depois que
1) Acabarem essas drogas de provas de sueco
2) Entregar minha dissertação – dia 28 de maio. A defesa está marcada para dia 11 de junho.
Enquanto isso vão se divertindo com esses videozinhos
depois que
1) Acabarem essas drogas de provas de sueco
2) Entregar minha dissertação – dia 28 de maio. A defesa está marcada para dia 11 de junho.
Enquanto isso vão se divertindo com esses videozinhos
De vez em sempre eu canso das aulas de expressão oral em sueco. Porque a “aula” se resume em fazer apresentações sobre temas diversos e de escolha pessoal e depois escutar a avaliação. Aí a Paola e sua colega se esforçam procurando coisas legais na internet. Vão na biblioteca pegar livro. Procuram vídeo no youtube. Mesmo com dois gêmeos de 4 anos para cuidar (colega) e uma dissertação para escrever (Paola) E o que elas ouvem? Cuidem com as preposições. Treinem a pronúncia do o, que se pronuncia u em sueco.
Tudo bem que o curso é de expressão oral mas se for para treinar a pronúncia poderiam usar outros métodos não é mesmo. Desse jeito a minha próxima apresentação vai ser sobre fezes, com direito a exemplos ilustrativos reais. Como disse a minha colega, dava para chegar lá e dizer que o Adolf Hitler foi um cara legal, contanto que a estrutura da frase e a pronúncia estejam corretas.
Há exatamente uma semana (sexta-feira, 20-02) eu tive uma reunião com a minha orientadora. Discutimos várias coisas e sugeriu marcar uma data para eu entregar o primeiro rascunho do background teórico e métodos de pesquisa. Até aí tudo bem, eu gosto quando as coisas tem datas para serem feitas. Mas daí ela lascou assim à queima-roupa: que tal duas semanas. Eu querendo dar uma de fodona respondi que sem problemas. Na verdade eu fiz um “curso” no semestre passado que consistia em escrever um paper. Esse paper poderia ser usado na dissertação, como estudo piloto ou como background teórico e eu escrevi algo que desse para depois ser usado como background teórico. E me esforcei bastante para escrever uma coisa decente.
Mas aí a coisa começa a complicar. Essa semana fiz uma leitura dinâmica em alguns livros e artigos que a minha orientadora sugeriu e vi que preciso mudar algumas coisas, acrescentar outras, editar mais outras tantas. E é então que o problema começa. Onde está a força intelectual para sentar e escrever? Eu até já comecei a escrever, mas sempre depois de escrever duas linhas eu começo a achar que não está bom, que eu não levei TODOS os aspectos relevantes em consideração. Escrever um parágrafo é como tentar extrair agua de pedras de Mata (a cidade da madeira que virou pedra).
Me conhecendo como me conheço eu sei que a minha sorte vai virar, que chega uma hora que a inspiração vem. Mas essa hora precisa chegar logo, de preferência agora durante o fim de semana porque semana que vem preciso fazer companhia para a minha sogra quinta e sexta-feira – dia em que o rascunho precisa ser entreque. E enquando essa hora não chega eu sinto um imenso sentimento de culpa por não sentar e escrever umas três páginas numa sentada, coisa que jamais aconteceu.
Para piorar a situação tem o curso de sueco, mas esse eu tô meio que empurrando com a barriga. O problema dele não é a dificuldade, mas sim que sempre tem um texto para escrever ou uma apresentação sobre temas extremamente interessantes para preparar. E isso toma muito tempo.
Acho que a minha saída será escrever qualquer coisa assim sem me preocupar muito com TODOS os aspectos relevantes, entregar e depois esperar para ver o que minha orientadora e meus colegas tem a dizer. Sim, porque como os suecos amam trabalho em grupo, mesmo escrevendo nossas dissertações individualmente, nós temos encontros entre os orientandos do mesmo orientador para discutir nossos trabalhos. Assim para dar um atmosfera grupal à coisa.
