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Eu volto…

depois que

1) Acabarem essas drogas de provas de sueco

2) Entregar minha dissertação – dia 28 de maio. A defesa está marcada para dia 11 de junho.

Enquanto isso vão se divertindo com esses videozinhos

Bleh

De vez em sempre eu canso das aulas de expressão oral em sueco. Porque a “aula” se resume em fazer apresentações sobre temas diversos e de escolha pessoal e depois escutar a avaliação. Aí a Paola e sua colega se esforçam procurando coisas legais na internet. Vão na biblioteca pegar livro. Procuram vídeo no youtube. Mesmo com dois gêmeos de 4 anos para cuidar (colega) e uma dissertação para escrever (Paola) E o que elas ouvem? Cuidem com as preposições. Treinem a pronúncia do o, que se pronuncia u em sueco.

Tudo bem que o curso é de expressão oral mas se for para treinar a pronúncia poderiam usar outros métodos não é mesmo.  Desse jeito a minha próxima apresentação vai ser sobre fezes, com direito a exemplos ilustrativos reais.  Como disse a minha colega, dava para chegar lá e dizer que o Adolf Hitler foi um cara legal, contanto que a estrutura da frase e a pronúncia estejam corretas.

Inatividade intelectual

dsc01954Há exatamente uma semana (sexta-feira, 20-02) eu tive uma reunião com a minha orientadora. Discutimos várias coisas e sugeriu marcar uma data para eu entregar o primeiro rascunho do background teórico e métodos de pesquisa. Até aí tudo bem, eu gosto quando as coisas tem datas para serem feitas. Mas daí ela lascou assim à queima-roupa: que tal duas semanas. Eu querendo dar uma de fodona respondi que sem problemas. Na verdade eu fiz um “curso” no semestre passado que consistia em escrever um paper. Esse paper poderia ser usado na dissertação, como estudo piloto ou como background teórico e eu escrevi algo que desse para depois ser usado como background teórico. E me esforcei bastante para escrever uma coisa decente.

Mas aí a coisa começa a complicar. Essa semana fiz uma leitura dinâmica em alguns livros e artigos que a minha orientadora sugeriu e vi que preciso mudar algumas coisas, acrescentar outras, editar mais outras tantas.  E é então que o problema começa. Onde está a força intelectual para sentar e escrever? Eu até já comecei a escrever, mas sempre depois de escrever duas linhas eu começo a achar que não está bom, que eu não levei TODOS os aspectos relevantes em consideração. Escrever um parágrafo é como tentar extrair agua de pedras de Mata (a cidade da madeira que virou pedra).

Me conhecendo como me conheço eu sei que a minha sorte vai virar, que chega uma hora que a inspiração vem. Mas essa hora precisa chegar logo, de preferência agora durante o fim de semana porque semana que vem preciso fazer companhia para a minha sogra quinta e sexta-feira – dia em que o rascunho precisa ser entreque. E enquando essa hora não chega eu sinto um imenso sentimento de culpa por não sentar e escrever umas três páginas numa sentada, coisa que jamais aconteceu.

Para piorar a situação tem o curso de sueco, mas esse eu tô meio que empurrando com a barriga. O problema dele não é a dificuldade, mas sim que sempre tem um texto para escrever ou uma apresentação sobre temas extremamente interessantes para preparar. E isso toma muito tempo.

Acho que a minha saída será escrever qualquer coisa assim sem me preocupar muito com TODOS os aspectos relevantes, entregar e depois esperar para ver o que minha orientadora e meus colegas tem a dizer. Sim, porque como os suecos amam trabalho em grupo, mesmo escrevendo nossas dissertações individualmente, nós temos encontros entre os orientandos do mesmo orientador para discutir nossos trabalhos. Assim para dar um atmosfera grupal à coisa.

Sueco – missão (quase) impossível

Eu já escrevi em outros posts sobre as minhas aventuras tentando aprender sueco, sobre o fato de que eu queria aprender uma língua estrangeira e acabei levando aulas de “moral e cívica” e pseudo-pesquisa no pacote. Semana passada eu terminei o curso de Sueco como Língua Estrangeira (Svenska som främmande språk) na Universidade de Estocolmo, que é um curso de nível ginasial aqui. O curso tem dois níveis, que logicamente são chamados níveis 2 e 3, eu acho que como aqui em sueco as coisas geralmente são classificadas com letras – níveis A, B, C em cursos;prédios A, B, C… na universidade – eles se perdem um pouco na hora de contar com números. O nível 3 é pré-requisito para cursar universidade em sueco e a prova final equivale ao TISUS que é o exame de proficiência em sueco. Teoricamente esse é o último nível de sueco como língua estrangeira. Mas, na prática a teoria é outra, eu não acho que fale sueco com a mesma fluência que eu falava inglês quando fiz o IELTS em 2003. Eu acredito que sei o que é ser fluente em uma língua estrangeira e posso dizer que não sou fluente em sueco. Sim porque eu conheci muito brasileiro que diz falar inglês fluente, quando na verdade fala portuglês, ou suecos que falam swenglish.

Por esses motivos resolvi continuar meus estudos de sueco. O Departamento de Línguas Nórdicas da Universidade oferece mais cursos de sueco em nível universitário e eu resolvi me matricular no curso de Sueco para estudantes com educação não-sueca (Svenska för studenter med utlandsk förutbildning), para meu alívio esse curso não me obriga a aguentar moral e cívica nem pseudo-pesquisa com um professor fascista, conservador e reacionário – isso é assunto para outro post.

Essa foi a primeira semana de aula e até tenho medo de dizer que o curso me causou boa impressão e depois me arrepender, mas eu gostei do que vi e ouvi até agora. O curso é dividido em quatro disciplinas: Gramática descritiva (språkbeskrivning), A língua falada (Det talade språket), Expressão oral (Muntlig framställning) e Expressão escrita (Skriftlig framställning) e os professores com quem tive aula até agora dão aula mais ou menos como se estivessem falando com adultos alfabetizados com pleno uso de suas capacidades mentais.

