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Vestindo meu chapéu de burra


Eu já tinha comentado aqui, e aqui sobre como são os cursos de sueco e que muitas vezes me sinto como uma semi-retardada a julgar pela maneira como os professores de sueco tratam os alunos. Mas quando fui fazer a matrícula para esse semestre do curso de sueco (último, por sinal) me senti como uma retardada completa. Explico: nós alunos fomos divididos em quatro turmas levando em conta o resultado da prova de redação, uma turma de inteligentes, uma de meio-inteligentes, uma de meio-burros e uma de burros, que foi a que eu fiquei.

Quanto ao resultado da prova eu não dou a mínima porque faz tempo que parei de acreditar que provas e testes são capazes de medir conhecimento, aliás, não acredito que conhecimento possa ser medido. Segundo, porque quem me conhece sabe que eu não estudo para provas, o mais perto que cheguei de estudar, fazer exercícios, etc foi para o vestibular no século passado. Eu também não tenho nenhum problema em receber críticas (desde que feitas com educação) porque eu acho que sempre posso melhorar, ainda mais no aprendizado de uma língua. Meu objetivo não é escutar elogios dos professores nem provar para eles que eu sou super esperta e sei um monte de coisas, mas sim aprender a língua de tal forma que ela se torne um instrumento eficaz de comunicação. Eu quero poder ler de tudo, escrever satisfatoriamente bem e poder ter conversas que variam desde o preço do salmão a política, literatura e economia. Entretanto, o que realmente me irritou foram duas coisas: a) o fato de eles fazerem questão de informar o porquê de sermos colocados na turma, logo aqui na Suécia onde todos são considerados muito iguais, ninguém é incentivado a ficar contando vantagens ou a se achar superior que os outros e b) durante todo o semestre passado o que meu professor disse me levou a crer que eu não estava tão mal em redação, óbvio que as minhas redações voltavam com correções e ele me disse que eu precisava melhorar alguma coisa ou outra, mas nunca me disse que eu tinha sérios problemas e que precisava praticar muito o uso da lingua escrita, muito pelo contrário, num dos trabalhos ele escreveu algo assim: “nota-se que você tem o hábito de escrever, apenas corrija os erros ortográficos e seu trabalho está pronto” e nas provas eu sempre ia de mais ou menos a bem. Na prova final eu acertei 15 de 20 questões de múltipla escolha e a minha redação não teve muitos erros mesmo.

Daí, depois de um semestre achando que eu até que tava me saindo bem nessa aventura de aprender sueco, eu chego na universidade e percebo que estava bem errada. Como eu já tinha percebido que os métodos de ensino de sueco como língua estrangeira estacionaram nos anos 60, mais ou menos, não fiquei tão surpresa com essa atitude. Agora só me resta agüentar meu último semestre na “quarta-série”.

Alguns pontos altos da minha primeira semana de aula:

- A professora de redação quer que para cada texto lido, nós façamos um caderno com palavras novas, conjugação, como são usadas, tradução, etc. Até aí tudo bem, só que ela quer ver o caderno! Será que eu vou ganhar uma estrelinha??
- A mesma professora disse que um dos objetivos do curso é nos ensinar a ler e interpretar gráficos e tabelas, porque muita gente fica nervosa (sic.) ao vê-los. Agora eu entendi porque sinto uma palpitação todas as manhãs enquanto leio o jornal, que bom que aprenderei a superar isso. Imaginem só a reação da minha colega que é formada em administração e fez mestrado em marketing ao ouvir isso.
- Parte do índice do livro de “estudos sociais”: a missão dos meios de comunicação de massa, o que faz de um fato uma notícia, quais os interesses que movem os meios de comunicação de massa, ética-significa alguma coisa para os jornalistas? e, finalmente: A mídia influencia todos nós - e nós influenciamos a mídia. Nossa, ainda bem que eles lançar uma luz nessas questões, porque depois de uma faculdade de jornalismo, outra de relações públicas, um mestrado em sociologia e quase um mestrado em mídia e comunicação eu NUNCA, mas nunca tinha pensado sobre isso.