Eu já escrevi em outros posts sobre as minhas aventuras tentando aprender sueco, sobre o fato de que eu queria aprender uma língua estrangeira e acabei levando aulas de “moral e cívica” e pseudo-pesquisa no pacote. Semana passada eu terminei o curso de Sueco como Língua Estrangeira (Svenska som främmande språk) na Universidade de Estocolmo, que é um curso de nível ginasial aqui. O curso tem dois níveis, que logicamente são chamados níveis 2 e 3, eu acho que como aqui em sueco as coisas geralmente são classificadas com letras – níveis A, B, C em cursos;prédios A, B, C… na universidade – eles se perdem um pouco na hora de contar com números. O nível 3 é pré-requisito para cursar universidade em sueco e a prova final equivale ao TISUS que é o exame de proficiência em sueco. Teoricamente esse é o último nível de sueco como língua estrangeira. Mas, na prática a teoria é outra, eu não acho que fale sueco com a mesma fluência que eu falava inglês quando fiz o IELTS em 2003. Eu acredito que sei o que é ser fluente em uma língua estrangeira e posso dizer que não sou fluente em sueco. Sim porque eu conheci muito brasileiro que diz falar inglês fluente, quando na verdade fala portuglês, ou suecos que falam swenglish.
Por esses motivos resolvi continuar meus estudos de sueco. O Departamento de Línguas Nórdicas da Universidade oferece mais cursos de sueco em nível universitário e eu resolvi me matricular no curso de Sueco para estudantes com educação não-sueca (Svenska för studenter med utlandsk förutbildning), para meu alívio esse curso não me obriga a aguentar moral e cívica nem pseudo-pesquisa com um professor fascista, conservador e reacionário – isso é assunto para outro post.
Essa foi a primeira semana de aula e até tenho medo de dizer que o curso me causou boa impressão e depois me arrepender, mas eu gostei do que vi e ouvi até agora. O curso é dividido em quatro disciplinas: Gramática descritiva (språkbeskrivning), A língua falada (Det talade språket), Expressão oral (Muntlig framställning) e Expressão escrita (Skriftlig framställning) e os professores com quem tive aula até agora dão aula mais ou menos como se estivessem falando com adultos alfabetizados com pleno uso de suas capacidades mentais.
Eu estou torcendo para que esse curso mude a minha impressão sobre os professores de sueco como língua estrangeira, que até então não é muito boa, eu tive duas professoras ótimas (por um acaso do destino nenhuma delas sueca, uma alemã e uma finlandesa), mas o resto deixou bem a desejar.
Meu cérebro está participando de uma maratona solitária. Faz mais ou menos uma hora que eu cheguei da minha segunda prova final de sueco. Eu ja fiz a de Educação Moral e Cívica versão sueca (blergh) e hoje foi de redação e interpretação de textos. Em janeiro tenho a prova oral, depois preciso apresentar meu pseudo-projeto científico, uma coisa bem feira de ciências, sabem? A prova de hoje não estava muito difícil, os textos eram até que mais ou menos interessantes e a redação foi sobre um tema bom: necessidade de notas no sistema escolar. Primeiro foi a parte de interpretação, cinco textos e acho que umas 30 questões para responder em 50 minutos (não da para pensar muito), os textos variavam de meia página a duas e um pouquinho. Isso feito tivemos um intervalo de meia hora e depois colamos a bunda na cadeira por duas horas e meia para escrever uma redação com cerca de 400 palavaras. Eu acho essas provas longas um saco! Principalmente a de redação porque não dá para sair, dar uma espairecida ou trocar uma idéia com o colega ao lado no caso de a inspiração desaparecer por uns instantes. Mas sobrevivi.
Enquanto fazia a prova eu fiquei olhando para o céu azul e para o sol que tinha voltado de umas férias de 10 dias nas Ilhas Canárias e pensando que quando chegasse em casa eu ia me sentar aqui na mesa da sala e aproveitar a última horinha de sol do dia, almoçar, ver meus emails, etc. Ledo engano, acho que o sol não gostou muito do que viu aqui na Suécia e logo depois do meio-dia resolveu voltar para as Ilhas Canárias.