Eu estou torcendo para que esse curso mude a minha impressão sobre os professores de sueco como língua estrangeira, que até então não é muito boa, eu tive duas professoras ótimas (por um acaso do destino nenhuma delas sueca, uma alemã e uma finlandesa), mas o resto deixou bem a desejar.

Eu e o meu cérebro

left-brain-right-brainMeu cérebro está participando de uma maratona solitária. Faz mais ou menos uma hora que eu cheguei da minha segunda prova final de sueco.  Eu ja fiz a de Educação Moral e Cívica versão sueca (blergh) e hoje foi de redação e interpretação de textos. Em janeiro tenho a prova oral, depois preciso apresentar meu pseudo-projeto científico, uma coisa bem feira de ciências, sabem? A prova de hoje não estava muito difícil, os textos eram até que mais ou menos interessantes e a redação foi sobre um tema bom: necessidade de notas no sistema escolar. Primeiro foi a parte de interpretação, cinco textos e acho que umas 30 questões para responder em 50 minutos (não da para pensar muito), os textos variavam de meia página a duas e um pouquinho.  Isso feito tivemos um intervalo de meia hora e depois colamos a bunda na cadeira por duas horas e meia para escrever uma redação com cerca de 400 palavaras. Eu acho essas provas longas um saco! Principalmente a de redação porque não dá para sair, dar uma espairecida ou trocar uma idéia com o colega ao lado  no caso de a inspiração desaparecer por uns instantes.  Mas sobrevivi.

Enquanto fazia a prova eu fiquei olhando para o céu azul e para o sol que tinha voltado de umas férias de 10 dias nas Ilhas Canárias  e pensando que quando chegasse em casa eu ia me sentar aqui na mesa da sala e aproveitar a última horinha de sol do dia, almoçar, ver meus emails, etc. Ledo engano, acho que o sol não gostou muito do que viu aqui na Suécia e logo depois do meio-dia resolveu voltar para as Ilhas Canárias.

Mas voltando à sobrecarga cerebral, hoje entreguei um trabalho do mestrado. Já estava pronto há quase uma semana mas eu não estava muito satisfeita, reli umas mil vezes, mudei umas coisas, não fiquei satisfeita, mas foi do mesmo jeito. Agora tenho artigo de 10 paginas que precisa ficar pronto antes do Natal, a data de entrega é dia 7 de janeiro, mas como vamos viajar e só voltamos dia 11 preciso entregar antes. Esse trabalho é para valer por uma disciplina na qual não teremos aula, entenderam? Seguinte, nesse semestre tive duas disciplinas Media Philosophy e Media and Crime daí escolhemos fazer uma “extensão” em um dos dois, que na verdade significa escrever o artigo, ter 20 minutos de orientação com a professora e fazer uma apresentação.

Na verdade a minha interpretação do fato é: não sabemos o que mais colocar nesse mestrado, não temos professores suficiente, essas criaturas precisam de um número x de pontos para terminarem o programa de mestrado, o que faremos? Solução, mandamos eles escreverem um artigo, que será chamado de extensão a uma das disciplinas do semestre, assim não precisamos preparar mais um curso e nenhum dos professores precisará se distrair das suas pesquisas que mudarão o futuro da humanidade para dar aula para alunos inúteis.  Os alunos por sua vez ficarão tão preocupados com o fato de que terão que escrever um artigo de 10 paginas baseado em no mínimo 500 páginas de literatura, entre Natal e Ano Novo, logo antes de começarem a escrever suas dissertações que nem terão tempo de reclamar. Espertinhos esses professores, não?

O universo só pode estar conspirando contra mim

É a única explicação! Acho que eu vou parar de estudar e procurar emprego de motorista do metro. Que vocês tão pensando: não ganha mal, não precisa pagar transporte, pode xingar as pessoas, dá pra ficar escutando música. As vantagens não param…

Sim porque tentar estudar nesse país está se tornando um desafio. Hoje recebi a lista dos supervisores da dissertação. Eu estava o tempo todo pensando: pode ser qualquer um menos o Fulansson (fulando em sueco), qualquer um menos ele. Dito e feito: Fulansson será meu orientador. Ele acabou de acabar o doutorado, ele não é um bom professor (ser um bom pesquisador e ser um bom professor são coisas muito diferentes), ele não tá nem aí para os alunos e no topo de tudo isso o agravante de que não da para entender o que ele fala.

Agora eu estou aqui pensando o que eu faço: bom já perguntei qual foi o critério de atribuição de supervisores porque tinha outra professora que seria bem mais adequada.

Nesse meio tempo vou dar uma olhada no site da empresa de transporte, quem sabe eles estão precisando de motoristas para o metro.

Tentando aprender sueco – apesar dos professores

Dizem as lendas e pesquisas que aprender uma língua depois de uma certa idade já não é tão fácil eu não sei se concordo, acho que depende muito dos métodos de ensino, da vontade do cidadão e do esforço que colocamos na tarefa.  Eu não acho que sueco seja mais fácil ou mais díficil do que as outras línguas que estudei, tem coisas que são mais fáceis e coisas que são mais difíceis, mas no frigir dos ovos dá na mesma. O problema são os métodos – ou a falta de – de ensino de sueco como língua estrangeira.

Primeiro precisamos reconhecer que não é muita gente que quer aprender sueco como língua estrangeira, comprarando com inglês e espanhol por exemplo. Eu “guesstimo” que a grande maioria das pessoas que estuda sueco como língua estrangeira o faz porque mora aqui e precisa falar a língua. Logo não há uma grande demanda para que se desenvolvam métodos modernos para ensinar a língua. E quem sofre são os alunos.