Haja saco, esse semestre promete!

Mestrado e Doutorado na Suécia

Eu sempre recebo e-mails ou comentários de gente que quer estudar aqui na Suécia e tem muita gente que chega no blog procurando por esses assuntos, então eu resolvi escrever um post com as principais dúvidas e perguntas que eu recebo. Como a Ju já escreveu um post super explicativo sobre estudar sueco eu não vou abordar esse assunto, em vez disso, vou falar sobre pós-graduação na Suécia.

Em primeiro lugar quero deixar bem claro que nada do que eu escrever substitui o que as universidades dizem, e é sempre bom entrar em contato com o departamento em que você tem interesse em estudar. Pode-se escrever em inglês sem problemas. Aqui estao os sites das principais universidades da Suécia

Universidade de Estocolmo
Royal Institute of Technology (KTH)
Karolinska Institutet
Universidade de Gotemburgo
Universidade de Uppsalla
Universidade de Örebro
Universidade de Lund
Universidade de Umeå

Lingua Existem duas opções quanto à língua de ensino em cursos de mestrado e doutorado na Suécia: o sueco, lógico e o inglês, que é a opção da grande maioria dos estudantes internacionais. Todas as universidades acima oferecem cursos de mestrado em inglês, geralmente se exige que o aluno tenha feito algum exame de certificação internacional (TOELF, IELTS, CPE, CAE, etc) para provar seu conhecimento de inglês. Também existem alguns programas de doutorado não exigem fluência em sueco.

Como se candidatar para uma vaga
Mestrado a maioria das universidades centraliza o processo de seleção pelo site studera.nu. Nesse site você tem a oportunidade de se cadastrar, preencher certos formulários online e checar o andamento da seleção. Alguns departamentos realizam o processo internamente, um exemplo é o departamento onde eu faço mestrado, JMK (Journalistik Media o Kommunikation), nesse caso todos os documentos devem ser enviados diretamente pela a instituição.

Os documentos necessários em geral incluem diplomas e históricos com tradução juramentada em inglês, prova de fluência em inglês um formulário preenchido e uma carta explicando porque está interessado no programa e, em linhas gerais, qual será seu projeto de pesquisa.

Doutorado O processo de seleção para doutorado é realizado pelas próprias instituições. Como regra geral, você envia os documentos e material solicitado pela universidade (os mesmos que para mestrado, mais cópias da dissertação de mestrado ou artigos) e se a universidade se interessar por sua proposta irá chamá-lo para uma entrevista.

Como o doutorado muitas vezes implica num vínculo empregatício com a universidade, as vagas são anunciadas na parte de empregos dos sites das universidades (Lediga Tjänster ou Platsannonser). Muitas vezes (mesmo que você não precise falar sueco para ser aceito no programa) essas vagas são anunciadas apenas em sueco. Nesse caso, vale à pena entrar em contato com o chefe do departamento ou coordenador do curso e mostrar seu interesse em desenvolver pesquisa na instituição. O The Local, que é um site com informações sobre a Suécia em Inglês, traz esporadicamente anúncios de vagas para doutorado principalmente nas áreas tecnica, tecnológica e saúde na sua seção de empregos.

$Finança$ A educação na Suécia é gratuita, o que significa que o curso de mestrado ou doutorado em si não custam nada. Você vai precisar, no entanto, pagar a taxa da associação de estudantes. Na Universidade de Estocolmo custa em torno de R$120,00 para o primeiro termo estudado e R$90,00 para os seguintes. Fora isso, você vai precisar comprovar que tem uma quantia suficiente para se manter aqui. Atualmente essa quantia é de 7.300 coroas suecas (cerca de R$1.900) por mês, caso você pretenda ficar um ano ou mais, precisa provar que tem esse valor por 10 meses, o que equivale ao ano letivo. Mais informações sobre vistos podem ser encontradas no site da Imigração Sueca.