Mas voltando à sobrecarga cerebral, hoje entreguei um trabalho do mestrado. Já estava pronto há quase uma semana mas eu não estava muito satisfeita, reli umas mil vezes, mudei umas coisas, não fiquei satisfeita, mas foi do mesmo jeito. Agora tenho artigo de 10 paginas que precisa ficar pronto antes do Natal, a data de entrega é dia 7 de janeiro, mas como vamos viajar e só voltamos dia 11 preciso entregar antes. Esse trabalho é para valer por uma disciplina na qual não teremos aula, entenderam? Seguinte, nesse semestre tive duas disciplinas Media Philosophy e Media and Crime daí escolhemos fazer uma “extensão” em um dos dois, que na verdade significa escrever o artigo, ter 20 minutos de orientação com a professora e fazer uma apresentação.
Na verdade a minha interpretação do fato é: não sabemos o que mais colocar nesse mestrado, não temos professores suficiente, essas criaturas precisam de um número x de pontos para terminarem o programa de mestrado, o que faremos? Solução, mandamos eles escreverem um artigo, que será chamado de extensão a uma das disciplinas do semestre, assim não precisamos preparar mais um curso e nenhum dos professores precisará se distrair das suas pesquisas que mudarão o futuro da humanidade para dar aula para alunos inúteis. Os alunos por sua vez ficarão tão preocupados com o fato de que terão que escrever um artigo de 10 paginas baseado em no mínimo 500 páginas de literatura, entre Natal e Ano Novo, logo antes de começarem a escrever suas dissertações que nem terão tempo de reclamar. Espertinhos esses professores, não?
Eu sempre recebo e-mails ou comentários de gente que quer estudar aqui na Suécia e tem muita gente que chega no blog procurando por esses assuntos, então eu resolvi escrever um post com as principais dúvidas e perguntas que eu recebo. Como a Ju já escreveu um post super explicativo sobre estudar sueco eu não vou abordar esse assunto, em vez disso, vou falar sobre pós-graduação na Suécia.
Em primeiro lugar quero deixar bem claro que nada do que eu escrever substitui o que as universidades dizem, e é sempre bom entrar em contato com o departamento em que você tem interesse em estudar. Pode-se escrever em inglês sem problemas. Aqui estao os sites das principais universidades da Suécia
Universidade de Estocolmo
Royal Institute of Technology (KTH)
Karolinska Institutet
Universidade de Gotemburgo
Universidade de Uppsalla
Universidade de Örebro
Universidade de Lund
Universidade de Umeå
Lingua Existem duas opções quanto à língua de ensino em cursos de mestrado e doutorado na Suécia: o sueco, lógico e o inglês, que é a opção da grande maioria dos estudantes internacionais. Todas as universidades acima oferecem cursos de mestrado em inglês, geralmente se exige que o aluno tenha feito algum exame de certificação internacional (TOELF, IELTS, CPE, CAE, etc) para provar seu conhecimento de inglês. Também existem alguns programas de doutorado não exigem fluência em sueco.
Como se candidatar para uma vaga
Mestrado a maioria das universidades centraliza o processo de seleção pelo site studera.nu. Nesse site você tem a oportunidade de se cadastrar, preencher certos formulários online e checar o andamento da seleção. Alguns departamentos realizam o processo internamente, um exemplo é o departamento onde eu faço mestrado, JMK (Journalistik Media o Kommunikation), nesse caso todos os documentos devem ser enviados diretamente pela a instituição.
Os documentos necessários em geral incluem diplomas e históricos com tradução juramentada em inglês, prova de fluência em inglês um formulário preenchido e uma carta explicando porque está interessado no programa e, em linhas gerais, qual será seu projeto de pesquisa.