Desenhando: esse curso que estou fazendo (que é o último nível de sueco como língua estrangeira) se divide em quatro disciplinas: sueco oral, redação e duas outras muito inúteis que eu tenho vontade de chorar por perder meu temo estudando que são projeto – nós temos que fazer um pseudo (bem pseudo mesmo) projeto de pesquisa e algo que equivale à Educação Moral e Cívica (chama-se Realia em sueco), lembram? Acho quem fez o ensino fundamental na década de 80 deve lembrar. Nessa aula somos domesticados em cultura sueca. O professor de projeto e Educação Moral e Cívica é o mesmo e ele parou na década de 60. E a prova é daquelas de vomitar o livro pelas mãos, mais ou menos como as minhas provas de história da 7a série, quando eu precisava explicar a divisão das capitanias hereditárias. Eu tenho provas de que ele dá as mesmas aulas há 4 anos, mas acredito que seja muito mais. A aula de redação é uma brincadeira, primeiro porque é uma aula de como escrever, não de como escrever EM SUECO. E o método da professora é o seguinte, nós escrevemos os textos, ela corrige muito mal corrigido e depois nos sentamos com o coleguinha ao lado e tentamos ajudar um ao outro a melhorar seu texto. Se é assim, para que professor? Eu podia muito bem me encontrar com meus colegas uma vez por semana e discutir sobre os nossos textos. Já o foco da aula de sueco oral é desenvolver a importantíssima habilidade de falar em público, lemos textos sobre retórica, aprendemos como estruturar um discurso, apresentamos discursos, uma maravilha. Agora, quando eu terei a oportunidade de fazer um discurso em sueco eu não sei. Talvez quando eu receber algum prêmio nobel, for eleita para algum cargo político, que são coisas que realmente estão nos meus planos.

O que mais me irrita nisso tudo é que os professores ficam tentando impor a agenda deles: o que ler, que partes da cultura são importantes; quando o que eu quero é apenas aprender a língua de tal maneira que eu possa me comunicar de maneira eficaz. Que livros ler e a maneira como eu vou entender a sociedade e a cultura eu me reservo o direito de escolher de acordo com a MINHA agenda. Outra coisa que me irrita é que salvo algumas exceções os professores nos tratam como se tivéssemos 10 anos

Para não dizer que todos os professores são ruins, em quase dois anos eu tive duas professoras boas, nenhuma delas sueca. A primeira foi no Swedish For Idiots, ela era alemã e a segunda foi a professora de gramática nesse curso da universidade que é finlandesa.

Como eu consegui aprender sueco?

Apesar dos professores eu até que consigo me virar no sueco, falo, leio, escrevo é óbvio que saem erros, mas eu me preocupo bastante em evitá-los. Para mim o mélhor método para aprender uma língua estrangeira é lendo porque eu adoro ler dai eu fico prestando atenção nas palavras, como elas podem ser usadas, expressões e até mesmo gramática. Estou muito satisfeita porque estou conseguindo ler uma quantidade razoável de ficção, levando-se em conta as 150-200 páginas que preciso ler por semana para o mestrado. O último livro que li foi Fågelbovägen 32 da Sarah Kadelfors, li em menos de uma semana e gostei bastante. Agora estou lendo Den vindunderliga kärlekens historian que está bem promissor. Também comprei alguns livros do Chomsky e um do John Pilger em sueco e quero começar a ler logo.

Como a pronúncia do sueco é bem peculiar – a sílaba tônica de uma palavra pode mudar de lugar, por exemplo – eu procuro assistir TV e  ouvir rádio sempre que dá. Um dos meus programas sérios favoritos chama-se Uppdrag Granskning, do qual ja falei aqui, e passa na SVT1, é um programa de jornalismo investigativo. No ramo mais trash, eu gosto de assistir programas de decoração (Room Service no Canal 5, Design Simon e Thomas no Canal 3) e alguns de culinária principalmente Vad blir det för mat (Qual vai ser a comida?) no canal 4+.

Leia mais sobre as minhas aventuras aprendendo sueco aqui, aqui e aqui

Vestindo meu chapéu de burra


Eu já tinha comentado aqui, e aqui sobre como são os cursos de sueco e que muitas vezes me sinto como uma semi-retardada a julgar pela maneira como os professores de sueco tratam os alunos. Mas quando fui fazer a matrícula para esse semestre do curso de sueco (último, por sinal) me senti como uma retardada completa. Explico: nós alunos fomos divididos em quatro turmas levando em conta o resultado da prova de redação, uma turma de inteligentes, uma de meio-inteligentes, uma de meio-burros e uma de burros, que foi a que eu fiquei.

Quanto ao resultado da prova eu não dou a mínima porque faz tempo que parei de acreditar que provas e testes são capazes de medir conhecimento, aliás, não acredito que conhecimento possa ser medido. Segundo, porque quem me conhece sabe que eu não estudo para provas, o mais perto que cheguei de estudar, fazer exercícios, etc foi para o vestibular no século passado. Eu também não tenho nenhum problema em receber críticas (desde que feitas com educação) porque eu acho que sempre posso melhorar, ainda mais no aprendizado de uma língua. Meu objetivo não é escutar elogios dos professores nem provar para eles que eu sou super esperta e sei um monte de coisas, mas sim aprender a língua de tal forma que ela se torne um instrumento eficaz de comunicação. Eu quero poder ler de tudo, escrever satisfatoriamente bem e poder ter conversas que variam desde o preço do salmão a política, literatura e economia. Entretanto, o que realmente me irritou foram duas coisas: a) o fato de eles fazerem questão de informar o porquê de sermos colocados na turma, logo aqui na Suécia onde todos são considerados muito iguais, ninguém é incentivado a ficar contando vantagens ou a se achar superior que os outros e b) durante todo o semestre passado o que meu professor disse me levou a crer que eu não estava tão mal em redação, óbvio que as minhas redações voltavam com correções e ele me disse que eu precisava melhorar alguma coisa ou outra, mas nunca me disse que eu tinha sérios problemas e que precisava praticar muito o uso da lingua escrita, muito pelo contrário, num dos trabalhos ele escreveu algo assim: “nota-se que você tem o hábito de escrever, apenas corrija os erros ortográficos e seu trabalho está pronto” e nas provas eu sempre ia de mais ou menos a bem. Na prova final eu acertei 15 de 20 questões de múltipla escolha e a minha redação não teve muitos erros mesmo.

Daí, depois de um semestre achando que eu até que tava me saindo bem nessa aventura de aprender sueco, eu chego na universidade e percebo que estava bem errada. Como eu já tinha percebido que os métodos de ensino de sueco como língua estrangeira estacionaram nos anos 60, mais ou menos, não fiquei tão surpresa com essa atitude. Agora só me resta agüentar meu último semestre na “quarta-série”.