Bolsas para mestrado são raras, mas existem. O Swedish Institute e uma organização de incentivo à pesquisa que oferece algumas bolsas a cada ano. Não é possível para o estudante se candidatar direto para uma bolsa do SI, mas você pode especificar no formulário de inscrição que deseja que a universidade envie sua inscrição para o a instituição.

No doutorado, existem duas possibilidades: você pode entrar no programa numa universidade sueca com financiamento de uma outra instituição ou pode ser empregado pela própria universidade. No segundo caso, geralmente você terá algumas responsabilidades como pesquisa, monitorar seminários ou ajudar os professores a preparar aulas e corrigir trabalhos. O tipo de vínculo com a universidade varia, em algumas recebe-se bolsa e em outras existe um contrato de emprego entre a universidade e o aluno e, em outros programas, recebe-se bolsa nos primeiros dois anos e salário (com direito a férias remuneradas, licença maternidade, etc) nos últimos dois. As bolsas de doutorado ficam em torno de 17 mil coroas (cerca de R$4.300), mas se você for empregado pela universidade esse valor pode chegar a 24 mil coroas ( Cerca de R$ 6 mil) em valores brutos.

Datas para alunos de fora da União Européia, a data limite para envio dos documentos é 15 de março para o ano letivo que iniciará em agosto. Para alunos em países-membros da União Européia, a data limite é 15 de abril. É importante lembrar que o ano letivo aqui na Suécia começa no final de agosto (semana 34 ou 35) e termina no início de junho (semana 27 ou 28). Durante o Natal e Ano Novo há uma pausa de duas ou três semanas e durante o verão europeu as férias são de dois meses e meio.

Estrutura do Curso quando você procurar por cursos nos sites das universidades suecas vai ver que ao lado do nome tem sempre uma pontuação que equivale ao número de créditos do curso. Um ano letivo equivale a 60 pontos e cada semana de aula equivale a 1,5 pontos. Durante o programa cada curso terá um valor de pontos individual, compondo o total do mestrado ou doutorado.

Em 1999 os países-membros da União Européia assinaram a Declaração de Bolonha, lançando as bases de um sistema de educação superior mais unificado. As metas da Declaração deve ser cumpridas até 2010. Uma dessas resoluções diz respeito aos programas de mestrado e doutorado. Atualmente existem dois tipos de programa de mestrado na Suécia: magister, que dura um ano e master que dura 2. Até 2010 os programas de um ano vão ser descontinuados. Quem cursou um ano vai precisar cursar quatro de doutorado e quem fez o programa de dois anos precisará cursar apenas três.

O doutorado engloba  três ou quatro anos de aulas, cursos e seminários e trabalho na tese. Em alguns programas você só começa a trabalhar na tese no último ano e em outros começa desde o inicío do curso. ao contrário de várias universidades no Brasil, não é preciso ter um projeto de pesquisa pronto ao iniciar o curso.

Espero que esse post seja útil para quem cair aqui procurando informações, mas eu volto a lembrar que é apenas um resumo bem geral das dúvidas mais comuns. Para informações mais detalhadas, consulte os sites e as instituições diretamente.

Estou procurando vítimas!

Eu preciso de jornalistas que trabalhem na Folha, Estadão, Correio Braziliense, O Globo ou Jornal do Brasil para fazer uma entrevista para o meu projeto piloto sobre como as ONGs usam a mídia como ferramenta de comunicação. Eu posso fazer a entrevista por e-mail ou telefone.
Se alguém é ou conhece uma vítima em potencial, por favor deixe um comentário (que eu não vou publicar) ou mande um email para pasartoretto@yahoo.com com o contato.

