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CHEGUEI

Sim, cheguei no Brasil sábado, depois de esperar 8 horas em São Paulo porque, como todos os que viram Jornal Nacional sabem, o Salgado Filho tem fechado por causa do mau tempo.

Eu acho que vou iniciar uma campanha para criar um ponto turístico internacional em Porto Alegre para que comecem voos diretos da Europa, porque viajar 12 horas e ainda ter que esperar em São Paulo não é lá muito divertido.

Falando em Porto Alegre, hoje de tarde depois do dentista, to indo para lá.

Ah sim, imaginem só o que eu vi na casa dos meus pais domingo, logo que cheguei de Porto Alegre??? Quem ta pensando que foi uma barata acertou em cheio. Até no inverno elas me perseguem…

Vou ali comer uma bergamota, da árvore plantada pelo meu pai, como ele fez questão de deixar bem claro.

If you broke it, you shouldn’t be allowed to fix it

Terça-feira, dia 3 foi um dia que eu nunca vou esquecer: eu tive a oportunidade de escutar Naomi Klein ao vivo no Södra Teatern aqui em Estocolmo. Eu sou fã dela desde No Logo e agora depois de ler The Shock Doctrine minha admiração pela escritora canadense aumentou. The Shock Doctrine (A Doutrina do Choque) é um livro de quase 600 páginas que fala sobre algo que ela chama de “disaster capitalism” ou seja como governantes (os Republicanos nos Estados Unidos) se aproveitam disastres - naturais ou provocados - para empurrar leis de privatização e desregulamentação. No livro ela cita vários exemplos de quando isso aconteceu: golpes de estado nos anos 60-70 na América Latina, Rússia depois do fim da União Soviética, Sri Lanka depois do Tsunami, New Orleans depois do furacão Katrina e por último o Iraque. A idéia dela quando começou a escrever o livro era falar sobre a indústria de reconstrução e segurança que vem lucrando com a reconstrução do Iraque. Entretanto, na palestra Naomi contou que quando estava na Argentina em 2003 ela participou de algumas manifestações contra a ocupação e percebeu que as Mães da Praça de Maio argumentavam que estavam fazendo com o Iraque a mesma coisa que fizeram com a Argentina nos anos 60. Foi então que ela começou a refletir sobre o assunto, perdeu muitos prazos de entrega de manuscritos e o que era para ser um livro sobre a ocupação do Iraque se transformou num tratado sobre o Capitalismo de Disastre.

Naomi falou da crescente indústria de segurança que ganha cada vez mais dinheiro protegendo países e pessoas de ameaças que muitas vezes nem sequer existem. O que essa indústria faz é criar sofisticados sistemas de proteção para os ricos e “gerenciar” os pobres com prisões, controles de fronteiras além de tratar de afastá-los fisicamente - com projetos habitacionais e planejamento urbano - de quem tem dinheiro, como aconteceu no Sri Lanka depois do Tsunami. Naquele país, o dinheiro que os europeus enviaram para ajudar as comunidades locais a se recuperarem do desastre, foi na verdade usado para afastá-los da costa e do mar, de onde tiravam seus sustento, para construir resorts ultra luxuosos.

Já no Iraque, a reconstrução depois da guerra se transformou num mega negócio onde quem ganhou foram empresas de segurança como Halliburton e Blackwater (onde um dos maiores acionistas é o vice-presidente Dick Cheney) e quem perdeu foi o povo Iraquiano.

Como disse a apresentadora da palestra -não lembro o nome dela- o The Shock Doctrine não é um livro esperançoso, mas é certamente inspirador. Segundo Naomi, a saída para evitar os tratamentos de choque planejados pelo governo americano é falar e refletir sobre o que está acontecendo a nossa volta, porque os estrategistas do capitalismo de disastre se aproveitam exatamente dos momentos em que todos estão chocados e sem entender o que está acontecendo.

Por fim, Naomi falou da idéia do débito ecológico, ou seja, que os países desenvolvidos paguem para que as reservas naturais continuem intactas, uma vez que países como Equador e Brasil também querem lucrar com petróleo e outras commodities. O que não pode acontecer é deixar que os responsáveis pelo estrago tenham a chance de arrumar a casa como aconteceu no Iraque.

