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Londres, os terroristas e eu

Então que eu fui para Londres e já voltei. Cheguei lá no domingo de páscoa com muita vontade de ver vários amigos e de ir a vários lugares que eu gostava. Na verdade eu estava com uma pontinha de medo de me arrepender de ter mudado para a Suécia e querer voltar a morar em Londres. Essa foi a primeira vez que eu voltei desde que sai de lá em dezembro de 2006. Só posso dizer que não me arrependo de nada, eu não conseguiria mais morara em Londres nem se fosse obrigada. Depois do segundo dia lá eu queria voltar para Estocolmo.

É óbvio que eu gostaria de poder ver meus amigos que estão lá com mais frequência e de comprar na Topshop por preços 20% menores. Mas isso não compensa a paranóia que é viver em Londres.

Para começar, cheguei lá a 1 da tarde, almocei com meu amigo Dani que foi me esperar em Heathrow e fiquei esperando a minha irmã que ia chegar as 3:30. Ela chegou e fomos pegar o metrô. Andamos umas cinco estações e o motorista avisou que “havia uma pessoa embaixo do trem” e que por isso ele não pararia em várias estações, o que atrasou nossa viagem e nos fez trocar de linha duas vezes em vez de uma. Mas o que mais me impressionou foi a maneira como eles disseram “there is a person under the train” assim como se a pessoa estivesse lá fazendo alguma coisa, parafusando um parafuso em vez de morta e dividida em vários pedacinhos.

Fora isso tem a paranóia do terrorismo, cartazes por todo lado dizendo para as pessoas reportarem qualquer coisa suspeita, policiais por tudo.  Eu não consigo evitar de me sentir suspeita de achar que sempre tem alguém achando que eu to fazendo algo errado.  Não sei se quem mora lá nota isso, acho que muita gente está tão acostumada que nem percebe mais. Eu fiquei meio estressada. E isso é uma pena porque Londres é uma cidade maravilhosa, cheia de coisas, lugares e pessoas interessantes. Tem sempre alguma coisa acontecendo por lá, cada área da cidade tem uma personalidede diferente, a maioria dos museus são gratuitos. Mas o governo consegue estragar tudo criando esse climão alarmista e paranóico.

(essas são os poster da nova campanha do governo contra o terrorismo, eu acho que se isso der certo Londres vai virar uma ex-Yugoslávia no tempo da guerra, vizinhos contra vizinhos, famílias matando entre si, etc. Só que eu acredito na sensatez das pessoas, pelo menos as pessoas com quem eu conversei acharam essa campanha bem ridícula)

Os cinco dias que eu passei em Londres me fizeram valorizar ainda mais a minha vida em Estocolmo: nosso apartamento espaçoso e com preço bem razoável, as três linhas de metrô que sempre funcionam, inclusive durante a madrugada nos fins-de-semana (eu me irritava no inverno, quanto tinha um aviso dizendo algo assim “pode ser que sua viagem demore mais hoje porque os trens estão andando mais devagar pois a pista está escorregadia por causa da neve”, agora juro que nunca mais me irritarei), o curso de sueco e mestrado gratuitos e o fato de não estar sendo observada 24 horas por dia e não temer um atentado terrorista a qualquer momento.

Mas bem que o a Inglaterra e a Dinamarca poderiam trocar de lugar, assim daria para eu ver os meus amigos com mais frequência.

P.S.: Acho que Estocolmo mudou um pouco a minha personalidade, a June comentou quando nos encontramos que eu estava menos rabugenta e reclamona.

E aqui um pessoal que se preocupa tanto com terroristas que resolveu fazer graça.

(Esses produtos químicos não serão usados para preparar uma bomba porque esse é um cenário fictício. A realidade é mais complicada. Não confie em outros… como o governo… para lhe dizer como pensar. Se você suspeita deles, informe-se)

Vou ali e já volto

Amanhã eu vou para Londres, encontrar a minha irmã e ensiná-la a atravessar a rua do lado errado. Também vou encontrar alguns amigos muito queridos que deixei por lá e se possível tomar uma pint no Prospect of Withby em Wapping e comer um hamburger no Cafe 1001 na Brick Lane.