Caixas e mais caixas

Passaremos o fim-de-semana encaioxotando coisas aqui em casa em preparação para a mudança no próximo sábado. Queremos realizar uma operação organizada e eficiente como foi nossa mudança para Estocolmo há um ano. Já recrutamos ajudantes e elaboramos um cronograma de atividades. O bom é que dessa vez o apartamento fica a 5 minutos de carro de onde moramos agora.

Semana que vem tem a nossa nano-blogagem do dia do trabalho. Ano que vem quero ver se organizo mais e arrecado mais uns participantes.

Enquanto isso até o final de maio preciso escrever:

2 trabalhos 1trabalho atrasado de metodologia de pesquisa

1 trabalho de redação em sueco

1 trabalho de Filosofia e ética na pesquisa (para teça-feira)

1 redação em sueco (para segunda-feira, acho que vou matar aula)

2 trabalhos de expressão oral em sueco para compensar 2 aulas que eu perdi.

1 Relatório de um projeto piloto para o mestrado (eu fiz uma pequena falcatrua e usei minha dissertação do mestrado em Londres)

2 trabalhos muito idiotas de Estudos Sociais em sueco, um em grupo, um individual.

uns 3 textos para o site da conferência da IAMCR

Fora isso, no final de maio e inicio de junho eu tenho provas de redação e interpretação de textos, gramática e uma prova oral em sueco. Acho que vou tentar um truque que vi no Desperate Housewives : as mães tomavam os remédios para ADHD dos filhos e ficavam ligadonas, o que lhes permitia gerenciar a casa com maestria, cuidar dos rebentos e produzir a apresentação de fim de ano da escola. O único problema é que eu não conheço ninguém com ADHD para roubar umas pílulas mágicas.

Cadê?

Aqui na Suécia as coisas funcionam, em geral, de maneira organizada. Eu ouço buzinas pouquíssimas vezes. A lavanderia do prédio funciona bem, todo mundo marca sua hora, lava sua roupa e deixa o local livre e limpo para o próximo.

Eu disse no geral, porque no particular as coisas de vez em quando complicam. Eu estava reunindo meus documentos escolares para me inscrever para um curso. Eis que percebo que falta 1 página na tradução de uns dos meus históricos escolares. Daí eu pensei cá com meus botões, quando a mesma coisa aconteceu em Londres, eu fui na secretaria da faculdade e pedi para tirar uma cópia, pois eles tinham todos os meus documentos que foram enviados quando eu me candidatei para o mestrado. Eles ainda carimbaram as cópias e deram uma declaração dizendo que eles tinham os originais e que aquela era uma cópia legítima. Mais ou menos como uma autenticação.

Seguindo o mesmo raciocínio, mandei um email perguntando se eu podia tirar uma cópia dos meus documentos para a coordenadora do meu curso, que sugeriu que eu falasse com a secretaria, o que eu imediatamente fiz. Hoje a secretária do curso me escreve dizendo que falou com a ex-coordenadora do curso que por sua vez disse que se eu tenho pressa talvez seja melhor conseguir o documento de outra forma.

Agora a pergunta é, o que eles fizeram com meus documentos? Porque se era por uma questão de espaço, eles poderiam ter me devolvido depois de terem constatado que eu preenchia os requisitos para o curso.

Será que é mal das faculdades de comunicação? Porque os outros departamentos com quais eu tenho contato na Universidade de Estocolmo parecem ser bem organizados e em Londres eu estudei no departamento de Sociologia.

Agora eu estou pensando em quais serão as consequências de enviar meus documentos com uma página da tradução de um histórico faltando….

Bem feito para mim, se tivesse cuidado melhor dos meus papéis…

Humpf!