O mais engraçado de tudo foi um grupo de jovens suecos arrumadinhos na porta do teatro carregando umas placas com fotos do Milton Friedman. Para mim eles pareciam umas crianças mimadas que não têm idéia do que é pobreza, desemprego e fome tentando defender seu direito de dirigir uma BMw, passar férias na Tailândia e carregar uma bolsa Gucci. Ridículo.

Vou pra Porto Alegre, tchau!

Sábado, 9:25 to chegando no Salgado Filho. Ainda bem que ta frio o que significa ausência de baratas.

Escravo tem dia?

O Dia Internacional do Trabalhador é, em teoria, uma data em que se comemorariam as conquistas de direitos trabalhistas, como o dia de trabalho de 8 horas em vez das 14 ou 16 trabalharas nas fábricas na época da revolução industrial, o direito de associação, de formar sindicatos e uniões, o direito à greve e muitos outros. O problema é que com o avanço desenfreado do capitalismo, com sua constante sede por lucro acima de tudo e lucro que permanece nas mãos de poucos, esses benefícios e direitos conquistados às custas de muita luta vão sendo perdidos.

No Brasil, a concentração de riqueza nas mãos de poucos não é novidade, acontece desde o periodo colonial. A má distribuição de renda faz com que a maioria dos habitantes de um país rico seja pobre ou miserável. E quem vive na miséria se torna extremamente vulnerável. Qualquer promessa ou proposta, por mais absurda e impossível que seja, parece uma boa alternativa a morrer de fome. É assim que milhares de brasileiros se tornam escravos, ludibriados pela promessa de um trabalho digno, de poder sustentar sua família.

De acordo com a última estimativa a que eu tive acesso, 25 mil pessoas estariam trabalhando em condições análogas à escravidão no Brasil. No caso do trabalho escravo, é difícil chegar a números extatos, pois quem utiliza mão de obra escrava faz questão de escondê-la. Em dez anos, de 1995 a 2005, desde que o Pacto Nacional para Erradicação do Trabalho Escravo entrou em vigor, mais de 17 mil trabalhadores foram libertados. Mas apenas libertar trabalhadores não é o suficiente para acabar com a escravidão contemporânea. E necessário também que as condições que levam uma pessoa a cair na cilada do trabalho escravo sejam eliminadas. Essas condições são a extrema pobreza, a falta de empregos e muitas vezes a falta de informação.

Essa é justamente uma das críticas de autoridades internacionais ao projeto de erradicação do trabalho escravo no Brasil. Mesmo sendo um dos países que mais tem agido para encontrar e libertar trabalhadores nessas condições, o governo brasileiro não tem feito muito para punir os culpados ou para criar condições que desistimulem o trabalho escravo.

Só que muita gente se beneficiaé do trabalho escravo porque ele reduz os custos de produção. Então tem muita gente no Brasil que primeiro se recusa a admitir que há trabalho escravo e segundo se recusa a aceitar as medidas para erradicá-lo. Um exemplo é a PEC 438, ou PEC do Trabalho Escravo, que está parada na Câmara dos Deputados desde 2003 principalmente por causa do lobby da bancada ruralista. Essa proposta de emenda constitucional istituiria o confisco de terras onde trabalhadores em condições análogas à escravidão fossem encontrados e as terras seriam destinadas à reforma agrária.

Algumas organizações, como a Repórter Brasil e a Comissão Pastoral da Terra vêm pressionando o governo para que a PEC seja aprovada e colocada em vigor como explicam Leonardo Sakamoto e Xavier Plassat. Dia 12 de março houve uma manifestação em Brasília e há um abaixo assinado na internet pedindo que a PEC seja votada. Como eles bem disseram: Dá para tolerar que nossos representantes continuem sentados em cima de uma questão como essa?

P.S.: Eu estou blogando do meio das caixas, nós mudamos para o ap novo sábado e os nossos pertences já estão todos encaixotados. Espero escrever mais sobre escravidão contemporânea durante a semana, mas não sei se vai dar tempo, principalmente porque vai levar 3 semanas para conectarem a internet no outro ap, então só vou poder acessar da internet, caso não haja um vizinho camarada, com uma conexão aberta para me emprestar. Leiam também os blogs da Laura e da Lys que vão escrever sobre o assunto hoje.