Can’t wait

Berlim

O último capítulo da nossa tour pelo leste europeu foi Berlim que já foi meio leste meio oeste e agora é oeste. Eu acho. Fomos de trem de Praga e a viagem foi super tranquila fora um café pra lá de inflacionado que tomamos no trem: quase 9 reais (!!!) por um copo de papel com NESCAFÉ!!!!! Lição do dia, sempre pergunte o preço antes de comprar, mesmo que seja na carroça de cachorro-quente.

A nossa estada em Berlim foi um pouco diferente das outras cidades porque ficamos na casa de amigos do Nicklas que moravam no mesmo prédio que ele quando ele estudou em Londres. Quando nos hospedamos com locais – eles, que vou chamar de Advogada e Filósofo moram em Berlim, ela nasceu e cresceu lá e ele é americano de São Francisco – podemos ver os lugares com outros olhos, temos menos oportunidades de nos perder por ruas desconhecidas, mas em contrapartida acabamos conhecendo lugares um pouco fora do circuito turístico. Para falar a verdade nós nos perdemos, um dia pegamos o trem errado e fomos parar la nos subúrbios de Berlim e outro dia perambulamos por vários minutos até encontrarmos a prédio dos nossos anfitriões.

Por estar em companhia de locais, nós não fizemos tantos programas turísticos em Berlim, fomos em dois museus de arte, um deles com uma exposição genial do Paul Klee, monumento às vítimas do Holocausto e Portão de Brandemburgo e óbvio do óbvio: muro de Berlim, ou o que restou dele. Em compensação fomos a alguns bares e restaurantes bem legais e bem baratinhos graças ao vasto conhecimento dos nossos guias.

Berlim é uma cidade enorme, tudo tem dimensões gigantescas e a parte central da cidade é bem moderna, porque como muitos sabem a década de 40 foi um tanto conturbada para a cidade. Além disso tem muito espaço vazio, atravessar uma rua era como ir daqui à Noruega. Tá bom, foi exagero, mas dá para ter uma noção.

O tempo não nos ajudou muito: pegamos apenas algumas horinhas de sol, fora isso sempre nublado e um frio congelante, o que não é lá muito conveniente quando se passa quase o dia todo do lado de fora caminhando. Nós tivemos uma tentativa frustradíssima de ir ao museu judaico e sinagoga no sábado – dã!

Outra coisa que contribuiu para que o ritmo de atividades em Berlim não fosse tão intenso foi que já estávamos um pouco cansados. Saimos de Estocolmo sábado 27/12 e chegamos em Berlim quarta-feira dia 07/01 depois de dez dias de longas caminhadas e várias atrações turísticas. Mas, se faltou intensidade turística sobraram conversas ultra-profundas e filosóficas (nosso anfitrião está terminando seu doutorado em filosofia) sobre vários assuntos desde o papel da batata na dieta norte-européia até nazismo passando pelo modelo alemão de vaso sanitário.

Budapeste

Agora que já fiz minhas provas, já lavei a roupa acumulada da viagem, já conversei com a minha orientadora que diga-se de pasagem é ótima, competentíssima e meu deu muitas ideias legais, posso sentar para escrever como foi a viagem, começando por Budapeste, que foi nossa primeira parada.

A idéia de visitar Budapeste foi minha, ela surgiu e se desenvolveu da leitura de dois livros: Budapeste, do Chico Buarque, que nem é tão bom, mas despertou a minha curiosidade e O Historiador da Elisabeth Kostova.

