
Eu já tinha comentado aqui, e aqui sobre como são os cursos de sueco e que muitas vezes me sinto como uma semi-retardada a julgar pela maneira como os professores de sueco tratam os alunos. Mas quando fui fazer a matrícula para esse semestre do curso de sueco (último, por sinal) me senti como uma retardada completa. Explico: nós alunos fomos divididos em quatro turmas levando em conta o resultado da prova de redação, uma turma de inteligentes, uma de meio-inteligentes, uma de meio-burros e uma de burros, que foi a que eu fiquei.
Quanto ao resultado da prova eu não dou a mínima porque faz tempo que parei de acreditar que provas e testes são capazes de medir conhecimento, aliás, não acredito que conhecimento possa ser medido. Segundo, porque quem me conhece sabe que eu não estudo para provas, o mais perto que cheguei de estudar, fazer exercícios, etc foi para o vestibular no século passado. Eu também não tenho nenhum problema em receber críticas (desde que feitas com educação) porque eu acho que sempre posso melhorar, ainda mais no aprendizado de uma língua. Meu objetivo não é escutar elogios dos professores nem provar para eles que eu sou super esperta e sei um monte de coisas, mas sim aprender a língua de tal forma que ela se torne um instrumento eficaz de comunicação. Eu quero poder ler de tudo, escrever satisfatoriamente bem e poder ter conversas que variam desde o preço do salmão a política, literatura e economia. Entretanto, o que realmente me irritou foram duas coisas: a) o fato de eles fazerem questão de informar o porquê de sermos colocados na turma, logo aqui na Suécia onde todos são considerados muito iguais, ninguém é incentivado a ficar contando vantagens ou a se achar superior que os outros e b) durante todo o semestre passado o que meu professor disse me levou a crer que eu não estava tão mal em redação, óbvio que as minhas redações voltavam com correções e ele me disse que eu precisava melhorar alguma coisa ou outra, mas nunca me disse que eu tinha sérios problemas e que precisava praticar muito o uso da lingua escrita, muito pelo contrário, num dos trabalhos ele escreveu algo assim: “nota-se que você tem o hábito de escrever, apenas corrija os erros ortográficos e seu trabalho está pronto” e nas provas eu sempre ia de mais ou menos a bem. Na prova final eu acertei 15 de 20 questões de múltipla escolha e a minha redação não teve muitos erros mesmo.
Daí, depois de um semestre achando que eu até que tava me saindo bem nessa aventura de aprender sueco, eu chego na universidade e percebo que estava bem errada. Como eu já tinha percebido que os métodos de ensino de sueco como língua estrangeira estacionaram nos anos 60, mais ou menos, não fiquei tão surpresa com essa atitude. Agora só me resta agüentar meu último semestre na “quarta-série”.
Alguns pontos altos da minha primeira semana de aula:
- A professora de redação quer que para cada texto lido, nós façamos um caderno com palavras novas, conjugação, como são usadas, tradução, etc. Até aí tudo bem, só que ela quer ver o caderno! Será que eu vou ganhar uma estrelinha??
- A mesma professora disse que um dos objetivos do curso é nos ensinar a ler e interpretar gráficos e tabelas, porque muita gente fica nervosa (sic.) ao vê-los. Agora eu entendi porque sinto uma palpitação todas as manhãs enquanto leio o jornal, que bom que aprenderei a superar isso. Imaginem só a reação da minha colega que é formada em administração e fez mestrado em marketing ao ouvir isso.
- Parte do índice do livro de “estudos sociais”: a missão dos meios de comunicação de massa, o que faz de um fato uma notícia, quais os interesses que movem os meios de comunicação de massa, ética-significa alguma coisa para os jornalistas? e, finalmente: A mídia influencia todos nós - e nós influenciamos a mídia. Nossa, ainda bem que eles lançar uma luz nessas questões, porque depois de uma faculdade de jornalismo, outra de relações públicas, um mestrado em sociologia e quase um mestrado em mídia e comunicação eu NUNCA, mas nunca tinha pensado sobre isso.
Haja saco, esse semestre promete!