas enfrentados pelos muçulmanos na Europa.

Leia a matéria em inglês, ou a minha tradução não profissional abaixo.

Suíça:trevas da Europa?
A Suíça é conhecida como um paraíso de paz e neutralidade. Mas hoje é o país da lugar a um novo tipo de extremismo que tem alarmado a ONU. Propostas por novas leis draconianas que tem como alvo os imigrantes foram taxadas de racistas e injustas. Um poster, parte da capanha do principal partido político, é tido cono xenofóbico. Teria a Suíça se tornado as trevas européias?

À primeira vista, o poster parece uma inocente história em quadrinhos para crianças. Três ovelhas brancas ao lado de uma negra. No desenho, parece que os animais estão sorrindo. Mas então você nota que os três animais brancos estão sobre a bandeira suíça. Uma das ovelhas brancas está chutando a negra para fora da bandedeira.express20070830_8155534_3.jpg

O poster representa, de acordo com a ONU, o símbolo sinistro do crescimento de um novo racismo e xenofobia no coração de uma das mais antigas democracias independentes em todo o mundo.

Um preocupante novo tipo de extremismo está em alta. Pois o poster - que traz o slogan “Por Mais Segurança” - não é o trabalho de um grupo neo-nazista. Ele foi concebido - e colado em outdoors, publicado em jornais e enviado para todas as casas numa mala-direta - pelo Partido do Povo Suíço (Schzweizerische Volkspartei ou SVP) que possui o maior número de cadeiras no parlamento Suíço e faz parte da coligação que governa o país.

Com as eleições gerais marcadas para o mês que vem, o partido lançou uma campanha que fez com que o observador especial para racismo da ONU pedisse uma explicação oficial do governo. O governo lançou uma campanha para obter 100 mil assinaturas necessárias para forçar um referendo para reintroduzir no código penal uma medida que permite que juízes deportem estrageiros que tenham cometido crimes sérios assim que eles cumpram sua sentença na prisão.

Ainda mais dramático, o SVP anunciou sua intenção de submeter ao voto parlamentar uma lei permitindo que a família inteira de um criminoso menor de 18 anos seja deportada assim que a sentença seja anunciada.

Essa será a primeira lei desse tipo na Europa desde a prática nazista de Sippenhaft - responsabilidade por parentesco - segundo a qual parentes de criminosos eram considerados responsáveis pelos crimes de seu parente e punidos igualmente.

A proposta será um caso-teste não apenas para a Suíça mas para toda a Europa, onde uma divisão entre multiculturalismo liberal e um isolamento conservador está se abrindo no discurso político em muitos países, incluindo o Reino Unido.

Graças a pontualidade dos trens suícos, o compromisso foi na hora exata. Eu iria encontrar Dr. Ulrich Schlüer - um dos homens por trás da proposta draconiana - no restaurante da principal estação de trem em Zurique às 19:10. Enquanto caminhava pela estação a caminho do encontro, eu ponderei o que pensaria Dr. Schlüer dessa hiper eficiente e limpa estação, onde uma sorridente menina somali vende sanduíches de peixe, um norte-africano limpa o chão, e babá negra fala inglês rudimentar com a criança de quem toma conta. A atitude do Partido do Povo Suíço para com imigrantes é, podemos dizer, ambivalente.

Um quarto dos trabalhadores Suíços - um em cada quatro, como a ovelha negra do poster - são imigrantes estrangeiros nessa pacífica, próspera e estável economia com baixo desemprego e um PIB per capita maior do que outras economias ocidentais. Zurique foi, nos últimos dois anos, considerada a cidade com a melhor qualidade de vida no mundo.

O que a babá pensava do poster da ovelha negra, perguntei a ela. “Eu sou convidade nesse país”, ela respondeu. “É melhor que eu não diga”.

Dr. Schlürt é um homel pequeno e afável. Mas ao mesmo tempo que fala com suavidade, ele empunha uma enorme espada. As estatísticas são claras, ele disse, a probalidade de que um estrangeiro cometa um crime é quatro vezes maior do que para um suíço. “Num subúrbio de Zurique, um grupo de jovens entre 14 e 18 anos recentemente estuprou uma menina de 13 anos”, ele disse. “No fim, todos eles já estavam sob investigação algum tipo de infração. Eles eram todos estrangeiros dos Balcans e Turquia. Os pais disseram que estes meninos estão fora de controle. Nós dizemos: ‘Isso não é aceitável. É responsabilidade de vocês controlá-los e se vocês não conseguem vocês vão ter que deixar o país’. É uma punição que todos entendem.”

Essa esta longe de ser a única idéia polêmica do partido. Dr. Schlüer lançou uma campanha para um referendo para banir a construção de minaretes muçulmanos. Em 2004, o partido fez uma bem-sucedida campanha para leis de imigração mais rígidas usando a imagem de mãos negras num pote cheio de passaportes suíços. E um de seus principais líderes, o Ministro da Justiça, Christoph Blocher, disse que ele quer suavizar as leis anti-racismo porque elas diminuem a liberdade de imprensa.