A chegada na cidade foi um pouco desapontadora, nós tínhamos comprado uma passagem de ônibus do aeroporto para o centro da cidade, junto com a passagem de avião. Chegamos no aeroporto, cadê o ônibus? Tinha uma empresa lá mas eles disseram que a nossa pasagem não era com eles, perguntamos a umas seis pessoas incluindo um representante da companhia aérea, no balcão de informações turísticas e no balcão de iformações do aeroporto e ninguém sabia de nada, nos mandaram de um lado para outro, nos mandaram olhar os sinais no aeroporto. Daí para eu não me irritar mais resolvi dar a idéia de pegar um taxi.

Depois de dar voltas e mais voltas por becos e ruelas chegamos no hotel, bom na verdade era um predio de apartamentos meio velho sem nenhuma cara de hotel. Nessa altura estávamos um tanto apreensivos. Entramos no prédio, subimos as escadas até o terceiro andar porque nao confiamos no elevador dos anos 50 e chegamos no hotel. Para a nossa surpresa o quarto era bem bonzinho, o banheiro limpo e depois descobrimos que tinha uma estação de metrô literalmente na porta do hotel.  O hotel, na verdade parecia um apartamento com vários quartos para hóspedes, o café da manhã era na cozinha, servido por um senhor muito simpático. O inglês dele se resumia ao menu do café da manhã, mas ele era bem legal de qualquer forma. O café da manhã era bem servido, tinha de tudo, incluindo omelete e salsicha, que não podem faltar no café da manhã pra lá da antiga cortina de ferro.

Nós chegamos na cidade à tardinha e apesar do frio resolvemos dar uma caminhada e ir jantar.   Fomos andando até o centro da cidade, uns 15 minutos de caminhada e achamos um restaurante super turístico chamado Karpátia, o restaurante existe há mais de 130 anos e é super bonito por dentro, não é dos mais baratos, mas comparando com os preços da suecia nao era tão caro. Depois caminhamos um pouco pelas ruas centrais e voltamos para o hotel.

No domingo acordamos super cedo para explorar a cidade, Nicklas é o homem da tour com guia, sempre que viajamos a primeira coisa que ele faz é procurar uma tour da cidade. Em Budapeste não foi diferente. Antes de achar a tour, compramos o Budapest Card que é uma boa pedida para quem vai visitar a cidade, várias cidades européias têm esses cartões que dão direito a transporte, entrada em museus e descontos. Comprado o cartão fomos fazer a tour.

Na noite anterior eu já tinha achado a cidade bem grande, maior do que eu imaginava que fosse, mas quando passeamos de onibus é que vi que ela é enorme. Budapeste tem aproximadamente 2,2 millhões de habitantes (Estocolmo tem aproximadamente 1,2 milhões) e tem muito mais cara de cidade grande do que Estocolmo. A cidade na verade são duas Buda e Peste dividídas pelo rio Danúbio, Peste é onde estão os prédios do governo, bancos, teatros e  museus enquanto Buda é uma área mais residencial. É muito interessante que as duas atravessar o rio é como ir para outro munto: em Peste as ruas são largas, os predios grandes e suntuosos, há muitas lojas e restaurantes; já Buda lembra os centros antigos de algumas cidades européias com ruas estreitas de paralelepípedos, casas e prédios mais antigos e uma atmosfera bem mais aconchegante.