Tem muitas coisas que eu gosto muito na universidade aqui na Suécia, mas tem uma que eu ODEIO: o fato de que somos praticamente obrigados a comprar livros. Não, eu não tenho nada contra comprar livros, muito pelo contrário, eu trabalhei numa livraria principalmente para poder comprar livros com 35% de desconto. O problema é ter que comprar um livro do qual eu só vou mesmo usar alguns capítulos. Ou, como é o caso no momento, comprar um livro de 300 coroas (+ou- 80 reais) que eu vou usar apenas por duas aulas. Livros acadêmicos são caros, porque não são impressas muitas cópias, ao contrário dos Paulo Coelho da vida. Eu não acho isso certo, mas é a realidade. Sendo assim, eu prefiro comprar aqueles que me serão úteis como referência e não livros que eu vou usar por 1 ou 2 meses e depois largar na estante para pegar poeira.

No Brasil o xerox rolava solto, aqui até que rola, mas as vezes leva semanas para conseguir o livro na biblioteca. Na universidade em Londres os professores diziam para não comprarmos os livros e até que tinha um bom número de exemplares na biblioteca. Tudo bem, em Londres eu tinha que pagar pelo meu curso e aqui eu não preciso. Eu acho que o raciocínio por trás disso é que aqui na Suécia os estudantes geralmente recebem algum tipo de ajuda do governo. Geralmente, mas não sempre. Paola Madrid Sartoretto, por exemplo, não recebe nenhuma coroa. Mesmo se recebesse, odiando desperdício como eu odeio, acho que ainda ia reclamar de ter que comprar livros caros que para mim não valem o seu preço.

E tenho dito. Votem em mim na próxima eleição (só não sei para que…)

P.S. Tem uma coisa que me causa muita inveja: entrar nos escritórios dos meus professores e ver as paredes CHEIAS de livros. A minha inveja quase me deixa sem fala.

Adestramento de pessoas: AQUI

Depois de duas semanas correndo de um lado para o outro pela cidade, hoje deu para ficar o dia inteiro em casa. Não tive aula no curso de sueco nem no mestrado, e como é carnaval no Brasil, também nao fui trabalhar.  Nessas duas semanas que passaram eu fui uma das melhores clientes da SL (companhia de transporte urbano de Estocolmo), peguei inúmeros trens e onibus por dia, para ir da universidade 1 para a universidade 2 e da universidade 2 para o trabalho. A universidade 1 e a 2 são a mesma universidade, o que acontece é que a Faculdade de Jornalismo e Comunicação fica no centro da cidade e nao no campus onde é o meu curso de sueco. Super conveniente!

Por falar no curso de sueco, ele vai muito bem. Tirando os professores que acham que estão adestrando cachorros e se esquecem de que estão ensinando seres humanos. Isso é uma coisa que me irrita muito, desde que comecei a estudar sueco, o tempo DESPERDIÇADO  em discutir estereótipos (”o sistema penintenciário da Suécia é uma colônia de férias”; sexismo no ambiente de trabalho; quais são as tarefas consideradas masculinas e quais são as tarefas consideradas “femininas”; e por aí vai) porque eles têm que preparar os imigrantes semi-civilizados para viver nessa sociedade democrática-iguálitaria-inclusiva-justa e tudo mais. Não que eu ache que a sociedade sueca não é todas essas coisas ou que esses assuntos não devem ser tratados em aula, mas isso poderia ser feito de uma forma menos “aqui-homem-lava-louça-e-cozinha-e-a-mulher-trabalha-fora”. Eu já estudei inglês e italiano e não me lembro de ter passado horas discutindo sobre se os ingleses vão muito ao pub ou se os italianos falam muito alto. Durante os cursos eu li sobre a história e costumes dos dois países, porque são interessantes e porque é um jeito divertido de aprender a língua. Agora, ficar batendo na mesma tecla do aqui é todo mundo igual e não converse com as pessoas no metro, pelamordedeus, haja saco.