Alguns pontos altos da minha primeira semana de aula:

- A professora de redação quer que para cada texto lido, nós façamos um caderno com palavras novas, conjugação, como são usadas, tradução, etc. Até aí tudo bem, só que ela quer ver o caderno! Será que eu vou ganhar uma estrelinha??
- A mesma professora disse que um dos objetivos do curso é nos ensinar a ler e interpretar gráficos e tabelas, porque muita gente fica nervosa (sic.) ao vê-los. Agora eu entendi porque sinto uma palpitação todas as manhãs enquanto leio o jornal, que bom que aprenderei a superar isso. Imaginem só a reação da minha colega que é formada em administração e fez mestrado em marketing ao ouvir isso.
- Parte do índice do livro de “estudos sociais”: a missão dos meios de comunicação de massa, o que faz de um fato uma notícia, quais os interesses que movem os meios de comunicação de massa, ética-significa alguma coisa para os jornalistas? e, finalmente: A mídia influencia todos nós – e nós influenciamos a mídia. Nossa, ainda bem que eles lançar uma luz nessas questões, porque depois de uma faculdade de jornalismo, outra de relações públicas, um mestrado em sociologia e quase um mestrado em mídia e comunicação eu NUNCA, mas nunca tinha pensado sobre isso.

Haja saco, esse semestre promete!

Mestrado e Doutorado na Suécia

Eu sempre recebo e-mails ou comentários de gente que quer estudar aqui na Suécia e tem muita gente que chega no blog procurando por esses assuntos, então eu resolvi escrever um post com as principais dúvidas e perguntas que eu recebo. Como a Ju já escreveu um post super explicativo sobre estudar sueco eu não vou abordar esse assunto, em vez disso, vou falar sobre pós-graduação na Suécia.

Em primeiro lugar quero deixar bem claro que nada do que eu escrever substitui o que as universidades dizem, e é sempre bom entrar em contato com o departamento em que você tem interesse em estudar. Pode-se escrever em inglês sem problemas. Aqui estao os sites das principais universidades da Suécia

Universidade de Estocolmo
Royal Institute of Technology (KTH)
Karolinska Institutet
Universidade de Gotemburgo
Universidade de Uppsalla
Universidade de Örebro
Universidade de Lund
Universidade de Umeå

Lingua Existem duas opções quanto à língua de ensino em cursos de mestrado e doutorado na Suécia: o sueco, lógico e o inglês, que é a opção da grande maioria dos estudantes internacionais. Todas as universidades acima oferecem cursos de mestrado em inglês, geralmente se exige que o aluno tenha feito algum exame de certificação internacional (TOELF, IELTS, CPE, CAE, etc) para provar seu conhecimento de inglês. Também existem alguns programas de doutorado não exigem fluência em sueco.

Como se candidatar para uma vaga
Mestrado a maioria das universidades centraliza o processo de seleção pelo site studera.nu. Nesse site você tem a oportunidade de se cadastrar, preencher certos formulários online e checar o andamento da seleção. Alguns departamentos realizam o processo internamente, um exemplo é o departamento onde eu faço mestrado, JMK (Journalistik Media o Kommunikation), nesse caso todos os documentos devem ser enviados diretamente pela a instituição.

Os documentos necessários em geral incluem diplomas e históricos com tradução juramentada em inglês, prova de fluência em inglês um formulário preenchido e uma carta explicando porque está interessado no programa e, em linhas gerais, qual será seu projeto de pesquisa.

Doutorado O processo de seleção para doutorado é realizado pelas próprias instituições. Como regra geral, você envia os documentos e material solicitado pela universidade (os mesmos que para mestrado, mais cópias da dissertação de mestrado ou artigos) e se a universidade se interessar por sua proposta irá chamá-lo para uma entrevista.

Como o doutorado muitas vezes implica num vínculo empregatício com a universidade, as vagas são anunciadas na parte de empregos dos sites das universidades (Lediga Tjänster ou Platsannonser). Muitas vezes (mesmo que você não precise falar sueco para ser aceito no programa) essas vagas são anunciadas apenas em sueco. Nesse caso, vale à pena entrar em contato com o chefe do departamento ou coordenador do curso e mostrar seu interesse em desenvolver pesquisa na instituição. O The Local, que é um site com informações sobre a Suécia em Inglês, traz esporadicamente anúncios de vagas para doutorado principalmente nas áreas tecnica, tecnológica e saúde na sua seção de empregos.

$Finança$ A educação na Suécia é gratuita, o que significa que o curso de mestrado ou doutorado em si não custam nada. Você vai precisar, no entanto, pagar a taxa da associação de estudantes. Na Universidade de Estocolmo custa em torno de R$120,00 para o primeiro termo estudado e R$90,00 para os seguintes. Fora isso, você vai precisar comprovar que tem uma quantia suficiente para se manter aqui. Atualmente essa quantia é de 7.300 coroas suecas (cerca de R$1.900) por mês, caso você pretenda ficar um ano ou mais, precisa provar que tem esse valor por 10 meses, o que equivale ao ano letivo. Mais informações sobre vistos podem ser encontradas no site da Imigração Sueca.

Bolsas para mestrado são raras, mas existem. O Swedish Institute e uma organização de incentivo à pesquisa que oferece algumas bolsas a cada ano. Não é possível para o estudante se candidatar direto para uma bolsa do SI, mas você pode especificar no formulário de inscrição que deseja que a universidade envie sua inscrição para o a instituição.

No doutorado, existem duas possibilidades: você pode entrar no programa numa universidade sueca com financiamento de uma outra instituição ou pode ser empregado pela própria universidade. No segundo caso, geralmente você terá algumas responsabilidades como pesquisa, monitorar seminários ou ajudar os professores a preparar aulas e corrigir trabalhos. O tipo de vínculo com a universidade varia, em algumas recebe-se bolsa e em outras existe um contrato de emprego entre a universidade e o aluno e, em outros programas, recebe-se bolsa nos primeiros dois anos e salário (com direito a férias remuneradas, licença maternidade, etc) nos últimos dois. As bolsas de doutorado ficam em torno de 17 mil coroas (cerca de R$4.300), mas se você for empregado pela universidade esse valor pode chegar a 24 mil coroas ( Cerca de R$ 6 mil) em valores brutos.