Depois de fazermos a tour, nós conseguimos a façanha turística de visitar quatro museus no mesmo dia.  Primeiro fomos no Museu de Arte e no Museu de Arte Contemporânea que ficam na Praça dos Heróis. Eu achei o museu de arte um pouco chato para dizer a verdade (que venham as pedras!) pois eles estavam mostrando uma exposição sobre arte sacra e era um tal de Jesus na cruz, Jesus sendo torturado, santos sendo apedrejados, sem falar nos quadros enormes de reis voltando das guerras. O Museu de arte contemporânea é bem pequeno, acho que são umas seis ou sete salas e eles estavam com uma exposição de um fotógrafo alemão que eu não lembro o nome e não consigo achar o folheto que tinha guardado para depois escrever no blog mas que era muito interessante. Depois fomos no museu etnográfico que eu recomendo eles tinham uma exposição que se chamava “O outro” e era sobre como os povos e grupos são vistos por quem está de fora, as fotos eram muito interessantes pena que não tinha tradução para inglês. Uma das instalações era um túnel com fotos de vários povos e com o nome pelo qual eles se chamam e o nome pelo qual esses povos são chamados pelos seus inimigos, por exemplo os roma (não sei qual é o termo politicamente-correto para ciganos em português) que são chamados pejorativamente de ciganos.  Depois do museu de etnografia ainda conseguimos ir na Casa do Terror, que é um prédio que foi usado com quartel-general primeiro pelos nazistas que ocuparam a Hungria até o final da II Guerra Mundial e depois pelo Partido Comunista.

Casas de Banho

Budapeste é famosa pelos spas e essa era uma das coisas que eu queria fazer lá, nós visitamos o Széchenyi que foi construído no século XIX e é prédio lindíssimo. A piscina de águas termais naturais fica do lado de fora, o fora da piscina estava -3 graus e dentro 38. Gostamos tanto da experiência que resolvemos visitar outro spa, o Szt. Gellért. Nesse as piscinas ficam dentro do prédio, a piscina externa é fechada durante o inverno então não precisamos quase congelar na caminhada da piscina até o vestiário.  Mas o ponto negativo é que as piscinas térmicas (36 e 38 graus) são bem pequenas e como nós fomos dia 1 de janeiro estava super cheio.

Memento Park

A idéia desse parque foi reunir todos os monumentos da era comunista em um parque, que não está realmente pronto. Pelo que entendi, o município de Budapeste decidiu que esses monumentos representam um período importante da história do país e que não devem ser destruídos. O parque fica meio fora da cidade, mais ou menos meia hora de ônibus. No momento apenas os monumentos estão lá e tem um “galpão” onde dá para assistir um filme e ver algumas fotos, mas a idéia é construir um museu.  Eu, que tinha visto essas estátuas apenas em fotos, achei elas impressionantes ao vivo, não tanto pelo tamanho, mas porque muitas delas são bem dramáticas, as pessoas quase nunca são retratadas paradas, sempre em movimento e com expressões faciais bem distintas.

Judaísmo

Grande parte dos judeus que morreram durante o Holocausto eram húngaros e, como é de se esperar, várias atrações turísticas na cidade são dedicadas à memória das vítimas do Holocausto.  Nós fizemos uma tour por uma das sinagogas que fica dentro do antigo gueto judeu e depois visitamos o museu de arte judaica.  Também visitamos o museu do Holocausto que é super completo e conta a história dos judeus na Hungria desde o século 17.

Melhor restaurante

O melhor restaurante de toda a viagem foi sem dúvida o Bagolyvár em Budapeste, o restaurante serve comida típica Húngara (muito schnitzel, pratos com carne de porco e batata) e fica numa casa típica da Transilvânia, região que já pertenceu à Hungria mas hoje pertence à Romênia. Apenas mulheres trabalham no restaurante: chef, cozinheiras, garçonetes. A comida não podia ser mais gostosa e as moças são simpaticíssimas. De entrada comemos  três tipos de queijo quente com nectarinas e uvas, depois comemos schnitzel com salada vienense que consistia em alface, ovos bem picados e um molho e de sobremesa panquecas de nutela e avelã, que estavam ótimas mas infelizmente eu só consegui dar duas garfadas (mas estava considerando fazer como os romanos: regurgitar para liberar o espaço).  O jantar com bebidas saiu em torno de 135 reais para duas pessoas, não sei como estão os preços no Brasil, lembro que nós fomos num bufê de filés e massas em Novo Hamburgo ano passado e pagamos mais ou menos isso. Comparando com os preços aqui da Suécia estava razoável.

