mais números!
Essa é o primeiro post baseado em uma pesquisa sobre alunos estrangeiros nas escolas suecas, assim que der tem mais.
Ainda no meu curso de verão sobre integração, tivemos uma aula com uma pesquisadora do departamento de sociologia da Universidade de Estocolmo sobre integração no sistema escolar sueco. Ela nos apresentou um relatório do Skolverket – o órgão sueco responsável pelo ensino básico e médio – concluído no ano de 2004, sobre as diferenças entre alunos suecos e alunos estrangeiros. Eu acho estatísticas muito interessantes porque elas nos dão uma base para entender a big picture, algo que vai além do que vemos e presenciamos.
Então, pra começo de conversa, nesse relatório foram analisados três grupos: alunos suecos – aqueles que nasceram na Suécia de pai ou mãe suec@, alunos nascidos na Suécia de pai E mãe estrangeiros e alunos nascidos no exterior. Os alunos nascidos no exterior ainda são divididos, dependendo do que se observa, entre aqueles que chegaram na Suécia antes ou depois de 1993 que seria o ano em que a turma que termina a 9a séria em 2003 – grupo escolhido como amostra – teria iniciado na escola. O relatório é dividido em duas partes, a primeira faz um mapeamento das condições dos estudantes apenas com dados quantitativos e a segunda trata das escolas, com uma parte qualitativa com entrevistas com alun@s, professore-as e diretore-as de escolas. O objetivo dessa pesquisa era investigar por que alunos com background estrangeiro tem um rendimento escolar mais baixo do que alunos suecos.
Na primavera* de 2003 aproximadamente 109 mil alunos concluíram a 9a série, desses 85,5 por cento eram suecos, 5,6 por cento nascidos na Suécia de pais estrangeiros e 8,9 por cento nascidos no exterior. O relatório chama atenção desde o início para o fato de que o grupo “alunos nascidos no exterior” é extremamente heterogêneo porque eles vem de países diferentes, as suas notas variam bastante assim como suas condições sócio-econômicas. A maioria, cerca de 40 por cento, dos alunos nascidos no exterior vem da Ásia; em seguida, pouco mais de 32 por cento, vem de países europeus (excluindo os 15 membros da união europeia em maio de 2003 e países nórdicos). Mais de 60 por cento dos alunos nascidos no exterior vem dessas duas regiões e em terceiro lugar, como pouco mais de 8 por cento – menos de um terço do primeiro e segundo lugares – estão os alunos vindos da África. A América do Sul fica logo em seguida em quarto lugar com 7,9 por cento dos alunos. Quando esses alunos são divididos por país em vez de regiões os resultados são um pouco diferentes. A maioria deles 12,7 por cento nasceram na ex-Yogoslávia, em seguida vem os nacidos no Iraque que são 11,5 por cento e em terceiro lugar os nascidos na Bósnia-Herzegovina, 11, 3 por cento. O Brasil está lá no fim da lista, em 260 lugar entre 39 países, 81 estudantes brasileiros terminaram a 9a Série em 2003 na Suécia.
Na pesquisa foram levadas em conta as 16 melhores notas de cada aluno no último ano ensino fundamental para determinar seu desempenho escolar. O valor máximo possível para essa mediada é 320 pontos , a média entre alunos suecos é 203 pontos, entre alunos nascidos na Suécia de pais estrangeiros 198 pontos e entre alunos nascidos no exterior a 183 pontos. Aqui é importante notar que o desvio padrão entre os alunos nascidos no exterior é o mais alto dos três grupos, sendo que todos os grupos tem um desvio padrão relativamente alto o que significa que há bastante diferença entre os que tem os melhores e piores resultados e que essa média não é muito representativa das notas de cada estudante. Quando o grupo de alunos nascidos no exterior é dividido entre aqueles que vieram para a Suécia antes e depois de 1993, a diferença é ainda maior. A média entre os que vieram antes de 1993 é de 195 pontos enquanto a média entre aqueles que vieram depois de 1993 é de 169 pontos. Mas as meninas estrangeiras, mesmo aquelas que mudaram para a Suécia depois de 1993 tem em média resultados melhores do que meninos suecos.
A pesquisa investigou vários fatores externos que podem ter alguma relação com o rendimento escolar d@s alun@s, como por exemplo o nível de escolaridade dos pais, se eles trabalham ou não e até mesmo quantos livros eles-as tem em casa. Uma das conclusões é que há uma relação entre o rendimento e escolaridade dos pais, essa relação é mais forte entre alunos suecos do que entre aqueles com background estrangeiro. A explicação dada é que o fato de os pais estarem empregados também pode ter realação com o desempenho escolar já que o nível de desemprego é maior entre os pais de alunos estrangeiros do que suecos.
Ambiente escolar
A maioria d@s alun@s na amostra estuda em escolas com baixa p0rcentagem de alunos estrangeiros (30 por cento ou menos) e @s
estudantes que frequentam escolas com alta porcentagem de alunos estrangeiros tem rendimento escolar mais baixo do que aqueles que frequentam escolas com uma porcentagem mais baixa. Essas escolas também tem maior número de professores não qualificados ou que ensinam disciplinas para as quais não têm qualificação específica.
Na segunda parte do estudo duas escolas são analisadas, a “Escola Azul” e a “Escola Amarela”. Nessas escolas o número de alunos nascidos no exterior com pontos suficientes para entrar no ensino médio e mais baixo se comparado com os alunos suecos (nascidos na Suécia de pai OU mãe suec@). O objetivo das entrevistas era saber como essas diferenças são vivenciadas nas escolas. Vários professores entrevistados disseram que eles não veêm muita diferença de resultados entre alunos suecos e alunos com bakground estrangeiro enquanto grupos, eles disseram ver cada estudante como um indivíduo e evitar usar termos como backrground estrangeiro. Um comentário muito comum na pesquisa é
Eu não penso dessa maneira; eles não são suecos ou estrangeiros, eles são todos alunos, eu vejo cada um dos meus alunos como um indivíduo.
Em vez de usar o fato de o aluno ser ou não imigrante, os professores apontam outras explicações para a diferença nos resultados. O fator mais citado nas entrevistas foi o apoio que o aluno recebe em casa que por sua vez, segundo os entrevistados, é relacionado a fatores sócio-econômicos, independente de o aluno ser ou não imigrante.
No próximo post
- Segregação social se reflete na escola
- Importância do domínio da língua
- O que fazer com todos esses números
Fonte: Skolverket. Elever med utländsk bakgrund. Relatório apresentado ao governo sueco em 1/10/2004.
* Aqui na Suécia e eu acho que toda a Europa, não se usam os termos primeiro e segundo semestre mas sim primavera e outono. O ano letivo inicia no final de agosto como o semestre do outono, que termina na segunda semana de janeiro, quando o semestre da primavera inicia e vai até a segunda semana de junho.



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