Doutorado O processo de seleção para doutorado é realizado pelas próprias instituições. Como regra geral, você envia os documentos e material solicitado pela universidade (os mesmos que para mestrado, mais cópias da dissertação de mestrado ou artigos) e se a universidade se interessar por sua proposta irá chamá-lo para uma entrevista.
Como o doutorado muitas vezes implica num vínculo empregatício com a universidade, as vagas são anunciadas na parte de empregos dos sites das universidades (Lediga Tjänster ou Platsannonser). Muitas vezes (mesmo que você não precise falar sueco para ser aceito no programa) essas vagas são anunciadas apenas em sueco. Nesse caso, vale à pena entrar em contato com o chefe do departamento ou coordenador do curso e mostrar seu interesse em desenvolver pesquisa na instituição. O The Local, que é um site com informações sobre a Suécia em Inglês, traz esporadicamente anúncios de vagas para doutorado principalmente nas áreas tecnica, tecnológica e saúde na sua seção de empregos.
$Finança$ A educação na Suécia é gratuita, o que significa que o curso de mestrado ou doutorado em si não custam nada. Você vai precisar, no entanto, pagar a taxa da associação de estudantes. Na Universidade de Estocolmo custa em torno de R$120,00 para o primeiro termo estudado e R$90,00 para os seguintes. Fora isso, você vai precisar comprovar que tem uma quantia suficiente para se manter aqui. Atualmente essa quantia é de 7.300 coroas suecas (cerca de R$1.900) por mês, caso você pretenda ficar um ano ou mais, precisa provar que tem esse valor por 10 meses, o que equivale ao ano letivo. Mais informações sobre vistos podem ser encontradas no site da Imigração Sueca.
Bolsas para mestrado são raras, mas existem. O Swedish Institute e uma organização de incentivo à pesquisa que oferece algumas bolsas a cada ano. Não é possível para o estudante se candidatar direto para uma bolsa do SI, mas você pode especificar no formulário de inscrição que deseja que a universidade envie sua inscrição para o a instituição.
No doutorado, existem duas possibilidades: você pode entrar no programa numa universidade sueca com financiamento de uma outra instituição ou pode ser empregado pela própria universidade. No segundo caso, geralmente você terá algumas responsabilidades como pesquisa, monitorar seminários ou ajudar os professores a preparar aulas e corrigir trabalhos. O tipo de vínculo com a universidade varia, em algumas recebe-se bolsa e em outras existe um contrato de emprego entre a universidade e o aluno e, em outros programas, recebe-se bolsa nos primeiros dois anos e salário (com direito a férias remuneradas, licença maternidade, etc) nos últimos dois. As bolsas de doutorado ficam em torno de 17 mil coroas (cerca de R$4.300), mas se você for empregado pela universidade esse valor pode chegar a 24 mil coroas ( Cerca de R$ 6 mil) em valores brutos.
Datas para alunos de fora da União Européia, a data limite para envio dos documentos é 15 de março para o ano letivo que iniciará em agosto. Para alunos em países-membros da União Européia, a data limite é 15 de abril. É importante lembrar que o ano letivo aqui na Suécia começa no final de agosto (semana 34 ou 35) e termina no início de junho (semana 27 ou 28). Durante o Natal e Ano Novo há uma pausa de duas ou três semanas e durante o verão europeu as férias são de dois meses e meio.
Estrutura do Curso quando você procurar por cursos nos sites das universidades suecas vai ver que ao lado do nome tem sempre uma pontuação que equivale ao número de créditos do curso. Um ano letivo equivale a 60 pontos e cada semana de aula equivale a 1,5 pontos. Durante o programa cada curso terá um valor de pontos individual, compondo o total do mestrado ou doutorado.