Para aumentar ainda a minha antipatia com professores que acham que nós somos retardados, na aula de expressão oral nós tivemos que apresentar para a turma três pontos importantes do livro que estamos lendo. É óbvio que todo mundo gaguejou, ficou pensando nas palavras, ninguém na turma fala sueco fluente. Só que eu acho que o professor não entendeu isso e saiu com uma palestra sobre como falar em público, com direito a exercícios de respiração e um tal de ficar repetindo aaaa - mmmmm- uuuuuu. E eu lá pensando se falava ou não para ele que eu quero aprender a falar sueco, não aprender a falar em público que nisso até que eu me viro, contanto que seja numa língua que eu domino.

Bom, mas agora chega de reclamação, porque os exercícios de sueco me esperam.

Voltei

Nossa, passei tanto tempo sem escrever um post decente que agora os meus 10 leitores devem ter diminuído para 2. Mas a vida tem sido um pouco atribulada do lado de cá. Durante as ¨férias¨precisei fazer um trabalho para o mestrado. Trabalho esse muito chato e inútil, devo dizer. Eu fico boquiberta com a incapacidade de uma das minhas professoras de se expressar por escrito numa maneira pelo menos semi-inteligível. Mas enfim, o trabalho foi entregue.

Semana passada minhas aulas no mestrado começaram e parece que dessa vez eu vou, finalmente, ter um curso de metodologia de pesquisa que preste. Tem muita coisa para ler, mais ou menos 120 páginas por semana, mas acho que vai valer à pena. O lado ruim é que acho que vou levar vários meses para terminar The Shock Doctrine e eu estou com God Delusion que ganhei de Natal esperando para ser lido. Acho que ele vai ter que esperar bastante.
ó
A outra coisa legal é que passei para o curso de sueco na Universidade de Estocolmo. Eu tinha comentado aqui sobre a prova. Eu fiquei em segundo lugar na lista de espera para o curso e acabei conseguindo uma vaga. Não tinha comentado antes, porque sabem como é, tem muito olho gordo por aí. E além do mais, não gosto muito de ficar falando das coisas antes que elas aconteçam, pois como diz a minha mãe, não se deve contar com o ovo no c* da galinha. Mas enfim, comecei o curso terça-feira. Esse é um curso de sueco como língua estrangeira (Svenska som främmande språk) e temos aula de gramática, sueco oral, redação e algo como estudos sociais. Até agora tive aula de gramática e adorei a professora e de redação, achei o professor um pouco pedante. O curso parece muito mais sério do que o “Swedish for Idiots” que eu estava estudando. Nas aulas de redação e sueco oral as turmas são de 20 pessoas, o que ajuda bastante.

Mais uma coisa legal é que eu comecei a trabalhar!!!! Bom, o trabalho será apenas por um mês, mas qualquer coisa aqui na Suécia já é ótimo. O negócio é o seguinte: o presidente dessa que promove cursos de treinamento técnico para profissionais de telecomunicações vai para o Brasil em fevereiro para fazer contatos com possíveis clientes. O que eu tenho que fazer é ligar para varias empresas de telecomunicações e tentar agendar reuniões com eles. Chato, mas melhor do que nada. Mas o que eu achei realmente estranho foi a confiança que eles têm nas pessoas: no segundo dia eu fiquei sozinha no trabalho (por causa do fuso eu fico até as 7-8 horas) e eles me deixaram lá, com a chave do escritório, vários computadores, telefones celulares, o escambau. Além disso, depois de ter trabalhado 5 anos na Inglaterra eu confesso que é meio estranho não ter Health and Safety Training. Eu não tenho idéia de onde as saídas de emergência são, não sei para onde ir se o prédio tiver que ser evaculado. Ainda mais preocupante é o fato de que eu não sei o que fazer se receber uma ligação de alguém dizendo que colocou uma bomba no prédio.
E além de tudo isso, eu não vi nenhuma câmera de CCTV. E olhem que eu procurei.