Estou procurando vítimas!

Eu preciso de jornalistas que trabalhem na Folha, Estadão, Correio Braziliense, O Globo ou Jornal do Brasil para fazer uma entrevista para o meu projeto piloto sobre como as ONGs usam a mídia como ferramenta de comunicação. Eu posso fazer a entrevista por e-mail ou telefone.
Se alguém é ou conhece uma vítima em potencial, por favor deixe um comentário (que eu não vou publicar) ou mande um email para pasartoretto@yahoo.com com o contato.

Caixas e mais caixas

Passaremos o fim-de-semana encaioxotando coisas aqui em casa em preparação para a mudança no próximo sábado. Queremos realizar uma operação organizada e eficiente como foi nossa mudança para Estocolmo há um ano. Já recrutamos ajudantes e elaboramos um cronograma de atividades. O bom é que dessa vez o apartamento fica a 5 minutos de carro de onde moramos agora.

Semana que vem tem a nossa nano-blogagem do dia do trabalho. Ano que vem quero ver se organizo mais e arrecado mais uns participantes.

Enquanto isso até o final de maio preciso escrever:

2 trabalhos 1trabalho atrasado de metodologia de pesquisa

1 trabalho de redação em sueco

1 trabalho de Filosofia e ética na pesquisa (para teça-feira)

1 redação em sueco (para segunda-feira, acho que vou matar aula)

2 trabalhos de expressão oral em sueco para compensar 2 aulas que eu perdi.

1 Relatório de um projeto piloto para o mestrado (eu fiz uma pequena falcatrua e usei minha dissertação do mestrado em Londres)

2 trabalhos muito idiotas de Estudos Sociais em sueco, um em grupo, um individual.

uns 3 textos para o site da conferência da IAMCR

Fora isso, no final de maio e inicio de junho eu tenho provas de redação e interpretação de textos, gramática e uma prova oral em sueco. Acho que vou tentar um truque que vi no Desperate Housewives : as mães tomavam os remédios para ADHD dos filhos e ficavam ligadonas, o que lhes permitia gerenciar a casa com maestria, cuidar dos rebentos e produzir a apresentação de fim de ano da escola. O único problema é que eu não conheço ninguém com ADHD para roubar umas pílulas mágicas.

6 coisas que amo

A Ermã me passou uma tarefa de escrever sobre 6 coisas que amo e ainda afirmou que eu a obedeço porque ela é maior, coitada…

Aqui vão as coisas

Ler Eu adoro começar um livro novo, passar uma tarde lendo, ler no ônibus, no trem. Gosto de livros de ficção e não-ficção e até mesmo alguns meio trash.

Estudar Além de aprender e descobrir eu gosto do ambiente da universidade e espero permanecer nele por um bom tempo.

Viajar Conhecer novos lugares, pisar num país ou cidade pela primeira vez, usar dinheiro diferente, escutar uma lingua diferente, comer coisas diferentes.

Cuidar da minha casa Gosto de encontrar coisas diferentes, em lojas de segunda-mão, liquidações, combinar coisas e receber amigos.

Passar tempo com as pessoas que gosto Eu passo boa parte do meu tempo com pessoas com as quais eu não escolho estar, então, meu no meu tempo livre gosto de passar tempo com pessoas que são especiais para mim.

Cozinhar é o mais perto de gostar de química que eu consigo chegar. Misturar coisas, ver massa se transformar em bolo, pão crescer, coisas mudarem de cor e sabor é muito divertido, principalmente quando estou cercada de gente legal.

Bom meu povo, eu não tenho poder de influenciar seis habitantes dessa blogosfera, mas eu posso subornar a Ju com sorvete de limão.

As regras são as seguintes

As regras que os convidados devem seguir sao simples:

1. indicar os links de quem os convidou
2. escrever o regulamento no proprio blog
3. citar os 6 objetos do jogo
4. envolver outras seis pessoas
5. comunicar aos proximos 6 sortudos a nomination

Dia Internacional do Trabalhador


Como todos sabem, 1° de maio é o Dia Internacional de Trabalhador, uma data que foi criada para celebrar as conquistas sociais e econômicas da classe trabalhadora. Entretanto, hoje em dia anda meio complicado falar em celebração quando muitos direitos adquiridos depois de anos de luta vão sendo perdidos pouco a pouco por conta do capitalismo desenfreado e da tão aclamada economia globalizada.
Um exemplo disso é o trabalho escravo: estima-se que hoje existam 27 milhões de pessoas trabalhando em condições análogas à escravidão pelo mundo afora, em torno de 25 mil delas no Brasil.