Em 1999 os países-membros da União Européia assinaram a Declaração de Bolonha, lançando as bases de um sistema de educação superior mais unificado. As metas da Declaração deve ser cumpridas até 2010. Uma dessas resoluções diz respeito aos programas de mestrado e doutorado. Atualmente existem dois tipos de programa de mestrado na Suécia: magister, que dura um ano e master que dura 2. Até 2010 os programas de um ano vão ser descontinuados. Quem cursou um ano vai precisar cursar quatro de doutorado e quem fez o programa de dois anos precisará cursar apenas três.
O doutorado engloba três ou quatro anos de aulas, cursos e seminários e trabalho na tese. Em alguns programas você só começa a trabalhar na tese no último ano e em outros começa desde o inicío do curso. ao contrário de várias universidades no Brasil, não é preciso ter um projeto de pesquisa pronto ao iniciar o curso.
Espero que esse post seja útil para quem cair aqui procurando informações, mas eu volto a lembrar que é apenas um resumo bem geral das dúvidas mais comuns. Para informações mais detalhadas, consulte os sites e as instituições diretamente.
Eu preciso de jornalistas que trabalhem na Folha, Estadão, Correio Braziliense, O Globo ou Jornal do Brasil para fazer uma entrevista para o meu projeto piloto sobre como as ONGs usam a mídia como ferramenta de comunicação. Eu posso fazer a entrevista por e-mail ou telefone.
Se alguém é ou conhece uma vítima em potencial, por favor deixe um comentário (que eu não vou publicar) ou mande um email para pasartoretto@yahoo.com com o contato.

Nem mesmo nos meus sonhos mais surreais eu pensei que seria possível estudar vendo Sex and the City, mas isso é exatamente o que estou fazendo agora. Uma das minhas tarefas para terminar o primeiro módulo do mestrado é analisar um programa de entretenimento à escolha.
Eu não pensei nem meia vez em qual seria a minha escolha.
Essa semana foi meio desorganizada no mestrado. O tema da semana era globalização e filmes, na terça-feira tivemos a aula ou palestra sobre o tema. A professora simplesmente LEU sua palestra de cabo a rabo, um texto em linguagem super acadêmica, frases longuíssimas e entrecortadas. Ou prestava-se atenção ou tomavam-se notas, fazer os dois ao mesmo tempo era impossível. Daí, no fim da aula um dos meus colegas perguntou se a professora podia nos passar as notas dela, porque ninguém tinha anotado nada, ao que ela responde: Eu nunca distribuo as minhas palestras. Mas vá TNC!
Ela queria discutir sobre como a globalização é representada visualmente na TV ou filmes e lançou a pergunta no ar. Várias pessoas deram exemplos e ela só respondia: Muito bom exemplo, mas não é bem isso que eu estou procurando. Na verdade acho que nem ela sabia o que estava procurando. Nós assistimos parte do filme Surplus: Terrorized Into being Consumers do diretor sueco Erik Gandini que é muito interessante, não tanto pelo conteúdo que cai em vários lugares comuns da crítica à globalização, mas pela linguagem e estética utilizadas.
Na quarta-feira teríamos que assistir ao filme The Tube, mas o filme era em francês com legendas em sueco. Como a maioria da turma não entende nenhuma das línguas (lembrando que o mestrado é em inglês) fomos obrigados a abortar a missão e ver o resto do primeiro filme do qual tínhamos visto apenas 15 minutos na terça-feira. Um dos problemas é que os textos para discussão no seminário de sexta-feira eram relacionados ao The Tube, o que deixou a coisa meio sem pé nem cabeça.
Chegando no seminário, ninguém sabia muito bem o que fazer: discutir os textos, discutir o filme, jogar conversa fora… Outro problema é que por sugestão dos monitores do seminário e da professora, deveríamos discutir o formato, estética e linguagem do filme (as tal representação do global no vídeo) entretanto, o tema do filme é super polêmico e muita gente queria falar sobre isso.