Se arrependimento matasse…

Uma noite eu acordei com muita sede e não tinha água mineral. Não querendo dar uma de Charlotte do SATC resolvi tomar uma água da torneira mesmo, que mal poderia fazer… Bom, fez um mal razoável, passei dois dias com dor de estômago e fui impedida de provar  as famosas tortas e bolos  húngaros.



Budapeste

A cidade e linda e bem maior do que pensei que fosse. Estou num internet cafe onde as paginas demoram 10 minutos para carregar e o teclado nao tem acentos. Daqui a pouco vamos para uma das famosas casas de banho da cidade, ja fomos numa terca feira, onde tomamos banho numa piscina externa com agua naturalmente aquecida. Estava -3 graus fora da piscina e 35 na agua, uma delicia.
Amanha vamos para Praga de onibus, 8 horas de viagem cruzando a Eslovaquia.
Sinceramente essa e uma parte da viagem para qual nao temos muito boas expectativas. No hotel em Praga tem internet, entao espero poder escrever dde la.

Feliz Ano Novo!

Vou ali comprar 1 litro de leite e 2 cacetinhos e já volto…

Amanhã vamos iniciar nossa pequena tour pelo leste europeu: seguimos para Budapeste, dia 2 de janeiro para Praga e dia 7 para Berlin. Voltamos para Estocolmo dia 11. Não vou levar meu computador mas vou tentar postar pelo caminho.

Até mais!

Procura-se uma feira

Há tempo eu queria achar um mercado de rua em Estocolmo, nos moldes de Camden Town ou Portobello Market. Os mercados de rua eram meus programas preferidos para o fim-de-semana em Londres. Eu preferia Camden a Portobello pela mistura de gente, estilos e opções de quinquilharias, comida e pubs e bares legais nas redondezas. Acho que Portobello market ficou um pouco elitizado, mas tinha uma padaria portuguesa lá chamada Lisboa Café que era ótima.

Bom, voltando a Estocolmo, descobrimos um mercado de verão (porque acho que no inverno ninguém se arrisca muito a atividades ao ar livre) em Hornstull. O mercado era mais ou menos embaixo de uma ponte, era legalzinho, com umas coisas estilosas, uma parte onde só se podia entrar com convite, um café, mas tinha um décimo do tamanho dos mercados em Londres. Lá eu comprei uma escova natural para limpar o meu sofá que vive enchendo de cabelo e sujeira.

trix.jpgDepois resolvemos caminhar um pouco e achar um lugar para almoçar. Caminhamos um cinco quilômetros até Gamla Stan, que é a cidade antiga e uma das áreas com mais turistas em Estocolmo. Conseguimos achar um café, aliás eu encontrei com meu faro aguçado, que parecia ser frequentado apenas por locais. Parecido com os lugares que eu gostava de frequentar em Londres, com livraria junto, uma estante com livros que podiam ser levados para a mesa e uma atmosfera bem informal. Almoçamos e resolvemos seguir andando e ver o que estava acontecendo, porque essa semana é a Semana da Cultura em Estocolmo e tem várias coisas rolando em vários lugares da cidade. Decidimos ir à Kulturhuset, mas paramos na frente estava acontecendo uma apresentação do Cirkus Cirkör, uma espécie de Cirque du Soleil da Suécia, lindíssimo. Pena que pegamos a apresentação do meio para o final. Depois resolvemos entrar na Kulturhuset…

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Eu queria ver de novo e mostrar para o Nicklas, a exposição Romska Resor (algo como viagens ciganas, ciganos em sueco é römer) do fotógrafo Joakim Eskildsen. Eu acho a história dos ciganos fascinante e interessantissíma e achei essa exposição por acaso, na quinta-feira quando estava batento perna com as minhas amigas, o que foi uma sorte, porque ela fica na Kulturhuset até amanhã. Na exposição estão fotos de ciganos em vários países como Finlândia, Grécia, Romênia, Índia e Hungria. As fotos são ótimas, eu me senti dentro das casas, ou acampamentos.