Eu ainda não sei se fiquei aliviada ou se o meu senso de normalidade foi tão distorcido que eu acho que não ser filmada 300 vezes por dia é anormal…

SATC e os estudos

 satc.jpg

Nem mesmo nos meus sonhos mais surreais eu pensei que seria possível estudar vendo Sex and the City, mas isso é exatamente o que estou fazendo agora. Uma das minhas tarefas para terminar o primeiro módulo do mestrado é analisar um programa de entretenimento à escolha.

Eu não pensei nem meia vez em qual seria a minha escolha.

O muro e o coco

Essa semana foi meio desorganizada no mestrado. O tema da semana era globalização e filmes, na terça-feira tivemos a aula ou palestra sobre o tema. A professora simplesmente LEU sua palestra de cabo a rabo, um texto em linguagem super acadêmica, frases longuíssimas e entrecortadas. Ou prestava-se atenção ou tomavam-se notas, fazer os dois ao mesmo tempo era impossível. Daí, no fim da aula um dos meus colegas perguntou se a professora podia nos passar as notas dela, porque ninguém tinha anotado nada, ao que ela responde: Eu nunca distribuo as minhas palestras. Mas vá TNC!

Ela queria discutir sobre como a globalização é representada visualmente na TV ou filmes e lançou a pergunta no ar. Várias pessoas deram exemplos e ela só respondia: Muito bom exemplo, mas não é bem isso que eu estou procurando. Na verdade acho que nem ela sabia o que estava procurando. Nós assistimos parte do filme Surplus: Terrorized Into being Consumers do diretor sueco Erik Gandini que é muito interessante, não tanto pelo conteúdo que cai em vários lugares comuns da crítica à globalização, mas pela linguagem e estética utilizadas.

Na quarta-feira teríamos que assistir ao filme The Tube, mas o filme era em francês com legendas em sueco. Como a maioria da turma não entende nenhuma das línguas (lembrando que o mestrado é em inglês) fomos obrigados a abortar a missão e ver o resto do primeiro filme do qual tínhamos visto apenas 15 minutos na terça-feira. Um dos problemas é que os textos para discussão no seminário de sexta-feira eram relacionados ao The Tube, o que deixou a coisa meio sem pé nem cabeça.

Chegando no seminário, ninguém sabia muito bem o que fazer: discutir os textos, discutir o filme, jogar conversa fora… Outro problema é que por sugestão dos monitores do seminário e da professora, deveríamos discutir o formato, estética e linguagem do filme (as tal representação do global no vídeo) entretanto, o tema do filme é super polêmico e muita gente queria falar sobre isso.

Acabamos por discutir vários assuntos e seguir o rumo da conversa que num certo momento enveredou para a crítica ao consumismo que virou moda agora. Uma das minhas colegas, que é russa, disse que esse tipo de criticismo não existe na Rússia pós-comunista, depois de anos esperando na fila para comprar pão e leite, as portas para o mundo luminoso, variado e cheio de opção se abriram e agora que tem dinheiro quer saber mais é de se empanturrar de Big Mac, comprar forno microondas, TV, computador e não tá nem aí para o meio-ambiente.

Mas o que mais me chamou atenção, principalmente pela singeleza do relato foi uma colega alemã. Ela disse lembrar dos dias depois da queda do Muro de Berlim, de ir num supermercado e ficar boquiaberta diante da variedade, diversidade e tamanho. Segundo ela: quando eu via um coco, eu não pensava que na Alemanha faz frio que não dá coco lá e que o coco viajou quilômetros e liberou muito gás-carbônico na atmosfera, eu pensava apenas que que eu nunca tinha comido coco e queria provar.

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Atenção

Eu moro na Suécia mas não sou agência de turismo, intercâmbio nem trabalho no consulado brasileiro, então não me peça informações sobre morar aqui, aprender a língua, estudar, etc, para essas coisas existe o Google e foi googlando que eu achei 99% das informações que precisava para morar aqui. Na página de links tem vários sites com informações úteis sobre morar na Suécia e Inglaterra.

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