Acabamos por discutir vários assuntos e seguir o rumo da conversa que num certo momento enveredou para a crítica ao consumismo que virou moda agora. Uma das minhas colegas, que é russa, disse que esse tipo de criticismo não existe na Rússia pós-comunista, depois de anos esperando na fila para comprar pão e leite, as portas para o mundo luminoso, variado e cheio de opção se abriram e agora que tem dinheiro quer saber mais é de se empanturrar de Big Mac, comprar forno microondas, TV, computador e não tá nem aí para o meio-ambiente.
Mas o que mais me chamou atenção, principalmente pela singeleza do relato foi uma colega alemã. Ela disse lembrar dos dias depois da queda do Muro de Berlim, de ir num supermercado e ficar boquiaberta diante da variedade, diversidade e tamanho. Segundo ela: quando eu via um coco, eu não pensava que na Alemanha faz frio que não dá coco lá e que o coco viajou quilômetros e liberou muito gás-carbônico na atmosfera, eu pensava apenas que que eu nunca tinha comido coco e queria provar.
Continuo estudando bastante muita coisa para ler, preparação para seminários, apresentações e on top of that o curso de sueco.
Essa semana foi um pouco chata no mestrado, o tema foi mídia na China. Tudo bem, tudo bem, eu reconheço a importância da China no cenário sócio-ecônomico-cultural mundial e da necessidade de analisar e entender a mídia sob um ponto-de-vista não ocidental. Mas foi chato, eu preferia uma semana sobre o Oriente-Médio. Pronto, falei!
Semana que vem será sobre a Rússia e eu antecipo que vai ser bem mais interessante, para mim pelo menos.
E o curso de sueco continua firme, dia 10 de Setembro comecei outro nível, com uma profe MUITO melhor, praticamente uma bolsa Prada no meio de um mar de bolsas da C&A. E eis que semana passada ela me diz que acha que eu tenho condições de fazer a prova para terminar esse nível em que estou agora dia 23 de Outubro, ou seja, em pouco mais de um mês.
Ontem foi o primeiro dia do meu nono ano (não consecutivos) estudando em instituições de ensino superior. A Universidade de Estocolmo é também a terceira universidade no terceiro país em que estudo. Acho que dá para dizer que eu sou uma estudante profissional, com a ressalva de que nessa profissão não se recebe salário.
A minha primeira impressão da Faculdade de Jornalismo, Mídia e Comunicação da Universidade de Estocolmo foi muito boa. Tive uma introdução ao curso e depois uma recpção para conhecer os professores e colegas. Não tem como não fazer comparações com a City University em Londres. Bom, para começar, a faculdade aqui não é tão moderna, último grito do design e tecnologia como o então recém inaugurado prédio do Departamento de Ciências Sociais da City University onde eu estudei, mas têm uma biblioteca própria.
A atmosfera é bem mais informal e eu achei as professoras que fizeram a introdução muito acessíveis a dispostas a esclarecer dúvidas e ajudar os estudantes. Nós fizemos um tour pelo prédio, que fica em Östermalm, a área chique de Estocolmo próximo à Rede Sueca de Televisão (SVT) e Rádio Sueca (SR). Quando a professora nos mostrou a sala dela, eu achei bom fazer uma pergunta de ordem prática: se era preciso marcar hora para falar com os professores (na City, os professores atendiam alunos por uma ou duas horas duas vezes por semana) e ela disse que não. Já vi que a informalidade é regra, o que eu acho ótimo, pois no Brasil cansei de ir na casa dos meus professores, tomar café, sair para tomar uma cerveja e não acho que isso tenha prejudicado minha educação.
Hoje eu teria uma “aula” de como usar a biblioteca, sim, porque os suecos não poderiam deixar um bando de estrangeiros desorganizdos começar a usar sua impecavel biblioteca sem antes doutriná-los na difícil arte de procurar um livro nas estantes e posteriormente retirá-lo. Infelizmente eu tive que perder essa porque tinha prova no curso de sueco.
Eu já tenho várias coisas para ler e quinta-feira tenho que fazer uma apresentação sobre o meu projeto de pesquisa. Mas não reclamo, pois fora a falta de salário, eu gosto muito da minha profissão.
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