Os oponentes dizem que tudo depende das eleições gerais mes que vem. Apesar de a deportação ter sido excluída do código penal, ela ainda está em vigor na legislação administrativa, diz Daniel Jositsch, professor de direito penal na Universidade de Zurique. “No fim, nada mudou, o criminoso ainda vai para o aerporto e para o avião.”

Com táticas astutas, o referendo do SVP se restringe à restituição simbólica. Seu plano de deportar famílias inteiras foi submetido ao parlamento onde tem pequenas chaces de passar. Ainda assim, o dividendo em publicidade é o mesmo. E é tão preocupante para ativistas de direitos-humanos que um observador especial da ONU, Doudou Diène, advertiu ainda esse ano sobre uma “dinâmica racista e xenofóbica” que costumava ser comum apenas na extrema-direita está se tornando uma parte regular do sistema democrático na Suíça.

Dr. Schlüer rebate. “Ele vem do Senegal onde eles têm vários problemas que precisam ser resolvidos. Eu não sei por que ele vem aqui em vez de cuidar dos problemas do país dele.”

Esse tipo discurso apenas reforça as opiniões de seus oponentens. Mario Fehr é um parlamentar Social Democrata da região de Zurique. Ele diz: “Deportar alguém que comenteu um crime é não apenas injusto e desumano, é estúpido. Três quartos da população suíça acha que estrangeiros que trabalham aqui estão contribuindo para a economia. Nós temos vários trabalhadores qualificados - especialistas em informática, médicos, dentistas.” Livrar-se dos estrangeiros, o que os oponentes suspeitam ser a real intenção do SVP “seria um desastre econômico”.

Dr. Schlürt insiste que o SVP não é contra todos os estrangeiros. “Antes da guerra nos Balcans, nós tínhamos ótimos trabalhadores que vinham da Iugoslávia. Mas depois da guerra houve um grande influxo de pessoas com quem nós tivemos muitos problemas. O abuso dos benefícios sociais é um grande problema. Estima-se que custa R$3 bilhões por ano. Mais de 50% disso vai apra estrangeiros.”

Ele não esconde suas suspeitas no Islã. Ele causou alarme entre muitos muçulmamos suíços (em torno de 4,3% de 7,5 milhões) com sua campanha para banir o minarete. “Nós não somos contra mesquitas, mas o minarete não é mencionado no Alcorão ou nenhum outro texto Islamico. Ele apenas simbliza o lugar onde a lei Islâmica é estabeleciada.” E lei Islâmica, diz ele, é incompatível com o sistema legal suíço.

Atualmente há apenas duas mesquitas no país com minaretes, mas urbanistas estão negando solicitações para outros, depois que pesquisas de opinião mostraram que quase metade da população suíça era a favor da proibição. O que está em jogo na Suíça não é apenas a aversão a estrangeiro ou desconfiança no Islã mas algo muito mais fundamental. É um choqie que está no coração da crise de identidade que se vê em toda a Europa e nos Estados Unidos. É sobre como vivemos num mundou que mudou radicalmente desde a Guerra Fria com o crescimento da economia globalizada, crescimento do fluxo imigratório, crescimento do Islã como uma força internacional e o ataque terrorista de 119. A Suíça apenas ilustra esse fenômeno mais geograficamente que outros lugares.

A Suíça também é um exemplo latente por causa da complexa rede de influencias que encontram expressão em Ulrich Schlüer e seus colegas de partido

Ele é extremamente orgulhoso da independência de seu país. Ele é um defensor da política de neutralidade armada, que determina que a Suíça não possui um exército mas todos homens jovens são treinados e estão em stand-by.

Ligado a isso, está um sistema de democracia direta em que muitas decisões sobre impostos, educação, saúde e outras áres importantes são tomadas em nível local.

“Como a democracia direta funciona é um ponto muito sensível na Suíça”, ele diz, explicando que ele sempre se opôs a entrada do país na União Européia.

A Suíça tem as leis mais rígidas de naturalização em toda a Europa. Para se naturalizar, você deve viver no país legalmente por pelo menos 12 anos, sem ficha criminal e pagar impostos. A solicitação ainda pode ser negada pelo seu município que o encontra para perguntar: “Você fala alemão, você trabalha, é integrado à comunidade suíça?”

O município também pode perguntar, como aconteceu com Fatma Karademir, 23 anos - que nasceu na Suíça mas que de acordo com a lei é turca assim como seus pais - se ela sabia a letra do hino nacional suíço, se ela pensava em casar com um garoto suíço e para quem ela torceria se a Suíça jogasse contra a Turquia. “Esse tipo de questão estão fora da lei”, diz Mario Fehr. “Mas em alguns vilarejos remotos você tem problemas se vier da ex-Iugoslávia.”