Depois voltamos para casa, a temperatura está caindo e hoje acho que não passou dos 20 graus, indícios de que o outono está ali na esquina.

Um país governado de uma ilha

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Durante a minha infância eu tive uma enciclopédia infantil chamada O Mundo da Criança; era uma coleção de 15 volumes cada um sobre um tema (animais e plantas, personalidades, tecnologia, etc…). O número 8 tinha o título Lugares a conhecer e, como o nome diz, era sobre lugares interessantes pelo mundo afora. Durante meus anos na Europa eu já visitei alguns deles, como o Big Ben e Parlamento Britanico, Vigelands Park em Oslo e Coliseu em Roma. Ontem eu adicionei mais um à lista, o Parlamento Sueco. No livro que eu tinha, o texto chamava atenção para o fato de que a Suécia é governada de uma ilha porque Estocolmo é um arquipé150px-sweden-lesser-coa.pnglago e o parlamento ocupa uma das ilhas.

Eu fui com a Ju, Ana e a Márcia numa visita guiada ao Parlamento Sueco (Riksdagen). Nessa visita eu aprendi que o prédio onde fica o Parlamento hoje, era o Banco Central da Suécia até 1971, quando foi adquirido pelo governo, assim como outras casas na redondeza e hoje faz parte do complexo de prédios do poder legislativo. Até 1970 o parlamento era constituído de 2 camaras, uma com membros eleitos através de eleições diretas e outra por meio de eleições indiretas. Em 1970 as duas câmaras foram unidas em uma com 350 cadeiras. Como os empates em votações eram constantes, em 1976, o número de cadeiras foi reduzido para 349.

Como agora é verão, o parlamento está em recesso e o prédio estava vazio. Eles estão aproveitando as férias para construir uma nova sala de imprensa perto da saída da assembléia. Segundo nossa guia, os jornalistas ficavam todos à espreita na porta da assembléia esperando que os membros do parlamento saíssem das sessões para bombardeá-los com perguntas. Com a nova sala, os MPs vão ter tempo de dar uma descansadinha, preparar as respostas e depois dar uma coletiva na sala de imprensa.

ledamoter.jpgOutra curiosidade é que, diferente de muitos parlamentos, câmaras de deputados e senados pelo mundo afora, na Suécia eles não sentam de acordo com o partido, mas de acordo com a região que representam. Isso faz com que representantes de diferentes partidos sentem-se lado a lado, ainda segundo a nossa guia, eles nunca brigam. E, ao contrário do que eu acreditava, o segundo em comando como chefe de estado depois do Rei (que não tem poder político nenhum) é o porta-voz da assembléia e não o primeiro-ministro, que é o terceiro em comando.

De dentro do prédio vimos, num prédio vizinho, os apartamentos de 24 m2 (bem igual a Brasília) onde vivem os MPs que não moram em Estocolmo. E a vida não é fácil para um parlamentar sueco, além dos apartamentos pequenos eles só tiveram direito a escritórios a partir de 1971, antes disso o único lugar que eles tinham para trabalhar era um corredor com algumas mesas e cadeiras.

Visitar o Riksdagen é uma ótima pedida para quem está ou pensa vir a Estocolmo, durante o verão as visitas são diárias a partir de 12:30, em Sueco, Inglês e Alemão. E o melhor de tudo, é de graça. Mais informações aqui


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Atenção

Eu moro na Suécia mas não sou agência de turismo, intercâmbio nem trabalho no consulado brasileiro, então não me peça informações sobre morar aqui, aprender a língua, estudar, etc, para essas coisas existe o Google e foi googlando que eu achei 99% das informações que precisava para morar aqui. Na página de links tem vários sites com informações úteis sobre morar na Suécia e Inglaterra.

 

Novembro 2009
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