Datas para alunos de fora da União Européia, a data limite para envio dos documentos é 15 de março para o ano letivo que iniciará em agosto. Para alunos em países-membros da União Européia, a data limite é 15 de abril. É importante lembrar que o ano letivo aqui na Suécia começa no final de agosto (semana 34 ou 35) e termina no início de junho (semana 27 ou 28). Durante o Natal e Ano Novo há uma pausa de duas ou três semanas e durante o verão europeu as férias são de dois meses e meio.

Estrutura do Curso quando você procurar por cursos nos sites das universidades suecas vai ver que ao lado do nome tem sempre uma pontuação que equivale ao número de créditos do curso. Um ano letivo equivale a 60 pontos e cada semana de aula equivale a 1,5 pontos. Durante o programa cada curso terá um valor de pontos individual, compondo o total do mestrado ou doutorado.

Em 1999 os países-membros da União Européia assinaram a Declaração de Bolonha, lançando as bases de um sistema de educação superior mais unificado. As metas da Declaração deve ser cumpridas até 2010. Uma dessas resoluções diz respeito aos programas de mestrado e doutorado. Atualmente existem dois tipos de programa de mestrado na Suécia: magister, que dura um ano e master que dura 2. Até 2010 os programas de um ano vão ser descontinuados. Quem cursou um ano vai precisar cursar quatro de doutorado e quem fez o programa de dois anos precisará cursar apenas três.

O doutorado engloba  três ou quatro anos de aulas, cursos e seminários e trabalho na tese. Em alguns programas você só começa a trabalhar na tese no último ano e em outros começa desde o inicío do curso. ao contrário de várias universidades no Brasil, não é preciso ter um projeto de pesquisa pronto ao iniciar o curso.

Espero que esse post seja útil para quem cair aqui procurando informações, mas eu volto a lembrar que é apenas um resumo bem geral das dúvidas mais comuns. Para informações mais detalhadas, consulte os sites e as instituições diretamente.

Estou procurando vítimas!

Eu preciso de jornalistas que trabalhem na Folha, Estadão, Correio Braziliense, O Globo ou Jornal do Brasil para fazer uma entrevista para o meu projeto piloto sobre como as ONGs usam a mídia como ferramenta de comunicação. Eu posso fazer a entrevista por e-mail ou telefone.
Se alguém é ou conhece uma vítima em potencial, por favor deixe um comentário (que eu não vou publicar) ou mande um email para pasartoretto@yahoo.com com o contato.

Caixas e mais caixas

Passaremos o fim-de-semana encaioxotando coisas aqui em casa em preparação para a mudança no próximo sábado. Queremos realizar uma operação organizada e eficiente como foi nossa mudança para Estocolmo há um ano. Já recrutamos ajudantes e elaboramos um cronograma de atividades. O bom é que dessa vez o apartamento fica a 5 minutos de carro de onde moramos agora.

Semana que vem tem a nossa nano-blogagem do dia do trabalho. Ano que vem quero ver se organizo mais e arrecado mais uns participantes.

Enquanto isso até o final de maio preciso escrever:

2 trabalhos 1trabalho atrasado de metodologia de pesquisa

1 trabalho de redação em sueco

1 trabalho de Filosofia e ética na pesquisa (para teça-feira)

1 redação em sueco (para segunda-feira, acho que vou matar aula)

2 trabalhos de expressão oral em sueco para compensar 2 aulas que eu perdi.

1 Relatório de um projeto piloto para o mestrado (eu fiz uma pequena falcatrua e usei minha dissertação do mestrado em Londres)

2 trabalhos muito idiotas de Estudos Sociais em sueco, um em grupo, um individual.

uns 3 textos para o site da conferência da IAMCR

Fora isso, no final de maio e inicio de junho eu tenho provas de redação e interpretação de textos, gramática e uma prova oral em sueco. Acho que vou tentar um truque que vi no Desperate Housewives : as mães tomavam os remédios para ADHD dos filhos e ficavam ligadonas, o que lhes permitia gerenciar a casa com maestria, cuidar dos rebentos e produzir a apresentação de fim de ano da escola. O único problema é que eu não conheço ninguém com ADHD para roubar umas pílulas mágicas.

Cadê?

Aqui na Suécia as coisas funcionam, em geral, de maneira organizada. Eu ouço buzinas pouquíssimas vezes. A lavanderia do prédio funciona bem, todo mundo marca sua hora, lava sua roupa e deixa o local livre e limpo para o próximo.

Eu disse no geral, porque no particular as coisas de vez em quando complicam. Eu estava reunindo meus documentos escolares para me inscrever para um curso. Eis que percebo que falta 1 página na tradução de uns dos meus históricos escolares. Daí eu pensei cá com meus botões, quando a mesma coisa aconteceu em Londres, eu fui na secretaria da faculdade e pedi para tirar uma cópia, pois eles tinham todos os meus documentos que foram enviados quando eu me candidatei para o mestrado. Eles ainda carimbaram as cópias e deram uma declaração dizendo que eles tinham os originais e que aquela era uma cópia legítima. Mais ou menos como uma autenticação.

Seguindo o mesmo raciocínio, mandei um email perguntando se eu podia tirar uma cópia dos meus documentos para a coordenadora do meu curso, que sugeriu que eu falasse com a secretaria, o que eu imediatamente fiz. Hoje a secretária do curso me escreve dizendo que falou com a ex-coordenadora do curso que por sua vez disse que se eu tenho pressa talvez seja melhor conseguir o documento de outra forma.

Agora a pergunta é, o que eles fizeram com meus documentos? Porque se era por uma questão de espaço, eles poderiam ter me devolvido depois de terem constatado que eu preenchia os requisitos para o curso.

Será que é mal das faculdades de comunicação? Porque os outros departamentos com quais eu tenho contato na Universidade de Estocolmo parecem ser bem organizados e em Londres eu estudei no departamento de Sociologia.