Eu não tenho a intenção de organizar uma super blogagem coletiva como as que a Lys, a Georgia e a Meroca organizaram nos últimos meses, principalmente porque eu vou me mudar dia 3 de maio e dia 1° eu vou blogar diretamente do meio das caixas. Além disso provavelmente eu fique sem internet nos primeiros dias depois no novo apê. Mas seria legal se um monte de gente escrevesse sobre os atuais problemas enfrentados pelos trabalhadores no Brasil, em especial o trabalho escravo.

Há muitas questões pertinentes no tocante ao trabalho escravo e direitos trabalhistas, principalmente agora com o aumento da demanda por etanol que esta gerando uma demanda por mão-de-obra escrava nos canaviais. Mas essa é apenas uma sugestão.

Para mais idéias eu sugiro esses sites

Repórter Brasil
Blog do Leonardo Sakamoto
Agência Carta Maior
Comissão Pastoral da Terra

Em inglês
Anti-Slavery International
Free the Slaves

PS: quem tiver a fim de participar, deixe um comentário que eu coloco um link para o blog de vocês.

Presença Confirmada
Lys
Laura

Psiu

Agora eu também estou aqui

Analfabetismo no Brasil

Hoje eu acordei, li o jornal, fui à aula e li um livro, fui numa reunião e anotei várias coisas, agora estou escrevendo no blog. Essas são atividades diárias para mim. A palavra escrita faz parte da minha vida assim como o ar e a água . Provavelmente faz parte da sua vida também, se você esta lendo esse texto. Ler e escrever são coisas tão normais na vida de muita gente que nós não nos damos conta de que tem muita gente no Brasil que não pode ler um livro, não pode ler o jornal, não pode ler um contrato antes de assinar para se certificar de que não está sendo passado para trás.

Sem dúvida, saber ler e escrever é crucial para que sejamos cidadãos completos e hoje, no dia Nacional do Livro, a Georgia e a Meiroca estão promovendo a blogagem coletiva “O que você faz para acabar com o analfabetismo no Brasil”. E eu preciso confessar , com um tanto de vergonha, que eu não faço muita coisa! Lendo o post da Lys eu me identifiquei um pouco com a descrição dela da classe média que não se interessa muito pelo fim do analfabetismo. Não que eu critique os programas do governo como o bolsa-escola e o bolsa-familia, muito pelo contrário. Eu acho que graças a esses programas muita gente saiu da miséria completa para condições um pouco mais sobrevivíveis. O que eu quero dizer é que eu não atrapalho, mas também não ajudo.

Por outro lado, vivendo aqui na Suécia, um país com uma longa experiência de democracia participativa, eu acredito no poder do cidadão de operar mudanças na sociedade. O Brasil ainda está no ensino básico da escola da democracia. Entretanto eu tenho esperança de que com o passar do tempo nós vamos aprender a eleger, monitorar e cobrar nossos representantes.

Quando nós votamos, estamos dando ao nosso canditado o poder de nos representar. Só que eu acho que muita gente esquece de cobrar. Por que há comunidades sem escola? Por que há crianças em idade escolar trabalhando? Por que existem adultos analfabetos e como podemos alfabetiza-los e permitir que eles conciliem trabalho e estudo? A minha opinião é que antes de criticar os políticos que são corruptos, que criam programas com os quais não concordamos, que não fazem seu trabalho, etc nós devemos nos perguntar se nós fazemos nosso dever de casa de cidadãos que não acaba quando clicamos em confirmar na urna eletrônica.

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Atenção

Eu moro na Suécia mas não sou agência de turismo, intercâmbio nem trabalho no consulado brasileiro, então não me peça informações sobre morar aqui, aprender a língua, estudar, etc, para essas coisas existe o Google e foi googlando que eu achei 99% das informações que precisava para morar aqui. Na página de links tem vários sites com informações úteis sobre morar na Suécia e Inglaterra.

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