O governo federal em Berna quer tirar o poder de decisão das comunidades lucais, uma delas concedeu o direito de voto as mulheres apenas em 1990. Mas as propostas do governo foram derrotadas duas vezes em referendos populares.

O grande e silencioso problema aqui é como a cidadania é definida. “Quando uma mulher suíça que emigrou para o Canadá tem um filho, essa criança é automaticamente cidadão suíço,” Dr. Schlürt diz. Mas em que sentido um menino nascido no Canadá, que crescerá num ambiente diferente com outra visão de mundo e valores é mais suíço de alguém como Fatma Karademir que nunca viveu em outro lugar a não ser a Suíça?

A verdade é que no âmago da visão do SVP está uma noção visceral de parentesco, procriação e sangue que os liberais gostariam de pensar que vai de encontro às ideias da maior parte do mundo Ocidental. Isso é o que está por trás do medo que o SVP tem até mesmo da facção moderada do Islã.

A questão de raça é mais abrangente que a política na minúscula nação. “Eu estou otimista de que a maré está se movendo na nossa direção, aqui em em outros países Europeus”, disse Dr. Schlüer. “Eu me sinto mais apoiado do que criticado do lado de fora.”

O drama que é interpretado numa linguagem direta e politicamente incorreta na Suíça tem repercussões em toda a Europa e fora dela.

Neutralidade e Nacionalidade

* A Suíça tem quatro líguas oficiais - Alemão, Italiano, Francês e Romanche. A maioria dos residentes fala Alemão como primeira língua.

* A população cresceu de 1,7 milhões em 1815 para 7,5 milhões em 2006.

* A Lei Suíça para nacionalidade demanda que canditatos à naturalização tenham um mínimo de tempo de residência legal no país e sejam fluentes numa das linguagens nacionais.

* Mais de 20% da população e 25% da força de trabalho não é naturalizada.

* No fim de 2006, 5888 pessoas foram internadas em prisões suíças, 31% cidadãos suíços e 69% de estrangeiros ou asilados.

* O número de trabalhadores migrantes trabalhando sem autorização é cerca de 100 mil.

Pena de Morte

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The Bush administration is preparing to speed up the executions of criminals who are on death row across the United States, in effect, cutting out several layers of appeals in the federal courts so that prisoners can be “fast-tracked” to their deaths.

O governo Bush está se preparando para acelerar o processo de execução de criminosos que estão no corredor da morte nos Estados Unidos, passando por cima de vários apelos em diversas instâncias das Cortes Federais para que os prisioneiros sejam mortos antes. The Independent

O que está acontecendo com o mundo? Eu espero sinceramente que os republicanos não ganhem as próximas eleições presidenciais nos Estados Unidos. Quero ver o que diz quem é a favor da pena de morte …

Escravidão na Europa

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Escravidão contemporânea existe também nos países ricos do oeste europeu. Aliás, para quem está desavisado, vou dar a notícia: escravidão AINDA existe no mundo inteiro. Estima-se que mais de 20 milhões de pessoas trabalhem hoje em condições análogas à escravidão, em torno de 25 mil delas no Brasil.

Mas engana-se quem pensa que isso acontece apenas em países subdesenvolvidos, países industrializados europeus também têm culpa no cartório. Hoje o The Guardian publicou uma matéria sobre 40 búlgaros encontrados trabalhando em condições análogas à escravidão numa fazenda na Cornuália. Essas pessoas pagaram pela sua viagem para a Inglaterra, pagaram pelo emprego e quando chegaram lá foram obrigados a dormir em trailers (7 pessoas num trailer projetado para 6) e ainda tinham que pagar pela acomodação.

A fazenda em que eles trabalhavam é um dos fornecedores de legumes para o Tesco (maior rede de supermercados do Reino Unido) e Morrisson (se não me engano a 5a maior). O problema é que geralmente esse tipo de trabalho é terceirizado, quarteirizado, quinteirizado, o escambau e as empresas conseguem, muitas vezes, fechar os olhos até que uma auditoria descubra daí elas posam de inocentes dizendo que não sabiam de nada.

Importante: de acordo com a OIT, o Brasil possui um dos mais consistentes programas de erradicação do trabalho escravo no planeta. Desde 1995, 26 mil trabalhadores foram libertados.
Fonte: Repórter Brasil

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Hoje o Nicklas me acordou as 6:45 por causa do acidente com o avião da TAM. Ele ficou preocupado porque sabe que a minha mãe viaja com frequência saindo de Porto Alegre. Felizmente ela não estava nesse vôo. Mas eu fico pensando nas famílias das pessoas que morreram e naqueles que precisam voar com frequência. Muito triste!

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Atenção

Eu moro na Suécia mas não sou agência de turismo, intercâmbio nem trabalho no consulado brasileiro, então não me peça informações sobre morar aqui, aprender a língua, estudar, etc, para essas coisas existe o Google e foi googlando que eu achei 99% das informações que precisava para morar aqui. Na página de links tem vários sites com informações úteis sobre morar na Suécia e Inglaterra.

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