Agora eu estou pensando em quais serão as consequências de enviar meus documentos com uma página da tradução de um histórico faltando….

Bem feito para mim, se tivesse cuidado melhor dos meus papéis…

Humpf!

Tem muitas coisas que eu gosto muito na universidade aqui na Suécia, mas tem uma que eu ODEIO: o fato de que somos praticamente obrigados a comprar livros. Não, eu não tenho nada contra comprar livros, muito pelo contrário, eu trabalhei numa livraria principalmente para poder comprar livros com 35% de desconto. O problema é ter que comprar um livro do qual eu só vou mesmo usar alguns capítulos. Ou, como é o caso no momento, comprar um livro de 300 coroas (+ou- 80 reais) que eu vou usar apenas por duas aulas. Livros acadêmicos são caros, porque não são impressas muitas cópias, ao contrário dos Paulo Coelho da vida. Eu não acho isso certo, mas é a realidade. Sendo assim, eu prefiro comprar aqueles que me serão úteis como referência e não livros que eu vou usar por 1 ou 2 meses e depois largar na estante para pegar poeira.

No Brasil o xerox rolava solto, aqui até que rola, mas as vezes leva semanas para conseguir o livro na biblioteca. Na universidade em Londres os professores diziam para não comprarmos os livros e até que tinha um bom número de exemplares na biblioteca. Tudo bem, em Londres eu tinha que pagar pelo meu curso e aqui eu não preciso. Eu acho que o raciocínio por trás disso é que aqui na Suécia os estudantes geralmente recebem algum tipo de ajuda do governo. Geralmente, mas não sempre. Paola Madrid Sartoretto, por exemplo, não recebe nenhuma coroa. Mesmo se recebesse, odiando desperdício como eu odeio, acho que ainda ia reclamar de ter que comprar livros caros que para mim não valem o seu preço.

E tenho dito. Votem em mim na próxima eleição (só não sei para que…)

P.S. Tem uma coisa que me causa muita inveja: entrar nos escritórios dos meus professores e ver as paredes CHEIAS de livros. A minha inveja quase me deixa sem fala.

Adestramento de pessoas: AQUI

Depois de duas semanas correndo de um lado para o outro pela cidade, hoje deu para ficar o dia inteiro em casa. Não tive aula no curso de sueco nem no mestrado, e como é carnaval no Brasil, também nao fui trabalhar.  Nessas duas semanas que passaram eu fui uma das melhores clientes da SL (companhia de transporte urbano de Estocolmo), peguei inúmeros trens e onibus por dia, para ir da universidade 1 para a universidade 2 e da universidade 2 para o trabalho. A universidade 1 e a 2 são a mesma universidade, o que acontece é que a Faculdade de Jornalismo e Comunicação fica no centro da cidade e nao no campus onde é o meu curso de sueco. Super conveniente!

Por falar no curso de sueco, ele vai muito bem. Tirando os professores que acham que estão adestrando cachorros e se esquecem de que estão ensinando seres humanos. Isso é uma coisa que me irrita muito, desde que comecei a estudar sueco, o tempo DESPERDIÇADO  em discutir estereótipos (“o sistema penintenciário da Suécia é uma colônia de férias”; sexismo no ambiente de trabalho; quais são as tarefas consideradas masculinas e quais são as tarefas consideradas “femininas”; e por aí vai) porque eles têm que preparar os imigrantes semi-civilizados para viver nessa sociedade democrática-iguálitaria-inclusiva-justa e tudo mais. Não que eu ache que a sociedade sueca não é todas essas coisas ou que esses assuntos não devem ser tratados em aula, mas isso poderia ser feito de uma forma menos “aqui-homem-lava-louça-e-cozinha-e-a-mulher-trabalha-fora”. Eu já estudei inglês e italiano e não me lembro de ter passado horas discutindo sobre se os ingleses vão muito ao pub ou se os italianos falam muito alto. Durante os cursos eu li sobre a história e costumes dos dois países, porque são interessantes e porque é um jeito divertido de aprender a língua. Agora, ficar batendo na mesma tecla do aqui é todo mundo igual e não converse com as pessoas no metro, pelamordedeus, haja saco.

Para aumentar ainda a minha antipatia com professores que acham que nós somos retardados, na aula de expressão oral nós tivemos que apresentar para a turma três pontos importantes do livro que estamos lendo. É óbvio que todo mundo gaguejou, ficou pensando nas palavras, ninguém na turma fala sueco fluente. Só que eu acho que o professor não entendeu isso e saiu com uma palestra sobre como falar em público, com direito a exercícios de respiração e um tal de ficar repetindo aaaa – mmmmm- uuuuuu. E eu lá pensando se falava ou não para ele que eu quero aprender a falar sueco, não aprender a falar em público que nisso até que eu me viro, contanto que seja numa língua que eu domino.

Bom, mas agora chega de reclamação, porque os exercícios de sueco me esperam.

Voltei

Nossa, passei tanto tempo sem escrever um post decente que agora os meus 10 leitores devem ter diminuído para 2. Mas a vida tem sido um pouco atribulada do lado de cá. Durante as ¨férias¨precisei fazer um trabalho para o mestrado. Trabalho esse muito chato e inútil, devo dizer. Eu fico boquiberta com a incapacidade de uma das minhas professoras de se expressar por escrito numa maneira pelo menos semi-inteligível. Mas enfim, o trabalho foi entregue.

Semana passada minhas aulas no mestrado começaram e parece que dessa vez eu vou, finalmente, ter um curso de metodologia de pesquisa que preste. Tem muita coisa para ler, mais ou menos 120 páginas por semana, mas acho que vai valer à pena. O lado ruim é que acho que vou levar vários meses para terminar The Shock Doctrine e eu estou com God Delusion que ganhei de Natal esperando para ser lido. Acho que ele vai ter que esperar bastante.
ó
A outra coisa legal é que passei para o curso de sueco na Universidade de Estocolmo. Eu tinha comentado aqui sobre a prova. Eu fiquei em segundo lugar na lista de espera para o curso e acabei conseguindo uma vaga. Não tinha comentado antes, porque sabem como é, tem muito olho gordo por aí. E além do mais, não gosto muito de ficar falando das coisas antes que elas aconteçam, pois como diz a minha mãe, não se deve contar com o ovo no c* da galinha. Mas enfim, comecei o curso terça-feira. Esse é um curso de sueco como língua estrangeira (Svenska som främmande språk) e temos aula de gramática, sueco oral, redação e algo como estudos sociais. Até agora tive aula de gramática e adorei a professora e de redação, achei o professor um pouco pedante. O curso parece muito mais sério do que o “Swedish for Idiots” que eu estava estudando. Nas aulas de redação e sueco oral as turmas são de 20 pessoas, o que ajuda bastante.

Mais uma coisa legal é que eu comecei a trabalhar!!!! Bom, o trabalho será apenas por um mês, mas qualquer coisa aqui na Suécia já é ótimo. O negócio é o seguinte: o presidente dessa que promove cursos de treinamento técnico para profissionais de telecomunicações vai para o Brasil em fevereiro para fazer contatos com possíveis clientes. O que eu tenho que fazer é ligar para varias empresas de telecomunicações e tentar agendar reuniões com eles. Chato, mas melhor do que nada. Mas o que eu achei realmente estranho foi a confiança que eles têm nas pessoas: no segundo dia eu fiquei sozinha no trabalho (por causa do fuso eu fico até as 7-8 horas) e eles me deixaram lá, com a chave do escritório, vários computadores, telefones celulares, o escambau. Além disso, depois de ter trabalhado 5 anos na Inglaterra eu confesso que é meio estranho não ter Health and Safety Training. Eu não tenho idéia de onde as saídas de emergência são, não sei para onde ir se o prédio tiver que ser evaculado. Ainda mais preocupante é o fato de que eu não sei o que fazer se receber uma ligação de alguém dizendo que colocou uma bomba no prédio.
E além de tudo isso, eu não vi nenhuma câmera de CCTV. E olhem que eu procurei.

Eu ainda não sei se fiquei aliviada ou se o meu senso de normalidade foi tão distorcido que eu acho que não ser filmada 300 vezes por dia é anormal…

SATC e os estudos

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Nem mesmo nos meus sonhos mais surreais eu pensei que seria possível estudar vendo Sex and the City, mas isso é exatamente o que estou fazendo agora. Uma das minhas tarefas para terminar o primeiro módulo do mestrado é analisar um programa de entretenimento à escolha.

Eu não pensei nem meia vez em qual seria a minha escolha.

O muro e o coco

Essa semana foi meio desorganizada no mestrado. O tema da semana era globalização e filmes, na terça-feira tivemos a aula ou palestra sobre o tema. A professora simplesmente LEU sua palestra de cabo a rabo, um texto em linguagem super acadêmica, frases longuíssimas e entrecortadas. Ou prestava-se atenção ou tomavam-se notas, fazer os dois ao mesmo tempo era impossível. Daí, no fim da aula um dos meus colegas perguntou se a professora podia nos passar as notas dela, porque ninguém tinha anotado nada, ao que ela responde: Eu nunca distribuo as minhas palestras. Mas vá TNC!

Ela queria discutir sobre como a globalização é representada visualmente na TV ou filmes e lançou a pergunta no ar. Várias pessoas deram exemplos e ela só respondia: Muito bom exemplo, mas não é bem isso que eu estou procurando. Na verdade acho que nem ela sabia o que estava procurando. Nós assistimos parte do filme Surplus: Terrorized Into being Consumers do diretor sueco Erik Gandini que é muito interessante, não tanto pelo conteúdo que cai em vários lugares comuns da crítica à globalização, mas pela linguagem e estética utilizadas.

Na quarta-feira teríamos que assistir ao filme The Tube, mas o filme era em francês com legendas em sueco. Como a maioria da turma não entende nenhuma das línguas (lembrando que o mestrado é em inglês) fomos obrigados a abortar a missão e ver o resto do primeiro filme do qual tínhamos visto apenas 15 minutos na terça-feira. Um dos problemas é que os textos para discussão no seminário de sexta-feira eram relacionados ao The Tube, o que deixou a coisa meio sem pé nem cabeça.

Chegando no seminário, ninguém sabia muito bem o que fazer: discutir os textos, discutir o filme, jogar conversa fora… Outro problema é que por sugestão dos monitores do seminário e da professora, deveríamos discutir o formato, estética e linguagem do filme (as tal representação do global no vídeo) entretanto, o tema do filme é super polêmico e muita gente queria falar sobre isso.

Acabamos por discutir vários assuntos e seguir o rumo da conversa que num certo momento enveredou para a crítica ao consumismo que virou moda agora. Uma das minhas colegas, que é russa, disse que esse tipo de criticismo não existe na Rússia pós-comunista, depois de anos esperando na fila para comprar pão e leite, as portas para o mundo luminoso, variado e cheio de opção se abriram e agora que tem dinheiro quer saber mais é de se empanturrar de Big Mac, comprar forno microondas, TV, computador e não tá nem aí para o meio-ambiente.

Mas o que mais me chamou atenção, principalmente pela singeleza do relato foi uma colega alemã. Ela disse lembrar dos dias depois da queda do Muro de Berlim, de ir num supermercado e ficar boquiaberta diante da variedade, diversidade e tamanho. Segundo ela: quando eu via um coco, eu não pensava que na Alemanha faz frio que não dá coco lá e que o coco viajou quilômetros e liberou muito gás-carbônico na atmosfera, eu pensava apenas que que eu nunca tinha comido coco e queria provar.

Estudos

Continuo estudando bastante muita coisa para ler,  preparação para seminários, apresentações e on top of that o curso de sueco.

Essa semana foi um pouco chata no mestrado, o tema foi mídia na China. Tudo bem, tudo bem, eu reconheço a importância da China no cenário sócio-ecônomico-cultural mundial e da necessidade de analisar e entender a mídia sob um ponto-de-vista não ocidental. Mas foi chato, eu preferia uma semana sobre o Oriente-Médio. Pronto, falei!

Semana que vem será sobre a Rússia e eu antecipo que vai ser bem mais interessante, para mim pelo menos.

E o curso de sueco continua firme, dia 10 de Setembro comecei outro nível, com uma profe MUITO melhor, praticamente uma bolsa Prada no meio de um mar de bolsas da C&A. E eis que semana passada ela me diz que acha que eu tenho condições de fazer a prova para terminar esse nível em que estou agora dia 23 de Outubro, ou seja, em pouco mais de um mês.

Fazendo o cérebro pegar no tranco

A semana passada foi meio punk, tudo bem, já houve épocas da minha vida em que eu tive muito mais coisas para fazer e consegui dar conta de tudo. Só que desde que chegei aqui na Suécia, fiquei ou de papo pro ar, ou só estudando sueco. Mas agora desde que o mestrado começou a minha vida ficou mais movimentada e nessas primeiras semanas eu precisei me adaptar à nova rotina.

Para começar, no mestrado aqui, diferente de Londres e da faculdade no Brasil, nós fazemos um curso (ou cadeira ou disciplina) de cada vez; então, de 27 de agosto a 4 de novembro o curso que estou fazendo é Global Media, de novembro a fevereiro será Mediatized Intersections. Se por um lado isso é bom, porque dá para se concentrar 100% numa disciplinas, por outro lado os horários ficam bem malucos e não da para assumir muitos compromissos. Além disso, nessa disciplina de Global Media, nós temos professores estrangeiros, que vêm para uma semana, então, se acontece algum problema, se um deles precisa cancelar ou mudar a data da viagem, os horários das aulas também mudam.

Nós temos em média 100 páginas para ler por semana até agora e os temas têm sido super interessantes. Na primeira semana tivemos palestras com Terhi Rantanen, uma professora finlandesa que dá aula na London School of Economics e com Paolo Mancini, que dá aula na Universidade de Perúgia, na Itália. A primeira palestra foi sobre a relação entre mídia e globalização. Terhi Rantanen fez um estudo interessantíssimo, no qual ela traça a mediagrafia de três famílias abrangendo quatro gerações. Mediagrafia é um “mapa” que tem como objetivo identificar como a globalização atingiu as famílias ao longo do tempo e estabelecer relações entre a mídia e processos de internacionalização. A segunda palestra, com Paolo Mancini foi sobre as relações entre mídia e sistemas políticos. Mais para o final da semana, tivemos a oportunidade de reencontrar Terhi Rantanen no seminário, que foi ótimo porque nos seminários a turma se divide em dois grupos e daí temos a possibilidade de discutir melhor sobre os assuntos.

O tema da semana passada foi Globalização e Museus e para começar a semana, tivemos aula com a Anna Rooosval, que é a coordenadora do curso. Nessa aula discutimos como outras culturas são representadas nos chamados museus etnográficos. Confesso que eu nunca tinha pensado em globalização e imperialismo cultural sob esse ponto de vista. A nossa tarefa da semana para o seminário foi visitar um museu e analisar uma das exposições sob o ponto de vista dos textos que tínhamos que ler para a semana. Eu fui com o meu grupo no Etnografiska Museet e nós analisamos a exposição “Trazendo o mundo para casa” sobre relatos de viagens de exploradores suecos em diversas épocas.

Sexta-feira os grupos apresentaram sua impressões sobre os museus. A seminário seria das 10 às 12 só que a discussão foi tão boa que ficamos mais um pouco, e, provavelmente se o pessoal (incluindo eu) não tivesse outros compromisso, teríamos ficado lá a tarde inteira.

Para essa semana o tema é Notícias internacionais e eu tenho muita coisa para ler, melhor começar logo!

Profissão: Estudante

Ontem foi o primeiro dia do meu nono ano (não consecutivos) estudando em instituições de ensino superior. A Universidade de Estocolmo é também a terceira universidade no terceiro país em que estudo. Acho que dá para dizer que eu sou uma estudante profissional, com a ressalva de que nessa profissão não se recebe salário.

A minha primeira impressão da Faculdade de Jornalismo, Mídia e Comunicação da Universidade de Estocolmo foi muito boa. Tive uma introdução ao curso e depois uma recpção para conhecer os professores e colegas. Não tem como não fazer comparações com a City University em Londres. Bom, para começar, a faculdade aqui não é tão moderna, último grito do design e tecnologia como o então recém inaugurado prédio do Departamento de Ciências Sociais da City University onde eu estudei, mas têm uma biblioteca própria.

A atmosfera é bem mais informal e eu achei as professoras que fizeram a introdução muito acessíveis a dispostas a esclarecer dúvidas e ajudar os estudantes. Nós fizemos um tour pelo prédio, que fica em Östermalm, a área chique de Estocolmo próximo à Rede Sueca de Televisão (SVT) e Rádio Sueca (SR). Quando a professora nos mostrou a sala dela, eu achei bom fazer uma pergunta de ordem prática: se era preciso marcar hora para falar com os professores (na City, os professores atendiam alunos por uma ou duas horas duas vezes por semana) e ela disse que não. Já vi que a informalidade é regra, o que eu acho ótimo, pois no Brasil cansei de ir na casa dos meus professores, tomar café, sair para tomar uma cerveja e não acho que isso tenha prejudicado minha educação.

Hoje eu teria uma “aula” de como usar a biblioteca, sim, porque os suecos não poderiam deixar um bando de estrangeiros desorganizdos começar a usar sua impecavel biblioteca sem antes doutriná-los na difícil arte de procurar um livro nas estantes e posteriormente retirá-lo. Infelizmente eu tive que perder essa porque tinha prova no curso de sueco.

Eu já tenho várias coisas para ler e quinta-feira tenho que fazer uma apresentação sobre o meu projeto de pesquisa. Mas não reclamo, pois fora a falta de salário, eu gosto muito da minha profissão.

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Atenção

Eu moro na Suécia mas não sou agência de turismo, intercâmbio nem trabalho no consulado brasileiro, então não me peça informações sobre morar aqui, aprender a língua, estudar, etc, para essas coisas existe o Google e foi googlando que eu achei 99% das informações que precisava para morar aqui. Na página de links tem vários sites com informações úteis sobre morar na Suécia e Inglaterra.

 

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